…e Olivença será nossa outra vez!


Todos os camaradas que ficaram de tal forma angustiados com a perspectiva de ter de votar no Manuel Alegre para derrotar o Cavaco, a ponto de se entusiasmarem com a candidatura de Fernando Nobre, devem ir acompanhando as entrevistas do pré-candidato…

6 thoughts on “…e Olivença será nossa outra vez!

  1. E é engraçado ver o sr., a ter opiniões próprias, originais e sobretudo dispersas.
    Que o Hamas e o Hezbolah não sejam terroristas e lá vai uma para a esquerda..
    Que o Olivença seja território português, e lá vai uma para a direita…
    Que o Durão Barroso não se devia ter deixado ir para o Iraque e lá vai uma para a esquerda…
    Que ainda vamos encontrar extra-terrestres e lá vai uma para cima…
    Deixem-no falar que assim vai muito bem.

  2. TEXTO DE ANÁLISE HISTÓRICA E POLÍTICA
    TEXTO
    (A QUESTÃO DE OLIVENÇA NUMA PERSPECTIVA DEMOCRÁTICA )(à Esquerda)
    UM LITÍGIO FRONTEIRIÇO
    SEMI-ESCONDIDO PELO
    ESTADO PORTUGUÊS HÁ
    … QUASE 200 ANOS!!!
    A ROMANIZAÇÃO E O COLONIZADO
    (…) os mais propensos há pouco a rejeitar a língua de Roma ardiam agora em zelo para a
    falar eloquentemente. Depois isto foi até ao vestuário que nós temos a honra de trajar,
    e a toga multiplicou-se, progressivamente, chegaram a gostar dos nossos próprios vícios,
    do prazer dos pórticos, dos banhos e do requinte dos banquetes, e estes iniciados levavam
    a sua inexperiência a chamar civilização ao que não era senão um aspecto da sua sujeição.
    Tácito, político e historiador (sécs I-II d.C.). Vida de Agrícola
    (Tácito, Sécs. I – II n.E.)
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    Rua General Humberto Delgado, 22 R/C
    (Telf. 268-322697) 7100-123 Estremoz
    LITÍGIO FRONTEIRIÇO ESCONDIDO…
    COM O “RABO” DE FORA !
    PREÂMBULO
    Poucas histórias terão sido tão mal contadas, vilipendiadas, e ridicularizadas como a que
    toca ao chamado “Litígio de Olivença” (ou “Questão de Olivença”). Os dados do problema
    estão tão baralhados, os juízos de valor são tão díspares e disparatados, que manter a
    cabeça “fria” ao tentar-se estudar VERDADEIRAMENTE o problema é uma tarefa quase hercúlea.
    Falar na questão de Olivença é provocar muitas vezes o riso. Se se fala nela a uma pessoa
    de Esquerda, ela tenderá a considerá-la uma polémica alimentada, se não criada, pelo
    Salazarismo, e, portanto, uma provocação ou um motivo de chacota. A este propósito, basta
    ver o filme “O Barão de Altamira”, obra (?) do mais absurdo preconceito, para se entender
    esta afirmação. Aliás, por regra, a Esquerda considera tal assunto indigno,
    classificando-o mesmo como manifestação de uma pretensão colonialista, o que,
    historicamente, não tem pés nem cabeça, pois o colonialismo, aqui é exercido CONTRA um
    território que deveria ser Português. Se se fala da Questão de Olivença a uma pessoa de
    Direita, ela dirá que Portugal já perdeu Angola, Moçambique, … sabe-se lá que mais, e
    que já não há vontade, nem necessidade… nem um chefe à altura. Aqui, cita-se Salazar
    como modelo.
    A maior parte das pessoas tem ideias muito confusas sobre a Questão , ou considera-a
    desprovida de qualquer interesse, ou ainda manifesta um extremo pessimismo. A ideia de
    que é um assunto anedótico surge mesclada com praticamente todas as anteriores opiniões
    citadas.
    É no meio de todo este pântano desinformativo que alguém honestamente interessado no
    assunto se vê mergulhado. Rareia a informação objectiva.
    NÃO HÁ FRONTEIRA !
    E, todavia, há algo estranho em tudo isto. Na verdade, A POSIÇÃO OFICIAL DO ESTADO
    PORTUGUÊS NÃO MUDOU DESDE 1808-1814/15 ATÉ HOJE (2000): Olivença é considerada TERITÓRIO
    “DE JURE” PORTUGUÊS, ESPANHOL “DE FACTO”. Haverá afinal algo, neste caso, que não seja
    conhecido ?
    Na verdade, há. Qualquer pessoa poderá verificar, em mapas OFICIAIS (Mapas Militares, por
    exemplo), que não há fronteira Internacional no Guadiana entre as Ribeiras de Olivença e
    Táliga (ou de Alconchel). Ela existe, mas não TRAÇADA, entre as Ribeiras de Táliga e
    Cuncos (próximo de Mourão), pois o Estado Português nega-se a aceitar qualquer fronteira
    na Região sem se resolver, de acordo com o Direito Internacional, a “Questão de Olivença”.
    Não se trata de uma posição de meia dúzia de indivíduos. É a POSIÇÃO OFICIAL do ESTADO
    PORTUGUÊS. Ela é muito pouco conhecida, porque pouco divulgada… ainda que não seja
    propriamente um Segredo!
    Para além dos Mapas, há alguns exemplos concretos e recentes. Vejamos!
    Em 1988, o Presidente da Comissão Internacional de Limites da época (Dr. Carlos Empis
    Wemans) afirmava, em entrevista ao Diário de Lisboa, que a Região de Olivença obedecia
    legalmente à Bandeira Portuguesa, não sendo o Guadiana fronteira Internacional na Região.
    Portuguesa “de jure”, Olivença era espanhola por administração (ilegal), “de facto”.
    Em 1994, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português vetava uma ponte
    “internacional” no Guadiana, entre Elvas e Olivença, no lugar da Ajuda, por considerar
    não poder considerar “internacional” uma ponte legalmente NACIONAL pelo facto de as duas
    margens do Guadiana serem consideradas território Português. Após alguns incidentes (com
    muita Xenofobia de algumas autoridades espanholas), o mesmo Ministério, então sobraçado
    por Durão Barroso, assumia a construção INTEGRAL POR PORTUGAL da Ponte (Agosto de 1994).
    Em 1995, vários jornais lembravam que, POR CAUSA DA QUESTÃO DE OLIVENÇA, a Espanha não
    punha grandes reservas ao ALQUEVA. No mesmo ano, o jornal “Expresso” noticiava que o
    Estado Português, nos relatórios de Impacto Ambiental enviados para Bruxelas a propósito
    do mesmo Alqueva, NÃO RELACIONAVA NUNCA OLIVENÇA COM A SOBERANIA ESPANHOLA, antes a
    DISTINGUIA!!!
    Em 1996, assinava-se um acordo para a construção de uma Ponte no já referido Lugar da
    Ajuda (Guadiana; entre Elvas e Olivença), de carácter MUNICIPAL e INTEGRALMENTE PAGA POR
    PORTUGAL, por, disse-se, NÃO PODER PORTUGAL ENVOLVER-SE EM NENHUM ACORDO QUE IMPLICASSE
    RENÚNCIA DE SOBERANIA SOBRE OLIVENÇA!!!
    Em Outubro de 1999, o Instituto Geográfico do Exército publicava um Mapa de Portugal onde
    a fronteira, no Guadiana, ostensivamente NÃO está traçada. O presidente da Comissão
    Internacional de Limites, Dr. Júlio Mascarenhas, esclareceu a Imprensa, dizendo que a
    Questão de Olivença não era uma prioridade portuguesa, mas que a Região era TERRITÓRIO
    PORTUGUÊS ILEGALMENTE OCUPADO POR ESPANHA, e que Portugal considerava válidos os Tratados
    de 1815 (Viena de Áustria), decorrentes da situação criada em 1801 (Tratado de Badajoz:
    cedência de Olivença à Espanha) e 1807 (anulação, pela Espanha, do Tratado de Badajoz,
    por agressão não justificada a Portugal, em conjunto com os exércitos de Napoleão), bem
    como o de 1817 (aceitação total, pela Espanha, do estipulado em 1815 em Viena de Áustria).
    Muito honestamente, todas estas posições, declarações, e malabarismos, levam a duas
    conclusões: a primeira, é a de que existe, de facto, um problema fronteiriço por
    resolver; a segunda, é a de que há muito secretismo, e, portanto, hipocrisia, em torno do
    facto.
    DIREITA OU ESQUERDA ?
    Antes de se passar, porque é necessária, a uma História da “Questão de Olivença”, há,
    talvez, que responder desde já a uma angústia que pode assaltar neste momento um
    militante/activista de Esquerda: afinal, a polémica em torno de Olivença é alimentada por
    Democratas ou Salazaristas? A resposta nem é difícil: pelos dois… e por nenhum.
    Em 1910, os revolucionários republicanos viram-se confrontados com o problema. Diplomatas
    espanhóis insinuaram que a aceitação da Soberania Espanhola sobre Olivença poderia
    facilitar o Reconhecimento do Novo Regime, o qual não se prestou a tal capitulação.
    Em 1919, em Versalhes, a delegação portuguesa, dirigida por Afonso Costa, tentou que, no
    Tratado de paz que concluíu a Primeira Guerra Mundial, se incluísse uma cláusula a
    obrigar a Espanha (que nem beligerante fôra) a devolver Olivença a Portugal, o que se
    gorou. Entretanto, o estado Português acenava com a alternativa de um referendo na Região
    disputada… a que o Estado Espanhol não se dignava responder.
    Nas décadas de 1920 e 1930, tanto pensadores (e políticos) democráticos como
    conservadores protestaram contra a situação de Olivença, nomeadamente oliventinos
    refugiados, com destaque para o Intelectual Ventura Ledesma Abrantes, o fundador do Grupo
    de Amigos de Olivença.
    Ora, este grupo NÃO ERA SALAZARISTA. Pela sua Direcção passaram, de facto, algumas
    pessoas afectas ao Regime (que diligenciavam para que a sua actividade fosse reduzida ao
    mínimo…), mas também oposicionista! O presidente do Grupo em 1974 era, nem mais menos,
    que o PROFESSOR HERNÂNI CIDADE !!!
    O Grupo de Amigos de Olivença encontrava sempre uma barreira intransponível: desde a
    vitória de franco em Espanha, Salazar negava-se a pressionar o Estado Espanhol, exercendo
    mesmo repressão sobre os que se atreviam a ser demasiado veementes em relação à Questão
    de Olivença.
    A Associação protestava, indignada, contra a colonização e a repressão exercidas em
    Olivença, mas o Estado Novo nunca lhe deu ouvidos, mesmo porque a sua Política
    Colonialista em África não lhe permitia ser… anti-colonialista em Olivença!
    É curioso ver, nos relatórios da Polícia Espanhola da década de 1950, classificando como
    “mação, judeo-maçónico, de inspiração inglesa (Questão de Gibraltar), oposicionista”, o
    Grupo de Amigos de Olivença. Diz-se mesmo que por trás da reivindicação da Cidade andam
    elementos próximos do… Partido Comunista!!!
    Afinal, onde está a tradição Salazarista na História do Grupo?
    Em 1974/75, os Serviços de Informação espanhóis começam a deixar de chamar “mações” aos
    Amigos de Olivença, e, num volte-face surpreendente, começam a classificá-los como…
    saudosistas, velhos salazaristas, conservadores! E, porque era uma intenção política e um
    preconceito que estava por de trás de tais afirmações, houve mesmo um Historiador
    Comunista Oliventino que, quiçá entusiasmado, citou vários antigos salazaristas do Grupo,
    mesmo quando o não eram, não hesitando, por manifesta ignorância, por neles incluir… o
    Professor Hernâni Cidade!!!
    Em Portugal, as Movimentações Anti-colonialistas acabaram por cair numa armadilha, talvez
    ajudadas por insinuações espanholas: em vez de levarem o seu colonialismo até ao fim,
    coerentemente, passaram a considerar a Questão de Olivença como derivada do
    Imperialismo/Colonialismo Salazarista, INVERTENDO A REALIDADE HISTÓRICA E POLÍTICA, já
    que, como veremos, se estava perante um caso em que uma “parcela” genuinamente (e
    legalmente) portuguesa fôra (e continuava a ser) VÍTIMA DE COLONIALISMO!
    Entretanto, na Direcção do Grupo de Amigos de Olivença, passavam a predominar elementos
    conservadores… ainda que nem sempre Salazaristas. De qualquer forma, o problema, como
    veremos, não reside aí, mas em saber se, de facto, EXISTE ALGUMA RAZÃO PARA A “QUESTÃO DE
    OLIVENÇA” SE MANTER, APESAR DE TUDO, COMO ALGO CONCRETO PARA O ESTADO PORTUGUÊS, AINDA
    QUE POUCO CONHECIDO!!!
    È isso que vamos tentar analisar!!!
    OLIVENÇA COLONIZADA (1801? – 1936)
    Após a ocupação espanhola de Olivença (1801), iniciou-se um processo de “aculturação”,
    que ainda mais se pareceu acelerar a partir de 1815, data em que, segundo Portugal, o
    território foi de novo reconhecido como legalmente Português. Em 1840, foi proibido o uso
    do Português, nomeadamente nas Igrejas.
    Uma das maiores ironias verificou-se nas décadas de 1880/1890, quando um Professor
    Espanhol, após o falecimento de uma velha Mestra que ensinava a ler e a escrever em
    Português, tomou a seu cargo escolarizar o maior número possível de crianças oliventinas.
    E fê-lo. Só que, às mães que, em Português, lhe entregavam os filhos, dizia que na escola
    só se ensinava espanhol, e que se quisessem ensino em Português se dirigissem a
    Juromenha, a onze quilómetros em linha recta, do outro lado do Guadiana, onde Guardias
    espanhóis lhes impediram a passagem! Deste modo, ao alfabetizar-se, Olivença colonizou-se.
    Nos finais do Século XIX, surgem alguns movimentos pró-portugueses no território, logo
    desarticulados. Alguns dos seus mentores preferiram vir para o Alentejo ou para Lisboa,
    vindo-se a destacar, nesta cidade, a figura de Ventura Ledesma Abrantes.
    Nas décadas de 1910 e 1920, começa a circular em Olivença uma história falsa, destinada a
    ter muito sucesso: a de que Olivença passara para Espanha por troca com Campo Maior.
    Aliás, paralelamente, começou-se a propalar que a região viera para Espanha como Dote de
    uma Rainha. A confusão vai-se estabelecendo!
    Entretanto, Táliga ou Talega, uma antiga aldeia oliventina, torna-se Concelho Autónomo.
    OLIVENÇA COLONIZADA (1936-1975)
    A Guerra de Espanha abriu um novo capítulo na descaracterização/colonização de Olivença.
    Maioritariamente progressista e Republicana, a população, logo em 1936, ficou sob domínio
    franquista. Alguns oliventinos forma fuzilados em Badajoz. Muitos refugiaram-se em
    Portugal, onde, criminosamente, as autoridades salazaristas “devolviam” os fugitivos
    espanhóis, sabendo condená-los assim à morte. Os oliventinos escaparam quase totalmente a
    esta sorte, se podiam provar a sua origem pronunciado correctamente algumas palavras em
    Português (a mais usada “cinza”). Em 1939/40, regressaram a Olivença, sendo então vítimas
    de repressão… perante a impassividade de Salazar, que proibira mesmo a um oficial
    português entrar em Olivença com o seu Regimento, em 1938!!!
    O Franquismo levou a castração cultural de Olivença ao seu auge. Mudaram-se apelidos,
    topónimos, referências históricas. Falar Português era um anátema, sinal de atraso,
    vergonha, ignorância. As classes possidentes, muito comprometidas com o franquismo, salvo
    honrosas excepções, “espanholizaram-se” ao máximo, procurando estender tal atitude a toda
    a população. Não havia professores, funcionários, polícias, quadros, em Olivença… que
    nela tivessem nascido. Suspeita-se que houve mesmo algumas emigrações intencionais,
    embora 80% da população, mais ou menos, seja de raiz portuguesa ainda hoje. Estimulou-se
    o chamado “auto-ódio”. Os oliventinos passaram a orgulhar-se duma História que não era a
    sua, e na qual não passam afinal de presas de Guerra. Passaram mesmo a considerar a sua
    maneira de falar Português como um “chaporreo”, um Português incorrecto… atitude
    reforçada pelo facto de se tratar do falar alentejano, diferente do Português ouvido na
    Rádio, primeiro, e na Televis
    ão, depois.
    Quando economicamente a Espanha ultrapassou Portugal, reforçou-se a rejeição a tudo o que
    era Português. Por via das dúvidas, criaram-se imagens ultra-preconceituosas sobre o
    Português (miserável, pobre, bruto, agressivo em relação ao pacífico e “genuinamente”
    espanhol burgo oliventino, que queria roubar (!!!) a Madrid). Em resumo: um típico
    processo de colonização!
    CONCLUSÃO/SOLUÇÃO (?)
    A Democracia em Espanha (1975) permitiu “abrandar” a pressão sobre Olivença. E, todavia…
    Todavia, não se ensinou aos oliventinos a sua verdadeira História, antes se continuou,
    persistentemente, a Ensinar apenas a História de Espanha. Todavia continuou-se a ensinar
    só o idioma castelhano. Mesmo quando se passou a ensinar algum Português, foi sempre
    enquanto opção, mais ou menos sentimental ou exótica, e enquanto língua estranha à região
    , pois não se recuperou o “falar” tradicional alentejano que ainda e teimosamente
    sobrevive falado principalmente nos meios rurais e por pessoas idosas… e muitas vezes
    “clandestinamente”…
    Todavia… os textos sobre o problema da posse de Olivença estão só ao dispor de alguns,
    longe do Ensino… e ainda assim truncados, na versão “censurada” que a Polícia Espanhola
    recebia, habilmente elaborada por um pseudo historiador… ainda que, actualmente,
    impressa em papel de muito boa qualidade, a patrocinada por altas instâncias.
    Pior ainda… toda esta “actuação” tem sido ajudada por Responsáveis portugueses,
    democratas e de esquerda, quase sempre de boa fé, mas que , ao caírem na armadilha de
    considerar a “Questão de Olivença” como um tema salazarista, fazem coro com uma
    administração que não descoloniza, ainda que se diga democrática, e coro também (mais
    irónico ainda!) com os velhos e novos franquistas!
    Isto perante um Estado que se reclama anti-colonialista em Gibrlatar, mas é colonialista
    em Ceuta e Melilla,… e em Olivença, claro. Um Estado que agora já aceita um plebiscito
    em Olivença… depois de não aceitar o resultado do plebiscito de 1967 em Gibraltar (99%
    de votos a favor da Grã-Bretanha; 12.138 votos contra 44!)!
    O que pode levar certos políticos e Estados a considerar injustos casos de colonialismo
    como os de Gibraltar, Malvinas, Timor-Leste, Hong-Kong, Curdistão, Tibet… e justos
    casos de colonialismo em Olivença, Ceuta e Melilla, Chipre… ?
    Como pode um Estado (o Português!) manter um litígio, que se prolonga desde 1815, sem
    nunca o considerar prioridade? Como pode ao mesmo tempo protestar… e pactuar? Como pode
    aceitar uma solução mediante “aceitação de facto consumado” ao pé da porta… e negar tal
    tipo de “soluções” em todo o resto do mundo?
    Por esta lógica (a do facto consumado…), por quanto tempo terá um agressor de ocupar um
    território para ser “desculpado” e para ser considerada válida a ocupação? Que diabo de
    Direito Internacional é este?
    Por que razão, aproveitando a tão propalada democraticidade e abertura dos regimes
    “civilizados” da Europa, nomeadamente da Europa Comunitária, bem como o facto de as
    fronteiras não serem barreiras “físicas”, se não avança com um projecto pacífico, por
    exemplo, de administração conjunta da Região Disputada, com a generalização do Ensino da
    História e Língua autóctones e a salvaguarda de privilégios adquiridos, nomeadamente no
    que concerne ao nível de vida, administração conjunta durante um prazo a definir,
    dando-se depois resolução final ao litígio… a exemplo do que o Estado Espanhol propôs
    para Gibraltar?
    Irão os homens e mulheres de Esquerda continuar a defender posições historicamente
    erradas, politicamente “correctas”, socialmente (?) apreciadas… pactuando com uma
    situação colonial e de desrespeito pelo Direito Internacional, ao lado, nomeadamente, de
    pensadores franquistas? Ou terão a coragem de, pela primeira vez, tentarem enquadrar
    correctamente uma solução viável para este diferendo?
    Não bastará de hipocrisia? Ou não será verdade que “SÓ A VERDADE É REVOLUCIONÁRIA”?
    Estremoz, 14 de Janeiro de 2000
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

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