O aviador


“Em 1948, com o filme A Cortina de Ferro, a Fox lançou o filme antivermelho, destinado a servir a guerra fria. Ao mesmo tempo, esta propraganada desenvolveu-se largamente na imprensa, rádio, televisão,etc. A Cortina de Ferro, filme sem nenhuma qualidade artística, provocou na América e no estrangeiro vivos protestos e não teve nenhum êxito comercial. Tal revés não impediu Hollywood de produzir, durante sete ou oito anos, numerosos filmes antivermelhos. com um insucesso semelhante. Para a Fox, a M.G.M., a Warner, a R.K.O., a Paramount…esta série saldou-se, por certo, com um deficit que atingiu vários milhões de dólares. Mas o esforço dos cinco grandes foi só aparentemente desinteressado. Estas grandes firmas estavam, com efeito, orgânicamente ligadas aos interesses Morgan e Rockfeller, às grandes empresas de armamentos, aos fornecimentos militares ou de armas atómicas, que gravitam à volta das firmas


Kodak, Dupont de Neumours, General Motors, General Electric, etc. Os filmes antivermelhos tinham contribuido para criar na opinião púbica o pãnico da guerra fria;portanto determinar encomendas militares, atómicas ou outras, muito rendosas(…)
Estes laços que unem Hollywood e os grandes negócios foram notavelmente demonstrados pela pitoresca personalidade de Howard Hughes. Nascido em 1905,este filho de milionário californiano interessou-se cedo pelo cinema. Desde os 25 anos, financiou e realizou, por vezes pessoalmente, filmes em que a aviação tinha um papel importante. Ocupou assim um lugar crescente na produção(…)
Em 1948, Howard Hughes comprou por vários milhões de dólares, aos interesses Rockfeller, a R. K. O.,um dos grandes de Hollywood. Durante sete anos, a sociedade esteve aparentemente deficitária e, em 1955, Howard Hughes tornou a vendê-la a um consórcio formado por alguns industriais de borracha. Pretendeu-se, então, que a R.K.O. fora para ele apeas uma fantasia de milionário, que se apaixonava com os records aéreos e os encantos das “estrelas.”
Mas o semanário Time recordava, em 17 de Outubro de 1955, donde provinham os milhões de H.H. Esta fonte é insuspeita, visto que a grande revista americana se encontra na esfera dos interesses Morgan e publica, com estas revelações, duas páginas de publicidade pagas por H.H.
Segundo este número da Time, H. H. é um dos dez maiores fornecedores de guerra americanos. No orçamento de guerra dos Estados Unidos, à Howard Hughes Aircraft Co. (cujas fábricas ocupam 30 ha na Califórnia e no Arizona)correspondem, por ano, 200 milhões de dólares, só para produção de explosivos teleguiados, que fabrica uma das suas filiais, a C.S.T.I. Howard Hughes é senhor. além destas duas sociedades, da Hughes Tool Co. e da T.W.A., a mais importante das linhas aéreas americanas internacionais. Estas quatro firmas empregam um total de 50 000 pessoas. A cifra dos seus negócios actuais atinge 700milhões de dólares(..)
Durante todo o tempo em que foi propriedade privada de H. H., a R.K.O. multiplicou os filmes antivermelhos e os filmes de guerra passados na Coreia e noutros sítios. A aviação tinha, nestas produções, um papel de primeiro plano. O balanço global pode ter sido deficitário, mas a propaganda contribuiu para um estado de facto que a Time resumia assim: “Os Estados Unidos, a partir de então, tinham passado todas as suas encomendas de material antiaéreo para o mesmo grupo financeiro e tinham posto todos os seus ovos no cesto pertencente ao Sr. Howard Hughes.”
SADOUL, George, As Maravilhas do Cinema