Da democracia no Irão – uma orgia de violência




A oposição iraniana não passa de um bando de arruaceiros em busca de pretextos que justifiquem a sua propensão para a violência.

14 thoughts on “Da democracia no Irão – uma orgia de violência

  1. A terceira imagem nem sequer é no Irão. Já a vi dezenas de vezes e desde há vários anos. Vejam lá se têm mais cuidado com as fontes…

  2. E contudo as evidentes semelhanças justificam o equívoco. Uns são vândalos, os outros são democratas.

  3. Acontece que no Irão não há uma democracia. E, apesar de continuar a preferir e defender as manofestações pacificas, isso faz toda a diferença. Aqueles manifestantes, se são apanhados, podem bem encontrar a morte. Estás a ver a diferença?

  4. Não percebo o equívoco Rick, são ambos vândalos. De qualquer forma e a provar-se que não houve irregularidades nesta eleição, são apenas mal perdedores.
    O irão não é só a sua capital que os média transmitem e portanto os democratas devem respeitar a vontade da maioria…

  5. Inatacável esta argumentação do Daniel. a “diferença” que o Rick “não está a ver” é que deixa de ser vandalismo cego a partir do momento em que os vândalos “se são apanhados, podem bem encontrar a morte.”
    Portanto, a potencial consequência de ser apanhado torna menos condenável a violência. Aquela que nunca é legítima, porque é misógina, espalha-se para dentro do movimento, etc.

  6. daniel,
    como sabes, acho que a tua ideia de uma sociedade sem violência é tão ingénua quanto a ideia de uma sociedade sem poder. e só não acho ingénua de facto porque, na verdade, parece-me que o teu problema não é com a violência e sim com a sua legitimidade democrática. parece-me que não pões em causa a existência de violência mas sim a questão de saber se a fonte dessa violência é politicamente legitimada por todos. Se é violência exercida por um Estado democrático, então estás de acordo (podes, quanto muito, e sei bem que o fazes, criticar os “excessos” desse exercício quando eles sucedem).
    Ora, o meu problema é que os “excessos” tendem a ser a “norma”. Não tanto de um ponto de vista “quantitativo” (isto é, não acredito que haja mais presos a ser torturados nas esquadras portuguesas do que presos a não serem torturados) mas de um ponto de vista “qualitativo”: com efeito, a “norma” precisa dos “excessos” para se banalizar como “norma”.
    Por isso a legalidade democrática do Estado democrático não exclui (nem na prática nem na teoria) a mobilização de “situações excepcionais” para o uso da sua violência.
    A excecpionalidade dessas situações não lhes garante um carácter episódico e sim lança um espectro sobre tudo. Só é possível falar na legitimidade legal e democráctica da violência do Estado se nos esquecermos que ela é não raras vezes aplicada a figuras a que esse Estado não reconhece nem direitos nem deveres: o colonizado, o imigrante, o iraquiano, etc.
    A distinção entre a violência contra uma política ditatorial e uma polícia democrática pode ter alguma pertinência e serei o último a comparar uma e outra situação de forma simplista. Mas para um colonizado argelino dos anos 60, a violência do Estado democrático francês não é assim tão diferente da violência que o Estado ditatorial português exerce, na mesma altura, sobre um “turra”. Assim como a violência dirigida pelo argelino contra o Estado democrático francês não é assim tão diferente da violência dos soixante-huittards.
    E quem fale em colonizados, fala na situação dos imigrantes ou dos iraquianos ou dos… Ou, se quiseres, na situação dos presos, dos loucos e de todas as outras figuras cuja anormalidade é essencial para que possamos assumir que nós vivemos na normalidade.
    abç

  7. Pois. Começo por sublinhar o carácter irónico do post.
    O que se vê nas fotos não são confrontos entre manifestantes da oposição e forças policiais, mas a pilhagem pura e simples que é, nestas ocasiões, a grande festa dos pobres – em Teerão como em Atenas. Os confrontos entre oposição e governo também decorrem, mas noutros termos.
    O que fica porém, é a fragilidade original do argumento que arruma a violência do lado dos arruaceiros e o pacifismo do lado dos verdadeiros democratas.
    Vou remeter para o comentário do Zé os argumentos foucaultianos e agambenianos (inscrevam-se já no próximo curso de pensamento crítico da Unipop e recebam em vossa casa uma magnífica tostadeira), ainda que não deixe de ser curioso o argumento de Ahmadinejad para justificar a repressão – trata-se de um bando de arruaceiros saídos de um jogo de futebol.
    A minha incursão é um pouco menos ambiciosa.
    Sabe-se hoje, com plena certeza, que George W. Bush venceu as eleições de 2000 através do recurso a uma enorme chapelada. E durante a sua administração foram cometidos vários atropelos ao Estado de direito democrático, com violações sistemáticas das liberdades civis e o recurso recorrente à tortura por parte de várias agências governamentais. Mais ampla ainda foi a prática de tortura e as violações dos direitos humanos cometidas fora do solo norte-americano, por soldados dos EUA ou por serviços secretos de países aliados (Egipto, Paquistão, Indonésia).
    O que tornaria então injustificado o uso da violência contra o governo de Bush? À luz ética dos argumentos pacifistas, absolutamente nada. À luz estratégica das co-relações de forças em cada momento, várias coisas.
    Mas há mais, como se conhecem hoje as cumplicidades de vários governos europeus com a prática de torturas e de detenções ilegais – para não falar já do apoio do actual comissário europeu e então primeiro-ministro português – levada a cabo pelo governo dos EUA, dir-se-ia que a insurreição contra todos esses apologistas da guerra de civilizações e do anti-terrorismo todo-o-terreno é, não apenas legítima (que palavra), mas necessária. O mesmo se diria porventura dos seus cúmplices. Dos que, como fez e faz este governo, procuram silenciar e negar os factos para lá de tudo o que seria razoável e dessa maneira branquear os «crimes», inocentar os seus «culpados» e possibilitar que tudo se volte a repetir quando necessário.
    E assim, à boleia dos argumentos da justa rebelião contra a injustiça dos egoístas e a tirania dos homens maus, acabaríamos por chegar ao ponto delicado – a violência não é boa nem má, a violência é. Ela está inscrita no conjunto das nossas relações e define os nossos quotidianos, bem para além do espaço que reservamos à indignação e à cidadania – lá onde deixamos de saber identificá-la e aprendemos a naturalizá-la e a conviver com ela tranquilamente.
    É essa naturalização da violência do Estado que torna insuportável o convívio com outras formas de violência e convoca a necessidade de as atribuir a uma patologia de um indivíduo ou de um grupo – os criminosos, os arruaceiros, os delinquentes, os marginais, os vândalos, etc… – mesmo quando se torna óbvio que é precisamente do lado da violência do Estado que se encontram as pessoas, grupos e instituições capazes da mais brutal, cínica e desapiedada violência contra quem desobedece. Em Teerão como em Atenas. Não independemente, mas bem para além das formas de legitimação dessa violência de Estado.

  8. é assim mesmo rick!!
    também por aqui as coisas só se tornarão claras quando nos saltar a tampa e formos para a rua dar uns tabefes.
    correr à paulada toda a tralha cívica e todo o quotidiano confortável e ligeiro dessa pequeno-burguesia esclarecida e esquerdista que com o seu modo de vida recheado de doce de morango, de quiche de espinafres, de blogues, de pós-douturamentos, de limonadas na esplanada e de cafés sem açúcar sustentam a miséria, o roubo do tempo e a morte no outro lado do mundo.
    a europa há-de arder!!

  9. para onde deviam estar há muito tempo: o campo pequeno: p’rás touradas…

  10. claro clyde, e o george orwell era da CIA. o jogo tem muitas plataformas, não é?

  11. Preciso de uma conclusão sobre esse tema, mas não consigo chegar a uma opinião, stou indesisa pode me ajudar alguém??
    xD

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