Nunca mais


“Eram aquelas ruas frias e a neve, e no rio a cheia: «A meio do álveo/profundo é o rio.» Eram aquelas meninas da escola, fugindo dela, de olhos ufanos e tão doces lábios; as rusgas frequentes da policia; o fragor de catarata do tempo. «Nunca mais voltaremos a beber tão jovens.»[…]
Situavam-se essas coisas entre o Outono de 1952 e a Primavera de 1953, em Paris, a sul do Sena e a norte da rua de Vaugirard, a leste do cruzamento da Cruz Vermelha e no lado ocidental da rua Dauphine. Assim escreveu Arquíloco: «Dá-nos lá de beber. / Verte e vinho tinto sem levantar a borra. / Que em tal posto, sóbrios não podemos nós ficar.»
Entre a rua do Four e a de Buci, onde a nossa juventude de todo se perdeu, bebendo copos, podíamos sentir com toda a certeza que nada de melhor algum dia faríamos. “

Guy-Ernest Debord, Panegírico

2 thoughts on “Nunca mais

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s