Historiografia Comunista II

O artigo “Recomeçar do Princípio”, no Avante! desta semana é bom para o Zé Neves e Ricardo Noronha analisarem.
Ao ler no Orgão Central do Partido um artigo cirúrgico contra «indivíduos que organizaram e estimularam uma linha de liquidação do Partido enquanto partido comunista e revolucionário», parece que estamos a ler um Avante! do século passado, dos anos 30 ou 40, coisas do tipo “O Menino da Mata e o seu Cão Piloto”, que foram alvo de uma auto-crítica profunda por parte do Partido, anos mais tarde.

A linha ortodoxa sente-se cheia de força e age em conformidade… Na apresentação do livro a que fiz referência no Sábado, vi isso mesmo: uma organização aguerrida, unida para combater os inimigos do Partido, mas muito arrogante, muito pouco flexivel e com dificuldade em construir pontes para fora da sua esfera.

13 thoughts on “Historiografia Comunista II

  1. O P.C.P. tem muitos defeitos, é um facto.
    Mas não passa a vida a analisar os jornais/propaganda/… dos outros partidos para puder dizer mal. E dizer “Isto no PCP não acontece! O PCP é muito fixe! O PCP e o céu são quase a mesma coisa”
    Para quando deixar o PCP em paz e focar nos verdadeiros problemas? Quando vão deixar de achar que todos os problemas do mundo derivam do PCP? Quando foi a ultima vez que saltaram a barricada e fizeram alguma coisa de útil e positivo pelo mundo?

  2. Pois.
    É aliás possível que tenha sido a mesma pessoa a escrever ambos os textos (o menino da mata e este). Afinal de contas, trata-se do partido mais antigo de Portugal.
    Jovem camarada Daniela, nota que é o Avante que dedica, em 2009, um artigo a ajustar contas com pessoas que saíram do partido em 2002. E o tom é precisamente o de que até aí o PCP estava a perder constantemente força devido aos liquidadores e que agora é que a coisa está a andar para a frente: “Durante anos, prosseguiu, estiveram instalados na direcção regional do Partido «indivíduos que organizaram e estimularam uma linha de liquidação do Partido enquanto partido comunista e revolucionário». As posições difundidas no Algarve, acusou, nem sempre eram aquelas que tinham sido definidas em Congresso ou pela direcção central.
    Para Luís Piçarra, as motivações destes elementos pouco tinham de ideológicas – eram sobretudo os negócios e interesses em que estavam envolvidos que os moviam: «Basta ver onde estão hoje aqueles que eram na altura os principais dirigentes do Partido no Algarve.»”
    Os problemas do mundo não derivam do PCP. E a última vez que fiz algo de útil e positivo pelo mundo foi há bocado, quando deitei um papel no caixote do lixo. Bacci bacci e coisas patetas para ti; )

  3. “As posições difundidas no Algarve, acusou, nem sempre eram aquelas que tinham sido definidas em Congresso ou pela direcção central.”
    Esta, no tempo da internet, dos telefones, das fotocópias e da alfabetização quase total é mesmo uma pérola. Coitados dos camaradas que andavam a ouvir posições diferentes das da direcção. Coitados dos comunistas, pá, serem tratados como crianças por quem diz defender o seu partido.
    Agora outra coisa: é impressão minha ou os camaradas do spectrum estão aos poucos a sair do armário identitário?

  4. Qualquer um – incluindo o inimigo – sabe que um verdadeiro partido comunista não pode ser destruído por fora. Qualquer um – incluindo o inimigo – sabe que, após a destruição do partido comunista, a sua reconstrução é muito difícil. E sabendo que o Partido Comunista foi criado como ferramenta para unir a classe trabalhadora e confrontar a burguesia na luta de classes, parece-me perfeitamente legitimo que os comunistas defendam a sua unidade, a sua coesão e disciplina – sempre dentro dos limites do centralismo democrático – como característica essencial.
    Muitos dos que aqui estão criticam o Partido. E fazem-no do exterior. Isso demonstra como num determinado período da sua história, o Partido soube derrotar um grupo que pretendia a destruição do Partido como organização leninista. Felizmente, não seguimos o caminho de partidos com linhas que fracassaram. Mas também por cá fracassaram os que saíram do Partido. Ou estão no Bloco de Esquerda ou pululam por grupelhos intelectuais.
    A luta é o único caminho.

  5. Qualquer um – incluindo o inimigo – sabe que um verdadeiro partido comunista não pode ser destruído por fora. Qualquer um – incluindo o inimigo – sabe que, após a destruição do partido comunista, a sua reconstrução é muito difícil. E sabendo que o Partido Comunista foi criado como ferramenta para unir a classe trabalhadora e confrontar a burguesia na luta de classes, parece-me perfeitamente legitimo que os comunistas defendam a sua unidade, a sua coesão e disciplina – sempre dentro dos limites do centralismo democrático – como característica essencial.
    Muitos dos que aqui estão criticam o Partido. E fazem-no do exterior. Isso demonstra como num determinado período da sua história, o Partido soube derrotar um grupo que pretendia a destruição do Partido como organização leninista. Felizmente, não seguimos o caminho de partidos com linhas que fracassaram. Mas também por cá fracassaram os que saíram do Partido. Ou estão no Bloco de Esquerda ou pululam por grupelhos intelectuais.
    A luta é o único caminho.

  6. insistir em como o PC ainda é leninista é merecedor da resposta dada no post seguinte.
    o PC foi um dos maiores coveiros de Lenine e do Leninismo. e caro pedro, unanimismo é anti-comunismo.

  7. POIS EU SOU MILITANTE ACTIVO DO PCP NO ALGARVE E A MAIOR PARTE DO QUE É DITO NESSE ARTIGO É MENTIRA!!!!
    E MAIS, O FUNCIONÁRIO LUIS PIÇARRA É UM OPORTUNISTA E DAQUELES QUE DÁ RAZÃO AO DIZER: “HÁ MUITOS COMUNISTAS SEM CARTÃO E MUITOS COM CARTÃO NÃO SÃO COMUNISTAS”.

  8. Para já quero declarar que não considero que o PC seja um verdadeiro partido comunista, embora respeite profundamente os militantes do PC que defendem o seu partido com olhas e dentes e que estão convencidos que é o partido que vai liderar a revolução. Para mim o PC é um partido do sistema, que actua no quadro parlamentar burguês e que respeita as normas impostas pela classe dominante. Mas esta é uma discussão que nos levaria longe.
    Agora é verdade que os dissidentes do PC saiem quase todos pela direita e, desde o PSD, PS e BE,é ve-los entrar ainda mais no sistema com uma postura anti-comunista.
    Sobre o sectarismo do PC: considero que, no actual momento, o PC é o partido menos sectário. Tenho trabalhado com eles e com a CGTP a nível de realizações no âmbito do Tribunal Mundial Iraque-Audiência Portuguesa e em acções contra a agressão israelita a Gaza, e tenho constatado uma grande abertura dos dirigentes e militantes do PC. Ao contrário do BE que se tem revelado mais interessado em fazer alianças com os alegristas, com os soaristas ou com os rosetistas do que com sectores da esquerda revolucionária, onde me encontro inserido através do colectivo Mudar de Vida.
    Manuel Monteiro

  9. Sr Manuel Monteiro olhe que parece que o camarada cantor vos chama de pouca esquerda revolucionária. Diz que é mais do mesmo…

  10. “onde me encontro inserido através do colectivo Mudar de Vida” Qual foi a ultima sisão do mudar de vida? Então o cantor não basou ?

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