Todos pela alarvidade

Nunca tinha estado numa situação com uma correlação de forças tão dispar nem tão contente de estar no meio de tanta bófia. Eles (2500) iam passando por nós (100), freiras, miúdos da catequese, gajos a segurar o terço e a biblia qual livrinho vermelho. Todo um cardápio de horrores. Mais atrás uns 20 fachos com bandeiras negras. Tentaram chegar a nós mas o seu próprio serviço de ordem não os deixou sair. Bandeiras portuguesas, bandeiras espanholas, braços estendidos, muita caralhada para lá e para cá, insultos, gritos, berros, urros, a banda de samba do Gaia (que esteve muito bem), serpentinas, etc… foi uma festa. Acordei meio doente e ver tanto católico ofendido e tanto facho a passar-se elevou-me logo o espirito. Algo complicado voltar para casa já que não se sabia detrás de que esquina é que se escondia o perigo.

Os bloguers de esquerda, os grandes teóricos do movimentos, as figuronas que fazem opinião, nem vê-las. Parece que há um medo gigantesco de tudo o que possa ter uma grama de vitalidade ou de espontâneadade, cometo o erro de procurar no 5dias.net o post do NRA sobre a manifestação e de repente toda a boa-disposição e sentido de se ter feito alguma coisa quase que se esvai desfeita na chico-espertice hipópotoma e nos one-liners de cabaré pré 25 abril na linha de cascais.

Aproveito para saudar outros novos spectruns: F-Key, R-Type, Striker.

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12 thoughts on “Todos pela alarvidade

  1. Concordo plenamente Party.. ou quase, acho que os teus numeros serão talvez generosos. do nosso lado não estariam 100 pessoas e do lado da coligação do demo estavam para lá de 2500.
    De facto é deprimente assistir a tamanho espectaculo onde se misturam freiras com fachos com crianças com gente bem (não confundir com gente de bem..) com velhos com os tais urros que mencionaste.
    Estava lá uma faixa, do lado dos crentes, que dizia qualquer coisa do género “igualdade de direitos”. (WTF?)
    Um bem-haja aos corajosos a todos os que foram mostrar que não têm medo e que tomam nas suas mãos o dizer da sua opinião e o demonstrar que nem tudo é para ser tolerado.
    um mal-haja a todos aqueles que pululam nos “activismos comtemporãneos” (mais ou menos cibernáticos) na forma do berréubéubéu e que permanecem sempre no local confortável da critica sentada a tudo o que se faz e que acham que ai e só ai é que encontra a luta e a razão. o argumento de que uma contra-manifestação é apenas dar visibilidade à manifestação chega a ser confrangedor e a causar uma leve náusea. avante.
    Cerca de 1 hora após o fim do desfile estava eu a subir a av da liberdade e lá andavam 2 grupinhos de carecas a passear pela zona do cinema s Jorge do outro lado da avenida. deviam andar a jogar às escondidas…

  2. Uns quantos carecas tentaram aproximar-se mas foram primeiro impedidos pelo serviço de ordem da manif e depois pela policia. Houve um gajo mais exaltado de casaco camuflado e óculos escuros que também tentou vir-nos dizer olá mas também foi agarrado por um gajo do serviço de ordem. Dois gajos ainda tentaram contornar umas paragens de autocarro e a policia mas acho que levaram logo umas bastonadas.

  3. foi bonito e acho que todos nos sentimos recompensados por não termos ficado em casa.
    Além do que relatas aqui, houve também uma pedrada atirada pela manifestação, logo no início, que atingiu na barriga um rapaz do nosso lado.

  4. A cobertura mediática (im)possível:
    http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/lisboa-casamento-gay-familia-referendo-manifestacao-tvi24/1140938-4071.html
    Parece-me que no artigo se esqueceram de referir os cartazes (tão tolerantes!) com mensagens como “casamento é vida e não morte”. Ainda bem que apelidaram a manifestação de “pela liberdade de opção”. Está, de facto, bem visto. A opção: “ou és heterossexual ou não te casas”.
    Se me irritam aqueles selvagens cínicos, também me chateia que a “cobertura” do assunto seja feita com pouca seriedade.
    Deixo-vos com esta pérola, recolhida junto do “adolescente de Oeiras” que “critica a legalização do casamento gay, considerando que esta união civil é «perigosa» e «pode aumentar o número de homossexuais», que vão ver na lei «um incentivo a esta opção sexual»”
    Como se, com gajos assim, alguma mulher precisasse de outros incentivos.

  5. É inacreditável a quantidade de saloiada que se consegue unir para tentar tirar direitos a uma minoria. Seria bonito se se unissem para contestar a falta de referendo (que havia sido prometido por este mesmo governo) ao Tratado de Lisboa (vulgo Constituição Europeia), que isso sim, irá afectar-nos a todos. Povinho tacanho este.
    Arrependo-me muito de não ter estado na contra-manifestação e congratulo a malta do spectrum que lá esteve a marcar presença.
    Ah e também me fez alguma impressão o silêncio detodas as Associações/Movimentos LGBT. Procurei e não achei Ilga, Opus, Panteras ou o que quer que fosse de movimentos “organizados” a falar sobre isso.

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