Vamos? Então não vamos…

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O Bloco de Esquerda nunca conseguiu o seu objectivo-fetiche de se tornar num partido com a mínima ligação aos trabalhadores e suas lutas. A disputa idiota que mantém com o PCP em torno do poder dentro da CGTP será sempre uma partida perdida.
O BE nunca se conseguiu descolar da imagem de um partido que, essencialmente, passa a sua mensagem colorida através da televisão. Ao fim de todos estes anos, e de até ter passado o PCP nas últimas legislativas, a sua influência junto da principal central sindical nunca deixou de ser residual, tendo apenas uns poucos simpatizantes nas esferas mais influentes, como o Ulisses Garrido ou o António Avelãs.
Mas, pelos vistos, a estratégia anda a mudar: já que junto de quem trabalha, sindicalizado ou não, o bloco não consegue mexer uma palha, anda a criar ou tentar infiltrar-se em múltiplas plataformas, normalmente caracterizadas pela sua despolitização e pela sua reduzida média etária. O VAMOS! é o mais recente embuste, mas Vamos com calma.
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“Será que a Ilga também dá para ocupar, ou o PS não vai dar hipótese?”, segreda Jorge Costa ao chefe
1º ATTAC O tubo de ensaio desta estratégia foi esta associação – talvez tenha sido o SOS Racismo mas não conheço tão bem a história. Nascida de um esforço de pessoas ligadas ao PCP, a ATTAC serviu depois como albergue espanhol para os órfãos da política. Com tempo e com a guerra do Iraque a coisa foi-se tornando bem séria e com uma capacidade de mobilização relativamente impressionante. Foi, pouco depois disto, que, de um momento para o outro, o BE desatou a funcionalizar membros da direcção da ATTAC. Um dos seus mais destacados dirigentes foi para funcionário do BE com a tarefa dos Movimentos Sociais (??!!!!??), um outro, que se tinha destacado na criação da ATTAC Verde (ecologista), foi convidado para assessoriar os deputados do BE para as questões ambientais, e ainda uma moça que se destacava pelo seu voluntarismo e rigor (diga-se) na gestão da tesouraria, mesmo sem ser militante, foi “cooptada” para funcionária administrativa do BE.
Resultado: A ATTAC ia acabando. Como é natural o pessoal fora da esfera do BE passou-se, houve dezenas de horas de reuniões, gritos, etc.. em torno da bloquisação da ATTAC e tiveram de se passar uns anitos até a coisa estar novamente a andar.
2º MAYDAY Aqui a coisa sempre foi feita com muito menos vergonha na cara. Para começar, até há dois anos, creio, o chefinho da coisa, era, nem mais nem menos, que o Jorge Costa (para quem não sabe o Jorge Coelho do BE desde há muitos anos). Apesar deste figurão se ter posto a andar, este ano a coisa atingiu níveis da mais completa insanidade. Basta dizer que a grande maioria dos “activistas” da coisa ou eram funcionários ou dirigentes do BE. As reuniões hiper-preparadas, as mundividências iguais, as disponibilidades para fazer acções às duas da tarde a que só os funcionários do Bloco podiam ir foram apenas algumas das parvoíces que culminaram com a saída de muita gente após reuniões deprimentes.
Depois desta experiência motivadora, os jotinhas do BE lá decidiram inventar mais duas organizações de precários -os Precários Inflexíveis e o FERVE (fartos destes recibos verdes), que, no fundo, têm exactamente os mesmos protagonistas sonsos do MayDay, uma boa parte deles a usar o seu tempo como funcionário do partido para dinamizar e organizar os grupelhos.
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uma acção dos Precários na Grécia
O que é mais incrível é que esta gente não se cansa de usar sempre a mesma táctica absurda, como se ainda conseguissem enganar alguém (infelizmente ainda há uns quantos que caem na esparrela) e continuam e continuam…. Há pouco tempo começaram a tentar invadir a PAGAN (Anti-Nato) e agora criaram mais um fantoche com praticamente as mesmas pessoas, o Vamos!, que servirá, desta vez, para juntar “sensibilidades diferentes” (por amor da santa!!!!) no combate à crise.
O pior é que estou mesmo convencido que, tirando um ou outro imbecil mais premeditado na merda que faz (como o Ricardo Moreira, por exemplo) a maior parte desse pessoal acha mesmo que está a fazer trabalho sério para o “Movimento”.
“Mas se não fossem eles não se fazia nada disto”, este é o argumento obreirista que mais ouço para defender esta forma de fazer política, ao que, invariavelmente, respondo, é exactamente por eles lá estarem que uma série de gente não põe lá os pés.
Vamos? Vamos, mas vamos é acabar com esta política espectáculo do partido vazio, onde a conferência de imprensa se substitui à greve, e em que os funcionários dos partidos se substituem aos trabalhadores nas suas acções e consciencializações. Cada vez isto é mais claro para mim: enquanto não se puxar o autoclismo por inteiro, a merda que há tantos anos anda a boiar no suposto movimento social irá sempre impedir o nascimento de movimentos mais amplos de outro tipo que tenham realmente a vontade de tomar as suas vidas nas suas mãos!

135 thoughts on “Vamos? Então não vamos…

  1. A minha biografia é muito debatida em certos meandros da esquerdalhada, mas os camaradas nunca chegam a uma conclusão definitiva… ;)

  2. O paradise faz um post a malhar no bloco, mas vêm depois gajos do PCP e a dizer que estão a atacar o seu partido. Precisamente, a prova da fraqueza do PC é já ninguém perder tempo sequer com grandes críticas

  3. Dizem mal da maltinha do spectrum mas posta sim, posta não ficam a espumar de raiva! ahahahahah tocam sempre onde mais lhes doi, não é?

  4. 1. No post, é tudo verdade. Como já dei para esse peditório, uma das principais razões para não me envolver com maior profundidade nos “movimentos sociais” é porque não estou para aturar instrumentalizações. Não se trata de achar que a malta do bloco não deve fazer parte dos movimentos, trata-se de não suportar o reconhecimento de uma táctica: o BE olha os movimentos sociais como espaços de crescimento da expressão do partido, tentando moldá-los naquilo que o BE previamente “viu” que deveria acontecer com eles, podendo abanar a bandeira das “forças vivas da sociedade”, mas com outra nomenclatura, uma vez que são incapazes de vencer o PCP no campo sindical.
    2. O Paradise não pense, no entanto, que as coisas são formidáveis nos movimentos de novo tipo que querem “tomar as suas vidas nas suas mãos”. Só para lembrar uma certa e determinada concentração na Manif de Maio em que nem me vou alongar, mas enfim, senti o mesmo abuso de representatividade. A diferença é que não é para crescer a influência social de um partido, é só para satisfazer o sectarismo de atrasados mentais. Se tivesse mesmo, mesmo, de escolher, ou seja, se alguém me ameaçasse com uma arma branca para eu ter de preferir uma das coisas, eu preferia que o objectivo do abuso de representatividade (razão da instrumentalização, a par do recrutamento) fosse fazer crescer a influência de uma partido.
    3. Os machos alfa num processo de negação da sua identidade construída desde tenra idade (e, coitados, mais forte que eles) afinal dizem que criticam é a assinatura com referência a licenciatura ridícula (ana – é mesmo ridículo!) mas a piada é entre machos alfa, sobre a GAJA com a assinatura ridícula.
    4. Divirto-me sempre com a conversa do anonimato seguido sobre informações sobre as bolsas que temos, onde trabalhamos e até sobre os nossos perímetros abdominais. Obrigada, anónimos!

  5. 1. No post, é tudo verdade. Como já dei para esse peditório, uma das principais razões para não me envolver com maior profundidade nos “movimentos sociais” é porque não estou para aturar instrumentalizações. Não se trata de achar que a malta do bloco não deve fazer parte dos movimentos, trata-se de não suportar o reconhecimento de uma táctica: o BE olha os movimentos sociais como espaços de crescimento da expressão do partido, tentando moldá-los naquilo que o BE previamente “viu” que deveria acontecer com eles, podendo abanar a bandeira das “forças vivas da sociedade”, mas com outra nomenclatura, uma vez que são incapazes de vencer o PCP no campo sindical.
    2. O Paradise não pense, no entanto, que as coisas são formidáveis nos movimentos de novo tipo que querem “tomar as suas vidas nas suas mãos”. Só para lembrar uma certa e determinada concentração na Manif de Maio em que nem me vou alongar, mas enfim, senti o mesmo abuso de representatividade. A diferença é que não é para crescer a influência social de um partido, é só para satisfazer o sectarismo de atrasados mentais. Se tivesse mesmo, mesmo, de escolher, ou seja, se alguém me ameaçasse com uma arma branca para eu ter de preferir uma das coisas, eu preferia que o objectivo do abuso de representatividade (razão da instrumentalização, a par do recrutamento) fosse fazer crescer a influência de uma partido.
    3. Os machos alfa num processo de negação da sua identidade construída desde tenra idade (e, coitados, mais forte que eles) afinal dizem que criticam é a assinatura com referência a licenciatura ridícula (ana – é mesmo ridículo!) mas a piada é entre machos alfa, sobre a GAJA com a assinatura ridícula.
    4. Divirto-me sempre com a conversa do anonimato seguido sobre informações sobre as bolsas que temos, onde trabalhamos e até sobre os nossos perímetros abdominais. Obrigada, anónimos!

  6. joystick:
    o teu comentário sobre “uma certa manifestação do tipo daquelas que querem ‘tomar as suas vidas nas próprias mãos'” parece uma piada de machos alfa. o teu nome e tu própria – no meio deste campo de jogos viris – és uma piada de machos alfa.

  7. Concordo com a Joystick de que é uma piada sobre a GAJA, ou seja, que responde às suas questões não respondendo a elas, mas sim presumindo que com dois copos de vinho num restaurante cromo lhe passavam as manias. Algo obviamente marialva.
    Tão marialva que a sua proposta é obviamente irónica e só se comprende em forma de insulto. Cabe então pensar: se há um condicionamento cultural masculino construido desde tenra idade que aponta para esse marialvismo e para a manutenção do patriarcado não haverá um mesmo condicionamento cultural feminino apontado para as mesmas questões? E não deverá então esse comportamento ser posto em causa, gozado, etc?
    ou seja porque é o comportamento cultural masculino pode ser gozado e abordado enquanto tal e o feminino não?
    Porque é que houve uma resposta de macho alfa à Ana e não à Helena Romão?

  8. Nuno a minha memória deve mesmo ser muuuuuuito selectiva: Rita Cruz, Zé Neves, Sofia Andringa, Isabel do Carmo podem fazer o desempate???
    Sobre seres o funcionário do bloco para os mnovimentos socias mas apenas nos fóruns é uma mudança que acho irrelevante para a incompatibilidade que tinha com as tuas tarefas de direcção da attac
    sobre ir ou não a muitas reuniões, sendo que bazaste a meio do mandato e tal, bom, nada a dizer

  9. 14 NN 88 = ajuntamentos de esterco amantes de pilas pintadas de branco.
    Portugal aos que derem mais!!

  10. PP, houve uma resposta dessas à Ana e não à Romão porque aquela meteu-se a jeito. A questão é muitas vezes essa: há 0 m2 para uma gaja se meter a jeito. Quanto à ironia de que falas, tenho dúvidas. Um bocado como o facto de afroamericanos se tratarem por “niggers” mas haver óbvias reticências em relação à generalização da utilização…

  11. A malta do spectrum mete é cada vez mais nojo! Cambada de inúteis que têm a mania que sabem tudo e que gostam de mandar cenas para o ar para tentar criar desmobilização!
    Critiquem dps de se meterem nas coisas e não falem por falar…descredibiliza-vos e torna-vos, neste caso sim, uns absolutos “imbecis”!

  12. Atenção que no entanto os únicos afro americanos que tratam por niggas são os rappers e em geral a juventude dos projects (e as suas representações televisivas). Não é de maneira nenhuma algo generalizado entre a população negra nem o seu uso por negros privo de polémicas entre as comunidades afro americanas.

  13. Grande post.. super exclarecedor.. já era altura alguém malhar nesses imbecis (citados e não citados)q andam por aí em bicos de pés com a mania de que estão a impulsionar os movimentos sociais, enquanto limpam o cú ao Louça.

  14. Rui,
    Queres quantos para desempatar ou bastam-te as datas? É que eu sai da direcção da ATTAC antes de ser funcionário do Bloco. Fui,portanto, eu que coloquei a questão. Como se prova pela lista de emails da direcção.
    Acho que confundes coisas. Ouve uma discussão posteriormente, mas que tinha que ver apenas com a minha participação como activista na ATTAC Lisboa.

  15. Tens toda a razão, estava a confundir com a tua participação (dinamização na verdade) na attac lisboa… Aqui ficam as desculpas da incorrecção.
    Como entendo, as imcompatibilidades de cargos partidários com o envolvimento nos movimentos socias, depende como lá se está e onde.se fosse na direcção seria bem pior…
    a questão, se bem me lembro, tinha então a ver com seres um dos principais activistas e estares a dinamizar a attac lisboa, até aí moribunda,l quando simultaneamente estavas no bloco com tarefas ligadas ao movimento social.
    O que me parece relevante destacar, mais do que a tua conduta, foi o jogo feito nesse periodo pelo BE para sacar pessoal da attac.

  16. Pois é Rui Duarte. Nós gostamos é de ler assim com as letrinhas todas: “imcompatibilidades de cargos partidários com o envolvimento nos movimentos socias”.
    Isto parte de um princípio de desconfiança e de corrupção em todos os que pretendem fazer actividade política e de movimento social, como é óbvio, por interesses que julgas contraditórios de base.
    Lamento dizer-te, mas esse teu julgamente é exactamente igual ao da esmagadora maioria das pessoas que diz que os políticos e dos partidos são todos iguais e que são todos corruptos.
    As generalizações são perigosas, são fáceis, e remetem as pessoas para o conforto de quem está sempre a correr por fora sabendo que nunca disputa nada na realidade em que se encontra.
    Por isso, bem vês, não parece nem revolucionário, nem de vanguarda, e muito menos posição esclarecida ou informada. É a posição de senso comum, com uma capa de super-herói, ou neste caso, de jogo de computador.
    É lixado dizer as palavrinhas todas não é?

  17. sobre as incompatibilidades digo:”depende como lá se está e onde”. parece que não leste as palavrinhas todas. lixado não é?

  18. então não disseste nada não é? falaste das incompatibilidades mas depende, depende de quê? não é? podias explicar. com as palavrinhas todas, pf.
    depende do quê? e quando é que achas que há incompatibilidades? para ver se percorremos caminho.

  19. quando se anda em assembleias de precários e se é funcionário de um partido, por exemplo;
    quando se é da comissão política do be e ao mesmo tempo o activista mais destacado de um movimento “unitário”;
    no fundo, quando se está a mentir…
    aliás, repara que tenho estado sempre a falar sobre o caso do Nuno, caso esse em que o próprio viu as óbvias incompatibilidades entre ser da direcção e funcionário político do BE e se demitiu.
    Sobre ser apenas militante? ainda hoje estou em projectos com militantes do be, quer acredites, quer não.

  20. Caro Paradise Cafe, já se percebeu que domina bem a lista de pessoas e caras de várias iniciativas públicas, já agora, abertas. Deixe-me só informá-lo (porque infelizmente já demonstrou não estar) que: Ulisses Garrido – Membro da Comissão Executiva da CGTP, António Avelãs – Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) José Rodrigues, António Serzedelo – Dirigente da Associação Opus Gay, Eduardo Pinto Pereira – Activista Social, Viriato Jordão – Presidente de Associação de Pais ex-Sindicalista e Reformado, Carla Bolito – Actriz e membro da Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual, João Pacheco – Jornalista e Membro dos Precários Inflexíveis e Silva Alves – Membro da Associação Abril, NENHUM DELES É PROPRIAMENTE DESTACADO MILITANTE DO BLOCO DE ESQUERDA.
    Infelizmente para si, são a maioria dos subscritores do manifesto Vamos à luta!
    Mais infelizmente ainda para si (o que mesmo para si, já deve ser muita areia), estas pessoas, na sua maioria, não encaixam no perfil que indicou. São muitos indivíduos já acima dos 50 anos e que portanto não encaixam no perfil de jotinhas BE.
    Antes de falar, informe-se pf.
    Cumprimentos

  21. Então os funcionários de um partido não podem ser acitvistas de um movimento? E um aderente ou associado pode? Será que um funcionário é mais ou menos obediente ao partido do que um qualquer militante ou aderente? Eu conheço muitos funcionários pouco intervenientes e muitos não funcionários intervenientes em vários partidos, uns mais seguidistas, outros menos, outros mesmo nada. Explica lá, para ver se nos entendemos.
    Então ser da comissão política de um partido quer dizer que não pode intervir como activista social. Esclarecedor, Paradise Café. Nós queremos é as pessoas que berram por fora, aliás, só essas. Partes portanto do princípio que os membros das comissões políticas dos partidos (todos) são correias de transmissão. Aliás, como a malta do café do lado, o raciocínio, por muito que tentes vergar a mola, é o mesmo. Os partidos são para ti todos iguais e os seus aparelhos corrompidos, servindo de correia de transmissão.
    É lixado. Parece que tens mesmo esse senso comum do povão que faz de tudo tábua rasa e sublinha o preconceito contra tudo. É reconfortante eu sei, mas muito pouco desafiante para quem diz que quer compreender a realidade e transformá-la.

  22. Já para não falar que ter medo da intervenção de meia dúzia de funcionários de um ou outro partido, num qualquer movimento de massas como aqueles em que participam, é realmente muito medo e falta de acreditar na própria capacidade de debate e decisão do movimento.
    Compreende-se que era mais fácil estarem lá só os “bons”, ou seja, os super-herois, mas esta coisa da democracia permite que as pessoas intervenham e criem os grupos ou movimentos que lhes apetecer.
    Pena é que seja o assumir final da inoperabilidade de a incapacidade de activar força nas pessoas e juntar quem quer que seja. Senão, estariam à vontade para criar e recriar os grupos e os movimentos que apetecesse.
    Não era?
    Isto é tudo por medo e desconfiança caros super-herois?
    Não tenham medo, vão à luta, à vossa, à dos outros, aquela que quiserem.
    Mas avancem, sem medos nem desconfianças.

  23. E ao fim de mais 100 comentários alguém usa um argumento. bravo!
    Sobre a ligação que essas pessoas têm ao bloco, fica com cada um eles, sendo que adivinho alguma proximidade. É claro que a parvoíce táctica não pode ir ao ponto de pôr o triunvirato (portas, louçã e fazenda) num movimento unitário, a receita é outra, com mais condimentos, mas mais subtil…
    1. numa reunião do partido, seja num órgão específico, seja apenas uma conversa entre “militantes interessados”, decide-se a “que era bom” que houvesse um movimento deste tipo: que responda à crise, que atraia os jovens e os intelectuais, que fuja um pouco aos moldes da cgtp que possa, assim, canalisar descontentamento.
    2. pensa-se em nomes de pessoal mais ou menos próximo (os menos próximos convém que sejam mais inocentes) que dêem nas vistas.
    3. depois o partido (os funcios e algum ou outro candidato a tal) organiza a coisa, trata de divulgar, colando cartazes, espalhando na net, etc…
    4. por fim mistura-se tudo, dá-se um apoio técnico e já está! Nem precisa de ir ao forno!

  24. Rui,
    A questão é interessante. A ATTAC Lisboa funcionava em reuniões abertas e publicas e sem direcção eleita: em cada reunião as pessoas distribuiam as tarefas entre si.
    O que alguns elementos da direcção da ATTAC queriam e conseguiram foi impedir-me de militar na ATTAC como militante de base. Neste caso, não creio que a questão fosse partidária mas de poder. Essas direcções da ATTAC não fizeram nada. Limitaram-se a assinar abaixo-assinados, a maior parte deles oriundos do BE. A questão é que não estavam particularmente interessadas numa lógica de participação aberta dos activistas. Não são só os partidos que lixam os movimentos sociais, são sobretudo as lógicas de controle e de monopólio da direcção da actividade por parte dos “dirigentes” que minam as organizações e a possibilidade dos activistas participarem em pé de igualdade nas actividades.
    Tanto que é assim, no caso da ATTAC, que neste momento a organização, para a qual eu continuo a pagar 10 euros por mês, vai alugar uma sala numa sede onde funcionava o Esquerda do BE, mas isso já não ameaça a independência. Irónico não é?

  25. Esquecendo as acusações ao BE (afinal entre partidos e movimentos sociais haverá sempre – e de parte a parte – instrumentalizações e sinergias, umas mais positivas outras mais negativas) o que a mim me choca neste poste é a sugestão que os movimentos e associações mencionados são apolíticos (como se a política fosse patromónio exclusivo dos partidos, como se falar de igualdade, direitos humanos e ecologia não fosse político) e povoados apenas por jovens ‘não-trabalhadores’. Não-trabalhadores? O Mayday reúne trabalhadores que reivindicam direitos sociais e laborais específicos, contra a precariedade que infelizmente, abrange uma proporção cada vez maior da população. Os trabalhadores precários são frequentemente deixados de fora e ignorados pelos sindicatos e outras instâncias afins. Que se reúnam pelo direito ao trabalho e pela justiça social é, inquivocamente, um acto político de um grupo de trabalhadores.

  26. Peguem nisto e comparem com a lista de candidatos do distrito do Porto do BE nas última legislativas e autárquicas! Para os mais pequeninos vejam a Conferência de Jovens…
    Ada Pereira da Silva – Membro da Plateia
    António Capelo – Actor
    Bruno Maia – Membro da Ex-Comissão de Trabalhadores da Qimonda
    Cândida Viana Ribeiro – Chefe de equipa do Instituto de Segurança Social
    Cristina Andrade – Membro do Movimento FERVE
    Eliana Tavares – Membro da Associação de Estudantes do ICBAS
    Francisco José – Membro da Comissão de Trabalhadores da UNICER
    Henrique Borges – Dirigente do Sindicato dos Professores do Norte
    Irina Castro – Activista Anti-Guerra, Anti-NATO
    José António Moreno – Presidente da direcção do Porto do Sindicato dos Trabalhadores de Impostos
    João Paulo Silva – Dirigente do Sindicato dos Professores do Norte.
    Jorge Magalhães – Dirigente do CESP- Sindicatos dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal.
    Luís Monteiro – Presidente da Associação de Estudantes da Escola Artística Soares dos Reis
    Mário Moutinho – Actor
    Miguel Vital – Técnico Administração Tributária, Ex-Coordenador do Sindicato da Função pública do Norte.
    Nuno Carneiro – Investigador, Psicólogo, Activista LGBT
    Paulo Ricardo – Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Trabalhadores das Industrias de Celulose, Papel, Gráfica e Imprensa
    Ricardo Salabert – Membro do Movimento FERVE

  27. inês,
    creio que isso é o que menos digo no post, do que falo é da minha preocupação com a partidarização. quando digo despolitizados, e não apolíticos, falo de estarem mais preocupados com o mediatismo e com os números, do que com a transformação real das coisas.
    sobre os trabalhadores e o mayday é fácil: eu era trabalhador quando lá estive e uns outros também, a diferença é que o chefe deste era o louçã… se são precários que mudem de chefe no próximo congresso.
    sobre essa dos jovens não-trabalhadores não sei a que te referes…

  28. Ui, com este historial de destruição de movimentos e recrutamento de funcionário, pode ser que o apoio do BE ao Manel Alegre destrua o PS. Com um pouco de sorte, ainda consegue contratar o Manel Alegre para funcionário da sede, o que lhe valerá ser na próximas presidenciais 2015 o candidato natural do BE (Tipo Xico Lopes pó PCP em 2011).

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