O Spectrum à escuta


Se clicarem lá em baixo, no “continue a ler o Spectrum à escuta”, terão acesso a todo o artigo de Domingos Lopes, hoje no Público.
Aqui fica o meu destaque:
«A alternativa era manter tudo como estava; substituir os inimigos do socialismo pelos inimigos internos e nesta batalha chamar os quadros mobilizáveis para a vitória da “pureza” do PCP. No melhor estilo dos anos 40 ou de alguns aspectos da revolução cultural chinesa, Cunhal e os camaradas mais sectários uniram-se num projecto de derrota dos renovadores e venceram. Para os apresentadores, esta vitória pode (sublinharam o pode) ter correspondido à sobrevivência do PCP.
Porém, impõe-se esta pergunta: o que trouxe esta vitória? Internamente, a maior debandada de quadros experimentados do partido, com uma experiência extraordinária à frente de organizações. Muitos deles foram os quadros da transição do PCP de 1974 para os novos dias da revolução de Abril. Para o exterior, uma reanimação das hostes mais confundidas tanto com os acontecimentos mundiais, como com os internos.»

(…)
«Esta reactivação, porém, não trouxe nada de novo em termos de afirmação teórica e prática do PCP. O PCP passou a ser o que o Jerónimo discursa, que, em geral, é a repetição, sem dúvida corajosa, do afrontamento da política desastrosa do PS, PSD e CDS, mas, do ponto de vista de alternativa, não traz um único elemento novo, nem propostas para sair da crise.
Esta reactivação interna não impediu a ultrapassagem do PCP pelo BE, coisa inimaginável há poucos anos; a perda de influência no poder autárquico e uma crescente tensão no movimento sindical.
É assim que está o PCP hoje: a proclamar que está melhor que nunca e a realidade é o que se vê.
Não é fácil ser comunista hoje. Mas talvez nunca o tenha sido, mesmo quando o caminho parecia ser o do céu. Daí que tenha as mais sérias reservas sobre o oitavo fôlego.»



O oitavo fôlego de Álvaro Cunhal
Por Domingos Lopes
É assim que está o PCP hoje: a proclamar que está melhor que nunca e a realidade é o que se vê.
No lançamento do livro de Carlos Brito Álvaro Cunhal, Sete fôlegos de um combatente, quer Manuel Alegre, quer António Borges Coelho, apresentadores do livro, levantaram a questão de um eventual oitavo fôlego que não estava mencionado na obra. Para os apresentadores, Carlos Brito não regista que o regresso de Cunhal à direcção do PCP para derrotar o Novo Impulso e salvar o partido dos projectos renovadores constituiria o tal eventual oitavo fôlego.
Esta tese tem como sustentação a divisão e o enfraquecimento verificados, entretanto, um pouco por toda a Europa nos diversos partidos comunistas, sobretudo em consequência da implosão da URSS. Se vencessem os apelidados de renovadores, ir-se-ia abrir no PCP uma nova fase cujo desenvolvimento era totalmente desconhecido e, tendo em conta o panorama internacional, provavelmente o PCP iria também ele caminhar para uma desagregação similar à verificada no Ocidente.
Em abstracto, esta possibilidade acarretaria a inércia, o que não defenderam os apresentadores, que apenas chamaram a atenção para o desafio e a realidade.
Pode uma organização política sobreviver ao longo de décadas e décadas sem renovar o seu pensamento e a sua acção? O que aconteceu no mundo do socialismo está à vista de todos. A falência dos partidos comunistas que dirigiam os países chamados socialistas foi por petrificação e não por renovação.
Os desafios que se colocavam aos partidos comunistas na oposição aos respetivos governos no Ocidente eram bem diferentes do que os dos que estavam no poder, mas o que se passava nos países socialistas influenciava bastante as grandes massas populares dos países mais desenvolvidos da Europa Ocidental, designadamente no que se referia ao exercício das liberdades e dos direitos dos cidadãos e a competição em termos de acesso a certos bens de consumo.
A morte de uma organização revolucionária pode ocorrer por motivos absolutamente contraditórios: dogmatização ou descaracterização dos seus ideais. O diabo que escolha.
É mais fácil manter os chamados princípios do que pegar nos princípios e encontrar a arte e a ciência de os colocar ao serviço da causa através dos tempos.
O facto de ser difícil não significa que não tivesse de se travar o desafio de ir ao encontro do futuro. Foi o que sucedeu com o PCP com o Novo Impulso. Havia para uns largos milhares de quadros da direcção do PCP a necessidade vital de encontrar respostas para os problemas resultantes da derrota da URSS e para o enfraquecimento progressivo, no plano interno, do partido.
Não bastava, como fazem os beatos, ficar a rezar dias e noites o terço e avé-marias (leia-se a fazer confissões de fé no marxismo-leninismo) para encontrar caminhos que levassem ao reforço do PCP, mantendo no horizonte o ideal socialista.
Esse desafio significava a coragem de abrir discussões, práticas e estilos que à partida podiam ser o caminho, mas podiam levar ao fracasso.
A alternativa era manter tudo como estava; substituir os inimigos do socialismo pelos inimigos internos e nesta batalha chamar os quadros mobilizáveis para a vitória da “pureza” do PCP. No melhor estilo dos anos 40 ou de alguns aspectos da revolução cultural chinesa, Cunhal e os camaradas mais sectários uniram-se num projecto de derrota dos renovadores e venceram. Para os apresentadores, esta vitória pode (sublinharam o pode) ter correspondido à sobrevivência do PCP.
Porém, impõe-se esta pergunta: o que trouxe esta vitória? Internamente, a maior debandada de quadros experimentados do partido, com uma experiência extraordinária à frente de organizações. Muitos deles foram os quadros da transição do PCP de 1974 para os novos dias da revolução de Abril. Para o exterior, uma reanimação das hostes mais confundidas tanto com os acontecimentos mundiais, como com os internos.
Em todas as organizações, classes e estruturas, há elementos mais e menos lúcidos. Jerónimo de Sousa e a nova direcção conseguiram mobilizar estes sectores do partido que não compreendiam o Novo Impulso ou que encontravam dificuldades de dar o seu contributo na nova situação e que precisavam de exorcizar a orientação que vinha ganhando corpo desde o Congresso do Porto de 1986.
Esta reactivação, porém, não trouxe nada de novo em termos de afirmação teórica e prática do PCP. O PCP passou a ser o que o Jerónimo discursa, que, em geral, é a repetição, sem dúvida corajosa, do afrontamento da política desastrosa do PS, PSD e CDS, mas, do ponto de vista de alternativa, não traz um único elemento novo, nem propostas para sair da crise.
Esta reactivação interna não impediu a ultrapassagem do PCP pelo BE, coisa inimaginável há poucos anos; a perda de influência no poder autárquico e uma crescente tensão no movimento sindical.
É assim que está o PCP hoje: a proclamar que está melhor que nunca e a realidade é o que se vê.
Não é fácil ser comunista hoje. Mas talvez nunca o tenha sido, mesmo quando o caminho parecia ser o do céu. Daí que tenha as mais sérias reservas sobre o oitavo fôlego.
O oitavo fôlego pode vir a ser o último deste partido. É que a direcção de um partido que se diz satisfeita com este fechamento e com esta debandada de tantos comunistas, se calhar mantém a respiração, mas não o fôlego.

24 thoughts on “O Spectrum à escuta

  1. “O oitavo fôlego pode vir a ser o último deste partido.” Decretar a morte do PCP? Isto sim é inovação!
    Vamos lá então olhar para o PCI (ups, já não existe), para o PCF e para o PCE, e vamos comparar a sua força e ligação às massas com o PCP e o KKE da Grécia. Mas ainda há eurocomunistas?
    Sempre que ouço certos renovadores dizerem “o PCP não tem propostas de alternativa para o país”, dá vontade de dizer: e os renovadores? que propostas têm? Apoiar o candidato do governo, Manuel Alegre? Integração no Bloco de Esquerda? Coligação com o PS? Seguir o modelo do PCI?
    E o mais genial é quando destacam uma suposta redução do PCP na implementação nas massas, ou no movimento sindical: isto vindo de um grupo que tem tanta implementação popular (e dentro do PCP) como as questões da geologia dos montes urais.
    Ah e apesar da CDU ter aumentado em votos e em deputados na AR, a situação está muito má, muito má…
    Não se apercebem que a única ideologia acabada, que nunca deu frutos, que sempre fracassou, que acabou com os maiores partidos comunistas do ocidente é o eurocomunismo e variantes.
    Quanto ao futuro do PCP… a ver vamos, como diz o cego. Estes obituários não são nada mau sinal.

  2. Os comunas traidores á nação, merda são e merda serão! vão para africa seus escumalhas.
    EVROPA BRANCA
    PORTUGAL AOS PORTUGUESES

  3. Ocorre-me perguntar: Qual é a produção de ideias e propostas “da maior debandada de ´quadros experimentados` do partido, com ´experiência extraordinária` à frente do organização”, para a alteração do actual quadro político e para a saída crise?
    Qual é ou são “o(s)elemento(s)novo(s)e propostas para saír da crise dos ´quadros experimentados`e com ´experiência extraordinária`?
    Com tantos predicados, qual a razão de tamanho fracasso?
    Dizia Manuel da Fonseca:”Só se atiram pedras às árvores que dão fruto”
    Carlos Vale

  4. Sim.Sim.Basta ver os exemplos das espectaculares ideias e propostas que muitos desses “quadros experimentados” e “experiência extraordinária”, levaram para os partidos aonde acabaram por ingressar e que aplicaram as políticas de direita que nos levaram ao estado a que isto chegou!
    Grandes Ideias. Grandes Propostas.
    Basta olhar para o percurso. Na AR. Nos governos.
    Nas Câmaras. Nas empresas. Nos tachos e panelas. Bem prega Frei Tomáz…
    Sentinela da Noite

  5. “Marcha do PNR dia 10 de Junho entre Largo do Rato e e Largo de Camões.”
    Já não basta existirem quanto mais deixarmos que marchem à vontade pelas ruas.
    !!!Concentração antifascista no 10 de Junho ás 16h no Príncipe Real – Lisboa!!!

  6. Achei piada ao facto de não ter mencionado o que aconteceu aos Partidos por essa europa fora nos quais os “renovadores” tomaram conta da direcção e sucumbiram a essas vagas social-democratizantes de eurocomunismo.
    Por outro lado partidos como o PCP ou o KKE que nunca renegaram ao marxismo-leninismo ainda têm a força quer politica quer social que se vê.

  7. Anon: mas é precisamente isso que dizes que Domingos Lopes discute no seu artigo.
    Manuel Alegre sustentou a tua tese no lançamento do livro do Brito. E Domingos Lopes diz: Até pode ser verdade mas o que ganhou o PCP com isso? “se calhar mantém a respiração, mas não o fôlego” diz.
    Carlos Brito, respondeu uma coisa parecida a Alegre: O 8º fôlego não foi de Cunhal, mas sim dos novos dirigentes do Partido – Luis Sá, Carvalhas, Edgar Correia, Octávio Teixeira, Vitor Dias… – que através do novo impulso procuraram novas respostas e dar a volta aos desafios. Cunhal e os vencedores do 16º congresso tiveram a vitória mas não tiveram o fôlego comparável com os outros 7 de cunhal, que Brito descreve no livro como 7 grandes momentos em que o PCP sobe dar a volta, adaptar-se à realidade concreta e vencer as dificuldades.

  8. É engraçado o raciocínio de que foram os «renovadores» por essa europa fora que tomaram conta dos partidos comunistas. Diria eu que cada uma dessas situações teve a sua história e não explica coisa alguma sobre o que se passou no interior do PCP.
    Respondendo a Carlos Vale: alguns desses quadros morreram e outros também já não eram propriamente novos, como era o caso de Carlos Brito. As suas opções podem ser discutíveis, mas também não explicam o que se passou no interior do PCP. Certo é que nenhum foi para o PS, ao contrário do que aconteceu com certos e determinados dirigentes da JCP que perderam muito tempo a fazer profecias nesse sentido. E tenho para mim que a maioria vota CDU.

  9. Muito bem, Rick
    Aliás, meter no mesmo saco o processo do PCF, do PCI e do PCE é absolutamente contraditório com um certo espírito pretensamente cientifico do marxismo-leninismo… Dá ideia que os camaradas não largaram o jargão, mas abandonaram o marxismo-leninismo e deixaram-no bem mais distante do que o fez Carlos Brito.
    Quanto aos quadros, idem, idem.
    Ao menos olhem para a Comissão Politica saída do XV congresso e arranjem uma explicação pseudo-política para a esmagadora maioria daquela malta ter saído… o negacionismo é coisa de testemunha de jeová, não de Marxista-Leninista.

  10. os processos dos partidos que referiste não são iguais, mas têm em comum uma linha ideológica de abandono do marxismo-leninismo (não só o “jargão”, mas mesmo a ideologia e a prática) e a ligação ao Partido da Esquerda Europeia, com as suas posições federalistas e social-democratas. Independentemente das diferenças entre os três, há uma consequência comum: uma mudança que era apresentada como a “única salvação” do movimento comunista, a única forma dos partidos comunistas continuarem a existir e a influenciar a sociedade, acabou por revelar-se um grande flop, o que tem consequências muito graves na vida desses povos. A Itália é o exemplo paradigmático: um partido que chegou a ser o mais votado, sem dúvida o mais influente da europa ocidental, acabou. Fracturou-se. Hoje, a Refundação Comunista e o Pdci não têm nem um deputado na Câmara dos Deputados.
    Negacionismo têm aqueles que, apesar do que foi o eurocomunismo e comparando a realidade dos partidos que a ele aderiram com os que não o fizeram, continuam a declarar que esse caminho é o desejável e o “único que pode salvar o PCP”.
    Cegos. Dogmáticos. Sectários. Arrogantes.

  11. Está muito bem, ó teóricos, mas esses renovadores desapareceram por essa europa fora e o PCP mantém a sua influência na sociedade portuguesa e continua a ser um partido operário e popular…
    E digo eu isto que acho que este PC é reformista e que sempre militei à sua esquerda.
    Manuel Monteiro

  12. Eu acho que não mantém a sua influência, mas antes a viu decrescer consideravelmente.
    Chamo a atenção para o facto de até 2002 a economia ter estado sempre a crescer, com algumas desacelerações mas sem recessões. Isto para dizer que a recuperação de votos e de activismo nos últimos anos se limitou a reparar algumas das perdas do início da década, num contexto de forte crise social, desemprego, etc… Ou seja, o exercício comparativo tem que ter em conta a situação no seu conjunto. O carisma de Jerónimo (que bate Carvalhas em toda a linha no que diz respeito à combatividade e à empatia) também ajudou a recuperar algumas posições.
    Mas ninguém aqui vai enfiar essa carapuça do eurocomunismo. Até porque o que de alguma maneira serviu de referência comum aos críticos internos – rapidamente apelidados de «renovadores» – foi a democracia interna e não a orientação do partido. A esse respeito havia inúmeras nuances, desde as que resultavam da reflexão própria de alguns dirigentes de topo até às experiências específicas de determinados sectores – os estudantes do ensino superior de Lisboa, os médicos, os bancários, alguns autarcas, pessoal disperso pelo país, etc…
    Tenho para mim que um reforço da democracia no interior do Partido teria reforçado a luta no seu conjunto e contribuído para uma evolução à esquerda das suas posições políticas. Acho que dificilmente o PCP seria ultrapassado pelo Bloco no que quer que fosse. Nem mesmo nas eleições para a AE da FCSH…
    Poderia ter acontecido ao contrário, mas a equação «+democracia interna=+reformismo» nunca me pareceu convincente. Pelo contrário, ela é cega, dogmática, sectária e arrogante.

  13. Não é verdade que os renovadores tivessem como objectivo apenas “mais democracia interna”. Havia claramente uma opção de ir pelo caminho da capitulação ideológica. E não era de certeza para uma “evolução à esquerda”…
    Acho sempre graça quando se demonstra através de expressões meio refundidas o ódio anti-PCP: “rapidamente apelidados de «renovadores»”… pelo que sei, esse grupo de pessoas auto-intitula-se Renovação Comunista (www.comunistas.info)… mas dá sempre jeito tentar descurtinar uma qualquer difamação staliniana, não é? Fica tão bem!
    Quanto à democracia interna, só uma questão: não foi aprovada por maioria dos delegados a Resolução Política e o Comité Central dos últimos congressos do PCP?
    A verdade é que quem é comunista, quer continuar a sê-lo e quer continuar a ter um partido marxista-leninista, com centralismo democrático. Um partido que se compromete com os trabalhadores e não converge com a direita, nomeadamente, por não apoiar o candidato presidencial que fez campanha pelo governo de direita. Faz falta um partido assim? Vai fazendo…

  14. “Havia claramente uma opção de ir pelo caminho da capitulação ideológica.”?
    Dá lá exemplos dessa capitulação Duarte.
    Não há nenhum ódio refundido. A denominação foi inicialmente inventada pela comunicação social e acabou por ser adoptada pelo efeito de reconhecimento público que gerava. A mim nunca me entusiasmou grande coisa. Mas é verdade que quando se acha que se sabe o que «objectivamente» a outra pessoa está a dizer, é sempre fácil encontrar um sub-texto onde só há um texto.
    É falso que o PCP não tenha convergido com a Direita desde que nós de lá saímos. Pelo menos em Sintra e no Porto essa convergência ocorreu e não me constou que o marxismo-leninismo a tenha impedido. Convém não confundir as paredes de vidro com os telhados de vidro.

  15. Mas é preciso dizer mais? Integração no partido da Esquerda Europeia, um partido federalista, que considera que a UE é reformável (apesar do seu processo de construção ter sido completamente à revelia dos povos, e dos seus tratados serem um bloqueio anti-democrático aos países. dizer que a UE é reformável está mais ou menos ao mesmo nível dos que defendiam a possibilidade da “transição democrática” no fascismo marcellista…). Depois, o abandono do marxismo-leninismo, que não é um “jargão”: é uma forma de analisar a sociedade e de funcionamento do partido cujo abandono teórico tem consequências na prática comunista. Ou, melhor ainda, quando se afirmava que o ponto de referência da resistência anti-globalização (na altura não haviam assim tantos “anticapitalistas” de nome) deveria ser o Forum social Mundial. Ou quando se propunha a possibilidade de apresentar listas de comités centrais, para dividir o partido, criar campanhas internas de disputa que contrariam a postura com que os comunistas encaram a militância. Os verdadeiros, digo. Enfim… muito mais há por onde pegar.
    Agora uma coisa: para além do debate se estas são ou não medidas correctas (debate que já estamos a ter), penso que é inegável que a facção renovadora pretendia um caminho ideológico semelhante aos eurocomunistas do PCI, por exemplo. E que, independentemente desse debate ideológico, as consequências para o PCP não haveriam de ser diferentes das que foram observadas nos partidos que adoptaram essa via.
    Os comunistas portugueses souberam, mais uma vez, ter a perspicácia de rejeitar colectivamente essas “iluminadas” ideias renovadoras. E fizeram-no onde havia que o fazer: no Congresso, aprovaram a Resolução Política e o Comité Central. Podiam não o ter feito, mas fizeram. Foi uma boa decisão.

  16. “Os comunistas portugueses souberam, mais uma vez, ter a perspicácia de rejeitar colectivamente essas “iluminadas” ideias renovadoras. E fizeram-no onde havia que o fazer: no Congresso, aprovaram a Resolução Política e o Comité Central. Podiam não o ter feito, mas fizeram. Foi uma boa decisão.”
    um pequeno comentário, sem entrar nas questões de fundo, e sem sequer me pronunciar sobre o que têm andado dizer por aqui:
    Duarte, consegues explicar-me como é que se rejeita uma coisa que não se pode escolher? Respondida esta questão verás que o teu raciocínio não faz sentido.

  17. -Votos contra:
    [levantar braço]
    -Abstenções:
    [não levantar braço]
    -Votos a favor:
    [não levantar braço]

  18. Duarte, leste a minha pergunta de uma forma literal quando era fácil perceber o que eu quis dizer.
    E o que eu quis dizer foi isto: as práticas de preparação e funcionamento dos congressos do PCP implicam que nunca há alternativas.
    Daí segue-se que é uma impossibilidade lógica e prática a tua frase, que citei acima. Essa frase, mais vírgula menos vírgula, é um chavão que alguns militantes do PCP us(ar)am para se atribuírem legitimidade e razão face ao inimigo interno. E como recurso discursivo de criação do próprio inimigo interno também.
    O que se percebe sem grande dificuldade (a não ser que não se queira perceber) é que não houve um único momento nem um único documento que apresentasse essas tais “iluminadas ideias renovadoras”. Porque na verdade, essas ideias, enquanto conjunto agregado de propostas, com autores identificados e objectivos definidos, nunca existiram.
    Existiram na forma que tu lhes dás nessa frase, como recurso discursivo de combate ao inimigo interno. Existiram e existem como mentira autojustificativa, portanto.
    Fui ver o link e não vejo que tenha alguma coisa a acrescentar ao que te perguntei.
    Como estás cheio da tua razão, não voltarei ao tema.

  19. Quantos votos chumbaram a resolução política que enveredava pela «capitulação ideológica»?
    Dizer que os votos a favor da resolução política

  20. “estás cheio da tua razão”. Isto é um debate, cada um coloca as suas ideias, e se não achasse que tinha razão, concordava com vocês e calava-me…
    Acho que já respondi à pergunta do Rick: se os delegados ao Congresso tivessem votado contra a Resolução Política (que já é fruto de uma construção colectiva. é.) algo tinha que se mudar para ser aprovada. Ora, a votação foi esmagadora, quase unânime. Justifica-se a apresentação de “listas” e a desfragmentação em facções? Para quê, para que desse modo, o PCP se desfizesse em cacos, como aconteceu no PCI e outros?
    A verdade é que, de facto, os delegados PODIAM ter votado contra. Aliás, um pequeno grupo FÊ-LO! Claro que isto não chega: tínhamos era que fracturar o Partido, apresentar listas de CC, fazer “eleições directas” para o Secretário Geral (como houve gente a propor, na comunicação social… ideia peregrina), etc… e que contente que a direita ficaria…
    O link que enviei não responde à tua pergunta, daí tê-lo posto noutro comentário, mas é uma boa contribuição para o debate: já ninguém acredita que a capitulação ideológica é a única salvação dos PC’s, nem os que a viveram, porque os factos mostram-no. Perante a realidade dos partidos que seguiram o eurocomunismo (e semelhantes) e os que não o fizeram, essa é uma posição dogmática e pouco atenta à realidade. Uma posição “testemunha de jeová” como dizia o Saboteur.
    Sem um partido comunista unido, como pode esse partido apelar à união dos trabalhadores? Talvez aqui esteja a causa do que aconteceu em muitos partidos da Europa.

  21. Sim, de facto, se as pessoas pudessem discutir em torno de ideias livremente apresentadas por outros militantes e o debate tivesse mais do que um ponto de vista em cima da mesa, o partido desunir-se-ia imediatamente. É desconcertante a falta de confiança que os «marxistas-leninistas» têm nos militantes do seu próprio partido. O argumento final é sempre o de que mais democracia compromete a unidade do partido. Eu penso exactamente o contrário. Quem encerra ou limita o debate está a preparar as condições para uma desagregação muito mais séria e mais grave.

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