They realy do it better?

Antes de mais, um declaração de interesses: não voto e portanto, aos olhos de muita gente, a minha opinião sobre eleições e candidatos fica muito fragilizada. Ainda assim vou tentar não ser muito massacrado.
Muito boa gente (mas mesmo boa) votou Costa, inclusive camaradas (esperei eu alguma vez chamar camaradas a votantes PS?) aqui da chafarica, como prova o post de Joystick. E muita dessa gente votou Costa porque não gosta do PCP e porque não gosta do Fazenda nem como o seu partido se portou durante o anterior mandato. Mas também votou Costa porque o Santana dá “arrepios” e porque o Presidente, num grande levantamento nacional, conseguiu unir as esquerdas ou pelo menos tentou.
Deixemos para já de lado o que me parece mais substantivo, ou seja, o voto no PS, que não deixa de ser este mesmo partido seja quais forem as circunstâncias, com as consequências de caucionamento da política que tem desenvolvido desde o tempo de Soares, e fiquemo-nos pelo voto nesta candidatura, que não deixa de ser útil, não senhor, mas para quê e para quem?
Este Costa não é diferente do senhor igual, mas ligeiramente mais magro, que há uns anos, em sede de conselho de ministros, protagonizou a continuidade de uma das medidas mais graves no que respeita ao poder local: o limite do endividamento das autarquias iniciado por Ferreira Leite;
Este Costa não é diferente do senhor igual, mas ligeiramente mais magro, que, a par de Santos Silva e de Pedro Silva Pereira, constituiu o núcleo duro da governação absoluta de Sócrates;
Este Costa é o mesmo que há uns meses defendeu uma aliança com o PCP e com o BE para Lisboa desde que a mesma não se baseasse numa discussão assente no programa mas sim em lugares, o que levou os comunistas a rejeitarem qualquer tipo de aproximação a Costa (pelo menos foi o que o secretário geral do PCP disse sem alguma vez ter sido desmentido). Assim sendo, é curioso que Costa tenha tantas vezes enchido a boca com a acusação de sectarismo aos seus vizinhos da esquerda. Curioso mas eficaz já que a táctica lhe deve ter rendido muitos votos;

Por fim, a vitória absoluta (para a qual todos os seus votantes contribuíram sem excepção) deste Costa é também a vitória do outro Costa, o homem do partido que ambiciona chegar a mais poderes e também uma vitória de José Sócrates, como o próprio referiu na noite eleitoral.
Se o voto foi útil? Lá útil foi: para dar a maioria absoluta ao tal senhor que já foi mais magro, para estancar o descrédito de Sócrates e do seu partido, para calar Sá Fernandes e Roseta de vez e para ajudar a arrumar com a imbecil ideia do fim do bipartidarismo que vinha ganhando cada vez mais entusiastas.

9 thoughts on “They realy do it better?

  1. Preferias então que tivesse ganho o Santana, para arrumares de vez com o bipartidarismo? E arrumavas?
    Achas que colocar um limite de endividamento às autarquias é assim uma medida tão grave?
    Acreditas realmente que o que dividiu o PS e a CDU foi a recusa do António Costa em discutir o programa, visto que ele só queria alinhavar os lugares?
    Dizes – e bem – que Costa “constituiu o núcleo duro da governação absoluta de Sócrates”. Mas não te oferece dizer nada sobre os últimos 2 anos do homem frente à CML. Fazes igualmente uma análise muito crítica, na linha da maioria absoluta de Sócrates ou estás-te só a cagar nas políticas para a cidade?

  2. 1. o limite de endividamento é muito grave, sim. é um limite só imposto às autarquias. o esforço não foi, pelo menos na mesma medida, alargado ao governo. é grave porque sem recursos as autarquias ainda abusam mais no que sempre abusaram para fazer receita: permitir e incentivar a betonização da terra. além dos impostos municipais e da água e saneamento, esta passa a ser a receita quase exclusiva.
    Menos mal que a medida tenho sido adoptada em período de refluxo do mercado imobiliário, de outra forma as consequências dessa medida desastrosa e criminosa em termos urbanísticos e ambientais, já estaria muito mais à vista;
    2. Sobre a questão do que era preferível, pondo assim o voto à venda, faço a pergunta de volta: preferias a f. leite? se não então o teu voto foi para Sócrates? (o argumento é teu, só mudei as personagens);
    3. Acompanho-te na análise que a CDU queria mesmo era estar fora, no entanto, não deixo de registar, no entanto, a demagogia e o chico-espertismo do Costa a tentar ganhar votos nesta questão, em que esteve longe, muito longe, de qualquer tipo de honestidade e esforço para fazer a tal aliança;
    4.Se achas que digo bem que Costa fez parte do “Núcleo” não te “oferece” dizer nada sobre o teu voto a um homem inscrito nesse tipo de clubes?
    5.Não me estou a “cagar” para as políticas da cidade: registei que o homem quer pôr câmaras de video-vigilância na cidade, registei que tem imensas propostas que custam muito dinheiro, sem dizer onde vai buscar o dinheiro, entre outras. No entanto, admito desde já que sou desconhecedor de uma boa parte do seu programa (apesar de ter lido boa parte do site com os 4 programas).
    6.Por fim: a análise que fazes da governação do Costa (positiva) ficará anacrónica em meses. É que o homem estava condicionado por um acordo pós-eleitoral e isso, como sabes bem acabou. rato como é pôs a roseta e o sá fernandes no saco e tem maioria absoluta. Se um ou dois por cento desses votos tivesse ido, por exemplo, para cdu, o Costa estaria obrigado a fazer novo compromisso e necessariamente uma governação mais à esquerda. Desta forma temos uma maioria absoluta de um partido (sim Saboteur é o mesmo!)que já sabemos como se comporta com este tipo de benesses do eleitorado.
    Quem lhe quis dar esta maioria que fique com a responsabilidade em mãos. Porque não
    há votos anti-santana, há votos num partido, numa pessoa e num programa, já agora, absoluto.

  3. Ó paradise, eu sei que tu não és de dar braço a torcer mas não te parece um bocado forçado (para dizer o menos) escreveres que “há votos num partido, numa pessoa e num programa, já agora, absoluto”?
    É que isto não é verdade, como sabes.
    Há outras coisas que tb mereciam comentário mas fico-me por aqui.

  4. Paradise: não me parece nada uma série de coisas.
    1. Sobre os limites ao endividamento, acho que confundes uma série de coisas. Primeiro o Governo Central, com a Administração Local, que não tem quase autonomia no que diz respeito às receitas. Para além disso há uma outra questão que se pode convocar aqui. É se o papel do estado na economia é apenas mais despesa e o “equilibrio das contas públicas” é apanágio da direita… mas isso dava outro post.
    O facto de os municipios terem incentivo a licenciar mais construção porque têm acesso às receitas de IMT e IMI, é de facto um problema, que por acaso a Lei das Finanças Locais deste Governo procurou acudir (de forma limitada), e que a proposta de Lei do BE atacava de forma vigorosa, mas não através de dar rédia solta à capacidade de endividamento das autarquias.
    2. Também te poderia dizer mais coisas sobre isto, mas o fundamental é perceber que as eleições para a câmara são no fundo eleições presidenciais. O Presidente de Câmara é o cabeça de lista do partido mais votado. Ele tem todos os poderes que su-delega depois aos vereadores. Se o PSD/CDS tivessem 7 vereadores, o PS 5, a CDU 2, o BE 1 e a Roseta outro, quem governava hoje era o Santana, mesmo que todos os outros quisessem juntar os trapinhos.
    3. chico-espertices e aproveitamentos políticos à parte, creio que a convergência de esquerda não se fez sobretudo por falta de vontade do BE e do PCP. Pode ter sido pelas razões mais justas do mundo (não ser “bengala do PS” e tudo o mais), mas parece-me evidente. Aliás, a roseta só consegue as posições que consegue, porque o outro estava à rasca.
    4. Oferece-me, sim. Mas tu não deixas de fugir à questão. Estes 2 anos correram globalmente bem, de forma diametralmente oposta aos outros 6. Também é justo avaliar um autarca pelo trabalho que ele fez e não só pelos clubes a que pertence, creio eu.
    5. O programa é um bom programa. Não é de forma nenhuma incompativel ou oposto ao da CDU ou o do BE. São muitas e muitas mais as semelhanças. Pelo contrário, estes 3 programas têm divergências claras em relação ao programa da direita. A questão do voto util volta-se a colocar, portanto.
    6. Ora, ora! Mas a pressão para o voto útil só se dá, precisamente porque ninguém sabe os resultados.
    Quanto a mim preferia mil vezes o cenário 7 veradores para o PS, 7 para o PSD/CDS (com menos votos por causa da questão do presidente), e, digamos, 2 para PCP e 1 BE (na realidade o contrário). Sobretudo desde que PCP e BE aceitassem pelouros (ou um deles, mas acho que se aceitasse 1 aceitava o outro). Mas o cenário 10 mil vezes pior era o Santana com mais 1 voto do que o Costa.
    Não tenho dúvidas Costa tem hoje muito mais margem de manobra do que teve neste ultimo mandato e que por exemplo o Zé tem muito menos. não tenho dúvidas que isso é mau…. Veja-se, por exemplo como o programa da UNIR LISBOA é nalguns pontos mais recuado do que o acordo PS-BE que esteve em vigor neste mandato. (os 25% a custos controlados)
    Mas é por isto mesmo que fui um defensor de uma coligação pré-eleitoral!
    No entanto – voltando ao teu post – isto tudo não invalida que eu compreenda e aceite que muitas pessoas de esquerda tenham apoiado e votado Costa

  5. Paradise:
    Há, pelo menos, 2 coisas no teu post que me arrepiaram (principalmente porque te achava detentor de maior racionalidade e coerência).
    A relação directa que estabeleces entre a Lei do Endividamento e o “esfregar as mãos dos empreiteiros” parece-me estúpida. A betomização é um fenómeno da modernidade! A Urbanização do Solo continua e ficará a existir, independentemente de qualquer lei.
    Se o Costa pensou no “pilin a crescer” enquanto fazia esta lei, então, também ele é estúpido (não era preciso ter tanto trabalho. Basta só ter terreno livre e um “bom” PDM).
    “Este Costa é o mesmo que há uns meses defendeu uma aliança com o PCP e com o BE para Lisboa desde que a mesma não se baseasse numa discussão assente no programa mas sim em lugares, o que levou os comunistas a rejeitarem qualquer tipo de aproximação a Costa” – Outra citação estúpida!
    Tu que tiveste no PCP e que conheces os seus meandros … (julgo não estar enganada)… Primeiro: Como é que podes tu acreditar, com tanta convicção num Secretário Geral (personagem criada pelos partidos que tem como função amenizar, acalmar e, acima de tudo, catequizar as suas próprias massas – entenda-se, militantes)?
    Segundo: Que bases programáticas de acção é que o PCP acordou com o PS, na altura da coligação com o João Soares na CML?
    É porque pelo que me informaram (Saboteur, PSs, BEs, RCs, etc), na altura, as discussões foram do tipo: “x vereadores PC e x vereadores PS”; “Por cada Empresa municipal que se crie, x presidentes serão PC e x Presidentes serão PS e x Administradores serão ….”
    Isto para não falar sobre a tal Residência Universitária na Baixa – que foi criada na altura – e que, há uns tempos, mereceu um post aqui: “x estudantes da JCP e x estudantes do PS….”
    Já não te vejo há algum tempo… Será que estás com Alzeimer ou Ups! Afinal não sabias de nenhum podre do PC…
    E Havia muito mais para dizer mas agora não me apetece.
    Talvez volte aqui noutro dia ou te pague uma cerveja e continuo a conversa num qualquer beco…Antes que o Costa coloque as tais câmaras de vigilância em todos os buraquinhos desta cidade.
    Um Bacalhau e um Beijinho.

  6. cara nikita, cervejas e becos são coisas que me interessam, mesmo com pessoas que adjectivam os meus argumentos de estúpidos.
    acho que não me expliquei bem: a lei do endividamento obriga a que o financiamento das autarquias seja naturalmente reduzido (porque não pode recorrer ao crédito) ficando mais refém dos dividendos vindos da construção. Claro que antes da lei a especulação imobiliária existia na mesma, mas com mais este garrote as câmaras vêm este rendimento como a sua fonte quase exclusiva. Se achas isto estupido, não tenho como explicar melhor…
    Sobre o PCP: mais uma vez expliquei-me mal. Se tens dúvidas sobre a minha posição sobre o PCP podes ver os comentários no post sobre o PCP do Saboteur. Não estou com Alzeimer, sei muitos dos podres do PCP porque os conheci bem por dentro, não preciso que ninguém mos conte. O que eu digo é que o Jerónimo (por sinal um estalinista popularucho por quem não tenho a minima estima) referiu publicamente que queria uma discusão baseada em ideias e não em lugares e o Costa nunca contrariou isso. Pronto foi a única coisa que disse. Não sei como consegues ver tanta coisa além disto no que escrevi.
    Podíamos esclarecer isso no tal beco não vigiado, com a tal jola, mas não quem és. Talvez na festa?

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