Godinho, Fausto e Zé Mário ou de como a ganância de alguns outros pode deitar tudo a perder


Espero bem que o concerto de homenagem ao Zé da Messa tenha um pouco mais de respeito pelo público que o concerto dos três estarolas de hoje à noite.
É verdade que estava no galinheiro com o meu acompanhante (ou vice-versa, mas isso agora não interessa). É verdade que tínhamos os bilhetes mais baratos. Estávamos preparados para tudo, até para ter uma vista privilegiada da calva do Fausto. Estávamos preparados para suar as estopinhas, para termos os joelhos apertados, para aguentar 3 horas sem fazer chichi. Até para o som mauzito.
Mas ninguém podia prever que à terceira música ainda se contassem pelos dedos das mãos as palavras que tinhamos conseguido compreender, apesar de quase sabermos as letras de cor. Uma vergonha.
Não posso acreditar que o amadorismo de quem organiza este tipo de espectáculos passe por não fazerem a mínima ideia de quais são as condições de audição em todo o recinto. Por isso, só resta uma justificação: quiseram ganhar dinheiro fácil com os otários que amam e respeitam tanto os seus músicos a ponto de agarrarem nas perninhas e abandonarem o espectáculo à sexta música.
Honra aos camareiros que ainda fizeram o possível por remediar o irremediável. Eu fiquei, no andar de baixo. A pessoa que me acompanhava, decidiu ir embora. Ambos com a noite estragada. Como é evidente, nunca mais me apanham no Campo Pequeno. A quem for amanhã e tiver dos bilhetes mais baratos só posso sugerir: falem com os camareiros e tentem arranjar um lugar no andar de baixo (e mesmo assim com som medíocre).
E olhem, prontos, finalmente ouvi a confederação ao vivo, só para ver o idiota à minha frente a rir-se e encolher os ombros quando a palavra “burgueses” aparece no poema…

10 thoughts on “Godinho, Fausto e Zé Mário ou de como a ganância de alguns outros pode deitar tudo a perder

  1. Foi mesmo uma pena o som estar tão péssimo… E durante duas horas poucas ou quase nenhumas melhoras… Valeu pelos reencontros… E pouco mais!

  2. Aproveito para deixar aqui também o meu protesto pelo som daquela arena. Não percebi quase nada. Só imaginei que percebi o que sabia de cor. Tudo o resto – as novas quadras das quatro quadras soltas, a canção inédita de que só percebi o título “faz parte”… – foi chinês para mim. Pareceia que estava dentro de uma cantina de uma escola ou numa piscina municipal.
    Devíamos era ir pedir o reembolso dos bilhetes!
    E o Zé Mário, o Fausto e o Sérgio Godinho deviam pensar seriamente sobre isto… Por que fazer um espectáculo supostamente megalómano e não cinco espectáculos numa boa sala?

  3. É engraçado perceber o imaginário da malta de esquerda: “Pareceia que estava dentro de uma cantina de uma escola ou numa piscina municipal”

  4. Concordo com a Diana, mas é difícil, porque teriam de ser espectáculos espaçados. Estes concertos são muito cansativos, não dá para fazer 5 concertos em dias seguidos – nem para eles os três, nem para os instrumentistas e cantores, nem para o pessoal técnico.
    Ora, manter tudo montado e uma sala ocupada ao longo de várias semanas ou fazer várias montagens e desmontagens… digamos que o bilhete mais barato ficaria pelos 80 euros…

  5. Tinham de arranjar uma solução que não custasse 80€ e em que pudessem fazer esses vários espectáculos numa boa sala.
    Tocarem quase só os três à guitarra, por exemplo. Menos músicos. Sei que tudo seria diferente. Mas isso devia ser pensado à partida. Fazer um bom espectáculo e acessível de dinheiro. Não vejo como podem preferir que mais de metade das pessoas não perceba nada do que se diz e veja um mau espectáculo.

  6. É isso, alguém devia ter pensado à partida que isto podia acontecer, sobretudo quando já se sabe que o campo pequeno tem más condições acústicas. Ainda para mais com gajos com tantos anos “de estrada” como eles os três, como é possível haver tão pouco controlo…? A solução mais radical era não terem vendido bilhetes para os lugares onde não se ouvia nada. Vendiam só para a plateia e para o primeiro andar, nas zonas centrais.

  7. não fui a este concerto nem a nenhum outro no campo pequeno mas vários amigos meus já lá foram ver vários concertos e nunca se queixaram do som. por outro lado, em tantos anos de carreira, dois concertos com má acústica não deviam manchar nenhuma reputação, ainda pra mais tendo em conta que era uma ideia engraçada, esta de ter os três a cantar juntos, e foi exactamente por isso que tantas pessoas aderiram e fizeram com que fosse possível o concerto num espaço um pouco maior.

  8. Quem vos manda ir ouvir música desta num espaço onde torturam animais para gaúdios dos marialvas lusos e da sua cultura de pacotilha reaça? N compreendo como haver touradas ali é indiferente aos músicos que ali escolhem tocar/cantar.

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