Recuos

Apesar de se manter a grave crise económica que abalou o capitalismo, surpreendentemente, parece ter ganho novo fôlego (pelo menos em Portugal) o discurso da contenção orçamental e do estímulo à economia à custa de quem trabalha.
Ao mesmo tempo, o Governo negoceia o Orçamento de Estado com a direita e a extrema-direita enquanto a paz social nas ruas é evidente.

Quanto a mim, tudo isto ilustra bem a perda de terreno da esquerda, à esquerda do PS, que ainda há bem pouco tempo comemorava (comemorávamos todos) ter atingindo novamente os cerca de 20% de eleitorado que tinha tido em 82.
Como se tudo isto não bastasse, mais uma humilhação. Humilhação ao ouvir ontem, impotente, a TSF:
Vítor Constâncio, aparece como grande defensor da classe operária, opinando contra os economistas, especialistas e comentadores da nossa praça, deixando algumas dúvidas sobre os jornalistas económicos (dúvidas se aquilo não será só propaganda do PS), dizendo que não, não é necessário reduzir os salários para relançar a economia. Um simples congelamento servirá segundo Constâncio.

57 thoughts on “Recuos

  1. Não te levo a mal.
    Paulo, a diferença entre custos e investimentos só pode mesmo ser encontrada nos seus manuais de gestão.

  2. Você primeiro Paulo. Onde é que o ensinaram a esquecer ou ignorar que os custos de uma empresa são suportados pelo investimento inicial que permitiu a criação dessa empresa?

  3. “Os custos de uma empresa são suportados pelo investimento inicial” Ok, vamos por partes. Os custos da empresa são os salários, a energia, as mercadorias que são compradas para depois vender ou as matérias para transformar, os impostos, os encargos financeiros, e outras coisas que permitem uma empresa funcionar. Isto é pacífico? Parace-me que sim. O investimento. Bom, dependendo da actividade da empresa, o investimento pode ser uma frota automóvel, uma fábrica, um equipamento, uma cozinha para um restaurante, enfim, acho que já dá para captar a ideia. Pacífico? O que está a dizer é que, por exemplo num restaurante, os salários são suportados pelo investimento no forno da cozinha?! Isto está a tornar-se ridículo. E tão revelador…

  4. Está a tornar-se tão ridículo que talvez seja melhor acabar.
    Estou a dizer que quem quer investir num restaurante tem que planear o seu investimento de maneira a que ele possa cobrir o conjunto das despesas. Assim, o investimento inicial tem que abarcar o conjunto dos custos de funcionamento. Tanto o dos salários como o dos bens de equipamento.
    E, naturalmente, um novo investimento num forno da cozinha tem que contemplar os custos de manutenção e utilização desse forno. Se esse forno implicar um acréscimo de custos com a energia, por exemplo, isso tem que estar contemplado nos cálculos do investimento.

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