Morreu Marek Edelman.


Tradução do francês para português (Embora não ache o texto muito bom, tem aspectos importantes).
Comunicado da Union Juive Française pour la Paix (UJFP)
De um gueto a outro
Marek Edelman morreu

Ele foi um dos grandes testemunhos conhecidos de um mundo desaparecido: o Yiddishland quase totalemente destruído pelos Nazis. Ele foi também um dos últimos sobreviventes de um partido de massa, o Bund, cujas posições políticas são mais do que nunca da actualidade.
Marek Edelman foi em 1943 o segundo comandante da insurreição do gueto de Varsóvia. No momento do assalto final, ele conseguiu fugir pelos esgotos e continuar a lutar junto da resistência polaca. Combatente heróico contra o nazismo, ele manteve a mesma intransigência depois da guerra. Ele ficou na Polónia. Ele era e afirmava-se como polaco. Tendo-se oposto firmemente contra o sionismo, denunciou frequentemente a política israelita e combateu corajosamente o estalinismo.
A sua morte lembra-nos algumas verdades históricas.
Na Europa de leste onde viviam milhões de judeus, o sionismo era minoritário até à guerra quando comparados a outras correntes socialistas, entre as quais o Bund. O Bund era um partido operário revolucionário que associava a emancipação dos judeus aos problemas de segregação racial, anti-judaica, e ainda à causa proletária. O Bund era laico e defendia a liberdade e igualdade dos direitos dos judeus onde eles viviam, sem especificar um território. Os Bundistas eram assumidamente antisionistas: recusar a luta e partir para colonizar um outro país era para eles uma traição e uma utopia messiânica perigosa.
Pensar em Marek Edelman lembra-nos que a resistência judaica ao nazismo foi essencialmente Bundista ou comunista. No entanto, absurdo da história, em Israel, a instrumentalização da memória do antisemitismo europeu e do genocídio nazi transformou-se no principal meio de forçar a opinião a aceitar os crimes de guerra em Gaza ou a destruição da Palestina. Edelman nunca recebeu uma condecoração ou marca de honra da parte de Israel, tendo sido banido de facto.
Depois da guerra, houve um consensos mundial no sentido de empurrar a massa dos sobreviventes do genocídio para Israel e fazer com que o crime europeu seja pago pelos palestinianos. Marek Edelman foi um dos raros a recusar. Houve uma ressurgência do antisemitismo na Polónia, marcada pelo massacre de Kielce (1946) e a depuração organizada em 1968 pelo General Moczar. Marek Edelman ficou na Polónia e continuou a lutar pela liberdade e democracia.
Marek Edelman nunca cessou de denunciar a política dos governos israelitas. Ele era solidário com a luta palestiniana. Ele que lutou contra a destruição do seu país considerava-os como “militantes” contra a ocupação.
Por todas estas razões, o seu desaparecimento é uma perda imensa tanto para UJFP como para os internacionalistas do mundo inteiro.
A UJFP honra a sua memória e continuará a promover o seu combate internacionalista contra a opressão e pela emancipação dos povos.
UJFP, 5 de Outubro 2009

(Versão original em francês a seguir)


D’un ghetto à l’autre
Marek Edelman est mort
Il était l’un des grands témoins connus d’un monde disparu : le Yiddishland presque totalement anéanti par les Nazis. Il était aussi un des derniers survivants d’un parti de masse, le Bund, dont les positions politiques sont plus que jamais d’actualité.
Marek Edelman a été en 1943 le commandant en second de l’insurrection du ghetto de Varsovie. Au moment de l’assaut final, il a pu fuir par les égouts et continuer la lutte dans la résistance polonaise. Combattant héroïque face au nazisme, il a gardé la même intransigeance après guerre. Il est resté en Pologne. Il était et s’affirmait polonais. Opposant résolu au sionisme, il a régulièrement dénoncé la politique israélienne. Et il a courageusement combattu le stalinisme.
Sa mort nous rappelle quelques vérités historiques.
En Europe de l’Est où vivaient des millions de Juifs, le sionisme a été minoritaire jusqu’à la guerre face aux différents courants socialistes dont le Bund. Le Bund était un parti ouvrier révolutionnaire qui liait l’émancipation des Juifs face à la ségrégation raciale, antijuive, à celle du prolétariat. Le Bund était laïque et prônait la liberté et l’égalité des droits pour les Juifs là où ils vivaient, sans territoire spécifique. Les Bundistes étaient farouchement antisionistes : refuser la lutte et partir coloniser un autre pays était pour eux une trahison et une utopie messianique dangereuse.
Le souvenir de Marek Edelman nous rappelle que la résistance juive au nazisme a été essentiellement bundiste ou communiste. Et pourtant, absurdité de l’histoire, en Israël, l’instrumentalisation du souvenir de l’antisémitisme européen et du génocide nazi est devenue le principal moyen pour faire accepter par l’opinion les crimes de guerre à Gaza ou la destruction de la Palestine. Edelman n’a jamais reçu aucune décoration ou aucune marque d’honneur de la part d’Israël. Il était banni de facto.
Après la guerre, il y a eu un consensus mondial pour faire partir en masse les survivants du génocide en Israël et pour faire en sorte que le crime européen soit payé par les Palestiniens. Marek Edelman a été un des rares à refuser. Il y a eu la résurgence de l’antisémitisme en Pologne, marquée par le massacre de Kielce (1946) et l’épuration organisée en 1968 par le général Moczar. Marek Edelman est resté en Pologne et a continué de se battre pour la liberté et la démocratie.
Enfin Marek Edelman n’a jamais cessé de dénoncer la politique des gouvernements israéliens. Il a été solidaire des Palestiniens. Lui qui a lutté contre la destruction de son pays les considérait comme des « partisans » face à l’occupation.
Pour toutes ces raisons, sa disparition est une perte immense, au-delà de l’Union Juive Française pour la Paix, pour les internationalistes du monde entier.
L’UJFP salue sa mémoire et continuera à promouvoir son combat internationaliste contre l’oppression et pour l’émancipation des peuples.
Bureau national de l’UJFP le 5 octobre 2009

3 thoughts on “Morreu Marek Edelman.

  1. A Bund não era revolucionária e pouco operária era. era social-democrata e pequeno-burguesa

  2. Essa sua chamada de atenção pode ter a sua importância dependente do ângulo de visão que opta e da sua explicação. Esperamos por mais, embora a tradução do texto não tivesse como objectivo a discussão sobre a natureza revolucionária da(o?) Bund.

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