no país onde os homens são só até ao joelho/e o joelho que bom está tão barato


Todos os dias sou atacada pela nostalgia daqueles tempos em que o sol brilhava, ainda dava para ir à praia e a esquerda à esquerda do PS atingia um pouco mais de 20%. Foram fugazes estes meses, de uma esquerda só até ao joelho, sem vontade nem esforço para ser pelo menos até à ilharga, enquanto que os outros sempre o foram até ao pescoço, mesmo que não significassem mais que uma falangeta de mindinho.
Sinto saudades desses tempos em que o Alberto João Jardim podia incitar ao “governo de salvação nacional” do PSD, CDS, BE e PCP e que toda a gente risse, «no riso admirável de quem sabe e gosta/ter lavados e muitos dentes brancos à mostra», mas não neste esgar tímido de quem acha ridículo mas não tem três exemplos parlamentares recentes para demonstrar a ridicularidade de ter estes G4 na salvação nacional.
Tenho saudades desses tempos em que as lutas eram criteriosamente escolhidas, não sujeitas ao jogo da bipolaridade mas, ainda assim, criteriosas porque, convenhamos, assim como assim ainda não é indiferente para mim ter o Sócrates ou o Rangel ou Passos Coelho, não tanto pelo Sócrates ou pelo Rangel ou Passos Coelho mas porque este desequilíbrio de poder com maioria de esquerda e golden shares são já só uma miragem do passado.

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