“Dar a volta” ao controleiro

Uma notável dirigente sindical disse-me um dia, meio a brincar, meio a sério, que uma parte importante da tarefa era “dar a volta” ao funcionário do Partido.
É assim em montes de sítios. Não é exclusividade do PCP nem das tarefas nos sindicatos.
Na companhia de Seguros onde trabalhei, por exemplo, também tive de arranjar forma de que ideias minhas aparecessem como ideias do meu chefe, para assim serem mais facilmente propostas ao Director. No final todos ganhávamos: A ideia era implementada, o meu chefe ficava bem visto junto do Director e eu bem visto junto do chefe.
Não conheço bem o que se passou, mas provavelmente, o início do fim da relação de Manuel Coelho com o PCP, após 35 anos de militância e 3 mandatos autárquicos, foi precisamente por aí: O Presidente da Câmara deixou de conseguir “dar a volta” ao funcionário do Partido ou o funcionário, pela sua maneira de ser, o seu estilo de direcção, etc, passou a ser cada vez mais difícil de “dar a volta”.
Na minha opinião, também é por aqui que podemos explicar uma parte do recente divórcio entre Sá Fernandes e o BE.

Manuel Coelho a oferecer um prato típico da região ao controleiro

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28 thoughts on ““Dar a volta” ao controleiro

  1. Alguém do Spectrum foi ao debate de ontem sobre a grécia? Como correu? Não querem postar sobre isso?

  2. O camarada Saboteur gosta imenso de fazer paralelismos entre o PCP e o BE. Compreende-se, tendo em conta que o seu percurso foi do PCP para o BE e depois para o ZE. Mas as diferenças são abissais e para mim há um facto extremamente significativo,que é o BE nunca ter pedido ao Sá Fernandes para entregar o cargo ao partido que o elegeu. Mas se ele fosse sério tê-lo-ia feito!

  3. É preciso ter estado no PCP para perceber quão pouco abissais são as diferenças. O camarada antónio, como muitos outros, tem horror à ideia de que os partidos de esquerda são bastante mais iguais entre si do que gostam de dar a entender.
    Sá Fernandes foi eleito como independente apoiado pelo Bloco, o que não acontece com o PCP. Há nas candidaturas da CDU candidatos independentes. Mas não há candidaturas independentes apoiadas pela CDU. De resto, se há alguma diferença abissal, é a consistência do projecto autárquico da CDU (apesar do secretariado do PCP se esforçar em amputá-lo com uma eficácia soviética) e a inexistência de um projecto autárquico do BE.
    Eu estive no Bacalhoeiro. Aquele rapaz moreno de óculos, para além de giro, diz coisas bastante interessantes.

  4. Continuando a fazer paralelismos: No PCP – pelos vistos como no BE – não houve quem faltasse a afirmar durante meses e meses a fio (sobretudo pelas costas) que eu no fundo já não era do partido, que tinha traido e que ia apoiar outros nas próximas eleições…
    No entanto não creio que a diferença entre o BE e o PCP seja o facto – como diz o António – do PCP pedir o cargo do Manuel Coelho e o BE não pedir mas ir dizendo oficiosamente que “se ele fosse sério tê-lo-ia feito!”
    Eu creio que essa visão é, apesar de tudo, muito minoritária no BE. A diferença é realmente: o PCP pedir o cargo e o BE ter compreendido já bem que os eleitos pelo povo – militantes e, por maioria de razão, os independentes também – têm de ter a sua autonomia relativa face às direcções partidárias.

  5. A prova provada da retórica politiqueira e apalarmada dos defensores das diferenças abissais entre PCP e BE é que o BE não pediu ao SF para entregar o mandato mas ele próprio o deveria ter colocado à disposição?!?!?! Se os fins são já os meios – um outro fetiche retórico bastante estalinista por parte dos anti-estalinistas (sobretudo quando sabemos das histórias de todas as razões instrumentais por detrás do discurso anti-instrumentalizador – brghhh, estou à beira do vómito!) – em que é que ficamos? São iguais ou não?
    Eu não gosto do discurso “são todos iguais”, resisto a ele com todas as minhas forças. Pá, mas há limites!
    O moreno de que falas, Rick, é um monhé gordinho?

  6. Na realidade só apagamos comentários que identifiquem os autores do Blog, visto estarem todos jurados de porrada pela extrema-direita.
    De qualquer forma, dado o contexto, não creio que o comentário da Joystick seja racista

  7. Gordo não, forte e encorpado. Surpreende pela sagacidade das suas observações e pela forma traquila como argumenta. O que torna o cheiro a chamuças inteiramente tolerável.
    Já agora, os monhés são os indianos do Gujarat que foram para Moçambique. Conta-me o seu biógrafo que este rapaz descende de goeses que foram para Angola. Caneco portanto.

  8. espera aí, não quero ensinar o sermão ao biógrafo mas consta que, no português colonial de moçambique, monhé e caneco eram termos utilizados e podem ser sinónimos, excepto nisto: o caneco pode ser monhé, mas o monhé não pode ser caneco (tipo, um mulato pode ser preto mas um preto dificilmente pode ser mulato). O racismo linguístico tem destas graduações maravilhosas…
    Eu gosto do cheiro de chamuças/chamussas.

  9. Os narizes ocidentais são pouco sensiveis às subtilezas das fragâncias do subcontinente indiano. Ele não cheira a chamuça, cheira a onion bhaji com lassi de manga

  10. Saboteuer, tu concebes política fora dos partidos?
    Parabéns a todos, tudo no seu melhor! Beijinhos.

  11. Este pessoal além de diletante ainda é narcisista, e diverte-se a comentar entre conhecidos em anonimato, as suas próprias pessoas. Será uma nova psicopatologia da esquerda caviar? Ricky Dangerous, vai para casa abater a barriga :)

  12. E o que nos mete cada vez mais narcisistas? Haver anónimos agarrados ao nosso blog todos os dias a dizer mal de nós.
    Come antes uma peça de fruta, jovem!

  13. estou a assistir estupefacta ao apagamento de comentários de anónimos. que hipocrisia incrivel. apresentam-se no anonimato e depois apagam comentarios dos leitores!

  14. ahaha! “Que hipocrisia” diz a “estupfacta”!
    Hipocrisia é saber que os únicos comentários que se apagam no spectrum são os que identificam os autores do blog e ainda assim vir aqui à caixa de comentários identifica-los com pobres inocentes – provavelmente por alguma vingança pessoal – na esperança que um grupo de Skins faça o trabalhinho sujo por ti…
    Hipocrisia maior é depois vir no comentário logo a seguir dizer que se está “estupfacta”

  15. “Hipocrisia é saber que os únicos comentários que se apagam no spectrum são os que identificam os autores do blog e ainda assim vir aqui à caixa de comentários identifica-los”
    Quanta retórica…
    Os autores deste blog gostam de apontar dedo e dizer mal dos outros, sendo muitas vezes parciais e movidos por objectivos políticos – não se inibindo de dizer os nomes dos outros quando lhes convém -, mas quando o dedo se vira para os próprios, aí já não pode ser…
    P.S.
    Têm medo que os skins vos venham buscar??? Não se estarão a dar demasiada importância?

  16. Caro “anónimo-com-medo-dos-skins”, acho que tem toda a razão e de facto eu já vi aqui alguns dos autores deste blog (… dos quais não posso dizer o nome senão apagam-me já o meu comentário :-) a fazerem posts com claros objectivos políticos e pessoais…
    Lembro-me também de que quando os critiquei, apontando quem eram, me apagaram o comentário…
    Por isso, caro “anónimo-com-medo-dos-skins”, queria fazer-lhe uma proposta…
    Não quer ir antes discutir estas questões para um qualquer outro blog (como o “Blasfémias” ou o “Atlântico”) onde não nos apagam comentários e podemos falar à vontade e apontar o dedo a quem quisermos? ;-)
    Um abraço gélido,
    Pai Natal

  17. “movidos por objectivos políticos”
    muito bom.
    “Deixou de existir outra amizade, para nós, que não seja política.”

  18. Eu não sei se é dos meus ares do campo… quando eu era mais xavalo, lá na KISS, depois de baixar a espuma tinha sempre um no chão (o dono gritava assustado, tem buracos? tem buracos? Ufa, não foi da espuma) temos também aquele colega de carteira que enfiou um sacho no meio dos olhos do vizinho, ou aquela vez a fugir dos tiros da caçadeira do Arturzinho, dos trintas e alguns pontos na cara que só me beneficiaram a estampa, dessa infância de pilharias e comanditas.
    Uma coisa é certa NUNCA mas NUNCA, NUNCA, se reage a uma ameaça(deste tipo de natureza) demonstrando medo. Medo, saboteur, é uma coisa que os skins também têm, agora, não são assim tão tótós para o demonstrarem e se os imaginares nus, não muda muita coisa. A natureza cobarde de ataques desproporcionados em meios e em números contra indivíduos sozinhos ou pouco acompanhados, é realmente um factor a ter em conta, mas não me parece possível com a quantidade (vasta mente superior à esquerda) de repressão que o “movimento skin” tem apanhado por parte do estado, forças policias, serviços secretos, etc. Deves ser mais motivo de gozo do que de ódio. Lembra-te também que apesar de não terem cabelo, um polegar e um indicador a agarrar uma orelha muitas vezes conduz a grandes estados de “consciência alargada”.
    PS: Vou levar a soqueira do meu avô para a ZDB, vai ser divertido, tanta obra de arte para atirar.
    PS2: Fiquei curioso para saber do ambiente na reunião “aparentemente internacional” que os Skins do Martelo tiveram, nomeadamente com a delegação inglesa. E isto porquê? Se é verdade que faz todo o sentido(SkinSense) os ingleses correrem com os emigrantes portugueses, italianos e gregos, lá da fabrica, como se sentirá o Machado face ás ofensas prepertadas por cães ingleses á sua nobre raça.

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