Estamos em guerra!


Há uma guerra entre os partidários dos direitos dos automóveis e os que defendem a mobilidade suave na cidade.
Hoje os jornais dão notícias sobre a providência cautelar posta pelo ACP contra as obras no Terreiro do Paço. Carlos Barbosa, presidente do ACP e próximo de Santana Lopes, diz “Basta ir à Av. das Naus para ver que com as alterações de à circulação, aquela zona não tem escoamento. É uma utopia querer levar as pessoas para junto do rio porque não há lugares para estacionar”

Por outro lado, nas últimas semanas têm aparecido algumas juntas de freguesia – afectas ao PSD – a contestar as ciclovias que estão a ser construídas pela câmara por retirarem espaço à circulação automóvel e estacionamento.
Entretanto, ontem, a Assembleia Municipal de Lisboa, aprovou por maioria uma moção apresentada por 5 juntas de Freguesia, que exige a suspensão imediata do plano de reordenamento da superfície envolvente è estação de Metro de S. Sebastião, que é no fundo mais uma peça do Plano Verde, que inclui a ligação da Alameda ao Parque Eduardo VII, com forte redução de trânsito, vias pedonais e uma ciclovia.
O autarca de Campolide diz ao PÚBLICO de hoje: “Se puserem as pessoas a andar a pé à beira-rio está bem, agora nesta zona, que não tem nada para ver! À noite, em vez de ser uma via pedonal, ou uma ciclovia, este percurso arrisca-se a ser a ‘via do assalto’”
Já a Associação de Comerciantes lembrou em comunicado (oportunamente concertado com a Moção do PSD) que “O comércio não vive apenas das pessoas que passam. Vive daqueles que entram nos seus estabelecimentos e compram, compras essas que, com certeza, não poderão ser transportadas de bicicleta, mas de automóvel e se há inibição de circulação e estacionamento, não existem consumidores

Apesar de até agora só o lado dos carros ter dado tiros nesta guerra, julgo que esta guerra é de saudar.
Apesar do relativo atraso nesta matéria, nunca tão cedo chegou a Portugal (em concreto a Lisboa) um debate tão actual e tão central que se trava nas principais cidades europeias. Se a campanha eleitoral autárquica for dominada pelas questões da acessibilidade e da mobilidade na cidade, será com certeza uma campanha mais interessante do que a das europeias.

20 thoughts on “Estamos em guerra!

  1. “um debate tão actual e tão central que se trava nas principais cidades europeias.”
    Sim de facto este é O debate. Sabouter sempre a explicar-nos quais as prioridades e preocupações da pequena burguesia europeia. és um espetáculo!

  2. Acho q deviamos mudar o cabeçalho para “lutas de mobilidade e outros jogos de plataformas”

  3. As preocupações da burguesia europeia são precisamente a minha especialidade. (Da pequena, não! Embora imagine que sejam ir de pó-pó fazer compras…)

  4. Tenho tentado compreender, com alguma paciência, e o respeito que tu me mereces, as tuas justificações para o que tem sido feito no Terreiro do Paço.
    Terei o prazer de te ouvir pessoalmente e, se fôr o caso, mudar de ideias. Até lá, o que tenho visto é um conjunto de imbecilidades perdidas, de alguém que olhou para o mapa de uma forma abstracta, académica, sem ter qualquer tipo de consideração pelo que é a vida (prática) das pessoas da cidade.
    Olho para a situação, e estabeleço o novo percurso de pessoas que vivem/trabalham em lados opostos da cidade e as muitas dezenas de minutos que lhes foi adicionada na sua já complicada mobilidade no interior da cidade. E juro, que não compreendo tanto desrespeito pela vida das pessoas, tanta esterilidade, tanto absurdo.
    Enfim….

  5. Eu continuo a achar que o verdadeiro problema é a inexistência de uma rede de transportes que efectivamente funcione e uma rede de parques gratuitos nas zonas de acesso a esses transportes.
    Se andar de transportes for mais rápido que de carro não é preciso medida nenhuma para convencer as pessoas!
    Enquanto os autocarros das zonas mais centrais tiverem carreiras que passam de 20 em 20 minutos e não cumprem sequer este horário, que à hora de ponta não param numa parte do percurso porque já estão a abarrotar – o que não abona propriamente a favor da segurança de quem lá vai dentro.
    Enquanto for preciso esperar 30 a 40 minutos por uma carreira de centro de cidade que, se houvesse um “serviço de transporte urbano” deveria passar de 5 em 5… qual é a dúvida?
    A Carris, o Metro, a Transtejo, etc. têm que ser obrigadas a planear as carreiras como “serviços públicos urbanos de transporte” e não segundo critérios de lucro.

  6. Obrigado pela tua “paciência”, mas para quem vive no estrangeiro e se dedica ao cinema és realmente muito rápido a adjectivar e muito definitivo nas tuas opiniões.
    O problema do excesso de tráfego na Baixa já tem barbas e está mais do que identificado por todos os técnicos e especialistas que trabalham o trânsito e a cidade. Tem raízes em erros históricos que se fizeram no passado e que hoje têm consequências funestas. Só para teres ma ideia, os níveis de poluição atmosférica e sonora na baixa, devido ao tráfico, impedem à luz da legislação o licenciamento de habitação, escolas e outro tipo de equipamentos na maior parte dos edifícios desta área. Quando se fala em “revitalizar a Baixa” são este tipo de obstáculos que é preciso ter em conta.
    Para além disso, quando se fala há anos em “ligar a cidade ao rio”, sempre se falou neste obstáculo que é ter uma auto-estrada a passar entre a cidade e o rio. E sempre se disse que era impossível acabar com essa auto-estrada sem criar uma “circular das colinas”, ou construir um túnel que passasse por baixo do terreiro do paço, etc, etc.
    Finalmente, quando se falava (infelizmente menos) em alterar o sistema de esgotos pombalino que deita a merda sem tratamento directamente para o Tejo, adiava-se sempre a obra porque o trânsito era uma dor de cabeça.
    São as tais preocupações do meu querido amigo que comentou em 1º lugar: Poluição, esgotos no rio e habitantes na Baixa…
    Ora, talvez porque a consciência ambiental das pessoas ter vindo a evoluir, talvez porque o torreão ocidental do terreiro do paço estar em risco eminente de colapso, talvez porque a câmara falida e sem dinheiro queria, apesar de tudo ter obra a acontecer, avançou-se finalmente para obras no terreiro do paço que obrigaram ao corte de transito por uns meses na ribeira das naus.
    Foi uma oportunidade de ouro para ver na vida prática, como dizes, o que se ia passar.
    Basicamente havia 2 teses: Uma, que os 65 mil carros que passavam ali por dia tinham de ir para outro lado qualquer e ia ser o caos em toda a volta (foi a tese que vingou no mandato de Santana e que levou a que Lisboa deixasse de assinalar o dia da mobilidade em Setembro). Outra, que estuda as questões da mobilidade mais como uma ciência humana e diz, sucintamente, que existem milhares de micro-decisões que fazem com que haja mais ou menos tráfego.
    O que se passou ultrapassou as expectativas destes últimos: O trânsito em algumas artérias teve algum agravamento mas nada de caótico. Carris, Metro e REFER tiveram aumentos de passageiros imediatamente, como nunca tinham tido nos últimos anos. A qualidade o ar aumentou e o ruído diminuiu brutalmente. (Naquela primeira semana até estranhava a ausência de ruído de fundo aqui no meu gabinete – na baixa).
    Ou seja: o caos prometido pelos velhos do Restelo não houve e as ideias mais avançadas sobre como deve ser a mobilidade na cidade, com prioridade aos transportes públicos e meios suaves de deslocação em detrimento do carro individual têm vencido em toda a linha.
    Agora que uma parte das obras de saneamento no terreiro do paço acabaram, reabriu a ribeira das naus e o novo plano de mobilidade para a Baixa começou a avançar, com diminuição de faixas de rodagem e com novas vias BUS.
    Este Plano tem críticas do ACP e do PSD, mas, por outro lado, há também críticas de quem acha que a CML devia ter ido mais longe (o BE, por exemplo).
    Já vi que não sabes, mas o trânsito de atravessamento Ajuda-Expo mantém-se muito embora só de 1 faixa para cada lado – junto ao rio.
    O que se prevê é o fim do famigerado trânsito de atravessamento, em que tu se estavas no Saldanha e querias ir para a Ajuda ou para a Expo, passavas pela Baixa. Agora vais deixar de poder fazer isso. Ainda bem digo eu. Terás de descobrir novos percursos, terás de começar a pensar mais vezes se não é melhor andares de transportes públicos. Pensarás se não é melhor arranjar uma “acelera”, que é mais fácil de estacionar ou mesmo uma bicicleta ;)
    O caso da Av. Duque d’Ávila é diferente e ao mesmo tempo semelhante: Quer passar-se de uma av. de 4 faixas para uma de 2 com um grande passeio. Presidentes de Junta do PSD dizem que vai ser o caos. Esquecem-se que a Av. Duque d’Ávila está fechada (as 4 faixas), há bastante tempo, por causa das obras do metro.

  7. Porque não “arraial pride e outros jogos de plataformas” ? Ou “obsessões com o monstro da praça das flores e outros jogos de plataformas” ?
    Proponho que o mais recente escriba do espectro, o pp, escreva um post a explicar que assuntos é que se devem e não se devem falar aqui no spectrum. Dar assim uns lamirés para os outros autores se orientarem.

  8. Edgar,
    eu, como peão, utente de transportes públicos e ciclista só vejo benefícios em ter passeios mais largos, menos automóveis a chatear e que o pessoal do volante se oriente.
    As resistências do pessoal do volante, usando uma retórica que gosta de opor os trabalhadores produtivos (que precisam imperiosamente de um pópó para viver) aos malandros preguiçosos que andam a pé e de trasnportes públicos faz-me lembrar a conversa dos fumadores antes da nova lei entrar em vigor. Andar de carro na cidade, tal como fumar em espaços partilhados, não é uma questão de liberdade individual.
    É um privilégio, e é como privilégio que tem de ser tratado, limitado ou coartado, se necessário.

  9. Concordo com o que você diz.
    So não percebo porque é que embirra com os verdes franceses (cf. o seu post do outro dia) que, liderados por Cohn Bendit, apos uma campanha responsavel e que nunca pôs em causa o seu posicionamento à esquerda, obtiveram um optimo resultado nas europeias e assim reforçaram a sua posição, dando mais peso às suas intervenções politicas no sentido que aponta (por exemplo na câmara de Paris).
    Sei que em Portugal existe hoje uma propensão para se atirarem todos os males para as correntes de esquerda que não se assumem como radicais, mas penso que não é ma noticia aparecer uma força significativa, à esquerda, de alternativa ao PS (cujo resultado foi desastroso).
    A popularidade do Bloco em Portugal (em quem ja votei) surge precisamente porque ele ocupa esse espaço, deixado vago dada a “colagem” dos verdes ao PCP.
    Pena não haver à esquerda mais pessoas empenhadas em trazer soluções viaveis, de esquerda, que não passem invariavelmente pela poética visão de uma revolução total a ocorrer ja amanhã.
    O verdadeiro problema da esquerda, hoje como ontem, é o do realismo. E o unico dominio onde ela tem conseguido impôr soluções (ainda que timidas e imperfeitas), nos ultimos anos, é o da ecologia. Abandonar esse terreno a demagogos, em nome da condenação sem apelo de qualquer forma de pragmatismo, é irresponsavel…
    Mas ja sei que vai discordar…

  10. Este tarique cada vez que se fala de bicicletas ou mobilidade sem achar quem nesse ponto se encontra a questão fulcral da modernidade é como se lhe pisassem o pézinho.
    e essa acusação de “diga lá então o cripto-estalinista de que é que se pode falar ou não” é “quem diz é quem é, o teu pai lava a cara com chulé” do millieu. Falem de binas e de mobilidade o que quiserem, eu agradeço e leio com interesse, mas não me obrigues a que me interesse tanto como a ti nem a que concorde com tudo o que dizes. Repito o que escrevi há algum tempo, isto das bicicletas está assumir os mesmos contornos do vegetarianismo no final dos anos 90, uma postura interessante que no entanto tem um discurso extremamente pobre e autoritário ao seu redor.
    De resto Sr. Tárique ainda não me esqueci da sua afirmação em que afirmava directamente proporcionais a virilidade revolucionária e a boa forma fisíca.

  11. Do Technorati:
    « Vale a pena ver o blog português Spectrum em http://spectrum.weblog.com.pt. Postagens rápidas, inteligentes e bem humoradas. A figura aí foi roubada de lá. É um adesivo que um grupo de amigos produziu, em Lisboa, para colar em carros sobre a calçada e sobre a faixa de pedestre. Civilidade pura! »
    Afinal há quem goste do tema da mobilidade… Da acessibilidade, digo!

  12. Caro Saboteur:
    Não compreendo em que medida ser cineasta e residir, intermitentemente, no estrangeiro diminui a minha capacidade de analisar e opinar sobre os problemas da minha cidade. Tenho acompanhado, aqui do mundo dos Arlequins e Momos, com atenção o debate sobre as alterações ao Terreiro do Paço, o que significa que conheça bem a argumentação que apresentaste no ultimo post. E que, ainda assim, não concorde com a solução agora ensaiada.
    A bem de uma discussão saudável, é preciso referir que quando discutimos as alterações ao trânsito no Terreiro do Paço não nos estamos a referir a uma redução do número de carros a circular em Lisboa. Estamos apenas e só a nos referirmos a uma reorientação do trânsito automóvel no interior da cidade. E por isso, quem sugira , que , como que por magia, esta alteração faz diminuir o número de carros a circular, tornando a cidade mais verde, mais livre dos ”opressores condutores”, está, obviamente, a apresentar um argumento enganador. Os carros são, com esta solução, forçados a andar por outros sítios da cidade (e ainda muito pela Baixa), e o que interessa saber é se globalmente esta medida é positiva ou não para a vida dos habitantes da cidade. Nem sequer é líquido que esta medida seja ecologicamente saudável, se se verificar, como acredito ser de fácil demonstração, que o percurso médio e duração das viagens dos carros que agora mudam o seu percurso aumentar significativamente.
    Gostava de acrescentar que considero infantil a divisão ( a jeito de luta de classes) entre os amigáveis peões e os agressores condutores, classificação que ignora as condições de incúria política (abandono populacional no interior da cidade, falta de alternativas sérias de transportes públicos, etc.) que originaram a situação calamitosa de excesso de carros no interior da cidade. E lembrar também, aos “mais fervorosos revolucionários” que, devendo-se grande parte do drama de excesso de carros no interior da cidade há quantidade de carros que nela entra diariamente, que uma boa parte das pessoas que trabalhando no interior de Lisboa, residem fora dela, foram a isso forçadas por razões económicas. O mundo retratado a preto e branco é mais fácil, mas não muito exacto. E toda uma estratégia para diminuição do uso do automóvel pessoal no interior da cidade que assente apenas numa visão de guerrilha a quem entra de carro na cidade, ignorando os factores que têm historicamente forçado centenas de milhares de pessoas a optar por essa solução está, obviamente, condenado ao fracasso .Mas esta medida, nem se enquadra nessa perspectiva de guerrilha, aceita o fluxo de carros existentes, reorienta-o no interior da cidade, na minha opinião, mal. E isto é dito, por alguém que vive alegremente sem carro há três anos e que se horroriza com o trânsito de Lisboa.
    Um segundo factor importante, para uma discussão saudável, impõe que a análise dos benefícios/prejuízos da medida sejam analisados não apenas na perspectiva do espaço Terreiro do Paço mas, ainda que difícil, na implicação na cidade e naqueles que a usufruem. Claro que menos carros no Terreiro do Paço, mais espaço para peões, é sempre uma visão agradável a todos. Saber o que se ganha e se perde (incluindo peões), quando se força uma parte do trânsito automóvel a autênticos percursos de rali, não por grandes vias rodoviárias alternativas, mas pelo interior da cidade antiga é essencial. Existe uma razão fundamental para a densidade de trânsito que existia no Terreiro do Paço: ela era, apesar dos pesares, a melhor solução de percurso para muitos milhares de automobilistas. E, neste momento, uma parte destes carros ensaia agora percursos malabaristas não por uma via excêntrica da cidade, mas pelo seu interior. É possível ilustrar situação com uma quantidade significativa de casos, cada um mais absurdo que o outro.
    Exige-se portanto uma análise custo/benefício. Teremos um Terreiro do Paço mais tranquilo e aberto ao rio. E atenção que isto não significa sequer uma alteração significativa da relação da cidade com o rio, grande parte da cidade continua diminuída nessa relação, através de uma linha ferroviária entre Algés e o Cais do Sodré. Confesso que não vislumbro, como o espaço exerce um fascínio simbólico tão grande ao par Costa/Salgado e significa tão pouco ao comum dos Lisboetas que, ao longo de aos, apesar de inúmeras iniciativas para a sua animação o tem devotado ao abandono. Curioso aliás reparar como o plano actual de modificação do espaço, não contempla um único espaço de sombra no interior da praça, como que resignado à sua condição de espaço morto da cidade.
    Mas o que me parece manifestamente inaceitável do ponto de vista politico, é uma lógica que cria uma nova realidade na circulação urbana na cidade, mas se desresponsabiliza de apresentar soluções aos (muitos) que são prejudicados. “Os outros que se desenmerdem”. E os outros (muitos), a quem o percurso casa/trabalho foi severamente complicado, a quem lhes foram acrescentados mais umas dezenas de minutos diários suspensos no transito, em troca de benefícios marginais, estão furiosos. É só ouvi-los. Gostava muito de viver numa Lisboa mais verde, com muito menos carros, menos caótica. A esse nível os meus desejos são iguais aos teus. Acho, no entanto, que isto tem que ser feito de uma forma responsável.

  13. Caro Edgar
    Primeiro de tudo respeita a utilização dos nicknames.
    Depois explico-te porque é ímportante seres residente no estrnageiro: Não estás em condições de avaliar o alegado caos do trânsito, a alegada severa complicação na vida das pessoas, desde que o transito foi cortado para as obras no terreiro do paço. Também não estás em condições de verificar a diminuição de poluição sonora e atmosférica na Baixa e Av. da Liberdade. Também não estás em condições de perceber que há alternativas para ires de carro de um ponto ao outro sem passar pela baixa, uma vez que conduzes em lisboa de forma mais exporádica.
    Em terceiro lugar: volto a tentar explicar aquilo que te procurei dizer no meu comentário: É um erro olhares para o trânsito como se tivesses a tratar de hidraulica. Se fizeres uma barragem, inundas os campos em volta. O trânsito não se porta assim.
    O trânsito é determinado por milhares de microdecisões tomadas pelos milhares de condutores todos os dias. Não te vou pôr a ler documentos sobre essa questão. Mostro-te apenas a prática: O metropolitano avançou com números impressionantes de subidas de utilização entre os 7,5% e os 10%. A Carris informou que registou um aumento global de passageiros na ordem dos 5%. A REFER idem. Mas o trânsito reduziu ainda mais. Houve muita gente que escolheu caminhos alternativos como dizes. Mas outros passaram a vir de bicicleta, outros a um horário diferente para não apanhar tanto transito. Outros, ainda, no longo prazo, vão valorizar mais viver no centro da cidade. (até porque passará a ser possivel viver na baixa e na av. da liberdade, onde antes eram as áreas com mais poluição da europa).
    Estamos aqui também no domínio da cultura comportamental. Isso foi evidente quando me perguntaste no outro dia “como é que vou do Rossio ao Campo das cebolas” e eu respondi: “obviamente a pé”.
    Isto é o fundamental. Mas o teu comentário dava mais pano para mangas.
    Não compreendes o fascínio que é não ter 5 faixas a dividir o terreir do paço do Rio. Ou ter 2 em vez de 5… Acredito piamente. Mas não te ponhas a generalizar a dizer que isso significa pouco ao comum dos lisboetas. Se andasses mais pelo terreiro do paço vias que mesmo com aquele estendal montado o pessoal vai para a beira rio passear, comer, ler, etc.
    Sobre o aumento de transito em diversas zonas da cidade que tu eventualmente verifique empiricamente, queria também lembrar-te que foi aumentado no inicio do ano, para o tempo maximo recomendado a nível europeu, o tempo dos sinais verdes para peões.

  14. PP, não me chames estalinista porque não o sou. No maximo chama-me Kronstad

  15. Eu sei os teus camaradas também nunca esqueceram o lenin e o trotsky, aquando desse esmagamento lindo de anarcas

  16. «Os teus camaradas»? Que eu saiba Chuckie egg só tem como camaradas outros jogos de spectrum e alguns antipáticos. «Pequena-burguesia europeia» portanto.
    Caro Edgar, desculpa que te diga, mas relativamente a este tema pensas com os pés no acelerador. Desde logo esforçaste-te por passar ao lado do argumento substancial que justifica as actuais obras no terreiro do paço. Havia um ou vários esgotos a despejar no tejo, o que, por si só, justificava uma intervenção. Havendo essa intervenção, não poderia deixar de provocar perturbações na circulação automóvel, sendo por isso uma boa ocasião para proceder a obras de maior envergadura e a um planeamento global da zona.
    Passemos então aos automobilistas que se vêm obrigados a atravessar Lisboa junto ao rio. Não falamos seguramente dos que vêm da Ajuda e se deslocam para o parque das nações. Até eu, que não conduzo, sei que esse percurso se faz mais rapidamente a norte, usando o eixo norte-sul e, depois, a Av. de Berna ou as Forças Armadas, em direcção a Chelas ou às Olaias. Isto à hora de ponta, evidentemente, quando as distâncias pouco interessam em relação à velocidade, dependendo esta muito mais do tráfego existente. Assim sendo, o percurso médio até pode aumentar, mas a duração do percurso muito dificilmente aumentará.
    É evidente que, como dizes «Estamos apenas e só a nos referirmos a uma reorientação do trânsito automóvel no interior da cidade», só que essa reorientação é absolutamente necessária e racional. Basta considerar os diferentes períodos de construção das várias zonas da cidade para constatar que umas foram planeadas e concebidas tendo em conta um elevado tráfego automóvel e outras foram planeadas e concebidas tendo em conta um elevado tráfego de coches, diligências e carroças. Assim sendo, deslocar trânsito da lisboa pombalina ou oitocentista para as avenidas novas é um exemplo de bom senso (e eu até vivo nas Av. novas e desespero com a forma como se conduz ali como se estivessemos numa autoestrada).
    Mas o substancial da tua argumentação roda em torno dos automobilistas constrangidos a viver fora do centro e a deslocar-se para lá quotidianamente por razões laborais. Falas da incúria política que os forçou a isso, mas pouco dizes da incúria política de quem se recusou a pensar a cidade em função da sua utilização pedonal – promovendo os transportes públicos e constrangindo a circulação automóvel. Desde logo estás a dialogar com pessoas que cresceram nos subúrbios e que durante anos utilizaram transportes públicos para ir e vir, sendo o seu percurso muitas vezes perturbado pelo trânsito automóvel. Poucas coisas são tão exasperantes do que ficar preso num autocarro, em plena Av. de Ceuta, à chuva, por causa de um acidente automóvel. E a quantidade de carros com apenas um passageiro que se podem ver em qualquer grande nó rodoviário no centro de lisboa (Entrecampos, Praça de Espanha, Marquês)? Dificilmente se poderá argumentar que, neste momento, a circulação de pessoas em Lisboa decorre de um modo racional, social e ecologicamente viável. Os minutos que os automobilistas perdem por causa do Terreiro do Paço são muito pouco, quando comparados com as horas de vida que se perdem em transportes públicos(em parte por causa do excesso de automobilistas). Assim, e na discussão que neste momento está em curso, as declarações e movimentações do ACP e do PSD e dos comerciantes, que saboteur descreveu, são pouco mais que pornográficas. Um pouco como a tua pergunta acerca do trajecto entre o Rossio e o Campo das Cebolas. Eu, por exemplo, nunca me lembraria de a fazer. A sério. É tão disparatada que confere a esta discurssão aspectos caricaturais – como aliás, os que são avançados pelo ACP ou pelos comerciantes (a parte das compras que obviamente não podem ser transportadas em mão é todo um programa).
    Quanto ao terreiro do paço propriamente dito, sombra à parte (nota que podem-se sempre colocar ali uns toldos ou grandes chapéus de sol), parece-me que ele não é utilizado precisamente porque não é agradável estar sentado ao fim da tarde a beber uma cervejinha no meio de um interface rodoviários. Basta ir a Madrid e a Barcelona para ver as possibilidades de uma praça pública daquela dimensão liberta do tráfego automóvel, ainda por cima com um grande rio ao lado.
    Mudanças desta natureza levantam sempre protestos desta natureza. Cuidado com as más companhias Edgar. Estás do lado de quem considera a cidade um cenário paisagístico, a argumentar contra quem gostaria que ela se tornasse um sítio um pouco mais decente para viver. Nem sequer é difícil. Basta analisar as possibilidades e imaginar a sua concretização. O que o ACP considera utópico foi posto em prática por todas as grandes cidades europeias a braços com problemas de mobilidade. Minto. Vai a Roma. Lá também acharam este tipo de ideias utópicas e ainda hoje estão a tentar sair do trânsito. Estamos em guerra.

  17. Gosto de discussões acesas, mas considero estéreis e particularmente desinteressantes, os diálogos que assentam na truncagem da posição de quem conosco diáloga. A quem se delicia com este tipo de exercício, confesso que, a mim, me aborrecem profundamente. Acho uma manifesta perda de tempo. E, por este motivo, algumas coisas que foram escritas em resposta ao meu post são irrespondíveis. Pode-se apresentar a minha posição, enquanto a de um condutor preocupado quanto à sua perda de direitos egoistas, opositor a um processo que está a libertar a cidade de carros. A realidade, no entanto, sobrevive há falácia argumentativa. Há mais de três anos que vivo feliz sem automóvel, sinto-me horrorizado com o excesso de automóveis no interior da cidade, situação que me choca quando a ela regresso, e que é um dos grandes males da cidade. E quanto aos alegados “pecados” privados (utilização de carro) que eu alegadamente cometo quando nela habito, aproveito para informar, não porque a isso seja obrigado, mas porque me chateia a caricatura, que a utilização que faço de transportes públicos não difere muito da vossa. E, a quem justifica a sua superioridade argumentativa na base do “não estavas cá”, “não sentiste”, “não viste”, gostava de referir que nos últimos seis meses, quatro deles vivi-os aqui.
    Não, não me esforcei por passar ao lado da razão das obras no Terreiro do Paço. A necessidade das obras era absolutamente inquestionável, e a necessidade de limitação de tráfego durante os trabalhos era necessária. O que questiono são os benefícios, para a cidade, do reordenamento de tráfego agora efectuado.
    Para mim, uma parte do problema reside na historieta moralista que Saboteur me atribuiu. A situação que apresentei ao Saboteur, ilustrava um caso diferente da de um tolo que precisa de usar carro para se deslocar do Rossio ao Campo das Cebolas. A coisa era mais assim: imagine-se um carro em trânsito que se encontra no Rossio e que passaria, normalmente, pelo Campo das Cebolas. (imagine-se um camião de cinema que vai carregar equipamento a Chabregas, por exemplo). A pergunta é simples. Do ponto de vista de tráfego, se quiserem dos peões da cidade, do ambiente, o que faz mais sentido? Que o veículo percorra uma via larga excêntrica ao interior da cidade para chegar ao seu local de destino, que faça malabarismos pelo interior da cidade por vias estreitas e sinuosas em zonas densamente populadas, ou, numa terceira hipótese, forçá-lo a percursos médios muito superiores por grandes vias interiores, com as consequências que esta acarreta? Para mim, este tipo de discussão importa. Porque é uma questão que encara o problema numa perspectiva de cidade e não apenas de uma pequenina zona dela. (se eu quisesse mimetizar algum do estilo argumentativo que li nesta discussão, era aqui que deveria acrescentar “zona onde o Saboteur trabalha”.)
    A descrição do transito da cidade enquanto um “sistema dinâmico” (o termo matemático que se usa para este tipo de problemas) é tão verdadeiro quanto banal. A questão reside na forma como as nossas opções “macro” condicionam estes milhares de comportamentos individuais. A alteração que este executivo criou está subjacente a este princípio e, não percebo de que forma invalida a minha projecção de resultados: que não se tendo criado situações relevantes que justifiquem uma deserção do uso do carro, estes continuarão, a bem ou a mal, a percorrer outras zonas da cidade, muitas delas com capacidades de escoamento bem menores que o Terreiro do Paço.
    Continuo a considerar a alteração de quatro faixas de rodagem a separar a praça do rio para duas, pouco significativa. Sobre o que isso implicará para a vida do local, o “sucesso” da experiência de proibição de trânsito aos domingos foi uma auspiciosa promessa. Eu, que estava cá, vi.
    Um abraço a todos
    Edgar Medina
    P.S1 – Já agora, eu não resido na Ajuda, mas no Saldanha
    P.S.2 – Tenho saudades de vocês todos, gostava de vos ver um destes dias.

  18. pride parade hoje às 5h30 no principe real (sais de metro no Rato e fazes aquele bocado a pé). Antes estarei no Arraial do Maria Matos: A estrada está ocupada hoje com um relavado! Mojitos, caipirinhas, pufes, xixa para fumares… (sais do metro em Roma e depois é 1 minuto a pé ;))
    Hasta!

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