República sacra

A Câmara Municipal de Ourém (onde foi eleito pela primeira vez um executivo PS), está a organizar as celebrações religiosas da semana santa. Sim, a Câmara Municipal. São 7dias onde, para além de um concerto dentro de uma igreja, não faltam missas e outros rituais religiosos promovidos com popa e circunstância pelo poder local de um estado que, ao que parece, é laico.
estado laico ourem.jpg
Sérgio Faria, n’o Castelo vai nu:
Claro que podem sempre tentar convencer a malta que antes não havia lava pés, laudes após matinas, via crucis, procissões e páscoa e que princípios básicos e elementares do ordenamento jurídico português não se aplicam cá, neste reduto sagrado que é o município de ourém, por acaso parcela do complexo administrativo do estado. E claro que até podem estabelecer e declarar que há uma paróquia a colaborar – exactamente, nem menos nem mais, a colaborar – nas manobras pascoais organizadas pretensamente pela câmara municipal. No balanço que para aí vai, ainda hão-de publicar uma nota no site do município a creditar à câmara municipal a organização da visita do papa a fátima e a colaboração – ou, vá lá, a parceria – do vaticano e do reino dos céus nisso. Que fazer? A câmara municipal não podia limitar-se a contribuir para a divulgação e difusão de um programa de religioso – por ter valor cultural -, não, isso era pouco. Havia que ir mais além e publicitar o município como sendo uma estância confessional, pôr a câmara municipal – seguramente por via do vereador que tem o pelouro dos eventos – a organizar missas e tal.

6 thoughts on “República sacra

  1. (copiado do priberam online)
    laico
    (latim laicus, -a, -um)
    adj.
    adj.
    1. Que não pertence ao clero. = leigo
    2. Que não sofre influência ou controlo por parte da igreja (ex.: estado laico).
    adj. s. m.
    adj. s. m.
    3. Que ou quem não fez votos religiosos. = secular ≠ eclesiástico, religioso
    Lamento informar-te mas laico não quer dizer neutro.
    E não, não queremos estados neutros e amorfos. Queremos sociedades activas e participativas.
    Farta dos neutros e dos politicamente correctos!

  2. daniela, também quero uma sociedade “participativa” – e desconfio das palavras que aparecem no séc. XIX, e refiro-me ao ‘laico’ (de Ourém já vou falar). Separação entre o ‘religioso’ e o ‘político’, entre o ‘público’ e o ‘privado’, entre o ‘partilhável’ e o ‘íntimo’ – já agora, também separação, tão inocente como essas, entre o ‘político’ e o ‘económico’, ou entre a ‘política’ e a ‘lei’. Essas linhas tão bem traçadinhas são sempre ume conversa que vale a pena desfiar. São sempre uma ocnversa que trás água no bico. Se não gostamos dos lava-pés da páscoa não é por queremos um Estado asséptico – também concordo.
    E se o Estado é na verdade laico eu desconfio da laicidade – porque desconfio do Estado na sua origem. As palavras são muito importantes. Nas actuais circunstâncias políticas, dizermos que ‘a religiao é do foro íntimo de cada um’ é dizermos que a revolução é do foro íntimo de cada um – e que por isso há qualquer coisa de errado em ela um dia se manifestar na rua.

  3. esqueci-me de ourém. é uma conorrenciazinha ao negócio de fátima ali mesmo ao lado. mas o estado laico pode ser um estado capitalista e as coisas ficam ainda mais complicadas.

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