Qualquer dia…

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No final de mais um dia de trabalho, apanho o metro na estação do Marquês de Pombal.
As pessoas, cansadas, meio apáticas, procuram quase instantaneamente os ecrãs gigantes de Televisão que lá instalaram e que passam as imagens que acompanham o som, demasiado alto, que sai dos altifalantes por cima das suas cabeças.
Funciona como uma espécie de anestesia para as pessoas que procuram (inconscientemente, até) “passar o tempo”, esquecer o que ainda lhes falta para chegar a casa, as condições em que vão ser transportadas, e depois o que lhes espera: os filhos, as tarefas domésticas, mais TV de merda…
O que se passa naqueles ecrãs é vergonhoso por ser tão claramente manipulatório: Ora uma notícia, ora um anúncio, ora uma notícia ora um anúncio…
Não há separadores de publicidade, não há como fugir. Tento concentrar-me no meu livro, mas o som alto é eficaz contra uma cabeça cansada… Agora passam um videoclip, mas que é interrompido a meio por mais publicidade…
Reparo nas colunas e nas câmeras, fortemente pretegidas por metal, bem soldado e bem aparafusado às estruturas que as sustentam.
Os responsáveis por esta violência contra os cidadãos sabem bem os riscos que correm e souberam precaver-se.
Para quando uma lição a estes gajos? Entrar por um lado e sair noutro, não deixando nenhuma puta de uma coluna inteira?
[Saboteur]

4 thoughts on “Qualquer dia…

  1. há coisas que só se resolvem à força do malho. quando abriram inscrições para a brigada avisa, contra o ecrã plano marchar, marchar. Ou martelar.

  2. Nos poucos meses em que fui um operário nas estações de metro de Lisboa, apanhei com a instalação dessa porcaria e tinha de ouvir a mesma coisa durante uma porrada de horas. Acho que quando vocês lá chegarem já o chefe da estação tratou disso.

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