Algumas notas sobre Espanha, Catalunha e Barcelona

1 – Em Espanha há coisas evidentemente piores: o café é terrível, o pão asqueroso e a água canalizada ou comercializada sabe sempre a cano. Em geral por pouco dinheiro come-se mal, não se encontrará em Barcelona um menu de almoço por menos de 7 euros e será garantidamente mau: uma massa ultra-cozida com ketchup por cima é spaghetti all ragu e uma perna de frango frita e fria como um cadáver é um frango no churrasco. Tudo previamente marinado em óleo. Qual franchise, 90% dos cafés oferece as mesmas 5 sandes frias e quentes de micro-ondas. Os restantes 10% dividem-se em duas partes: Variantes fashion das sandes anteriores e starbucks e etcs. Para comer comida Espanhola boa há que ultrapassar a barreira dos 20 euros, coisa que acho que nunca fiz.

2 – O presunto é no entanto incomparavelmente superior.

3 – O preço de um estúdio em Lisboa aluga em Barcelona um quarto minímo, sem mobilía, com janela para o elevador e uma cama sub-ikea numa casa miníma também, com uma sanita sem bidé num armário e um duche com a pressão de perdigotos. As cozinhas, mesmo em apartamentos grandes, são pouco maiores que os lava loiças. As casas têm todas dois ou três pisos intermédios entre o rés do chão e o primeiro andar. Ou seja que um quinto andar se transforma num sétimo ou oitavo. (Saboteur e Joystick preparem-se).

4 – A primeira vez que vim a Barcelona a revolução estava iminente e não havia parede que não o anunciasse. Havia cerca de 400 casa okupadas e 3000 pessoas a viver em okupas. Havia manifestações todos os dias e cada duas semanas um motim. Nos últimos 5 anos acabaram com isso tudo. Beber cerveja na rua dá multa, cuspir para o chão também, uma casa no Raval que há seis anos custava 600 euros hoje foi dividida em dois e cada metade custa 900. As paredes estão pristínas e tem detectives cujo trabalho é identificar e prender writers. A cena okupa tornou-se uma caricatura de si mesma e foi expulsa para fora do centro, assim como o estão a ser os habitantes mais pobres. Há um starbucks esquina sim esquina não e um grupo de erasmus bêbados nos intervalos. Isso sim, há bicicletas grátis por todo o lado.

5 – O centro da cidade é uma disneylandia para quem gosta de beber copos, tomar drogas e de sexo casual, mas é uma desilusão enorme para quem vê algo de romântico nisso.

6 – Culturalmente e intelectualmente há uma oferta variada, rica e acessível. A vanguarda é menos vanguarda que em Lisboa mas todo o território anterior está amplamente disponível e representado, ao contrário de Lisboa.

7 – Os espanhóis são simpáticos e à segunda vez que os vês já te oferecem cocaina e um encontro com o irmão ou a irmã. Os Catalães são parecidos mas um bocado mais frios e mais arrogantes. Os Bascos são os mais porreiros. Os Galegos são tipo os Portugueses mas mais tristes. Mas isso interessa pouco porque aqui conhecem-se principalmente outros Portugueses, Italianos, Franceses, Suecos, Alemães, Argentinos, Chilenos, peruanos e Americanos.

8 – A tendência natural e totalitária para o mau gosto é omnipresente e é impossivel escapar a ela. Bem sei que o bom-gosto é uma categoria normalizadora burguesa mas é impossivel não recuar a posições conservadoras ante a barbárie estética de todo um povo. Barcelona e alguns locais do Pais Basco esforçam-se por escapar a isto mas o resultado é um fashion inócuo não muito melhor. Espanha é um poço sem fundo.

9 . Há, sem poder confirmar, cerca de 9,000 Portugueses em Barcelona. Os primeiros a vir foram os artistas e os okupas, depois os designers. Com o tempo chegaram os arquitectos e depois os engenheiros, agora começam a chegar os gestores de empresas e gente de marketing. Mas também já há alguns a trabalhar em cafés e limpezas.

10. Há um burburinho permanente muito agradável para quem vêm de uma cidade-deserto como Lisboa. Há sempre gente na rua de todos os feitios e cores. Cada vez que uma pessoa sai de casa nunca sabe que aventuras lhe podem acontecer. Isto é o que diriam a maioria dos Portugueses aqui se lhes perguntassem se gostam de aqui estar. Não deixa de ser verdade de algum modo.

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34 thoughts on “Algumas notas sobre Espanha, Catalunha e Barcelona

  1. “Havia cerca de 400 casa okupadas e 3000 pessoas a viver em okupas. Havia manifestações todos os dias e cada duas semanas um motim.”
    E piolhos? Muitos também?

  2. “A vanguarda é menos vanguarda que em Lisboa(…)”
    Entender-se-à por vanguarda, aquele grupinho de pessoa que se deslumbra, com a reverência de um Damaso Salcede, por tudo o que é supostamente alternativo, desde que obra de um qualquer revolucionário de aviário, que não português?

  3. Havia muitos mas não tantos quantos irão haver no barracão onde vai dormir quando expropriarmos a sua casa.

  4. como lista de clichés sobre vida turística e temporal ali no eixo goticos-rambla-raval, nao está nada mal. pouco ou nada sobre catalunha sem ser “os espanhois isto, os catalaes aquilo”. enfim, diz mais de quem escreve do que da cidade em si e chega pra fazer de especialista na coisa.

  5. A única diferença é que em bcn em vez de ser um grupinho é um grupão.
    boulder dash: fale-nos então da sua catalunha para lá do turismo.

  6. Importas-te de explicar a (tua) cena com as biclas? Já lhe deste um toque aquando do dia sem compras e seguintes, mas juro que ainda não consegui perceber porque é que dizes que o cu tem a ver com as calças…

  7. nao tenho catalunha pra lá de coisa nenhuma, pá. nem esta é a tua, evidentemente. mas por 7 euros comes umas tapas valentes no carmel, sem precisar de bater nos 20, por exemplo. e voltar ao turó de la rovira, se já lá tiveres ido.

  8. Não tenho nada contra bicicletas, muito antes pelo contrário. Mas o modelo BCN só prova que a promoção de um meio de transporte sustentável não é necessariamente uma medida tão revolucionária como se propõe. Quem a levou a cabo aqui foi um executivo camarário que transformou uma cidade num parque de atrações para turistas, opinião relativamente unânime entre a população de barna.

  9. Caro PP,
    Não consegue expropriar a minha casa. Já tentaram no 25 e conseguimos expulsar-los a tiro e bastonada. Graças a Deus.

  10. Las Ketchup, que máximo!
    Sobre a bicileta, é evidente que as políticas d e mobilidade podem ser executadas desligadas da política do parque de atracções e umas não conduzem necessariamente a outras. E por que é que a bicicleta não é revolucionária? A revolução está toda em que em Barcelona posso andar de bicla sem levar com um automóvel em cima de 2 em 2 minutos e em Lisboa não.

  11. Não quis inferir que uma coisa leve necessariamente à outra. Mas acho que está na altura de questionar de que modo todo o modelo “sustentável” está ligado a uma sofisticação do capitalismo. Há a presunção numa certa cultura activista de que o progresso numa questão siginifica uma possibilidade de avanço nas demais. Em bcn trazem a cultura para o centro da cidade, nos últimos 15 anos demoliram 3 quarteirões no Raval: um para o Macba, outro para a Rambla do Raval, outro para a Cinemateca. Se fosse para um estádio, a sede de um banco e um centro comercial toda a gente se atirava ao ar, mas como a especulação se faz através de instituições culturais consensuais ninguém diz nada. As queixas de brutalidade policial aumentaram cerca de 400% no ano em que a policia autonómica catalã relevou a policia espanhola, com a guardia urbana a ajudar, mas do que se fala é das bicicletas grátis. Eu gosto das bicicletas grátis, mas preferia que quem as disponibilizou não tivesse também posto um policia em cada esquina que me passa uma multa de de 200 euros se abro uma lata de cerveja na rua.

  12. Concordo inteiramente com o pp. Não nos podemos esquecer que a cultura como esfera separada e parte do sistema mercantil não difere em substancia dos restantes produtos do espectáculo O renegade devia saber que a cultura do espectáculo não é a nossa! A separação geral não permite mais interacções onde se enraíze uma cultura (com as excepções das faíscas de algumas TAZs) capaz de se aprofundar.
    PS: Meus amigos, não vale a pena vir com o pró-situ … Vale a pena ver se subimos aos ombros dos pro-situs e arranja-mos qualquer coisa mais tipo pos-situ.

  13. PP, achas que essa cultura existe nos gajos q em Portugal defendem o uso da bicicleta? Admito que sim, pela minha parte nºão tenho ilusões,sei q tudo é apropriável. Eu só quero mesmo poder fruir da bicicleta em condições de segurança, que respeitem o meu espaço enquanto ciclista. Em portugal não há.
    anónimo,
    como é que é?!?

  14. É assim,
    A primeira parte diz que a cultura é “uma esfera separada”, hora isto significa que não é mais parte da vida quotidiana mas sim algo estranho a ti (nós) ao qual tens acesso através do mercado. Metafóricamente é como toda a actividade sexual passa-se pelas putas e a respectiva relação mercantil e não pelo engate que fizes-te numa qualquer situação.
    Seguidamente diz que um produto cultural, uma obra de “arte” por exemplo, uma qualquer filme,não difere substancialmente de umas escovas para o para-brisas. Ambos os produtos estão sujeitos ás leis do mercado.
    Depois temos aquela parte que diz que TU já devias ter consciência disto à séculos, formada estilisticamente á lá renegade. um desvio da sua máxima pimba “a tua revolução não é a minha”.
    Continuando acrescenta que nos dias de hoje, devido á separação que a sob(re)-vida nos impõe, as hipóteses da criação de uma cultura produto da vida, são poucas, com excepção talvez de algumas Zonas Autónomas Temporárias.
    PS: Já agora: recuperando da minha convalescência, aprendi que o famoso texto renegade/SPECTRUM já tinha sido feito pelos surrealistas. “Um cadavre”, sauda o enterro Anatole France.

  15. Agora sou eu, como é que é!?!
    PS: Já agora: recuperando da minha convalescência, aprendi que o famoso texto renegade/SPECTRUM já tinha sido feito pelos surrealistas. “Um cadavre”, sauda o enterro Anatole France.
    hein? tas a falar do quê?

  16. sou pimba e não percebo nada das mediações do mercado na vida contemporânea. Ok.
    mas o que é que isto tem a ver com a bicicleta? com a minha bicicleta, com o meu prazer em andar de bicicleta e com a vontade que tenho de me deixarem andar de bicicleta? a não ser que queiras dizer que a minha bicicleta e a minha vontade de andar de bicicleta são produtos culturais. Bom, tudo é cultura, então. O que é que isso adianta à conversa?

  17. Isto aqui ninguém é contra as bicicletas propriamente, nem acho que a utilidade da discusão se encontre no que tu ou eu gostamos de fazer…
    O pp, que tem curso pro-situ afirmou:
    “Mas acho que está na altura de questionar de que modo todo o modelo “sustentável” está ligado a uma sofisticação do capitalismo.
    (..)
    Em bcn trazem a cultura para o centro da cidade, nos últimos 15 anos demoliram 3 quarteirões no Raval: um para o Macba, outro para a Rambla do Raval, outro para a Cinemateca. Se fosse para um estádio, a sede de um banco e um centro comercial toda a gente se atirava ao ar, mas como a especulação se faz através de instituições culturais consensuais ninguém diz nada.”
    O que interessa é saber em que medida o modelo “sustentável”, bicicletas, reciclagem, cultura para todos, etc, contribui para a sustentabilidade do sistema (temos nesta categoria de opinião os sociais-democratas: PCP, BE por exemplo) ou se pelo contrário a sustentabilidade do sistema está alicerçada á natureza do capitalismo que tudo transforma em mercadoria e consequentemente esse modelo “sustentável” será simplesmente para sustentar mais um pouco o actual estado de coisas. Como dizia o outro; algo tem de mudar para que tudo fique na mesma. Como que ligar o velho à maquina . Isto está um pouco confuso… outro exemplo: Será que é a reciclagem que vai resolver os problemas do lixo, e consequentemente podes dormir descansado com a tua sob(re)-vida se reciclares ou se pelo contrário é no excesso de produção de lixo que se encontra o problema? Sabes como é que no Rio de Janeiro puseram a malta a andar de bicla sem ser atropelada? montaram bicicletas de ginásio dentro de uma camionete! tas a ver a questão? Muitas vezes, nestas coisas é pior a amêndoa do que o sorvete. Dando um pulo … Será que foi a agricultura que matou a fome no mundo ou precisamente foi ela que a criou?
    Bem renegade, este texto saiu uma merda, amanha se continuares a não perceber continuarei a tentar
    um bom exemplo é o vegetarianismo que desenvolveu todo um mercado para satisfazer essa “rebeldia”

  18. “O que interessa é saber em que medida o modelo “sustentável”, bicicletas, reciclagem, cultura para todos, etc, contribui para a sustentabilidade do sistema (temos nesta categoria de opinião os sociais-democratas: PCP, BE por exemplo) ou se pelo contrário a sustentabilidade do sistema está alicerçada á natureza do capitalismo que tudo transforma em mercadoria e consequentemente esse modelo “sustentável” será simplesmente para sustentar mais um pouco o actual estado de coisas.”
    porquê o “pelo contrário” se as duas proposiçoes sao idênticas?
    está claro que se a medida política de incrementar o uso da bicicleta se produz dentro de um discurso de “desenvolvimento sustentável” que nao questiona o modo de produçao hegemónico, só pode servir para o reforçar, nao é?
    de qualquer maneira, e voltando a Barcelona, o problema é que o modelo das bicicletas como transporte publico (nao gratuito, atençao) falhou completamente. é cruzar um mapa de implantaçao da rede com um mapa socio-económico para perceber que zonas convém dotar deste sistema, isto é, em que zonas convém que este sistema seja visível. as condiçoes de acesso ao sistema (na prática, só precisas de um documento assinado por um habitante da cidade que confirme que tu também lá vives para poder ter o cartao) encorajam o uso turístico, de maneira que tens 80 mil abonados para 3 mil bicicletas, numa cidade que chegou a ser o primeiro destino urbano europeu para turistas americanos.
    isto tem muito pouco a ver com sustentabilidade ainda que possa parecer que encoraja o pessoal como o renegade a andar de bicicleta. este pessoal já tinha e usava bicicleta e continuará a fazê-lo quando o Bicing deixar de ser moda. ficarao, isso sim, as ciclovias, mas pra construir ciclovias nao precisas de montar um Bicing.

  19. Quem diria que estas tretas sobre bcn provocariam tanto celeuma.
    De qq modo gostava de acrescentar uma coisa: se por um lado me desagrada e irrita para lá do sério algum discurso que assenta num ecologismo básico a salvação do mundo: nas bicicletas, na reciclagem, no voluntariado e em todos esses placebos bem dispostos por outro também me desagrada fortemente o pressuposto de que tudo é recuperável e portanto inútil e que nos movemos sem sentido na noite e somos ai consumidos pelo fogo.
    Basicamente se eu curtir andar de bina e o estado me providenciar condições para isso então porreiro. Se eu achar que reciclar é bom e houver um vidrão na minha esquina porreiro também. É possivel pôr todas as questões mais que pertinentes que o anónimo ai em cima põe e outras ainda, mas é também um exercicio de escaranfunchar ideológico da ferida, e se atentamos com talvez demasiada frequência e assertividade nos hábitos a nosso ver demasiado festivos e superficiais de uma série de “activismos” talvez seja o momento de admitir que não estamos muito melhor.
    Avaliar as expressões da condição humana sempre através de um quociente revolucionário e libertador é mais do que chato e castrador, é insalubre.

  20. boulder dash,
    “porquê o “pelo contrário” se as duas proposições são idênticas?”
    Tens razão, tem vários erros, não faz sentido nenhum, o sentido é o seguinte: O problema estará nos efeitos ou pelo contrário nas causas? O problema é a poluição ou a produção? eu acho que para se resolver os efeitos não devemos agir sobre eles, mas sim, sobre as suas causas.
    “está claro que se a medida política de incrementar o uso da bicicleta se produz dentro de um discurso de “desenvolvimento sustentável” que não questiona o modo de produção hegemónico, só pode servir para o reforçar, nao é?”
    É, exactamente. E isso não é preocupante? Não teremos então que desmontar esse discurso? desmascará-lo como intrujo? Eu acho que sim …
    Quais são as dificuldades que se apresentam? Imagina esta experiencia: Um doente, completamente ignorante (no que respeita a medicina) sofre de cancro. Duas soluções se apresentam: O primeiro médico tem morfina, que alivia o doente, o segundo tem quimioterapia, que o mete a vomitar que lhe faz cair o cabelo e com dores. Todos iram para a morfina… Como é que se explica isto?
    pp,
    Rapidamente nos separamos…
    “por outro também me desagrada fortemente o pressuposto de que tudo é recuperável e portanto inútil e que nos movemos sem sentido na noite e somos ai consumidos pelo fogo.”
    A mim também me desagrada, mas é ou não uma consequência histórica? É uma dificuldade do caralho, mas tens de admitir isso. Onde é que queres chegar? lá está, interessa pouco o que TE ou ME agrada.
    Porquê o anonimato? porque razão? achas que não tem a ver com a recuperação? olha que eu acho que sim …
    “Basicamente se eu curtir andar de bina e o estado me providenciar condições para isso então porreiro. Se eu achar que reciclar é bom e houver um vidrão na minha esquina porreiro também”
    cá está o pp no seu pior. Isso é a mesma coisa que dizeres que quem vota não contribui formalmente para o sistema. Olha o saramago? Onde queres chegar com isso?
    “escarafunchar ideológico” Qual ideologia? onde está a ideologia? tas a ver, é um argumento tipo o da “recuperação”: Eu não faço nada porque todas as minhas acções são recuperadas. Eu não penso nada porque todo o meu pensar é um “escarafunchar ideológico”.
    “Avaliar as expressões da condição humana sempre através de um quociente revolucionário e libertador é mais do que chato e castrador, é insalubre.”
    Eu também acho que sim. Mas aqui o SPECTRUM é para isso ? ou não ?
    O “sempre”, é sempre um problema.

  21. Anonimo,
    pegando no teu exemplo, a morfina é um paliativo e a quimio é um tratamento. se queres extrapolar que discutir coisas como a política das bicicletas sem questionar o sistema a fundo é tomar um analgésico sem curar o que causa as dores, isto é, a doença em si, acho engenhoso mas também um bocado estéril.
    estéril porque querer ir às causas nao te pode impedir de dizer algo tao simples como “quero deslocar-me de bicicleta pela cidade, convém que tenha condiçoes para isso”. esse esforço de síntese e de regresso às causas é interessante, mas se convives com e nos efeitos, também acho importante interpretá-los e posicioná-los em relaçao a eles.
    acho que o escarafunchar ia nesse sentido, pá. digo eu.

  22. Temos que te oferecer um fato de grande inquisidor. Assim poderás observar à lupa todo o presumível «subversivo» e espetar-lhe o teu carimbo de «recuperador».
    Alguma coisa te deve estar a acontecer para começares a falar na 1ª pessoa do plural:”Não teremos então que desmontar esse discurso?”

  23. Estamos a chegar a algum lado.
    “convives com e nos efeitos, também acho importante interpretá-los e posicioná-los em relaçao a eles.”
    (sem ironia)
    Tens razão, o que dói não é a distante fábrica de Tartan que corta 1 ou 2 mãos de operários distraídos por ano, mas sim a BESTA do operário maneta que me atropelou e partiu as pernas. Concordo, agora, para resolver isso temos que ir ainda mais fundo. É a tomada de consciência que se tem cancro que nos faz escolher a quimo? ou a dor de barriga?
    Dói admitir, mas partir daí todos os passos são mais ou menos sequenciais e óbvios:quimo, radio, xamãs, raiki O QUE FOR PRECISO, este ou aquele paliativo conforme o gosto e o caso, e acima de tudo entregarmo-nos à PROVIDÊNCIA.
    É o homem que cuida do mundo? ou o mundo que cuida do homem? O que é MAIOR? o mundo? ou o homem?
    Ricky,
    “observar à lupa”
    Exactamente, é isso.
    “Alguma coisa te deve estar a acontecer para começares a falar na 1ª pessoa do plurAl”
    É por ter sonhado contigo e me sentir mais perto de vós.

  24. só pra nao continuar aqui às voltas dizer-te que quem faz quimio também usa paliativos pra minimizar os efeitos.
    da mesma maneira (seguindo o exemplo, que de tao repetido já torna tudo absurdo) que é possível falar das bicicletas sem reduzir as causas estruturais a essa discussao.
    tu dizes que estamos a chegar a algum lado, tem piada, eu acho que continuamos na mesma.

  25. Pá eu tenho que vos dizer isto: eu curto bué estes roles de comentários!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    A única merda é que o Spectrum não tem um alimentador de rss prós comentários e eu tenho que andar à pata à procura de novas entradas (e com a quantidade de flash ou videos ou lá que cabala é que torna o site pesado como o chumbo pró meu browser), sofro de agonia antes do prazer!
    (prontes pá, acabou a lamechice)

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