Isto não está a correr bem…

Que ninguém se deixe enganar: A obsessão pelo deficit, introduzida por alturas da fase final do Governo de Guterrres, é a maior patranha que tem sido impingida aos portugueses nos últimos tempos. Agora, isso não quer dizer que se possa alinhar no forrobodó que é governação da Madeira.

Pelo contrário, creio eu: A esquerda só terá plena credibilidade para exigir o aumento da despesa e dos investimentos públicos, o aumento do deficit e da inflação, o agravamento de impostos sobre os ricos e o capital, se ao mesmo tempo tiver uma atitude irrepreensível no que diz respeito à boa gestão dos dinheiros públicos, combatendo e denunciando sempre o desperdício, o despesismo, a corrupção.
Parece-me que hoje o dia não correu muito bem para a nossa batalha contra a obsessão pelo deficit e o equilíbrio das contas públicas.
Na TV e na rádio o debate faz-se entre os que dizem que a alteração da Lei das finanças regionais vai agravar o deficit e portanto os problemas dos portugueses e da economia, e os que dizem que o Governo dramatiza, porque não se agrava assim tanto e que são muito piores os prejuízos da TAP, da CP e da RTP…
Parece que ninguém diz nada de esquerda… provavelmente, por culpa da comunicação social, claro… mas quando toda a oposição vota favoravelmente uma Lei do CDS, PCP e BE já sabem que vão ter sempre de pedalar muito para que os seus pontos de vista se destaquem depois no meio da confusão.

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14 thoughts on “Isto não está a correr bem…

  1. Quanto pesa um touro? 450-550kg, digamos 500kg . E uma capa de toureiro? 150 -200g?
    Com estes 200 g desvia-se a atenção e a força bruta do touro: 0,04% do peso do bicho são suficientes para haver tourada.
    Enquanto o público assiste não pensa noutras coisas, talvez mais importantes.
    E em terras de touros e tourada como é possível que a oposição alimente o espetáculo batendo-se por 0,03 ou 0,04% do Orçamento, enquanto que dos restantes 99,96% pouco ou nada se diz? Não valeria mais desmascarar o toureiro?
    E continuamos a brincar aos parlamentos..

  2. O Spectrum é o melhor amigo das Cetelems deste mundo. Por quanto tempo é que acha que o resto do mundo nos vai continuar a emprestar dinheiro numa situação de aumento da despesa pública como a que refere? Como é que consegue atrair investimento, seja interno ou externo, nessas condições? Como é que vai aumentar uma taxa marginal de 42% para os “ricos” (os que ainda se aguentam por cá)? Vamo-nos endividar até quando? Por que motivo a inflação é boa? A inflação é como um imposto que afecta sobretudo os mais pobres… não o percebo. Conta-se certa história que na altura no PREC o Otelo, empolgado com a loucura revolucionária que por pouco nãodestruiu totalmente a economia, se dirigiu a um político do norte da europa (talvez Olof Palm, não sei bem) e lhe disse que em Portugal iam acabar com os ricos e com os seus privilégios, ao que o nórdico respondeu, pois nós queremos acabar com os pobres.

  3. Isso não é com o Otelo, é com o Reagan! e a conversa não é assim, era mesmo o Reagan que lhe perguntava se ele queria acabar com os ricos.
    Paulo, há muitos tipos de pobreza e a sua é das piores.

  4. saboteur, não sejas sectário. qual é o problema do pcp e do be votarem a favor de uma proposta do cds? ou do psd? ou do ps?

  5. Chuckie Egg, por acaso tenho razão, basta fazer uma busca no google por “otelo acabar com os ricos”. Era com Otelo e Olof Palme. Como poderia ser entre Reagan e Olof Palme?!

  6. Fazendo uma pesquisa rápida, a conversa com Reagan é esta:
    “Por volta de 1985 foi perguntado a Ronald Reagan o que achava de Olof Palme. Numa resposta automática este respondeu que não gostava dele, que simplesmente não gostava dele. O jornalista, intrigado, voltou a repetir a pergunta ao presidente americano, sendo que este voltou a dar a mesma resposta: ‘Já lhe disse que não gosto dele’. ‘Mas, senhor presidente, o Olof Palme é anti-comunista’. ‘Pois, -respondeu Reagan- e eu não gosto de nenhum tipo de comunistas’.”

  7. calma, vai na volta estão a falar de reagans, otelos e olofs palms diferentes. pesquisem melhor que o deus-net não falha. nunca!

  8. Sectário não sou, Zé.
    Que se votem as propostas do CDS quando são boas para a emancipação dos trabalhadores (embora a política vá para além de votar a favor as boas propostas e rejeitar as más, como sabes), mas convenhamos que esse é um terreno difícil em que é preciso alguma habilidade e sobretudo muita clareza.
    Já depois de escrever o post, ouvi o Zé Guilherme na rádio durante a tarde. Muito bom como sempre, a dizer que esta Lei ía impedir que o Governo desse não sei quantos milhoes á madeira como fez o ano passado. (Acho que lhe faltou meter os governos do PSD/CDS no mesmo saco. O pessoal anda a poupa-los, é um dos pontos da minha tese). Acontece que esse tipo de declarações já vêm um bocado tarde de mais e chocam com todo o debate já instalado sobre se são apenas “umas migalhas” ou algo que vai criar “desequilibrios ainda mais graves nas contas públicas”…
    Se Jardim aparecesse a dizer que era contra esta Lei, estavam o BE e o PCP safos, mas parece que não é bem assim.
    É só impressão minha ou a manifestação da função pública de ontem, a exigir aumentos salariais, perdeu um bocado força porque o Governo há semanas que berra contra a “coligação negativa” que lhe impõe mais despesas através de Leis na AR? E o que dirão aqueles trabalhadores sobre neste momento transferir mais verbas para a Madeira? É como digo: É um terreno muito difícil e isto não correu nada bem.
    Teria sido preferível dizer “não dramatizaram tanto quando se tratou de salvar o BPN ou de comprar os submarinos do Portas” (não esquecer o CDS e o PSD, caramba!), mas votar contra (ou absterem-se), de forma a não permitir a vitimização do PS e dar mais força à ideia “Por um défict responsável e democrático”

  9. Parece agora completamente evidente que a estratégia de Sócrates é a de manter e agudizar toda e qualquer oportunidade de provocar conflitos que centrem as atenções públicas e “sequem” qualquer visibilidade de críticas de fundo sobre as questões verdadeiramente importantes. Vai assim reunindo um capital de vítima de uma oposição que classifica de irresponsável, que fala em rigor orçamental para logo patrocinar novas “despesas” e que não deixa o governo trabalhar. Fica assim reforçada a hipótese de antecipar as eleições na primeira oportunidade.
    É pena que a oposição embarque nesta jogada e acabe por servir de cortina de fumo deixando passar sem qualquer discussão questões fundamentais como por exemplo as opções do transporte de mercadorias associada à alta velocidade, assuntos com grande volume de investimento e consequencias futuras muito relevantes ; em resumo um parlamento incompetente, que trabalha a pensar no próximo telejornal, em vez de fazer o trabalho de casa sobre os temas importantes,o que acaba por originar opções resultantes de decisões sem fundamentação credível.

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