A democracia em África

Hoje apetece-me um bocado de demagogia.

Está a haver eleições em Moçambique. A Frelimo vai ganhar. A Renamo vai perder. O povo vai continuar na mesma enquanto as elites políticas, as famílias e compadres instalados vão continuar a comer na corrupção, nos buracos negros do Estado de direito, nas decisões políticas que ninguém controla. Talvez seja por saber disso que o povo não vai votar. Ou simplesmente porque sabe que a santa democracia exportada pelas instituições encarregues de nos convencer que estamos no melhor dos mundos possíveis não lhes tem servido para nada, treze anos depois dos acordos de paz.
O Chissano queixa-se que “num país com uma elevada taxa de iliteracia e ignorância relativamente aos sistemas políticos, as pessoas têm tendência a interrogar-se: ‘o que ganho eu em votar?’. Estou certo de que, se tivéssemos dito a cada pessoa que vota, que receberia dinheiro, mesmo que um pouco, ela teria ido votar” e acaba por dizer que se calhar há “algo de negativo no sistema”. Pois é.
Basta ver que, se a classe política moçambicana se nivelasse pela esperança média de vida do povo, não havia deputados, não havia presidente, não havia magistrados, não havia Estado democrático, não havia burguesia, não havia nada. Havia só uma multidão de deserdados miseráveis a morrer de subnutrição, doença e sida.
Aos 38.5 anos de vida.
[Renegade]

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