Um comentário no Barnabé

Sobre o direito dos fascistas (deixemo-nos dessas do “orgulho branco” do “nacionalismo” e de cantores-do-hino-e-a-ver-se-chove, tá?) se manifestarem, entendo que o devem ter. Quanto mais não seja para lhes recusar o direito de dizerem que não têm direito à livre expressão – coisa que, como se sabe, era bem cultivada no tempo do “botas”.
A luta contra o racismo não se faz por via administrativa, isto é, o facto de a Constituição não permitir o direito de manifestação das tendências fascistas não representa nada, nem um ponto contra a tendência xenófoba que se vai desenvolvendo na sociedade portuguesa. Não é esta mesma Constituição que garante o Direito ao Trabalho, à Saúde, à Educação e… vejam.
Derivemos para a Constituição. Quase ninguém a conhece e quem a conhece – quem ganha dinheiro a ser o seu “guardião” – só pensa em revê-la porque “está desactualizada”. A Constituição é o rolo de papel higiénico nacional com que se limpa o cu das conquistas de Abril.
Convenhamos, a Constituição não tem nada a ver com o país que somos e pretendemos ser: primeiro, porque não consta que a Lei da Selva possa ser objecto de regulação; segundo, alguém por aqui pretende ser alguma coisa? Miguel de Vasconcelos a padroeiro nacional, já! Não, não alinho em nacionalismos e Olivença que se f.***.
Arrastemos. Primeiro deixaram que se desenvolvessem bairros como o da Cova da Moura, da Bela Vista e outros, porque aquela gente lhes fazia jeito para construir a ”grandes realizações dos portugueses”, deixaram-nos sem direitos no Trabalho, abandonaram-nos às ONGs da treta, às senhora da caridade da Santa Casa da Misericóridia e ao YMCA e, claro, quando as coisas ficavam pretas, “Todos Diferentes , Todos Iguais”. Obrigámos os seus jovens a ouvirem na Escola que não fazem parte da nossa História e eles adoptaram a cultura que estava aos seus olhos, a dos guetos norte-americanos.
Agora, carradas de putos que de africanos só têm a cor que herdaram dos pais, vêm assaltar a malta na praia, novidade? Só para os jornalistas que vêm a realidade dos bares da moda ou dos bairros classe média/alta onde moram. A pilha de pólvora há muito que estava a ser construída e vocês, azar, estavam distraídos com outras coisas que dão mais audiência. Podem estar descansados que vão continuar a ter imagens espectaculares (daquelas que a malta gosta de ver) para passarem nas Têvês.
Há tempos li um artigo de uma cronista qualquer de um jornal qualquer que manifestava a sua indignação por as pessoas “brancas” da linha de Sintra viajarem juntas deixando aos “pretos” os outros locais da carruagem. A senhora ficou surpreendida, mas se viajasse com regularidade nesses comboios saberia que isso acontece por uma questão de bom-senso: para não se ser assaltado. Politicamente incorrecto, que se lixe, é verdade e não me considero fascista por afirmá-lo.
Voltemos aos fascistas. Eles só prosperam ou não consoante a “democracia” lhes permite. Com tantos anos de modelos de “integração” e “urbanismo” como este, só agora os democratas andam assustados, porque acabaram de provar o sabor das baratas que há anos vêm nadando na sopa. Estavam à espera de que acontecesse o quê em resultado da vossa “cozinha” política?
Insegurança, racismos “arrastados” ou de taco de basebol em riste, a melhor forma de os combater é respeitando os direitos de todos quantos partilham esta terra connosco, considerar português quem aqui nasce e garantir direitos e obrigações iguais para todos. Combater todos os racismos, vindos dos “brancos” dos subúrbios da margem sul ou dos “pretos” da Cova da Moura.
Num país e numa sociedade destas, pedir que a insegurança e o racismo não existam é o mesmo que pretender ir à cagadeira e não querer sentir o cheiro da merda.
Publicado por CausasPerdidas em junho 21, 2005 03:33 AM

5 thoughts on “Um comentário no Barnabé

  1. Pois que se saiba que também há pretos racistas na Margem Sul, sobretudo os tais de 2ª geração de que tanto agora se fala. E, se eles não o fossem, muitos dos brancos daqui também não o seriam… Garanto que são os brancos, na maior parte das vezes, as actuais vítimas de agressão.
    Já decorre talvez um ciclo vicioso de (contra-)racismo, em que as diferentes partes da história se vão encaixando e dando razões para que todos possamos ser racistas.
    Vivendo aqui há muitos anos, não foi só agora que acordei para o problema das desintegrações e reintegrações forçadas, com consequências também para os que estão integrados.
    Pelo contrário, tenho tentado compreender que, não sendo o indivíduo fruto da sociedade, pois a semente é própria, é na sociedade que esse fruto amadurece, com mais doçura ou amargura. Tento compreender, pois já se sabe, que há bons e maus em todo o lado e em todas as raças. Tento contrariar qualquer racismo, apesar de inevitavelmente sentir essa tal insegurança.

  2. O Causas Perdidas deu mesmo isto como uma causa perdida?
    É pena, depois de levar a sensatez a tantos pontos insensatos…
    Pois eu sugiro que se acabe com as guerrinhas das manifestações e as manifestações às manifestações, e se faça uma manifestação à séria, contra o racismo e contra a criminalidade. O que é que acham?

Os comentários estão fechados.