Conversas de Metropolitano


Andar de metro é uma aventura social.
É por isso que registo aqui duas conversas muito interessantes.
Entram duas raparigas, na casa dos vinte anos, oscilam entre o português e o crioulo. Uma delas tem um problema de amor. Conta, em surdina, o que se passou. A outra exalta-se e diz: “Tu não tens sangue nas veias?! Tens de ser guerrilheira!”
Fossem consultoras na McKinsey, ou estudantes da Católica, e teriam dito “Tens de ser pró-activa”, um termo pós-moderno e “mais limpinho”, com um aspecto quase asséptico. Digo quase asséptico porque, parecendo isso encontra-se, na realidade, no ponto ideológico diamentralmente oposto ao de “guerrilheira”.

Depois há aquilo a que chamo “síndroma Sete Rios”, uma espécie de aproximação ao metropolitano de Tóquio, só que com menos estilo, e que nos presenteia, todos os dias com as seguintes frases:
“Ó faxavor, cheguem-se para trás”.
“‘Tás com pressa? Passa por cima”.
“Cabrão de merda!”
“Não empurrem, não empurrem, cabemos todos”.
“Com licença, com licença, com licença”.
“Imbecis!”

[Joystick]

3 thoughts on “Conversas de Metropolitano

  1. Sim. O pessoal da estação do Jardim Zoológico, qualquer dia faz um motim.
    O país é há largos anos governado por incompetentes. As coisas estão claramente preclitantes. Abriu uma falha num túnel e instalou-se um caos, com custos sociais e económicos difíceis de calcular.
    Se no outro dia o sismo tivesse sido mais forte, este país, pura e simplesmente afundava-se e acabava de vez.

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