E é sempre a mesma melodia, é a bófia e a sua democracia.

Depois de uma assembleia no átrio principal, cerca de 40 pessoas decidiram subir as escadas onde já sabiam que alguns polícias guardavam a porta. Eram 5 e nunca falaram, bateram assim que apanharam o primeiro, neste caso até foi a primeira. Depois dessa primeira carga houve quem pedisse explicações, quem exigisse a identificação dos polícias (não tinham nenhuma chapa com o nome óbviamente), uma pessoa que penso estar ligada ao grémio pedia calma a quem por subir as escadas levou com o cacetete sem nenhuma razão que o justificasse, nunca sequer olhou para a cara dos polícias, ali sabia que não havia nada a fazer.
http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/npD9Ji8gZVn0UPN047h8/mov/1
Um vídeo mais completo aqui
Cá fora vimos que realmente nos deviam considerar perigosos porque já havia quase tantos polícias como manifestantes. Cá fora percebemos também pela primeira vez que alguns deles falavam, alguns conseguiram mesmo elaborar uma frase inteira com o tempo verbal correcto. Infelizmente, quando as esperanças se levantaram reparámos que afinal apenas conjugavam um único verbo, dispersar. Pedras e fogo seriam pouco para quem, armado e treinado, bate sem pudor só porque lhe apetece. A única certeza é que nada melhorará antes de piorar bastante.

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13 thoughts on “E é sempre a mesma melodia, é a bófia e a sua democracia.

  1. e a partir de agora não se fala mais de levarmos porrada da bófia nas caixas de comentários que isto anda a dar azar â malta ok?

  2. Isso ou foi demasiado cedo ou demasiado tarde. Não me apercebi de nada (cheguei às 19.30 e saí às 20 e picos).

  3. Outra coisa, o título do post é excelente. O original, apesar de vindo dos maoístas, é fabuloso. Já agora, querem uma foto tirada em 2008 de uns cartazes da APU que estavam numa parede ao lado da Berna no Rossio? ;)

  4. Nada melhorará antes de piorar bastante.
    Pelas terreolas que visitaste há pouco tempo, C.E., aquelas dos referendos, há uma semana morreu um jovem oficial do exército, espancado até à morte por três jovens “estrangeiros” (um deles até já tinha nascido no país dos referendos, mas pronto… os pais não), numa festa de Carnaval (alguém levou algo a mal, de certeza – e por isso escrevo sobre isto), e dizem os boatos que tinha pelo menos um deles recebido instrução militar do malogrado rapaz. Horrível, sim, espancado até morrer, 10 metros ao lado de uma praça com centenas de pessoas a beber e cantar e dançar e festejar. Ya, impressionante. O que levou estes 3 croatas (no papel apenas, pois dois moravam neste país desde pequenos e um – o tal que nasceu cá – até tinha passaporte “dos bons”) a matar um suíço ao pontapé na cabeça, não sei nem especulo. Não há razão boa o suficiente para me convencer de que tal acto de violência bárbara e cobarde poderia eventualmente ter justificação. Não tem. Mas o que me leva a escrever isto neste post é simples: a perseguição ao estrangeiro começou de novo. Não, que estupidez, começou nada! Nunca parou desde que o estrangeiro é 20% deste país, há quase 50 anos! Mas pelo menos teve um argumento de peso para subir de tom. E subiu. E de que maneira. A polícia fala em “tolerância zero” e cacetete em punho nos bares e zonas “conhecidas como sendo frequentadas por croatas”. Na televisão fazem-se debates a três, entre a pres. da Câmara da cidade onde sucedeu a “coisa”, um gajo qqr da Lega dei Ticinesi, e um gajo qqr do gabinete para a integração dos estrangeiros. Os croatas escondem-se. Os estrangeiros sentem-se cada vez mais como tal. A bófia, apesar de ter apanhado os 3 homicidas na mesma noite, redobra patrulhas e impõe respeito. E no dia em que um croata for morto por 3 suiços, eu quero ver se se perseguem os bares de suíços. E quero ver quem vai aos debates. “Ah, mas isso não acontece, pq os croatas já têm isso no sangue, não são civilizados como os suíços”. Pois… Eu acho que se não acontece é porque não deve haver muitos suíços a emigrar para a Croácia, e porque na suíça tb n deve haver mts croatas a dar instrução militar.
    Ok, não tem muito a ver com este post. Mas assim como esta “acção coerciva necessária para repôr a ordem e a lei”, eu tenho visto muitas que só não chegam à bastonada porque… Há medo. Estão longe de casa, aqui. Longe, bem longe. E quando nos fecham as portas e já estamos cá dentro… Ui ui.
    Se tiver paciência um destes dias escrevo melhor sobre isto, pois agora tou a morrer de sono.
    Saudações cordiais.

  5. apagaram partes dos vídeos na tvnet (é assim que se chama?). Aparecem vários bocados a negro (quando começa a carga)… já estava? é mesmo assim? esquisito

  6. Também estive lá. Neste momento penso mais seriamente do que nunca em emigrar.
    A propósito, penso que valha sempre a pena fazer pressão sobre a IGAI

  7. Não te aconselho a emigrar. O que aconteceu é a prova que aquela luta é correcta, e são muito poucos os que têm a possibilidade viver a História como tiveste.

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