2012 foi uma merda e 2013 não será melhor

Ao contrário de muitos camaradas faço um balanço muito negativo do ano 2012 e – pior – temo que as coisas ainda vão piorar.

Não falo do acumular de derrotas concretas que a classe trabalhadora tem vindo a coleccionar desde o início do ano (direitos, rendimentos e até liberdades), porque nisso, com eventuais nuances, as análises que fazemos são coincidentes. Falo de uma sobrevalorização política da luta que se tem travado nas ruas, ao mesmo tempo que se subavaliam as consequências dos tais recuos e derrotas concretas na luta e no Movimento.

The end is near

O argumento é intuitivo: Quem tem medo de ser despedido (mesmo estando no quadro), protestará se lhe dizem à ultima da hora que não pode gozar o dia de férias na ponte de dia 31? Quem conta os tostões para chegar ao fim do mês, contribui para a impressão colectiva de um cartaz ou mesmo para o transporte de ida e volta ao local da reunião? Quem trabalha 10 horas por dia terá energia para uma actividade política intensa?

Por outro lado, as milhares de pessoas na rua estarão todas a lutar pelo mesmo?

Party Program refere a heróica expulsão dos fascistas da manifestação de 21 de Janeiro, mas o simples facto de terem saído da toca não é por si só inquietante? Para além disso muita da contestação e oposição ao Governo tem linhas de força claramente conservadoras (muitas vezes incentivadas pela própria esquerda, o que é ainda mais dramático): Contra o “roubo” que são os imposto ou as contribuições para a Segurança Social; o patriotismo; o voltar a crescer, voltar a ter crédito, voltar a ter emprego nas relações de produção de sempre e – “como estamos em crise” – com condições piores do que há 20 anos.

Imagem tirada de um site apoiante do Tea Party
Imagem tirada de um site apoiante do Tea Party

É evidente que o que se está a passar no nosso país, enche de revolta toda a gente e nunca houve tantas manifestações como agora. Mas isso reflecte-se na perda de força da reacção? A luta dos estivadores é extraordinária, mas convém não esquecer que foi precisamente em Portugal que o Capital decidiu desferir um golpe decisivo na classe antes de procurar avançar noutros países. Cá existem condições melhores para florescer a reacção. Cá, Pires de Lima é um génio da economia e do empreendedorismo e é atentamente ouvido quando diz que a greve dos estivadores já fez perder 20 milhões de euros em exportações de “cerveja nacional”.

Infelizmente, creio que a revolta, o descontentamento e a raiva que está aí às carradas, mais do que impulsionarem mundos melhores e modos de vida alternativos, têm mais facilmente gerado angustias, agressividade na estrada, impotência sexual e gastos em anti-depressivos.

Ainda pior: A acontecer alguma ruptura nos próximos anos, será provavelmente daquelas que nos vão pôr ainda com mais medo de ir parar à prisão ou ao exílio.

Aliás, é paradigmático que há uns dias tenha feito sucesso no facebook (mesmo entre malta de esquerda, repito) um artigo sobre como a Hungria fazia, ao contrário de Portugal, frente ao FMI.

O do meio foi eleito deputado no parlamento Grego, pelo partido Neo-Nazi, numas eleições que deixaram demasiadas pessoas satisfeitas....
O do meio foi eleito deputado no parlamento Grego, pelo partido Neo-Nazi, numas eleições que deixaram demasiadas pessoas satisfeitas….

 

 

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13 pensamentos em “2012 foi uma merda e 2013 não será melhor

  1. é vingança por não ter posto o congresso das alternativas?

    sem grande tempo para discussões,

    1) 2012 foi um ano extremamente interessante em termos políticos, e pleno de momentos marcantes – por isso que pus a canção nostálgica do Sinatra. Uma apreciação a outros niveis, incluindo sobre os níveis de agressividade na estrada, é mais complexa, por isso não a fiz.

    2) Os facistas já sairam da toca há mais de dez anos Saboteur.

    3) Realmente em algo concordamos, a esquerda é patética.

  2. Concordo que os tempos estão interessantes, mas estou extremamente preocupado e pessimista e portanto não partilho do entusiasmo ao ler o rol de lutas do teu post

    Os fascistas já saíram da toca mas não assim. A situação não é comparável com a de há 10 anos, quer penses nos fascistas mais hard-core, que espalham impunemente propaganda por toda a cidade (vá lá: roubaram-lhes o out-door de Entre-Campos, apesar das críticas de altos dirigentes do BE) , quer penses nos mais low-profile, como o nosso Ministro de Estado, que se prepara para ser Primeiro Ministro.

  3. ao contrário de todos os outros escribas do spectrum, o saboteur tem uma grande vantagem: é mais honesto intelectualmente falando e bastante coerente (nomeadamente quando, assertivamente, coloca o boneco do tea party que representa muito do que a esquerda também diz e até muitos dos posts deste mesmo blog)

  4. Achas que os 15 tipos da cisão intelectual do PNR que estiveram presentes no dia 21 de janeiro são mais preocupantes que as manifestações com duzentas ou trezentas pessoas que organizava o PNR juntamente com os hammerskins por volta de 2005? Ou que os cerca de trinta hammerskins que estiveram no 12 de Março de 2011?

    as derrotas da esquerda têm a ver com as suas capacidades. Em 2012, mais ou menos penosamente, mais ou menos inteligentemente, foi iniciado um processo de reformulação da esquerda, um pouco por todo o lado, por aqui também. Seja ou não capaz é outra história, mas pelo menos está em campo algo diferente

  5. É necessário uma análise lúcida das forças e fraquezas do movimento social, não é isso que este texto faz, é um artigo que apenas se refere a algumas tendências negativas (outras que apenas existem na cabeça preconceituosa do autor) e daí tira conclusões gerais. Este é um post derrotista que apenas serve para dar armas à reacção e espalhar o desânimo entre aqueles que combatem a reacção. É um erro grave quando há demasiado optimismo e ilusões de grandeza, mas um erro ainda mais grave é o espalhar do desânimo e o “derrotismo”. Ainda não chegámos a essa fase, mas se necessário for prefiro uma “Ordem 227″ à vitória do fascismo…

    E tu?

    “The panic-mongers and cowards should be exterminated in place.”
    http://en.wikisource.org/wiki/Order_No._227_by_the_People%27s_Commissar_of_Defence_of_the_USSR

    Assim se derrotou o Nazismo

  6. É precisamente isso que nos faz falta agora: optimismo e fé, muita fé, no amanhã. E combate às tendências negativas que existem em cabeças preconceituosas. Nem que seja à lei da bala, com uma “ordem 227″

    Assim é que se derrota o quê?

  7. Tirando o facto (inquestionável) que certa «malta de esquerda» se entusiasma com as coisas mais inimagináveis, não vejo bem para onde caminha a argumentação deste post. Há dois anos tudo o que se discutia à esquerda era a política de alianças do Bloco para a CML e para as presidenciais. Hoje discutimos as vantagens e inconvenientes de queimar caixotes de lixo na rua perante uma carga policial. Parece-me existir aí algum avanço.
    Assim de repente, só mesmo o movimentismo cidadanista da ATTAC e outros que tais é que não se tem saído lá muito bem. Se até a extrema-direita se procura juntar à contestação nas ruas isso significa que a política que realmente conta neste momento se faz nas ruas.

  8. Oh pp, os fascistas do PNR são aqueles dos quais nem temos de ter medo. São um bando de parvinhos que andam por aí a passear os suspensórios.
    2012 foi o ano em que os verdadeiros fachos saíram da toca. E com uma naturalidade assustadora.

  9. Pingback: O balanço do ano e os desejos para 2013 | Spectrum

  10. Granda merda de post de intelectualizto de esquerda. O que gostei mais foi da imagem do senhor pendurado pelo pé, pelo judeu gigante.

    Fascina-me o facto de o pessoal anarca e extrema esquerda serem filhos de ricos.

    “A história verá a Europa de hoje como uma invasão e destruição da identidade de Portugal”

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