Quando a tristeza vendeu t-shirts o Gaia apelou aos livros de anedotas

Passando por um blog cujo conteúdo ainda estou pra decidir se acho minimamente de jeito ou não, encontro esta “notícia” que me faz perder alguns minutos no mundo das sub-culturas urbanas. Os emos, essa aberração da cultura do espectáculo, e cuja caracterização me atrevo a não fazer (viva a wikipédia uma vez por ano) sob pena de ficar deprimido com as tristezas dos outros, andam a levar chapadas que é obra no méxico (e esperemos que não só). A parte dos hare krishnas compõe um bouquet digno de fazer saltar a tampa a qualquer minhoca pensante.
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Ora esta malta, se é que se pode usar algum tipo de palavra que os caracterize enquanto grupo, parece ser fã das mais estúpidas posições tipicamente adolescentes. E, queixinhas-lamúrias que são por definição, parecem ficar muito chateados quando os punks lá da zona lhes vão à tromba. E é aqui que a pescadinha torce o rabo e o enfia na boca, ora então se eles gostam de estar tristes, como não encarar isto como mais um motivo para prolongar o estado de alma?
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Bom, mas como dizia, roubei ao patrão alguns minutos da minha força de trabalho para andar a tentar perceber o alcance desta estupidez e encontro, no melhor registo já definido anteriormente destes gajos cuja franja só me faz lembrar uns cães que ganem mais que ladram e que parecem andar sempre à nora do que os rodeia, um vídeo que só por si já é tão mau que é bom, acompanhado por frases que os definem melhor que qualquer entrada de enciclopédia virtual. A saber: “demuestren que los ideales que defendia Johnny Rotten, o aquello en lo que creia Jhonny Ramon no es mentira y que el verdadero espiritu Punk esta aun latente ahí afuera, nunca un Punk aquel que se haga llamar un verdadero Punk atacaria a otro ser humano solo por vestirse diferente y menos diria “Se ven raros” porque ellos defienden presisamente la reveldia al igual que cualquier otro genero del rock, lo que paso en Mexico fue asunto de POSERS y nada mas, malditos mierdas que quieren romper las cadenas que nos unen como hermanos en este genero musical.“. O tom das frases no vídeo dizem o resto, se necessário fosse.

Posto isto, decidi que apesar de gostar imenso de roubar minutos ao patrão, embora normalmente para fins mais nobres que os de hoje, achei imperativo usufruir deste recém-adquirido conhecimento sobre as tribos urbanas para fazer um paralelismo com um comentário aqui no blog sobre o dia sem compras, mais precisamente o de um tal de artur palha. Ora o artur, que até deve ser um gajo fixe senão não vinha aqui lêr os nossos posts, depois de 2 parágrafos a desmarcar-se do Gaia e mais um que nem sei bem que lhe chame, acaba com uma lamúria típica destas posições com qualquer coisa como “estas guerrinhas de sempre” e “insulto fácil” etc etc….
Então é assim artur, antes de mais, insulto fácil é mais é couves, aqui refina-se o insulto a um nível que não atingirás nem lendo as entrevistas todas do Luiz Pacheco, se para nós isso se torna fácil é porque o Gaia ajuda, e se isto é a guerrinha de sempre é exactamente porque essas acções também são o activismo de sempre, importado de redes activistas de outros países com outro curriculum activista e vendido ali na banca do lado como peixe fresco, embore cheire pior que os sovacos da malta do 36 às 19 da tarde a caminho de casa. E para continuar a parte estética do post, o penteado do Gualter Barbas-de-Milho Baptista remete mais para os supra-citados hare krishnas e potlachs de arroz integral do que para discussões sérias sobre a utilidade do decrescimento do consumo.
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Em poucas palavras, eles (tu?) são emos e nós somos punks. Mas como sou pouco dado a violências e ainda corro o risco de seres um gajo grande que me conhece, ou de ser acusado de sectarismo quando os tempos deviam ser de unidade (dizes tu), aqui fica a minha chapada virtual. Não leves isto a mal, leva isto a sério. Ainda pra mais é sexta-feira e nem tenho mais nada que fazer nem vejo melhor maneira de ajudar a revolução do que a insultar estas pseudo-acções.

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31 thoughts on “Quando a tristeza vendeu t-shirts o Gaia apelou aos livros de anedotas

  1. excelente post, até que enfim …já começava a pensar que este blog era dominado por gajos que apoiam estas iniciativas

  2. admito pp, é uma beca, mas estes dias tão feios e fazem-me ficar assim
    pode ser que surja a tal discussão sobre o decrescimento do consumo pela pena dos nossos comentadores, a referência ao pacheco é dedicada ao adriano mais que ao artur que não conheço e que, como digo, deve ser um gajo fixe senão não lia as coisas que aqui debitamos
    a ver vamos

  3. nem sempre é bom escrever nas pausas de trabalho, especialmente à sexta onde a promessa da abolição do trabalho durante dois dias, torna a crítica e as palavras de que se faz uso mirabolantes e equivocadamente virtuosas. sei o que isso é.

  4. vê-se logo que não pertences à classe trabalhadora maria, são 3 dias 3 que vamos ter de abolição do trabalho

  5. Para não fazer uma proliferação de comentários vou responder aqui ao Chuckie Egg e ao PP (pelo seu comentário ao meu comentário do post do dia sem compras.)
    Chuckie Egg:
    Artur Palha é mesmo o meu nome, não é um pseudónimo qualquer de um “adolescente” do GAIA que tem medo e vem para aqui tentar defender o seu grupelho. Acreditas se quiseres, a ligação que tenho com o GAIA é a mesma que tenho com outros grupelhos que existem em Portugal: participo nas acções que considero que façam sentido. Em suma, sou um franco-atirador, com toda a crítica que me possa ser feita por isso.
    Acho que já somos todos crescidinhos o suficiente para não acreditarmos nas reuniões junto à fogueira, mão dada, a cantar o kumbaya. Numa onda de “estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade”. Como é óbvio não é isso que defendo.
    O que digo, e volto a dizer, é que acho inútil estas críticas quase pessoais, se não pessoais mesmo, e comezinhas, como fizeste acima ao Gualter. Se calhar é um palhaço, não o conheço, mas mesmo sendo, estas críticas não fazem sentido.
    Não fazem sentido porque são becos sem saída. Meros escapes, regorgitações e achincalhamento. Não muda em nada os Gualteres e os supostos “adolescentes” do GAIA que tanto criticas. Daí chamar a isto guerrinha e inútil. O problema não está nas divergências entre os grupelhos, mas sim na forma como os grupelhos se olham entre si e na forma como se discute estas divergências, ou melhor, não se discute, goza-se ou ridiculariza-se. Para que serve? Para fazer rir o restricto grupo de amigos que se identifica com a mesma crítica?
    Ridicularizar, achincalhar, insultar, para mim faz todo o sentido fazer aos Sócrates, aos Sarkozy e a tantos outros gajos que estão do outro lado da barricada. Porque sim, com esses gajos não vale sequer a pena falar.
    Se calhar deve ser de mim que sou mesmo muito estúpido, ignorante e burro, nunca fui bom para os estudos e ler algo mais que os slogans na rua e as manchetes do 24h é demais para mim. Isso dos livros sem bonecos é para os mestres e os doutores. Deve ser por isso que não consigo atingir o refinado que referes no “refina-se o insulto a um nível que não atingirás nem lendo as entrevistas todas do Luiz Pacheco”. Também acho engraçado, que tenhas percebido logo, só pelo meu nome, que sou um burro (talvez num fluxo de consciência Joyciano com o Palha do meu nome) e inculto, apesar de talvez ser fixe, porque leio este blog. Que bom!
    Sem querer entrar na mesma onda que tu, hás-de concordar comigo que esta tua atitude não é mais que sectarismo (mas isso já tu deves saber).
    Diminuído até à minha insignificância (que me impede de ver a ding an sich no teu discurso e por isso chamo de insulto fácil), li e reli o link dos emos, até tentei a versão em inglês. Por momentos pus em causa quem sou: serei mesmo um emo? Não, sou um tótó, a minha tribo urbana é a dos tótós.
    PP:
    A tua (penso que o você é um bocado despropositado) primeira frase é totalmente aceitável: não há paciência é um argumento. Já critiquei esse argumento, mas já me vi, recentemente, a pensar nele (é o chamado pagar pela língua). Por isso, sem qualquer cinismo, aceito-o, acho válido.
    Mas volto a pegar no que disse ao Chuckie Egg, se “é relativamente indiferente ao gaia o que aqui se escreve sobre eles e vice-versa” (sem querer cair numa de utilitarista) qual é a utilidade do insulto, ainda por cima quando cai em saco roto?
    Só lanço uma questão. Foi feito o ataque ao GAIA quanto ao dia sem compras. Ainda não percebi o porquê do serem contra. A minha questão é esta: foi feito aqui neste blog algo semelhante ao post do dia sem compras mas para o chamado “compromisso do milénio”? Isso sim, para mim, é um insulto às pessoas, “pouco mais do que folclore gringo: teoricamente nulo, de uma ineficácia atroz e pertecendo a esse campo em que o pior da social-democracia se confunde com a rua sésamo.”
    Continuo a achar que estas guerrinhas não levam a lado nenhum a não ser à desmobilização total. Acho que já podiamos ter aprendido um bocado com a história. Digo o mesmo destes posts de resposta a comentários críticos onde não se argumenta nada, só se lança uma nova enchorrada de lugares comuns, esteriótipos e piadas elitistas que nem o visado (eu) tem capacidade de apreender na sua totalidade, porque é um mentecapto.
    -artur palha

  6. Eu gostei do post sobre a Paris Hilton e concordo totalmente com a asserção sobre a natureza do folclórico “buy nothing day”, mas Este é o pior post de sempre no Spectrum.
    Vocês, do Spectrum são os “punks” e os do gaia são os “emos”? Porra, chuckie, olha por ti abaixo.
    Este post está tão mau em tantas coisas diferentes … fodaçe que mau mesmo.
    Quanto ao gaia: já jantei lá no sítio deles por 2 euros, já joguei lá matrecos e bebi jolas depois dos bares fecharem, e quando precisei de me reunir com malta das bicicletas, arranjaram-me uma sala.
    do spectrum só me lembro de uma festa na ilga, que acabou cedo e onde não havia cerveja suficiente

  7. aqui o tariq põe bem a questão, aparte diferenças e indiferenças estou longer de desejar qualquer mal ao gaia.

  8. Eu subscrevo em traços largos o que escreve o Artur. Mas o dia sem compras merece-me ainda assim uma posição crítica que penso ser clara. Se não for o caso arranjarei um quarto de hora para expor mais detalhadamente tudo o que eu acho existir de reacionário na ideia de vencer o capitalismo pela austeridade e pela mortificação.
    Quanto à acusação do Tarique, relembro que a festa estava prevista até às 4h e acabou às 5h. A cerveja estava por conta da Ilga.
    Para quando um dia sem carros que nao seja decidido na Assembleia Municipal?

  9. Olá! Há uma coisa que não percebeste com os emos… é que a média de idades vai dos 10 aos 14 anos… o que deixa mais ou menos justificada a adopção das estúpidas posições tipicamente adolescentes… quanto ao resto… não percebi a embirração com o dia sem compras e as embirrações entre as várias pessoas por causa disso. Não passa de uma patetice, julgo eu… porquê tanta celeuma?

  10. malta,
    parece-me que levaram a coisa mais a mal do que a sério. com tempo responderei, ainda hoje se puder.

  11. Rick: Siga aí furar pneus foder carros e picaretar estradas? Alinhas? Há “emos” do GAIA que alinhavam.
    quanto à vossa festa, estava a brincar, a festa foi curtida. mas ninguém me avisou que havia “hora prevista de encerramento” … não me parece muito “punk” haver “Hora prevista de encerramento”
    e a bem da verdade quando acabou a cerveja um membro do spectrum emprestou-me trocos para um vodca, tenho que admitir.

  12. as noticias de uma guerra spectrum vs gaia foram grandemente exageradas. e furar pneus foder carros etc.. em si não quer dizer nada, aliás considerar que quer é seguir a linha de pensamento dos emos vs punks.

  13. … já me esquecia que na net é desaconselhável a ironia. perdoes pelo olvido.
    Mas por outro lado querias o quê, que uma frase provocatória solta quisesse dizer alguma coisa? Diz-me lá o que é que “quer dizer alguma coisa”, então? o texto do c.e. ?
    Agora sem ironias: pelo que conheci as gajas do GAIA estão comprometidas e estão disponíveis e estão prestáveis. Era isso que queria dizer- São malta que alinha em fazer coisas e-ou ajudar a fazê-las. E dou-lhes valor por isso.
    Isso “em si não querer dizer nada” já é confusão demais para a minha cabeça.
    Não me querendo alongar muito queria só deixar aqui uma pequena opinião, que espero que não levem a mal: voces são muito lestos a apontar “o elefante no meio da sala”, às vezes parece até que o fazem como se fosse a vossa missão. Acho bem que o façam, acho importante, como fez o Rick no outro artigo. mas este é artigo é puro devaneio. não ajuda. se calhar um bocadinho mais de cuidado com a forma como esta intervenção é feita teria melhores resultados. o gaia pode estar torto, mas não é inimputável.
    e lá por o artigo dizer “não levem a mal, levem a sério” no fim, não altera todo os sentido dele. O artigo, que começa com uma descrição claramente desinformada das tais “tribos urbanas”, com comparações escabrosas e um grande floreado para uma opinião que podia estar expressa em duas ou tres frases, está mesmo escrito para ser levado a mal.
    este raio de exercício de chamar “hippies” (agora emos) uns aos outros já alguma vez levou a algum lado?
    spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2008/03/para_saboteur_e_1.html
    o pior é que o GAIA está mesmo a sofrer um desafio grande. o csm está a tornar-se popular a um ritmo rápido. daqui pode gentrificar-se e tornar-se friquechique,uma coisa gira para erasmus, ou elitista ou fechar ou tornar-se algo muito bom. Temos uma série de projectos desses ou parecidos que calhou cócó tipo zdb grémio, bacalhoeiro, crew hassan …
    Pronto e é isto, vou ficar a aguardar o texto de resposta do CE, decerto extenso, cheio de ramicoques, alegorias, citações, imagens, e um vocabulário que não domino, e ficar a sensação que foi escrito para me fazer sentir ignorante.
    que foi escrito num nível que “… não atingirei nem que leia todas as entrevistas blablabla”

  14. Grande post sobre Ioga, já nem me lembrava.
    Acho mesmo que não devias levar a coisa tão a sério. Chucky Egg tem mau feitio pela manhã.
    Mas então estás-nos a convidar para ir à Mouraria oferecer contributos e comer sopa de abóbora? Quando?

  15. Os emos são pessoas exelentes.
    cada um tem o seu estilo. eu gostava de ser emo ou punk. os dois estilos são k mt fixes
    não se pode e gozar com uns nem com outros
    cada um é como é

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