O maravilhoso mundo da intermodalidade nos trasnportes “públicos”

A proposito disto e disto apeteceu-me dizer isto:
Este fim de semana fui à festa (do avante). Armei-me em gajo urbano bué independente e convenci-me a utilizar os transportes “públicos” – na verdade, alguns são tão públicos como a GALP do camarada Eduardo dos Santos. Mas avante.
Foi mais uma ocasião para experimentar em primeira mão o maravilhoso mundo da intermodalidade à portuguesa.
Sou neste momento o orgulhoso proprietário de 3 cartões verdes (além do Passe Lisboa Viva), todos iguais e todos diferentes. Um comprei na CP, o outro na Transtejo e outro no Metro de Lisboa. Depois de muita tentativa/erro descobri que:
– O cartão verde da CP não dá nos outros “operadores”.
– O outros dois cartões dão em todo lado mas só se forem carregados com “bilhetes virtuais” desses “operadores”. Se forem carregados com “bilhetes” de um, já não dão para o outro enquanto não se gastar esse “bilhete”.
– Os “bilhetes” têm normalmente o valor de 0,85 euro, com excepção da Fertagus. Quando se anda mais que uma zona, então, está tudo lixado porque deixa de se aplicar o valor base e saltamos para valores distintos consoante o “operador”.
– Mas, apesar de o valor ser igual (por exemplo no Metro Lisboa, no eléctrico do sul do Tejo, na Transtejo e na Carris), i.e., os tais 0,85 euro por viagem simples, o que conta é o “operador”, não é o valor a descontar. Por isso, nunca se pode usar o mesmo cartão verde na Transtejo e no Eléctrico do sul do Tejo, por exemplo, quando temos mais de um “bilhete virtual” carregado, necessariamente de determinado “operador”… e isto aplica-se ao Metro de lisboa e à Transtejo, por exemplo. A Fertagus, então, é um caso à parte porque é sempre mais cara, por isso está fora de questão usar o verde de qualquer outro “operador” já carregado.

Mas ainda melhor é saber que o cartãozinho verde não dá em todos os “operadores”. É que há concessionários que vivem fora deste mundo, têm regimes de excepção…
Exemplos? A Vimeca (que tem um monopólio absolutamente escandaloso dos transportes rodoviários para algumas zonas de Oeiras), a Stagecoach (idem para Cascais-Sintra), os TST (idem para Almada, Seixal, Sesimbra, Setúbal etc). Neste casos, mantem-se o sistema antigo: ou arrotas o bilhete que te impingem a bordo (por valores exorbitantes), ou descobres um dos ínfimos postos de venda de bilhetes pré-comprados – que só dão para aquele “operador”, pois claro – ou tens o Lisboa Viva carregado com passe que eles querem.
Ou seja, se eu quiser ir, por hipótese, do Campo Pequeno à Festa do Avante e só tiver um bilhetinho verde carregado com 10 viagens do metro de Lisboa estou fodido: gasto um bilhete virtual no Metro e acabou a festa. Chegado ao barco tenho ou à Fertagus tenho de comprar outro bilhetinho verde e carregá-lo. Se carregar com mais de uma viagem, não posso voltar a usá-los noutro “operador”. Compro outro bilhete verde, carrego-o, e já posso apanhar o Eléctrico de Almada. Ou então dou 2,75 euros para ir de Cacilhas à Cruz de Pau nos TST (um roubo para um trajecto de 15 minutos).
É magnífico, não é?

Legenda: A imagem mental que os senhores “operadores” e os senhores políticos dedicados a esta magna questão têm dos utentes.

11 thoughts on “O maravilhoso mundo da intermodalidade nos trasnportes “públicos”

  1. Devia ser como em Paris, só há um operador a RATP ponto final! Isto aqui é uma palhaçada, Fertagus e outras é só pa dar dinheiro aos amigos e ainda por cima torna o sistema muito mais ineficiente… E depois ainda falam contra nacionalizações… Olha a fertagus era a primeira!

  2. Em Paris e na maior parte das cidades! A única divisão é por coroas de distância relativamente ao centro, como é óbvio!!!!!
    Estou com o Francisco, mas eu acho que a Vimeca devia ser a primeira, cá por traumas de infância. Horas e horas à espera de uma carreira que vinha se viesse e quando calhasse…

  3. Excelente!!!E tenta apanhar o aerobus com os Bilhetes..E tenta carregar o passe do Metro Sul do Tejo, ainda fica mais complicado, se quiseres comprar sul MST + Transtejo, tens de ir a transtejo primeiro, e só em Cacilhas!! e depois é que podes ir ao MST, mas depois ainda é mais desesperante porque os barcos tem passe mensal e o MTS tem passe 30 dias consoante o dia em que se carrega, por isso nunca consegues coordenar os dois…..

  4. Se carregarem o cartão verde na modalidade zapping já dava em todos os transportes funcionando como um cartão porta moedas multibanco.

  5. Zapping? Ó diabo…nunca percebi o que era isso.
    Então fico sem perceber por que razão se permite o “anti-zapping”. Qual é a racionalidade de haver os tais “bilhetes do operador”?

  6. É verdade, até o Porto é um melhor exemplo entre os operadores públicos e privados. A TST devia ir a concurso novamente. Esta ARRIVA está literalmente a acabar com o que já, sem mexer muito, era mau. De 3 em 3 meses, em média, acabam ou encurtam carreiras, e as únicas duas novas que criaram não dá para usar o passe intermodal. É escandaloso deixarem as pessoas mal servidas ou isoladas!

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s