A sorte de Domingos Névoa

«Se quiser receber em cheque pago hoje, se fôr em dinheiro pode demorar um pouco mais tempo». «Conforme faço uma escriturazinha rapo 2 mil aqui, 10 mil euros acolá. Fica pronto a curto prazo». «Ponho lá isto num cofre para a gente ir fazendo umas ratices. Nisto não sou virgem, esteja à vontade»
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Eis um excerto da gravação que a PJ fez da conversa de Domingos Névoa – dono da Bragaparques – quando tentava subornar um vereador da oposição para deixar em paz o caso da troca dos terrenos da Feira Popular com os do Parque Mayer. A culpa é evidente. Foi apanhado numa armadilha da polícia. Foi um flagrante.
O Ministério Público, obviamente, diz que ficou provado o crime mas pede ao Juiz uma pena suspensa.
A sorte do Domingos!
Normalmente, estamos habituados a ver os srs. do MP, as suas estruturas representativas, etc., a queixarem-se de que niguém é preso, que a nova Lei veio diminuir os casos em que se aplica a prisão preventiva, que é necessário agravar as penas, etc, etc… Mas neste caso exemplar (e que devia servir de exemplo), em que foi o próprio vereador visado a ir queixar-se à polícia de que o construtor civil o queria corromper, o MP, apesar de dizer que ficou provado o crime, pede ao Juiz para o homem ir em liberdade.
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Palavras para quê? Eu sei que o MP sabe que eu sei que todos sabem… como disse mais ou menos a Maria José Nogueira Pinto naquele congresso do CDS há uns anos…
Para a próxima, qualquer vereador fica a saber: Mais vale não se chatear muito com estas coisas: Se aceitar o dinheiro, aceita, se não aceitar, não aceita. Ir denunciar só dá chatices, campanhas caluniosas na internet, mails enviados em catadupa com aldrabices, o passado todo remexido, noticias falsas nos jornais… Chatices para nada. Mais vale estar quieto.

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12 thoughts on “A sorte de Domingos Névoa

  1. O facto de se ter trocado os terrenos do Parque Mayer (que eram da Bragaparques), pelos da Feira Popular (que eram do municipio), é uma evidência de que houve corrupção. Basta olhar para um e para outro para perceber que não valem o mesmo.

  2. Seria importante o Saboteur esclarecer que foi a CDU que levantou esta questão em Reunião de Câmara Municipal e na Assembleia Municipal, e que os eleitos do Bloco andaram “um bocado desorientados” em relação à questão. Cumprimentos

  3. viva a cdu! vivaaaaa!c-d-u, c-d-u, c-d-u!é c, é d, é cdu! até foi a cdu que o domingos névoa tentou subornar e que depois levou o homem a tribunal. no fundo o Sá fernandes só quer é protagonismo. sugiro à CDU que recorra para a relação.

  4. Eu, sou contra as prisões e fiquei “contente” com a proposta do MP, agora podia-se pensar em penalizações alternativas como a nacionalização automática da bragapartes ou …

  5. O vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes não mostra todo o seu curriculum aos lisboetas: em 1977 foi julgado em Lisboa (Tribunal da Boa Hora) e esteve quase quatro meses em prisão preventiva.
    Com cerca de 20 anos, o «Zé» acompanhou um grupo de três indivíduos, que apanhavam bebedeiras e faziam asneiras diversas, entre as quais a de «palmar» carros. Actuavam na Avenida de Londres, tendo o gangue ficado conhecido na gíria policial, como «bando Pasteur»…
    Acresce que, alguns dos seus membros, dois dos quais já com cadastro por pequenos crimes, andavam armados, tendo mesmo protagonizado uma cena de tiros com a PSP.
    Conforme foi relatado pelo 24 Horas, foi apanhado pela Polícia, a 29 Junho de 1977, às 03:15 da madrugada, na Avenida Estados Unidos da América em Lisboa quando ia num carro roubado, um Morris Clubman na companhia de três outros «amigos» de folias…
    O carro, que era guiado pelo J.P., – que nem carta de condução tinha – fugiu a toda a velocidade quando se sentiu detectado pela PSP, que circulava com uma lista de veículos furtados.
    A patrulha perseguiu o carro, com a sirene e as luzes de alarme ligadas, mas o grupo «deu gás» ao acelerador em alta velocidade, seguindo pela Avenida da República, António Serpa, 05 de Outubro, Forças Armadas e de novo Estados Unidos da América. A perseguição continuou pelas Ruas Diogo Guedes e Flor de Cima, até que, ao chegarem ao Cinema Quarteto, os agentes da PSP ouviram dois tiros de pistola, supostamente provenientes do carro.
    Um dos agentes disparou, então, cinco tiros de espingarda G3 para o ar, e, como o Morris não parasse, apontou a arma ao condutor, acertando-lhe num braço e ferindo-o, o que o obrigou a parar, sob o viaduto da Avenida de Roma.
    Os três agentes policiais detiveram, então, os ocupantes do carro, entre eles o «Zé» Sá Fernandes, tendo o condutor ido para o Hospital de Santa Maria, para se curar do tiro, o que nunca aconteceu completamente, estando, ainda hoje, com o braço semi-paralisado.
    A PSP não encontrou qualquer arma dentro do carro, mas topou um saco com 225 gramas de liamba, lançado borda-fora na fuga. Quanto à pistola, juraram que não foram eles quem disparou….
    No Morris estavam, ainda, uma argola com seis chaves, próprias para ignição de carros, uma gazua – usada para forçar portas de automóveis –, uma bolsa em malha com livros de revisões de outra viatura, o que deixou suspeita de outro furto, e uma chave de fendas torcida…
    Tinham desaparecido do carro um leitor de cassetes e uma tranca.NÃO SABIA DO FURTO…
    À época, o juiz mandava para prisão preventiva – sem admissão de caução – os autores de furtos de automóveis, o que aconteceu ao «Zé» & C.ª. Dormiram nos calabouços da PJ e depois transferiram-nos para o Linhó.
    Nas primeiras declarações à Polícia, Sá Fernandes
    disse que os quatro tinham combinado ir de comboio para o Algarve, mas, depois, o J.J. apareceu com o carro; entraram na esplanada do Café Luanda, andaram nele, e ele só se apercebeu de que era roubado quando nele entrou.
    “Ninguém deu qualquer tiro”, garantiu, dizendo-se “arrependido”.
    Os depoimentos de outros dois membros do gangue batiam certo, tendo acrescentado que cada um dera 100 escudos para gasolina.
    O condutor, talvez por estar acamado e ferido e temer ficar com as culpas todas, foi mais longe e afirmou não ser verdade “que os três outros só tivessem sabido que era furtado quando já estavam dentro do carro”.
    Em 16 Julho, o irmão, o advogado Ricardo Sá Fernandes assume a defesa do grupo, em parceria com outros juristas, tendo pedido a abertura da instrução, e contestado a acusação.
    CONTARAM «UM FILME» Em julgamento, cuja conclusão ocorreu a 25 de Outubro, os quatro acusados concertaram-se: o carro fora emprestado por um amigo, e eles desconheciam o furto. Quando se aperceberam, aprontavam-se para o devolver mas não tiveram tempo porque a polícia apareceu e tiveram medo.
    O Tribunal Colectivo da Boa Hora deu, assim, como não-provado que tenha havido um “prévio concerto criminoso”, concluindo que nenhum dos réus incorreu na autoria material ou encobrimento do furto e dando como improcedente e não-provada a acusação.
    O condutor, que era reincidente, apanhou quatro meses e meio e 10 contos de multa. Em 26 de Outubro, foi emitido mandado de soltura de Sá Fernandes…
    Na ocasião, e contactado pelo 24 Horas, José Sá Fernandes garantiu que não existe no seu cadastro “qualquer condenação”. Afirmou que, nos anos de 1977 e 1978 só foi julgado uma vez, e foi absolvido, “aliás até com um elogio do juiz que presidiu ao julgamento”.
    Confirma que, de facto, sempre foi o irmão, Ricardo Sá Fernandes que o defendeu em juízo e sustenta que “não tem a obrigação de colocar no currículo de homem público
    e politico” factos que nunca praticou.
    Conclusão:
    A verdade é esta: enquanto o Zé Sá Fernandes andava na «má vida», outros, a quem ele hoje acusa despudoradamente, trabalhavam de sol a sol, em Portugal e no estrangeiro, para ganhar a vida e criar as empresas que hoje gerem, que são úteis ao país e dão emprego a milhares de famílias.
    São essas pessoas que o Zé diaboliza e tenta destruir na praça pública, dizendo calúnias e asneiras do alto do seu recente poleiro conquistado no partido radical e de extrema-esquerda (onde pululam revolucionários e ex-revolucionários, meios calados mas confessadamente adeptos da luta armada e do sangue das massas, para mudar o mundo)…
    Enfim, são estes rapazotes extremistas/engravatados, (ai de nós se chegassem ao governo, davam cabo do rectângulo!), que influenciam a política lisboeta e portuguesa e querem impor-se aos tribunais, como se viu nas declarações televisivas do Zé, como que ameaçando o Tribunal de Contas pelo «chumbo» ao empréstimo solicitado pela Câmara de Lisboa…

  6. Um malandro este sá fernades, além de oportunista!
    Ainda bem que há pessoas como o anónimo. Onde é que isto ia parar sem gente industriosa como o anónimo e o Domingos Névoa, hã?

  7. Ó CavaleiroDaCapaEscarlate, seu tanso de meia tijela. Em que medida é que o facto do “Zé” ser um merdas invalida o facto de o Sr.Dr.Domingos Névoa ser um CORRUPTO DE MERDA?
    Bem me parecia…

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