São Jorge e o Dragão

É algo desanimador pensar quanta polémica provoca uma simples convocatória. A primeira questão levantada foi a legitimidade de manifestar contra uma manifestação, algo evocatória dos tempos em que a professora dizia que os meninos não podem falar todos ao mesmo tempo e que o direito à palavra implica um dedo no ar e alguma paciência. As questões das legitimidades politicas e do civismo terão já sido discutidas em profundidade no spectrum e em outros locais donde limito-me pontualmente a assinalar o quão pouco relevante, ou sequer interessante, me parece ir por ai.

Depois é discutido se as contra-manifestações não darão maior visibilidade ao que procuram combater, algo que por si só passaria desapercebido. Tal sempre me soou suspeito por duas razões: Parte do principio da estupidez congénita da populaça e que portanto a divulgação de uma opinião será equivalente à sua propagação infinita, tal pode ou não acontecer, mas dependerá mais da pertinência da opinião do que da apresentação da sua conflictualidade com outra. Segundo aposta numa resolução dos conflitos que passe por sublimação do seu potencial de confronto, como se uma latência de tensões fosse necessariamente melhor e tendesse à sua resolução que a sua exposição franca.
Serei o primeiro a conceder pontos de discussão e reflexão às objecções que acabei de tecer, mas acho que num contexto politíco tão soporifero, ainda que animado por lindos blogues, a exposição mediática ou mesmo a presença fisica nesta mobilização específica pode vir a ser o evento politico mais interessante do trimestre, a par com o festão que houve cá em casa onde o Daniel Oliveira, convidado em viva voz, não quis vir.

é também de atentar quanto nestes limbos de esquerda o vir eventualmente a fazer parte do PS é visto como a mais dura acusação possivel e como a confirmação do carácter mesquinho do acusado. Como se não houvesse já velhaquices aterradoras, mesquinhices abjectas e comportamentos insalubres de envergonhar a mais caridosa avó por parte de todos os polulam esse lodo do movimentismo português. Sendo a minha cumplicidade politica com o Saboteur pontual, algo que pouco me preocupa sequer avaliar, o meu respeito enquanto pessoa é largamente superior ao que tenho por muitos que entre bolacha e biscoito falam de revolução e de foder nas barricadas.


Nota: Seguindo o exemplo do melhor blogger de Portugal, Carlos Vidal, vou deixar de ilustrar os meus posts com imagens que se reportem directamente e jornalisticamente ao conteúdo do que escrevo.

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