Não lhes damos esse direito


Já muito se tem escrito, sobretudo na blogoesfera, sobre a manifestação católica-nazi e o evento que a contraria.
Os argumentos anti “contra-manifestação” têm sido tão abundantes quanto vazios, excepção feita a Miguel Vale de Almeida. Basicamente tudo se resume – “é um direito que lhes assiste”- pois, mas não é. Só compreendendo que a homofobia, nas suas mais diversas formas atravessa todo o espectro político, é que se entende uma frase destas vinda de alguém de “esquerda”. Porque bastava mudar o mote da manifestação para todo o povo da “esquerda” se pôr de acordo em contrariá-la. Se eles saíssem à rua para proibir o casamento judeu, ou negar o direito à vida de todos os não caucasianos, aí sim, gritariam os bem-pensantes “democratas” em uníssono: ESCÂNDALO.
Pois é, o direito à manifestação acaba quando se ultrapassam os limites das suas exigências e neste caso foram amplamente ultrapassados: não é admissível aceitar impavidamente uma marcha neo-nazi que tem por objectivo destilar ódio contra um grupo de gente. As duas manifestações não são simétricas mas com objectivos diferentes, pois, como diz Vale de Almeida, “ o que está em causa são direitos e o próprio princípio da igualdade”.
Outro argumento contra esta iniciativa é o táctico: muito bem eles são fachos e não têm o direito mas não lhes vamos dar importância nem visibilidade. Erro.
Erro porque a manifestação é organizada pela igreja católica, que se está a mobilizar em peso para trazer gente de todo o país, o que nos faz supor com muita certeza que beatos e fachos virão aos milhares. Visibilidade terão de certeza, resta saber se conseguimos disputar o espaço mediático com a nossa indignação ou não.
Por outro lado, não me parece normal deixar esta gente ocupar o centro-social-simbólico do país com mensagens neo-nazis sem se sentirem minimamente beslicados. A luta, e principalmente a lgbt, tem sido feita na rua. Tem sido tudo lento, demasiado lento, mas o palco da disputa foi sempre a rua, e, por nós, assim continuará a ser.

4 thoughts on “Não lhes damos esse direito

  1. acho q temos o dever de, pelo menos, os ‘beliscar’ na sua hipócrita moralidade. vou juntar-me à vossa campanha
    tenho um post sb o mesmo tema, a propósito da alarvidade de um deputado do ps: boçalidades
    abraço,
    AL

  2. Ben je pense ke c’est ds la ligne9e de tous ces actes de bravoures aqxuuels on assiste9 ces derniers mois:profanation de cimetie8re,vandalisation de mosque9e,agression de soeurs portant le niqab,saccage9 de commerce halal,propos ouvertement islamophobe(pre9sident,maires,de9pute9s,journalistes)pas e9tonnant kon en arrive le0.Pauvre franceEvaluez ce commentaire : 0

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