Se eu fosse para as manifestações tentar foder não me importaria

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Manic Miner já mencionou o facto, mas aqui ficam algumas fotografias sobre as correntes de segurança para impedir que os perigosos sei-lá-o-quê da concentração anti-capitalista pudessem livremente entrar na manifestação convocada pela CGTP. Uma primeira linha de gorilas de óculos escuros, mascando nervosamente pastilha elástica e que eu pensava inocentemente que fossem polícias paisanas. É claro que estranhei que se deixassem fotografar sem problema e não reagissem à oferta de pastéis de nata porque “coitados dos camaradas, em pé há tantas horas”. Há gente que se esquece que há malta que já viu muito e que já fez igualmente muito e que a esquerda neste pais é um bidé. Os gorilas eram, na realidade, seguranças da festa do avante, camaradas-gorilas portanto.
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Atrás dos camaradas-gorilas, uma segunda linha de defesa: os camaradas-organizadores. Novos, velhos, altos, baixos, gajos e gajas, loiros e morenos mas todos igualitariamente feios. Camaradas que voluntariamente aceitaram este dirty job de ficarem em silêncio, de costas para toda a manifestação e de peito para os não-sei-o quê anti-capitalistas, preparados para barrar qualquer movimento organizado de integração na manifestação mas um bocado mal preparados para a indisciplina individual dos auto-organizados. Recrutados, com certeza, entre a equipa vencedora de futebol humano do STAL, andavam 2 metros para cima, outros tantos para baixo, consoante os sei-lá-o-quê anti-capitalistas se moviam no passeio.
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Acompanharam os auto-organizados até poderem, enquanto desfilaram nos passeios. E isto é o que sei nas 3 horas em que lá estive, porque depois um auto-organizado lançou um grito de ordem que ele lá tinha auto-organizado e que era “Guerra, guerra, guerra social contra a máfia sindical”, e os outros auto-organizados lá se auto-organizaram para gritá-lo também e eu, com respeito total pela liberdade da auto-organização, auto-organizei-me imediatamente dali para fora.
Uma hora e meia depois, aconteceu a carga policial nas Portas de Santo Antão. Sobre essa já correu muita tinta e outra tanta correrá.

56 thoughts on “Se eu fosse para as manifestações tentar foder não me importaria

  1. Acho que a malta está sempre a aprender. Eu pelo menos tento.
    E era precisamente esse o objectivo:”gritar ao lado de metalúrgicos barrigudos; de precários magricelas; de professores aburguesados”.

  2. Eu também espero que a malta (toda) tenha aprendido alguma coisa. É que não me parece próprio do espírito crítico libertário-anarquista manifestar o seu desacordo com as cúpulas dos sindicatos (o seu modelo de organização e as ordens dadas aos seus colaboradores)através de comportamentos irreflectidos que aprofundem (ainda mais) a incompreensão e a distorção, de qualquer maneira já bastante evidentes, das ideias anarquistas.
    Do mesmo modo também não me parece inteligente, e sobretudo coerente, que a CGTP apele à participação de TODOS os que se opõem a esta política económica e economia política de merda, e depois vedar o acesso à (“sua”) manifestação a um conjunto de pessoas.
    Não nos faria mal nenhum – e sobretudo aos “puros” de todas as tendências – seguirmos a velha máxima de Lenine: “Aprender, aprender sempre”.

  3. proxima vez informem a CGTP que vão, agora ir brincar aos revolucionarios para uma manifestação seria, enfim…
    e quanto as fotos que publicas, se eu tivesse ai a minha cara tratava disso. ora acredita que o faria, sabes que estas a identificar pessoas? qual PIDE qual que, estes anarco-badalhocos são piores! :)
    façam favor ao movimento sindical, tomem banho, tirem essas pulgas e matem-se, ja que para vocês «trabalhar mata»… burgueses boemios…

  4. Martelo…Martelo…
    Esses insultos são, além de pobrezinhos, absolutamente desnecessários e contraproducentes.
    O problema não é a existência de “anarco-badalhocos” ou de “burgueses boémios” mas a ineficácia de determinadas posturas (muito bem intencionadas) tanto dos sindicatos quanto dos seus críticos à esquerda.
    Quanto à sua ironia acerca do “trabalhar mata”, essa, revela algo de muito mais preocupante, sobretudo vinda de quem quer parecer muito preocupado com os trabalhadores. Sabe quão inferior é a esperança média de vida – ainda hoje – de, por exemplo, um mineiro em relação à média geral? Sabe qual era a esperança média de vida de um operário nos países capitalistas mais avançados/industrializados/desenvolvidos no século XIX?
    Faça você um favor ao movimento sindical: estude, antes de vir para os blogues borrar uma pintura que por si mesma já não é muito brilhante. E não seja tão sectário.

  5. Lamento estar a comentar passados alguns meses mas só agora tive conhecimento deste triste post.
    Pois bem, falar mal dos outros e acusar um sindicato como a CGTP de que não lhes foi permitida a participação na manif quando nos blogs dos inflizes do anarquismo se pode ler e passo a citar “vamos à manif foder e destabilizar aquela merda toda” só lamento que os tais “bofias sindicais” não vos tenham arreado forte e feio mas é preciso ter calma havera outras oportunidades. Relativamente as acusações feitas por alguns dos manifestantes inceridos na manif a cerca da atuação dos supostos seguranças aconcelho a preceber primeiro o porquê da necessidade dessa mesma intervenção.

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