The world’s greatest violin playing (para saboteur etc. etc.)


“Tive, ao longo destes dez anos, como simples militante ou como dirigente, divergências com opções do Bloco. Delas resultaram discussões internas calmas ou acaloradas. Mas nunca tive como resposta processos de intenções. As divergências, no Bloco, valem por si próprias e não se fazem atalhos para pôr de lado as posições diferentes. Perde-se e ganha-se, claro. Fazem-se escolhas e as pessoas são responsabilizadas pelas posições que defenderam. Mas o terreno é o da política, não é o da suspeita de traição.”
Daniel Oliveira, Arrastão

15 thoughts on “The world’s greatest violin playing (para saboteur etc. etc.)

  1. É dificil perceberes. Não fazes tu outra coisa em qualquer debate político. Sempre a suspeita do desvio. Com o problema de, como estás a ser mudar de linha, acabamos todos por nos desviar da linha justa, que, no teu caso, é um zig-zag

  2. «Os cálculos fazem-se e devem fazer-se. Mas deveria saber que eles têm de ter como fronteira a nossa consciência.» Qualquer linha de actuação política, mesmo a que apelidamos de ser zigzagueante, que tenha como fronteira uma consciência concreta com argumentos que resistam a um debate aberto, merece mais respeito que todas as outras calculistas e instrumentais, tanto as que defenderam o realismo estatário soviético num pacto germano-soviético como as que defendem o bloco como grande partido anti-sectário de debate político.

  3. Daniel, vamos resolver de uma vez por todas uma única questão, para que se torne possível debater todas as outras – tu não me conheces tão bem como julgas, nem acompanhaste o meu percurso político ao ponto de o poderes traçar num papel. E porque assim é, o que escreves sobre o meu zig-zag é pura e simplesmente uma idiotice, até à luz do post que escreveste narrando o teu percurso político.
    Como tu, fui do PCP. Como tu, saí do PCP. Como tu, saí acompanhado de outras pessoas que resolveram permanecer juntas após terem abandonado o partido. E como tu, acabei por divergir do rumo que essas pessoas quiseram seguir. O meu zig-zag não é inferior, seguramente, ao do João Semedo (a quem não poupas elogios, que me parecem aliás justos). Não tenho, pois, qualquer problema com desvios («em qualquer debate político»?) nem suspeitas.
    Entretanto, a minha vida foi por outros caminhos e lidei com outras coisas e experiências que, manifestamente, desconheces e não tens vontade de conhecer. E por isso falas acerca delas com uma arrogância e uma vontade de desqualificação que só denunciam a tua incapacidade de debater divergências que vão para além do plano meramente táctico. Para ser ainda mais claro – os movimentos em que participo ou os contextos em que me envolvo, são-te tão familiares como é para mim a vida política no Liceu Pedro Nunes nos anos 80. Cada um tem os interlocutores que merece e por isso deixo-te à vontade para trocares ideias com pessoas sérias como o Pedro Marques Lopes e o Luís Fazenda.
    Passando ao tema em questão. Conheço várias pessoas que saíram do bloco, queixando-se precisamente de que as divergências são ali encaradas com desconforto e de que tudo se decide em função do cálculo da divisão de poderes entre as três correntes. Em vários congressos do teu partido surgiram moções a denunciar a falta de democracia interna, que obtiveram votações significativas. E sei que, quando foi necessário aprovar a aliança em Lisboa, vários militantes que há muito não eram convocados para reuniões foram contactados para vir votar «contra esses gajos do Ruptura».
    A tua sonata para dó maior, acerca do fraternal clima interno, destoa bastante do que me contam pessoas próximas. E por isso acho que as linhas que dedicaste ao tema não dispensaram uma certa dose de cinismo.
    É óbviamente mais fácil disparar sobre o pianista, mas asseguro-te de que isso não torna mais audível o teu violino.

  4. O texto do Daniel fez-me vir as lágrimas aos olhos como quando vi o ladrão de bicicletas do De Sica. É impossivel não nos comovermos ao vermos quando este patinho feio do PC e do Liceu encontrar os outros com quem afinal pertencia.
    Daniel você não é feio! você é um cisne! um cisne de elegância intelectual! que voa bem por cima dos outros patinhos do lago! Voe Daniel Voe!

  5. Ricardo, o meu problema quando aqui comento é que aqui não há qualquer debate Como se vê, aliás, no comentário do Party Program, que corresponde bem ao estilo do blogue.
    Sobre os teus zig-zags, o meu problema não foram as tuas mudanças (mudei), não foram as tuas alterações ideológicas, é a forma absolutamente dogmática como, a cada momento, abraças cada uma delas. E o desprezo que tens por todos “os que ficaram no caminho”.
    Quanto à democracia interna no BE, podemos ter um debate mais calmo sobre os que confundem basismo (o partido reunia todo cada vez que tivesse de reagir a cada coisa) e democracia.
    As vezes que senti que havia atropelos à democracia interna, e podes confirmar com muita gente, a minha posição nunca mudou.

  6. O que quer dizer debate para o DO é algo bastante restrito e peculiar, como aliás se viu durante (e depois) do debate na pó dos livros.
    Há o debate da Sic noticias, em que o DO e outros marmanjos uns mais ignorantes que os outros se atropelam para dizer banalidades.
    Há o debate interno, como o da pó-dos-livros, em que o DO se autoriza a participar começando por dizer que sabe da Grécia apenas o que leu nos jornais para depois fazer afirmações totalmente categóricas sobre a distribuição de género nos motins. E isto sem vergonha na cara.
    Há o debate arrastão/blogosfera, em que o DO responde a qualquer critica menos, perdoe-me, “social-democrata-porreirista” com a K7 de que é critica sem debate.
    Já lhe perguntei umas cinco vezes e nunca me respondeu.
    A pergunta é obviamente critíca em si.
    Que contacto já teve o Daniel com movimentos extra/anti-parlamentares?
    Que experiências pessoais o levam a poder afirmar que 1)há poucas raparigas entre os anarquistas gregos 2)a violência é sempre transportada para dentro do movimento?

  7. Esqueci-me de ainda outro modelo de debate do DO.
    Aquele em que ele interrompe um outro interveniente para mostrar que acabou de receber a convocatória de uma manifestação no seu Iphone e assim provar à jovem lá de trás que sim há uma considerável mobilização em Portugal, aproveitando para sugerir a participação de todos, sendo que depois evita qualquer menção a esta no seu blog. Quase ninguém do seu partido aparece na manifestação, mas isso não impede que depois ponham um video no esquerda.net e que façam circular mails a contar uma versão açucarada de como foi SEM que tenham estado lá.
    outra pergunta então:
    Porque é que não divulgou a manifestação da amadora no seu Blog?

  8. Agora já topei a grande luta do DO no BE; é a luta contra o basismo (aquele perigoso desvio que obriga as cúpulas a consultarem as bases por tudo e por nada)
    Manuel Monteiro

  9. “e viu durante (e depois) do debate na pó dos livros.”
    PP, se fala do que viu ou ouviu depois do debate, em discussão privada, identifica-se para ficarmos de igual para igual em vez de se portar como um bufo. De facto, nem sei porque perco tempo neste jardim infantil.

  10. Desculpa, Daniel, mas todas os pontos concretos apontados pelo PP foram ditos por ti publicamente a um público mais ou menos anónimo DURANTE o debate público.
    Também não sei quem é o PP mas isso não interessa ao caso. A muito do publico anónimo que assistiu ao debate interessaria saber por que razão é que chamaste a atenção para uma manifestação a qual não te interessou divulgar no teu blogue nem participar.
    A mim, pessoalmente, agradar-me-ia saber de onde tiraste a conclusão que apresentaste com tanta certeza de que a distribuição de género nas resistências gregas seria menos igual do que no parlamento.
    Isto sem quaisquer juízos de passado ou percurso pessoal.

  11. Deixando de lado as perguntas colocadas nos comentário seguintes (que em todo o caso não deixo de partilhar) noto que, a propósito do clima de debate interno do bloco, resolveste invocar o meu absoluto dogmatismo. Não percebo muito bem o que é que uma coisa tem a ver com a outra – ou seja, não percebo porque é que o meu dogmatismo é um argumento a favor do elevado nível com que se debate política no teu partido. Suponho que tinhas essa entalada há algum tempo para me atirar à cara. Mas agora, que já o fizeste, o que é que sobra? Bastante pouco.
    É próprio de uma pessoa dogmática recusar-se a debater ideias contrárias, mas eu não me recuso a debater as tuas, simplesmente discordo delas. Se remetes para o tom com que o faço não posso deixar de te convidar a examinar o teu próprio estilo de argumentação, que não prima pela delicadeza. Para mim isso não é um problema de maior, só não percebo porque é que continuamente te sentes incomodado quando alguém te replica num tom semelhante.
    Dito isto, quem me conhece e quem lê este blog poderá ajuízar do meu dogmatismo, mas seria bom que o demonstrasse e dissesse de modo mais explícito aquilo a que se refere.
    Discordar abertamente das tuas posições não faz de mim sectário ou dogmático. Desconfio que o «dogmatismo» a que te referes corresponde, fundamentalmente, ao facto de eu defender as minhas posições e de não abdicar delas enquanto não estiver convencido de que as outras são melhores.
    Mas notarás, tal como refere a minha camarada joystick, que raramente faltam argumentos para as acompanhar e que os mesmos não têm a pretensão de ser inflexíveis, mas persuasivos. Não tenhas tanta pressa em pôr fora de jogo quem vai num sentido diferente do teu.

  12. D.O. não percebo realmente porque é que o meu anonimato o irrita assim tanto, já alguma vez pensou que se não sabe quem eu sou é porque mesmo se scaneasse e lhe envia-se por fax o meu b.i. continuaria a não saber?
    No dia em que tiver o prazer de privar algum momento amistoso ou não consigo terei o prazer de me apresentar, até lá o Daniel Oliveira continuará a ser mim para mim uma figura pública, como o Francisco Louçã, o Pacheco Pereira ou a Ana Malhoa. Podemos combinar ao contrário, no dia em que for uma figura pública encarrego-me eu de lhe fazer saber o meu alter ego na blogosfera, assim estaremos verdadeiramente de igual para igual.
    Continuo (aliás, continuamos) à espera da resposta às perguntas.
    abraços do jardim infantil.

  13. Então? Qual de vocês vai ganhar a medalha “Eu abandonei o PCP e mereço reconhecimento por isso”?

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