Perso nella traduzione


Há um dossier na revista “Vírus“, do Bloco de Esquerda, acerca das eleições italianas e da derrota eleitoral da Rifondazione Comunista. Debate, polémica, demarcação e argumentos vários. O que ninguém parece querer ter em consideração é o facto de, num país de 60 milhões de habitantes, com um diário comunista independente (Il Manifesto) o jornal da Rifondazione, «Liberazione», não chegar aos 10 000 exemplares vendidos.
Fala-se de células, de movimentismo, organizações de base, prestígio, «força motriz de grandes movimentos sociais» e percebemos logo que houve uma qualquer falha na tradução.
Na Universidade de Bologna, em 2003-2004, não existia qualquer colectivo de estudantes da Rifondazione, qualquer intervenção própria ou presença assinalável no movimento estudantil, qualquer panfleto ou cartaz. A política institucional era repartida entre os Giovanni di Sinistra (ex-DS, actual parte do Partido Democrático) e a Comunione e Liberazione (uma espécie de Jota da Opus Dei alargada a mulheres). Quando o movimento estudantil explodiu no Outono de 2005 foi rapidamente contaminado pelo discurso dos grupos e colectivos extra-parlamentares, dos disobbedienti aos autónomos e aos anarquistas, passando pelos colectivos estudantis de base. Em Bologna, só se vêm coisas e acções da Rifondazione na altura e em torno das eleições. Em relação às lutas quotidianas, das laborais às estudantis, passando pelas dos imigrantes ou por aquelas outras mais «pós-materiais», como a luta anti-copyright ou anti-proibicionista, ou a grande luta contra a guerra, a Rifondazione aparece, na melhor das hipóteses, através de um qualquer eleito que se solidariza ou de um qualquer comunicado que apoia.
Sei que custa a aceitar, mas em Itália o grosso da política, nomeadamente a dos movimentos sociais, é feito por pessoas que não militam em partidos, que não têm como horizonte assegurar a governabilidade à esquerda e que não encaram o Estado como o cenário privilegiado da transformação. Foi essa força social, que não acaba nem começa nas urnas de votos, que desertou a participação eleitoral, que se recusou a alinhar e que não se deixou aprisionar na falsa escolha entre Berlusconi e Prodi. A tod@s elas/es desejo longa vida e muita saúde.

5 thoughts on “Perso nella traduzione

  1. Perdidas na tradução ficaram as palavras “Bolonha” e “Refundação”.

  2. Mas o que eu acho piada é quando argumentam que antes da refundação entrar para o governo haviam milhares de pessoas a manifestar-se contra a guerra e depois tudo isso acabou.
    Tipo causa-efeito.

  3. É verdade. Já era assim em 2001-2002, quando lá estive. Ainda havia os combonianos, ou lá o que era, assim uma espécie de mce português, católicos supostamente de esquerda e admiradores do S. Francisco.
    Além do fenómeno que descreves, há ainda o facto de, para tornar aquilo uma democraciazinha estável e alternada entre farsas semelhantes, lhes terem arruinado o sistema eleitoral…

  4. Dos paises nos quais vivi e nos quais tive algum envolvimento politico Portugal é realmente o único onde a maioria da juventude politizada está envolvida directamente com um partido. o que diz algo sobre a miséria do local e não sobre a qualidade do partido. De resto sobre as ilusões que tem os bloquistas em itália lembro-me apenas que quando chegou um amigo bloquista a bolonha e nos disse algo arrogantemente que o movimento das ocupações era minimo e irrisório em itália. Ao contrário da revista “erre” claro.

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