A economia organizada

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A ECONOMIA ORGANIZADA. Na década de 1930, com o sistema financeiro em colapso, a indústria em crise e o comércio internacional em retracção, havia dois únicos lugares onde a economia crescia a alta velocidade, a União Soviética e a Palestina judaica. O caso da Palestina é pouco conhecido e o motivo do seu crescimento económico é muitíssimo interessante, mas de carácter estritamente político. Para o mundo eram os planos quinquenais soviéticos que importavam, numa demonstração cabal de que a organização centralizada da economia ultrapassava os problemas que o livre mercado era incapaz de solucionar. Enquanto os especuladores se punham em fuga ou se suicidavam e os patrões abriam falência, os burocratas e a tecnocracia mostravam como se podia dirigir com êxito a vida económica. Para quem o esqueça hoje, foi assim a década de 1930.
Mas os políticos e os gestores preocupados com a salvação do capitalismo hesitavam. Valeria a pena incorrer nos custos sociais de uma revolução − com o risco suplementar de ela vir a ser verdadeiramente revolucionária − para organizar centralizadamente a economia? A experiência do estado-maior alemão durante a primeira guerra mundial mostrara que era possível organizar a produção e o consumo partindo do terreno firme da ordem e sem pôr em causa a propriedade privada, e Lenin nunca escondeu o que a sua concepção de comunismo devia à economia de guerra do estado-maior alemão. Encontramos aqui os pólos que presidiram à tentativa de reconstrução do mundo na década de 1930.
Entre esses pólos proliferaram elementos intermédios, veiculando influências recíprocas. Foi neste meio que se gerou a noção de Economia Organizada. Era por definição um meio discreto, porque não se integrava nas principais forças políticas, e esta vocação de obscuridade correponde à forma de exercício do poder pelos gestores. Conviria estudar esses personagens dos bastidores, deslindar-lhes os percursos. Situados entre os dois pólos, quando não em ambos ao mesmo tempo, qualquer que fosse o rumo dos acontecimentos eles tinham representantes no lado vitorioso. Depois da guerra, foram eles quem fez o mundo.
JOÃO BERNARDO é autor de vários trabalhos, entre os quais se destacam, mais recentemente, Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta (Porto, Afrontamento, 2003) e Capitalismo Sindical (São Paulo, Xamã, 2008), João Bernardo reside a maior parte do tempo no Brasil, onde tem sido conferencistas em diferentes universidades.
Dia 5, das 18h30 às 21h, dia 6, das 15h às 18h. Na Casa da Achada.

8 thoughts on “A economia organizada

  1. Desde que tu chegaste às caixas de comentários dos blogs que não temos parado. Hoje é dia de spectrum?

  2. Então Paulo, novamente por aqui. Fui espreitar e o seu blog não é actualizado desde 27 de Janeiro. Toda uma multidão de leitores entregues à sua sorte…
    Porque não escreve qualquer coisa a nosso respeito, que seja mais do que uma frase na caixa de comentários? Vai ver que não custa nada.

  3. “João Bernardo reside a maior parte do tempo no Brasil, onde tem sido conferencistas em diferentes universidades.”
    Oh Ze, o que e’ a profissao de conferencista? o gajo aparece em tudo o que e’ conferencia, tipo emplastro do fcp? ganha a vida a organizar conferencias? faz exactamente o que afinal?

  4. Quer dizer que não está vinculado directamente a nenhuma instituição e vai propondo cursos, seminários e conferências a várias universidades. Mas a nota indica basicamente que ele dá várias conferências e não que pertence ao sindicato dos conferencistas.

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