Não é chinesa, mas parece que gostava de ser


A revista do Expresso, na sua rubrica semanal “o que vê nesta imagem?” deu a oportunidade a Rita Rato – um caso sério de aposta do PCP nos mais novos: com 26 anos foi a nº3 por Lisboa à AR – de comentar um desenho de Obama vestido à Mao.
A resposta da deputada comunista convoca o post da Joystick aqui em baixo sobre o filme que viu no DOC.
Reparem que não foi pedido à Rita Rato que comentasse o “modelo Chinês” ou os “direitos humanos” na China, pergunta que a obrigaria aos malabarismos do costume (“Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa” disse numa entrevista), para evitar qualquer crítica e uma repreensão dos camaradas da Secção Internacional do Partido, com quem ninguém quer ter chatices…. Pediram-lhe apenas que comentasse uma foto

«Confrontado com a mais profunda crise desde a Grande Depressão, o 44º Presidente dos EUA vê-se obrigado a aprofundar as relações diplomáticas com a mais pujante economia mundial e o principal credor norte-americano. A China, no momento em que comemora os 60 anos da sua revolução, é cada vez mais um país incontornável, mesmo para quem quer reforçar e impor o seu papel hegemónico no xadrez internacional»

26 thoughts on “Não é chinesa, mas parece que gostava de ser

  1. Terá sido por isso, por ser bonita, que ela foi para deputada? A posição do PCP sobre a china é uma miséria

  2. Ela disse alguma mentira? Apenas constata um facto que pode ser assumido por qualquer um, seja contra ou a favor do que se passa na China. O que este post revela é que o que importa é atacar o PCP. Neste aspecto, não há diferenças entre os media dominantes, os blogues de direita e os blogues esquerdistas ou social-democratas. O malhanço no PCP, mesmo que desprovido de argumentos, une-vos. E ainda bem.

  3. Na China há uma NEP gigante, há uma série de concessões aos exploradores, há uma luta de classes aguda, tensa, violenta, dramática, cujo desfecho poderá (poderá, repete-se) ser favorável à restauração. Há, portanto, um processo, com linhas tendenciais de desenvolvimento e forças que as contrariam – aliás como é próprio da história.
    Para a indigência filistina reinante neste blog o que existe na China é apenas um estado de coisas fixo, cristalizado e imutável, decidido pelos maus e pelos revisionistas. Desconhecem, desculpem lá, a dinâmica histórica. Têm dela uma perspectiva liberal, pobre. Usam à maneira liberal, a-histórica, conceitos como democracia e liberdade, usam-nos como coisas caídas do céu aos trambolhões. Caem no triste espectáculo teórico de considerar por igual NEP’s, ex-bloco socialista e países capitalistas. No fundo, é tudo o mesmo, não é assim?
    Diz bem, o Pedro Bala. Vocês fazem parte daquele palco luminoso, galante e bem comportado que sempre que o tema de conversa é o PCP – ri… de nervoso miudinho.

  4. Viva a China! Viva o movimento sindical chinês! Viva a censura! Viva a pena de morte! Viva a mais pujante economia mundial! E a segunda também!
    Que floresçam mil Ritas. E Ratos.
    (…ai que nervos…)

  5. «Confrontado com a mais profunda crise desde a Grande Depressão, o 44º Presidente dos EUA vê-se obrigado a aprofundar as relações diplomáticas com a mais pujante economia mundial e o principal credor norte-americano. A China, no momento em que comemora os 60 anos da sua revolução, é cada vez mais um país incontornável, mesmo para quem quer reforçar e impor o seu papel hegemónico no xadrez internacional»
    Esta afirmação podia ser dita por qualquer um, insisto. Não há qualquer nível de valoração. Desafio quem quer que seja a desmentir o que disse a Rita Rato.

  6. A Rita é bonita (como diz o primeiro anónimo), sim senhor, mas a crítica é precisamente à Direcção do PCP (como diz pedro bala) e não propriamente à Rita, uma vez que, como sabemos, ainda mais nos tempos que correm, uma jovem deputada recém-eleita não vai deixar de pedir à Soeiro que lhe dêem alguma orientação para o comentário do Expresso.
    O problema não é o de ela não ter dito nenhuma mentira. O problema é velho demais para o estarmos aqui a esmiuçar, pois não tem nenhuma novidade: A Direcção do PCP, e em particular esta que tem feito o seu caminho nos últimos 8 anos (veja-se a re-interpretação e a mudança de enfoque que tem sido dada às conclusões do 13º Congresso do PCP), esforça-se por não ter qualquer leitura crítica dos regimes que se dizem (e que se diziam) do socialismo. Pelo contrário, vai valorizando, o que ainda é menos aceitável.
    O Obama vestido à Mao e a China é “um país incontornável”? “a mais pujante economia mundial”? Esta glorificação do crescimento económico, sem ter a mínima preocupação em olhar para os direitos dos povos e dos trabalhadores, sem olhar para as questões ambientais não é mais do que uma importante contribuição para o combate ideológico, mas para ajudar o outro lado da barricada, contra os comunistas.

  7. Apoiar o capitalismo chinês contra o capitalismo norte-americano, eis a que se reduz a miséria do estalinismo. Se não percebes a dimensão do problema Pedro, recomendo-te os clássicos. Lenine já servia. O Imperialismo para começar. O Estado e a revolução para aprofundar.
    Não se trata de escolher o melhor dos dois imperialismos, mas de combater qualquer imperialismo. A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores, lembram-se?
    AS reflexões acerca de uma «NEP gigantesca» são tão delirantes que se torna impossível comentá-las. Havia nos anos 70 um partido cujos textos se pareciam com este. O PCP (ML). Era sustentado pela CIA.

  8. muito se esforçam estes amigos da esquerda moderna, bem pensante e bem falante, com muitas opiniões próprias e originais apenas deles – sim porque esta malta pensa pela sua cabeça, não são nenhuns carneiros como o resto do povo – para atacar a nova deputada do PCP… essa “menina bonita mas pouco inteligente” que não respondeu como eles queriam às perguntas do Correio da Manhã – pasquim recentemente elevado à categoria de jornal de culto por um surpreendente conjunto de malta -….

    queridos ex-camaradas, calma e boa educação (tal como a cautela e os caldos de galinha) não fazem mal a ninguém….

    Mas pronto, ainda bem que o saboteur existe e tem tempo para, com as suas contribuições, defender o movimento comunista, lutar pela libertação dos povos, e fundamentalmente lembrar o PCP da linha justa, tão justa que só mesmo os militantes do PCP (tristes carneiros dominados por uma feroz e dogmática direcção)não são capazes de ver….
    um grande abraço e um grande bem haja

  9. Eu acho que a única razão que o Spectrum faz posts a comentar o PCP é porque isso dá uma dinâmica do caraças aos comentários e às visitas :P

  10. Diz-nos então uma coisa, Rick Dangerous.
    Há o imperialismo americano, europeu, japonês, havia o soviético, há o chinês. Isto tudo forma o grande campo do capitalismo. Certo?

  11. Cá por mim ainda continuo à espera que se cumpram as profecias…já devíamos estar todos pelo menos no PS, não?

  12. Estamos por todo o lado, embora que tenham migrado para o PS eu só conheça o caso de dois ortodoxos dos piores. Mas isso nao tem qualquer ligaçao, até porque a Rita Rato, sobre quem era o post, nunca se meteu nisso, nao deu facadas nas costas de ninguém e pensava aliás, dentro do conflicto, com a sua própria cabecinha. Logo, nao só nao era sacana como estava longe de ser parva.
    Evidentemente que podemos todos crucificá-la por se ter espalhado ao comprido numa entrevista – como mais nao fez que tentar fugir a perguntas, nao vamos ficar a saber dessa forma o que pensa ela sobre os Gulags e os direitos humanos na China (embora fiquemos infelizmente a saber o que pensa sobre o internacionalismo).
    Quanto à imagem, o comentário do Rick Dangerous lembra-me uma professora de História que tive, do PC, que me ensinou como eram avaliados os testes em Portugal: havia uma pergunta de desenvolvimento e, no âmbito dessa, uma direcçao de desenvolvimento correcta, todas as outras tinham no máximo uns pontinhos para compensar o esforço, por mais legítimas que fossem.
    A dela é mázinha porque cheira a louros que o sistema chinês está longe de merecer, ainda mais de um partido anti-capitalista. Mas havia 223 outras, todas elas legítimas, para comentar essa imagem idiota. Se ela nao usou a que vocês queriam, isso ainda nao faz da dela o escândalo que querem fazer.
    Na realidade objectiva da situaçao concreta, como dizia o meu controleiro, uma Rita Rato chegar a algum lado no PC é bom sinal e acho pateta cortar-lhe já o pio em ataque concertado, que a cada duas linhas menoriza a rapariga porque é gira, oh, esse crime máximo das mulheres na política, cemitério de toda a credibilidade.

  13. Sabouter,
    consulto este blog todos os dias, embora raramente comente… mas nota que esta este post é mesmo muito fraquinho!
    1º colocas o comentário da moça…
    2º depois dos comentários dizes “O problema não é o de ela não ter dito nenhuma mentira.”
    … desta vez, puseste-te a jeito…

  14. Nuno o teu reparo não me fez mudar de ideias.
    Primeiro, dizer que não conhecia declarações anteriores da camarada. Vi a revista do Expresso e só quando fui procurar uma foto dela no google para fazer um post é que vi que ela já tinha dado mais entrevistas. E só mais tarde é que percebi que a blogosfera já andava a comentar a entrevista dela.
    Depois, como disse, o problema não é o ela não ter dito nenhuma mentira. Aceito que a china seja uma economia pujante e que o país seja incontornável. So what? Acho é que é significativo que a jovem deputada aproveite um comentário a uma foto para dizer isso. É assim que está a JCP e é assim que se sobe no PCP actual.
    Se alguém te mostrasse uma fotografia da bandeira dos EUA e te pedisse para comentares para o Expresso e tu dissesses nos mesmos termos orgulhosos que era a economia mais poderosa do mundo, eu diria que eras um tolo. Se te mostrassem uma fotografia da reforma agrária e tu dissesses que foi nesse tempo que a economia portuguesa esteve mais vulnerável, com taxas de crescimento negativas, enquanto em 71 e 72, chegámos a ultrapassar um crescimento de 10%, eu diria que eras um fascista.

  15. de falta de coerência não se pode acusar o spectrum. lá fora contra a china imperialista, na óptica dos trabalhadores, contra o pcp. cá dentro a favor de antónio costa, conhecido e abnegado revolucionário, contra a exploração assalariada, contra o pcp.

  16. Eu cá para mim tenho como verdade que a China joga um papel no xadrez internacional, para usar as palavras exactas da Rita Rato. Vou mais longe: o papel que desempenha nesse xadrez é exactamente o das peças pretas. Não joga outro jogo, nem joga noutro tabuleiro. Joga o mesmo xadrez do império, com a diferença de começar com duas rainhas: as condições da sua força de trabalho (o dobro da soma das forças de trabalho dos EUA, UE e Japão) diminuem o valor do trabalho em todo o mundo. Com o dinheiro da exploração da sua força de trabalho, a China compra títulos do tesouro da potência dita hegemónica, suporta a sua política e, enquanto credor, não se importa com a hegemonia simbólica no capitalismo mundial. Lá incontornável é ela…

  17. Para começar, estou-me a cagar para o que a gaja do pc disse. Escrevo porque a postura de muita gente do âmbito “antagonista” (para facilitar a identificação) em relação à china não leva em conta vários factos fundamentais. Comparar simplesmente a china com os países ocidentais, sem considerar todo o seu passado e o que era há apenas algumas décadas atrás, não me parece sério. Na china muita gente viu nas fábricas da nike e dos ipods (onde se ganha muito mal e não há direitos laborais) uma forma de libertação. De libertação de uma vida desesperante e sem horizontes no campo, igual à das 30000 gerações anteriores. Foram as fábricas de shenzhen e outras cidades do género que criaram a hipótese de milhões de pessoas (acho que são cerca de trezentos milhões, mais ou menos a população dos eua) de abandonar a vida no campo e enviar os seus filhos para a universidade. Foi este movimento, e não o trabalho da onu ou das ong’s, que fará com que se atinjam as metas de combate à pobreza que se traçaram na onu para 2015.
    A china é obviamente uma ditadura onde não há grande respeito pelos direitos humanos, onde há corrupção e miséria, onde os direitos políticos são poucos ou nenhuns. Mas também é dos sítios onde as pessoas mais estão optimistas no mundo. A diferença entre o nível de vida da geração que agora tem 25-30 anos e a dos seus pais e avós é algo de inimaginável na europa.
    Penso que analizar criticamente a china é fundamental, podem crer que vai jogar um papel determinante no xadrez internacional. Mas para o fazer tem que se ter e conta os vários lados da questão.
    São só uns palpites para o debate…

  18. Rita, ninguém aqui está a perseguir a Rita ou muito menos a classificá-la como «aquela miúda gira». O que ela disse tem um significado e um peso. É, no mínimo, revelador de alguma coisa. Acho que saboteur e joystick já disseram o que é fundamental. Dizer que a China é uma grande potência com um grande crescimento económico é uma opção de classe muito evidente. É verdade, mas não é toda a verdade e falta-lhe aquela parte de verdade que costuma interessar aos comunistas – então e quem é que trabalhou para que tudo isso fosse possível?
    Quanto ao comentário do «Chinês», tudo pode ser muito certo, mas continua de pé outra questão fundamental – o desenvolvimento do capitalismo na china enfraquece ou fortalece o capitalismo à escala global? E quando todas essas pessoas, maravilhadas com o crescimento e libertadas por ele, fazem greves e lutam contra a repressão? Isso faz tanto parte da dinâmica de que falas como o acesso ao poder de compra ou à ascensão social.

  19. Li com satisfação a tua resposta Saboteur, mas ainda assim, não me parece que a moça tivesse usado “termos orgulhosos”: parece-me que se limitou a fazer um comentário bem neutral (não sei mesmo se esse não é um dos grandes problemas actuais do partido).
    Mas fiquemos por aqui, que já é alarido a mais por tão pouco.
    Continuação de bom trabalho!

  20. Me perecan geniales los cambios Daz, si alguien mas quiere aportar algo no duden en hacerlo, hay que darles su chicoteada en el poto pelado a los de COMTECO.

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