Resposta a Allan Stoleroff

Diz Allan Stoleroff: Alguem descobriu este blog e informou-me deste comentário sobre mim. Pois. Você, o (ou a) radical da luta de classes afinal confia tanto na imprensa “burguesa” que acredita que o jornalista citou-me correctamente ou representou correctamente as minhas análises da manifestação! Pois! O facto é que fui solicitado pelo Público para deixar um jornalista acompanhar-me durante a manifestação para ouvir os meus comentários. Mas evidentemente não tive qualquer controlo sobre a sua reportagem. Todavia acho que o seu comentário é justo. Também não apreciei muito o sociólogo retratado pelo jornalista. E então? Você quer saber o que disse e pensei realmente sobre a manifestação? Provavelmente não gostaria. E o quê que você pensou da manifestação e das possibilidades de o povo efectivamente inverter a situação? Gostaria de ouvir a sua sapiência. Pronto…
Respondo eu: Provavelmente até gostaria. A minha participação nas manifestações da CGTP não parte de uma postura acrítica em relação a uma organização que há muito deixou de constituir a voz de grande parte dos trabalhadores. Tampouco me agrada episódios fulcrais da sua história, nomeadamente as campanhas contra a comissão inter-empresas, compostas por empresas ocupadas e auto-geridas.
Propostas para inverter esta situação. Não sou especialmente sapiente, mas porque não criar – mesmo no seio da CGTP – um sindicato de desempregados e de precários? Porquê insistir num modelo de organização assente na profissão, quando são cada vez menos aqueles têm profissão (um precário vai tendo profissões)? Porque não introduzir outras formas de vivência democrática, que não passassem pela simples reprodução de hierarquias e burocracias?
Constituiria este conjunto de medidas uma espécie de receita final? Um programa político dito e feito? Tenho dúvidas (aliás, tenho dúvidas em relação a todos os programas políticos ditos e feitos). Inverteria a situação de marasmo a que chegámos? Talvez…

39 thoughts on “Resposta a Allan Stoleroff

  1. é engraçado que no momento em que 300 mil trabalhadores fazem desta a maior manifestação de sempre da Inter, a direita (comentadores, UGT, PS, PSD, etc) e o “braço esquerdo da direita” (anarcas, renovadores, esquerdistas) , façam obituários à CGTP e à sua forma de organização e ligação com os trabalhadores. Disse engraçado? Queria dizer ridículo.

  2. Duarte, penso que todos concordaremos que o objectivo das organizações sindicais é o de servirem de instrumento de luta dos trabalhadores, pela sua emancipação a prazo, mas também por direitos e melhores salários no imediato. Essa guerra quotidiana nos locais de trabalho está a ser perdida.
    Até podiam marchar outros tantos 300 mil (sem desrespeito pelos que o fazem), mas a verdade é que isso, em si mesmo, não faria inverter a relação de forças nos locais de trabalho. E aí é que nos dói a todos.
    A única coisa ridícula é a incapacidade de lidar com o facto de existirem trabalhadores que criticam a orientação da CGTP de um ponto de vista de classe. «O braço esquerdo da direita» é quem acha que cada manifestação é a prova provada da justeza da sua orientação. Até porque desconfio que se fores desafiado a escrever um pouco mais sobre a forma de organização e ligação da CGTP com os trabalhadores, provavelmente seremos premiados com o teu silêncio.

  3. Duarte, é tão ridiculo quanto a cgtp destacar 50 camaradas-que-também-fazem-segurança-na-festa-do-avante para “guardar” e “impedir” de manifestar outros 50 trabalhadores anarco-renovadores-esquerdistas-auto-organizados.
    E com estes rídiculos vamos comendo com a direita e tentando viver…
    Há pessoas que não aceitam críticas, tudo já está perfeito no seu mundo sindicalista-partidário imaculado. A dialectica e a evolução não existem para eles.
    Outros não…

  4. então vamos a isto, devagarinho. Estou de acordo que o capitalismo enquanto sistema e cada capitalista em particular tem explorado cada vez mais os trabalhadores. É verdade que os sindicatos têm menos poder negocial do que já tiveram, aliás havia faixas e palavras de ordem sobre isso na manif. Não considero que a acção da CGTP e dos seus sidicatos seja responsável por essa alteração. Só os sindicatos da CGTP têm a visão de classe e a capacidade e firmeza para negociar com patrões e com as autoridades. Não existe alternativa nem na UGT, nem nos “movimentos” de precários e outros, que substituem a foice e o martelo pelo tambor e o apito. O tambor e o apito não assustam ninguém.
    As tuas propostas organizativas, desculpa que te diga, não levam a lado nenhum. A organização por profissões é a única que faz sentido. Há que, em cada sindicato e a nível central, combater a precaridade. Os falsos recibos verdes e a precaridade são alvos a abater, e no curto prazo. A identificação do trabalhador com a suposta “classe” dos precários só prejudica a unidade dos trabalhadores. A estratégia não deve ser “queremos mais direitos para os precários” mas sim “não queremos ser precários. queremos contrato!”. Faz então sentido uma organização de precários? Movimentos que falam em “precariado” pah… sinceramente…
    O problema que apresentas, da redução da capacidade negocial dos sindicatos nos ultimos anos, é obviamente consequencia da política de direita que se tem particularmente concentrado na luta anti-sindical. Para além disso: no parlamento, apesar do crescimento da Esquerda (PCP, PEV e BE), o comprometimento da acção institucional do BE com a CGTP e o movimento operário é muito fraquinho. E hoje o BE faz diferença. Ou melhor, poderia fazer.


  5. Um pequeno filme (10 minutos) de Chris Marker sobre os sindicatos. Legendado em português.

  6. Duarte,
    A organização por profissões tinha sentido quando existia entre trabalhador e profissão uma mínima relação de identificação. Uma pessoa não era professor num ano e caixa de supermercado no outro. Aos 25 anos tornava-se professor e aos 60 reformava-se como professor. A estabilidade do emprego facilitava então a adesão ao sindicato: não só em termos da já mencionada identificação con um saber e uma experiência profissional, mas com toda uma sociabilidade entre colegas e sindicalistas.
    No meu caso, já conto com cerca de sete ou oito trabalhos no currículo: de empregado de feira de livro, a bolseiro, a entrevistador de uma empresa de estudos de mercado, a bolseiro outra vez. Perante isto, qual o sindicato em que me inscrevo? Se simplesmente a profissão que tenho, sei que a vou deixar de ter daqui a um ano ou dois. Agora, considera as pessoas que estão a recibos verdes ou empregadas em empresas de trabalho temporário? Para quê aderir a um sindicato x ou y quando amanhã estarão a trabalhar no sector a ou b.
    A minha proposta é partir do que é comum. Do que constitui a sua condição: a precariedade, a incerteza, a indefinição profissional. Daí a necessidade de sindicatos de precários que, internamente – numa base horizontal – seriam constituídos por grupos de trabalho – etts, call-centers, telemarketing, recibos verdes. E, paralelamente, por grupos de empresas (PT, mcdonald´s, multitempo) que poderiam estabelecer ligações e desenvolver formas de lutas com sindicatos profissionais de trabalhadores das mesmas empresas.
    É esta a proposta. Já agora, qual é a tua? Ficar tudo como está.

  7. “Porquê insistir num modelo de organização assente na profissão, quando são cada vez menos aqueles têm profissão..”

    Porque é assim que a lei permite a actividade sindical. Há uns anos foi feita a tentativa de criar um sindicato generalista. O ministério público e os juízes proibiram-no logo, por não cumprir a lei de bases da actividade sindical que indica só poder haver sindicatos corporativistas, ou seja por profissão…

    E quem é que defendeu esta lei.. A CGTP e a UDP naturalmente.. Em troca passaram a receber contribuições automáticas dos funcionários do estado…

    E é assim o status quo: Um sindicalismo da treta, alimentado e controlado por partidos e uma massa de não-sindicalizados que não se sentem representados por nenhum sindicato, que comem todas as patranhas que o patronato lhes enfia..

  8. Revejo-me no que diz o Dallas, nunca tive um contrato de trabalho, nem a maior parte das pessoas que conheço. A questão será, para nós que vivemos esta situação de uma forma crítica, se a melhor opção é procurar formas de nos juntar a uma estrutura como a CGTP, pesada, burocratica, ou procurar outros lugares, sem o peso da ortodoxia.

  9. Mas vocês não percebem que o problema dos “precários” é a existência de pessoas que têm empregos para a vida e que é praticamente impossível despedir (só se matarem alguém, e mesmo assim…)? Vocês estão bloqueados pelas leis conservadoras do trabalho. Ninguém quer empregar pessoas que tem de aturar para toda a vida. Isto é tão fácil de perceber!!

  10. E por isso é que os sindicalistas não querem precários e desempregados nas manifestações. Os nossos sindicatos servem para proteger os postos de trabalho que estão blindados pela lei do trabalho e estão-se nas tintas para os precários.

  11. O Paulo acaba de expor de forma brilhante o núcleo doas ideias que presidem ao mayday, aó precariado rebela-se, à concentraçaõ ainti-cgtp e outras autonomices. Parabéns, Paulo: Paulo e spectrum a mesma luta (anti-sindical, anti-comunista).

  12. Duarte, tenho sérias dúvidas relativamente ao caminho que apontas. Mas ao menos vejo que apontas um caminho, o que nos permite debater. Não concordo nada com a avaliação que fazes do problema da precariedade e da forma de a combater, excepto a parte do apito e do tambor. Mas nunca me ocorreria que de um lado está a foice e o martelo e do outro o apito e o tambor. Até porque no símbolo da CGTP está lá uma caneta. Estará talvez na hora de lá pôr um computador e outras tantas ferramentas de trabalho mais utilizadas pelos trabalhadores em Portugal.
    Mas dificilmente me convencerão de que a coisa vai lá combatendo a precariedade no interior dos sindicatos, tal como estão. Trata-se de um problema de desfasamento – nunca encontrei um sindicalista num local de trabalho. E já trabalho há uma dúzia de anos, nas mais variadas ocupações. Interpreto o que escreves como a indicação de que algo está a mudar nesse campo. Se assim for, ainda bem.

  13. Cala-te ó mete-nojo. Tu só dizes é mentiras, pa! Mas quais 12 anos a trabalahr? qual carapuça, passaste foi 12 anos pra tirar um cursozeco da tanga. 12 anos. 12 anus isso sim. Olha ó gajo, pá! diz que nunca viu um sindicalista no seu local de trabalho. Mas qual trabalho pá? Só se o sindicato te fosse visitar à espelunca do teu quarto que tu falas falas mas vives à custa do estado. O anarca do cachimbo. Grande tangas é que tu és. Vai na volta até acreditas nas merdas que inventas. é pá não te enterres mais. Anda o contribuinte a pagar-te viagens à índia e à itália e ao catano e tu em vez de escreveres a tanga duma tese, andas por aqui a mandar postas. Ganha mas é vergonha, pá. Sê sério. O que tu contribuis pro país? não fazes nenhum pá. enches a boca de grandes palavras mas de ti só sai merda pa. És um tangas pá. E a tua amiga olívia palito? O pá não gozes pá. Ela e o outro chulo toda a gente sabe bem como é foram parar à cãmara de lisboa. deves tar mas é no gozo. Essa entrou na câmara por ser do PC e depois quando já tinha tacho, descobriu que já não era comuna. Pois é, pá1 Isto convosco é só rir. E o corno manso? é pá. Esse então fazia falta. O pá! Isto é só gente que não vale nada, tudo atrás do tremoço e ainda por cima a quererem dar lições de moral

  14. Acho que há aqui duas discussões ao mesmo tempo.
    1- Uma delas é a questão da organização da luta em prol dos direitos dos trabalhadores, passando ou não pelos sindicatos (ou sua reestruturação).
    2-A actuação da CGTP relativamente à manif anti-capitalista. (o POKE levantou esta questão)
    Relativamente à primeira, concordo com o Duarte em grande parte, mas não acho que a única forma de organização seja por profissões. Faz sentido uma organização por profissões, é verdade, por uma questão de estruturação e agrupamento de reivindicações comuns e específicas de cada profissão, essa é uma das razões históricas para esta estrutura dos sindicatos. Também faz sentido a confederação, para lutas mais transversais. Agora, nada é estanque e final. As estruturas sindicais (ou de luta) têm de reflectir as condições objectivas que existem num determinado momento. Neste momento existe uma massa crescente de trabalhadores precários que, como o Dallas disse, não criam raízes em nenhum posto de trabalho. Não se pode (sobe pena de se perder a luta) ignorar esta realidade e não adaptar as estruturas a ela. Relativamente ao que o Rick Dangerous disse, acho que sim que os precários devem lutar contra a precariedade, como é óbvio, mas também, como o Duarte diz, a precariedade tem de ser combatida dentro dos sindicatos, no seio de cada profissão. A luta não pode ser feita só de um lado. Para mim uma coisa é a forma como os sindicatos actualmente estão a funcionar outra coisa é aquilo que podem fazer (e o passado mostra que podem fazer muito). Não acho que se deva deitar fora o sindicalismo (talvez tenha percebido mal), deve-se reanimá-lo.
    Relativamente à segunda questão. Já houve (há) discussão noutro post. Mas (apesar de não ter estado na manif, não estava em Portugal) concordo com o que o André Carapinha disse. Era uma organização da CGTP, ninguém falou com eles (acho eu), não vejo nenhum autoritarismo ou sectarismo da parte deles em fazer o grupo anti-capitalista (ou outro grupo qualquer formado nos últimos momentos) ir para o fim da manif e até mesmo não deixar entrar a meio da manif. Não acho que a auto-organização, só por si, tenha direito de atropelar qualquer outra organização. Há muitas coisas a apontar à CGTP, mas esta acho que não.
    Ah! E depois há sempre o Paulo. Gostava que elaborasses mais nesse teu milagre da divisão dos empregos só possível com a flexibilidade laboral. Deixa ver se percebi bem o teu raciocínio: o problema dos precários (contratados a termo) são as pessoas contratadas para a vida. “Porque ninguém quer contratar para a vida”. Portanto a solução é só contratar a termo (precariado). Esta é a solução? Parece-me bem, deixa de haver não-precários, portanto o próprio conceito de precariado como que desaparece. Genial.

  15. O Anónimo das 7h48, que chama o PCP de PC e já assinou um comentário com o nome de ‘Marlon’, em que criticava duramente a tolerância de ponto dada aos funcionários da CML por alturas da visita ao Papa (o resto dos funcionários públicos já não lhe fez tanta confusão, por sinal), pensa que sabe muito e que faz um grande figurão a falar anonimamente sobre “viagens à india pagas pelo contribuinte”, “entradas na câmara de Lisboa por ser do PC” e coisas do género…
    Pois é: Para além dessa conversa toda ser de uma reaccionarice primária, quando te puseste a emprenhar pelos ouvidos, contaram-te a história muito mal contada. Acontece a muitos cretinos: acabam por ser enganados por um qualquer xico-esperto

  16. O que é de facto impressionante é que apesar de este ser um blog essencialmente de ex-Pc’s, que votam BE, andam na sua esfera e que são particularmente contundentes nas criticas à Direcção do PCP, apesar de tudo isso, acho que existem mais ódios aos autores do SPECTRUM vindos do BE do que vindos do PCP.

  17. Bravo Sherlock! Bastou o outro caramelo propositadamente ter escrito “PC” em vez de “PCP” para concluíres que já não era do “Partido”. “Partido” com “P” grande bem entendidos. Logo “pensa” o Sherlock, se não é do “Partido” é porque é do Bloco. Logo vamos-nos atirar ao Bloco. “Bloco” lembras-te? Triste.

  18. Deduções e conjecturas sobre conjecturas fazes tu, anónimo. Até na minha utilização de maiúsculas consegues ver desvios e motivos para me dares pancada…

  19. Lá está outra vez a táctica do coitadinho. Acredita que tenho mais que fazer.

  20. …afinal eras tu! (daí a implicação também com o PCP) …E eu a pensar que tinha arranjado “amiguinhos” novos…
    Não é “outra vez a tática”. É responder-te da maneira que sempre te respondi às tuas perseguições

  21. Esta do contribuinte que me paga viagens à Índia e a Itália é de facto de antologia. E de psicanálise claro está.

  22. epa desculpem lá interromper tão interessante diálogo, mas fiquei com vontade de responder ao sindicalista anónimo que me mandou passear.
    Fica sabendo que não fui a manifestação por estar longe do país, e que se não estivesse também não tenho a certeza de que lado estaria. Concordo no geral com o que disse a gorkiana, resumiu a questão. Também não acho que sirva a alguém ir para uma manifestação da CGTP gritar palavras de ordem contra os sindicatos.
    Reduzir a luta dos precários a uma “cedência ao capital” é da mesma ordem de exigir aos sindicatos a luta pela propriedade dos meios de produção. A realidade dos trabalhadores precários é tão inegável como a dos trabalhadores contratados e acredita que gostava muito de ver os sindicatos com os olhos um pouco mais acima da realidade presente.

  23. Todo tu és uma antologia! Mas a desculpa é a do costume. Às mais que comprovadas acusações de oportunismo respondem sempre com a psiquiatria. Não deviam abrir uma ala, deviam era abrir todo um hospital.

  24. Não concordo com a ideia de que o agrupamento por profissões tenha deixado de fazer sentido. A verdade é que existem ainda muitos trabalhadores com contrato(o que, para o Paulo, é indesejável e a modos que utópico). Mesmo os trabalhadores precários transitam muitas vezes entre empresas sem, no entanto, transitarem de sector profissional. O CESP que o diga.
    Criar sindicatos de precários é assumir que essa é uma situação aceitável. A luta tem de ser pelo fim da precaridade, e essa luta, sendo uma profunda e vasta luta, tem de ser travada em cada sindicato e sobretudo a nível geral, como na InterJovem, Federações e CGTP central. E com uma esquerda que se comprometa com o movimento sindical [toquezinho de cotovelo].
    Há uma ideologia subjacente a esta ideia dos precários enquanto classe. Do “precariado”. Do “a CGTP só quer defender os priviligiados dos contratados” etc… essa ideologia é a mesma que os capitalistas sempre usaram para dividir trabalhadores: antes, funcionários públicos vs. privados; agora, precários vs contratados. E cá vamos alegremente, de espingarda apontada para dentro. Há que combater esta ideologia e apontar a espingarda para o sitio certo.
    Vamos lá ver uma coisa: nós temos uma Constituição que, a nível laboral, é das mais progressistas da Europa (apesar da realidade não ser assim). Faz sentido aceitar a precaridade e lutar pelo seu menos-mal-amento?
    Não tenho dúvidas de que a precaridade é das qestões centrais do nosso tempo. Mas penso que o caminho não é dividir as lutas. Quando um trabalhador com contrato vê o seu salário real diminuido, os trabalhadores precários perdem também: passam a estar mais vulneráveis, com menos condições de negociação e de exigência de contrato. Quando um trabalhador com contrato é despedido, se o patrão puder, substitui-o por um precário. A luta é a mesma. É urgente que, em vez da criação de frag-movimentos precários (que se re”b”elam nada consequentes), se tente uma maior unidade e, da outra parte, maior foco nesta questão (que honestamente, e olhando para os cartazes centrais da CGTP e da InterJovem nesta manif, está-se a ir nesse caminho).
    O refrão do Hino da Intersindical deve ser música de fundo da esquerda que se revê no movimento operário.

  25. Duarte, acredito que não me tenha expressado com muita clareza, mas a gorkiana expressou mais claramente que eu aquilo que penso sobre o assunto (as vezes acontece, e nem sei quem é a gorkiana).
    Não acho que seja uma questão de deixar de lutar contra a precariedade, como não é uma questão de negar que ela existe e que as pessoas que trabalham nessa condição têm lutas especificas (caso o trabalho escravo ainda fosse legal não irias negar a necessidade dos escravos se organizarem). Não é também negar a organização por profissão, é afirmar que essa forma de organização pode conviver com outras.
    Também é expressivo que aches utópica a questão da propriedade dos meios de produção, eu não acho. distante, mas não utópica. Não me parece de todo ser algo a perder de vista.
    Vistos à distância, os confrontos durante a manif parecem ter vindo mais da falta de organização e leviandade da gente que se revê na luta dos trabalhadores mas não na forma como os sindicatos estão organizados, do que de uma real divisão das lutas ou cooptação. Não me rever totalmente numa organização não quer dizer que não reconheça o seu papel e deixe de apoiar as suas lutas.

  26. 1. É falsa a ideia de que um precário muda de emprego e não de sector profissional. O precário é aquele que, sob o contínuo espectro do desemprego, muda de emprego para onde o houver.
    2. Que divisão? Cheguei a referir que estes sindicatos estariam directamente coligados com sindicatos profissionais das mesmas empresas. Não se trata de precários vs permanentes, mas sim de precários com permanentes e de permanentes com precários.
    3. Porque é que o discurso da unidade e do “pá, estás a dividir” vem sempre de presidentes, generais ou militantes que querem que tudo permaneça sempre na mesma?

  27. Paulo,
    “Também é expressivo que aches utópica a questão da propriedade dos meios de produção, eu não acho. ” Onde é que foste buscar essa ideia?
    Não sei se é o mesmo paulo que eu estava a citar, mas quem diz “Vocês estão bloqueados pelas leis conservadoras do trabalho. Ninguém quer empregar pessoas que tem de aturar para toda a vida.” é porque aceita, subscreve e milita pela precaridade. As “leis conservadoras do trabalho” são as que nos querem impor, sob a fachada da flexisegurança, que só promovem a precaridade.
    Eu não nego que a precaridade exista. Aliás, disse que era uma das questões centrais do nosso tempo. Discordo é que essa deva ser uma luta feita à parte das lutas de todos os trabalhadores. E feita à parte da organização de todos os trabalhadores, a CGTP. Que o é, meus caros, que o é.
    Dallas,
    em vez de criar sindicatos de precários, não faz mais sentido desenvolver essa luta em todos os sindicatos e a nível central?
    E quem lhe disse que eu era presidente, general ou militante de alguma coisa? Quem lhe disse que eu queria que tudo ficasse na mesma? Eu aliás acho que esta questão tem de ser aprofundada na CGTP. Vejo um caminho nesse sentido, mas concerteza que há a melhorar.
    O “discurso da unidade” é o único que faz sentido. Temos hoje patrões, media, governo, ideólogos, comentadores e amarelos em perfeita unidade contra os trabalhadores e pela precaridade. A respota tem de ser o discurso da unidade, da nossa parte. Só assim se chega a algum lado. Se isto lhe cheira a mofo, é pena. O que vale é que, para arejar a sala, tivémos a maior manifestação de sempre dessa mesma unidade há poucos dias. Convém relembrar.

  28. 1. Pelas razões que já apresentei, acho que não. Ou as pessoas sentem que a sua condição está a ser alvo de uma resposta, ou simplesmente não se associam.
    2. O discurso da unidade sim, cheira a mofo. Prefiro o discurso da multiplicidade coligada, de várias condições que se encontram em torno de pontos em comum, e a partir daí lutam em conjunto.

  29. Mas então Duarte, cabe aos sindicatos actuais tomar a iniciativa para colmatar esse fosso. Seria bom, por exemplo, que a contratação colectiva incluísse cláusulas relativas à percentagem de contratados a prazo possível num sector ou empresa. E que essa percentagem fosse muito baixa, bem entendido. E que se mobilizasse todos os trabalhadores para lutar caso isso não fosse concretizado. Unidade, sim, mas com solidariedade.
    As empresas de trabalho temporário são um alvo óbvio e também não se costuma ouvir o movimento sindical a combatê-las e criticá-las.
    A questão do precariado não é a de encontrar uma classe de trabalhadores contraposta aos outros trabalhadores, mas de identificar uma nova condição laboral que tende a generalizar-se. Aliás, se procurares nos documentos e textos do Mayday, dificilmente encontrarás expressões como “a CGTP só quer defender os priviligiados dos contratados”.
    Mas olha pá, é sempre bom debater estas coisas e não ser chamado oportunista. Volta sempre.

  30. “Mas então Duarte, cabe aos sindicatos actuais tomar a iniciativa para colmatar esse fosso”
    Pois cabe. Eu honestamente acho que se está a trilhar um caminho. Sem histerias e grandes “reestruturações” da forma de funcionar da CGTP que, sem dúvida, tem garantido que a Inter é a única organização sindical que tem feito alguma coisa pelos trabalhadores. E muitas vezes, bem. Nem sempre são alcançados os objectivos?: normal. A CGTP não tem uma situação política favorável (por ahora…). Muito se tem feito, se compararmos com algum do sindicalismo “reestruturado” que se faz por essa Europa fora.
    O problema da palavra precariado é que cria uma classe quando ela não existe. Os precários estão dentro da classe operária. Mesmo que não haja uma tentativa de criar “classes contrapostas”, a verdade é que quebra a dinâmica de uma classe unida, preparada para as suas tarefas históricas (isto cheira a quê, Dallas?), ou pelo menos para a defesa imediata dos direitos fundamentais do trabalho.
    Por fim, apenas o seguinte: numa manifestação: palavra de ordem: “CGTP multiplicidade coligada sindical; CGTP (…)” pah… tá ceeerto.

  31. Não quebra nada que não esteja já quebrado nas condições concretas em que se trabalha, Duarte. A dinâmica de uma classe unida só pode resultar de uma recomposição no contexto de lutas concretas e definidas numa base horizontal. Haja vontade de o fazer e não faltará a unidade.

  32. Duarte, estamos a discutir ideias, não palavras de ordem.
    É óbvio que os precários fazem parte da classe operária. Esta, contudo, é composta por diversas condições. Ou garantes que cada uma destas condições tem uma voz, ou acabas por ter o que tens hoje: um sindicalismo que reconhece um ataque, mas que não consegue dar resposta ao mesmo. A greve geral, para quando?

  33. Eu sou Fernando, ou o outro é só Paulo. Tem as suas chatices ser confundido com o chato da vez no spectrum (tem blogs com chatos bem mais interessantes do que este). Foi o nome que me surgiu.
    Portanto, essa pessoa esquizofrénica que imaginavas, são duas. Seria mais chato ainda o Paulo viver na minha cabeça, chiça.

  34. fernando paulo, eu so citei o que assina como “paulo” e tu respondeste, pelo que pensei que fossem a mesma pessoa…
    de qualquer forma, estamos esclarecidos…

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