O caso dos Azulejos de Maria Keil – Um case study sobre a sociedade de informação na era da www

Já receberam um mail de indignação com a destruição dos azulejos de Maria Keil por parte do Metro, não foi? E esquerdalhos como são, com certeza que reencaminharam para os vossos endereços de mail e com certeza que fizeram um postzinho no vosso blog, contra a Administração do Metro, o Governo, o ministro da cultura e a Câmara…
Quem leu os vossos mails e blogs, comentou e indignou-se ainda mais, criando uma imparável bola de neve, que ninguém sabe onde começou, como é habitual nestes casos.

Ora, aconteceu que neste caso é diferente: “quem começou” foi uma camarada nossa – a Júlia – que vem agora esclarecer que o post inicial dela foi só para relembrar, a pretexto do aniversário da artista, uma polémica que tinha havido há anos, quando das obras na estação dos restauradores, e que na altura o assunto foi sanado e ultrapassado.

Este caso vai continuar. Ainda ontem, Helena Roseta, apresentou na Câmara uma moção a exigir do Metro e do Município, não sei o quê… Nas eleições autárquicas de 2009 falar-se-á, com toda a certeza, dos azulejos e o Santana ou o Seara, chorarão lágrimas de crocodilo pelo património perdido.
No entanto, alguns frequentadores da blogosfera saberão mais… aliás, como sempre ;)

7 thoughts on “O caso dos Azulejos de Maria Keil – Um case study sobre a sociedade de informação na era da www

  1. no miradouro de santa luzia faltam muitos azulejos (centenários?)? é fácil encontrá-los, basta ir às lojas de souvenirs um pouco mais abaixo na rua.
    e falando em azulejos, na estação de metro da cidade universitária ainda está uma tela com projector à frente de um original de vieira da silva?
    vemo-nos às 18:30, espero

  2. Não estava a contar ir porque me tinha esquecido da data…mas vou.
    Quero contar aos amigos como as bicicletas de uso partilhado não íam sendo aprovadas em câmara, porque, segundo Helena Roseta e Ruben de Carvalho, só se pode pensar em sistemas como estes depois da cidade estar preparada para as bicicletas: Ciclovias, acalmia de transito, etc.
    Felizmente, ao fim de algumas horas, conseguiu-se ultrapassar o diferendo, metendo na proposta alguns paragrafos propostos… (para jornalista ver, claro)

  3. “Em que mundo é que vivemos, que põem coisas assim na Internet sem falar com ninguém?”, interroga Maria Keil, a pintora, ilustradora e ceramista, actualmente com 94 anos. Mais de três mil pessoas já subscreveram na Internet uma petição que a apresenta como vítima do Metropolitano de Lisboa, por este ter destruído alguns dos seus painéis de azulejos. Só que ninguém falou com a artista, que há muito chegou a acordo com a empresa. “A petição é um perfeito disparate”, comenta, abismada com a história, “foram pegar nisto agora para quê? Quem querem atingir? É horrível”. O documento apresenta como recente um caso com mais de uma década. A sua criação é um autêntico fenómeno de ‘bola de neve’ típico da Net e dos blogues. Um pequeno comentário dá origem a um texto inflamado que deturpa os factos e cuja informação todos dão como certa. Em causa está a destruição de alguns dos painéis de azulejos de Maria Keil durante as obras de alargamento e remodelação de estações de Metro ocorridas nos anos 80 e 90. Especialmente em foco está a intervenção na estação dos Restauradores (em 1997), cujos azulejos foram irremediavelmente destruídos, enquanto que os da estação de São Sebastião serão repostos, mantendo o seu aspecto original, de acordo com o estabelecido entre a transportadora e a artista.
    Os painéis de azulejos foram criados, a partir dos anos 50, por Maria Keil, que os ofereceu para as primeiras 19 estações do Metro, concebidas pelo seu falecido marido, o arquitecto Francisco Keil do Amaral. Em 1999 a artista criticara, em entrevista ao jornal ‘Público’, a destruição dos seus painéis dos Restauradores, sem que a empresa lhe tivesse comunicado sequer o que ia fazer. “Agora não posso refilar por me andarem a picar as paredes porque, de facto, dei tudo”.
    Foi uma referência a essa entrevista — a 9 de Agosto passado, por ocasião do 94º aniversário da artista —, no blogue de Júlia Coutinho (‘As Causas de Júlia’), que veio a provocar uma cadeia de reacções. Samuel Quedas leu o «post» e desenvolveu o assunto no blogue ‘Cantigueiro’, insurgindo-se por, “ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização”. O bloguista acrescentou que no “Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra”.
    O atear da polémica O texto não passou despercebido aos autores do blogue ‘A Face Oculta da Terra’, Carlos Alberto Augusto e Rui Mota, que, o transformaram numa petição.
    Entre os signatários da petição — disponível em http://www.petitiononline.com/MK2008PT/petition.html — surgem nomes como o da médica Isabel do Carmo ou da coreógrafa Vera Mantero. Ambas referiram ao EXPRESSO não fazer ideia de que Keil se opõe à petição e que, caso soubessem, muito provavelmente não a teriam apoiado.
    O número de signatários continua a crescer, assim como uma onda de críticas à administração do Metro ou à autarquia de Lisboa. Há mesmo um bloguer que já pediu a demissão do actual ministro da Cultura… Contactado pelo EXPRESSO, Rui Mota diz que vão manter a petição tal como está, porque se trata de “um acto de cidadania” contra o “atentado ao património”, independentemente da posição da ceramista sobre o assunto. Samuel Quedas afirma que não é responsável pela petição, que é inteiramente constituída pelo seu texto.

  4. Trata-se, com efeito, de uma oportunidade para, quem quer ser conhecido, se mostrar (refiro-me ao (s) autor (res) da petição.
    Eu próprio já tive 1/2 dúzia de painéis daqueles azulejos à venda, sendo certo que os comprei ao Metropolitano, EP que mos vendeu acompanhados de um certificado de autenticidade…..
    O respeito pela Cidadania pressupõe o respeito pelas liberdades individuais….

  5. Eu também assinei a petição. Seja sob que motivo for, é a destruição gratiuta de uma obra de Arte. O que eu, deveras, desconhecia é que uma obra «oferecida» pelo autor perde toda a espécie de direitos ! E quem beneficia com essa obra? O Autor ofereceu a «X» ou «Y» com determinada finalidade.Finalidade essa que não se verificou, ao desmantelar ou destruir a obra. Então como é legal que outrem beneficie da venda «a retalho» de uma obra autenticada com Autor, ainda que este não tenha cobrado? Desconhecia esta lei de «direito de Autor»!

  6. Este lamente1vel ancmtecioento da petie7e3o online podere1 ser esclarecido no meu blog onde, desde he1 dois dias, este1 igualmente uma carta do Arqt Pitum Keil do Amaral sobre o assunto.Lamentavelmente, os autores da petie7e3o parecem terem decidido ne3o a retirar, uma vez que ainda a mante9m e nada afixaram a esse respeito.c9 uma falta de respeito para uma pessoa que se viu envolvida num “guerra” que ne3o deseja nem provocou.

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