Já lhe estão a tirar o tapete

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Filosoficamente, sou pirronista. O pirronista é aquele que nem sequer sabe que nada sabe. Politicamente, sou anarquista. E cada anarquista é-o de vinte formas diferentes, sempre imperfeitas. O verdadeiro pirronista, porém, pergunta-se: como sei que sou pirronista? O verdadeiro anarquista, porém, afirma: ninguém é o verdadeiro anarquista.
RuiTavares.net 02 / 09 / 2010
O BE, soube o SOL, chegou a fazer um pedido para uma manifestação no Largo do Camões, também no sábado, mas acabou por retirar a intenção – alegadamente teve receio de ficar ligado a acções violentas provocadas por esses grupos radicais, que podem ter afinidades com os sectores anarquistas do BE.
SOL, 12 / 11 / 2010

23 thoughts on “Já lhe estão a tirar o tapete

  1. Não se faça confusões:
    o Rui Tavares é um anarquista fofinho, não tem nada a ver com esses selvagens.
    O seu anarquismo funda-se nas mais sensatas e cultas matrizes do pacifismo. Ele é Gandhi, ele é Tolstoi, e defende, com Daniel Oliveira, a elevadíssima e esclarecidíssima tese de que a violência é machista.

  2. O Tavares é anarquista porque usa um par de óculos e um corte de cabelo semelhantes aos que o Kropotkin usava. É por isso que ele é anarquista.

  3. Anarquista-carneiro-conciliador-de-classes?-ai-que-bom-é-o-meu-salário-em-bruxelas.li-o-banqueiro-anarquista-e-gostei

  4. olá,
    acho piada ao post (embora pareça que a notícia do Sol não se confirma), mas não acho piada nenhuma a comentários idiotas como o do anónimo que insinua que o Rui Tavares quer é ganhar o dele. E acho que deveriam censurar comentários de merda como este. Acho que é legítimo discutir os limites do anarquismo do Rui, acusá-lo de incoerência político-ideológica, o que quiserem. Não tenho nada contra uma tal discussão e acho até que há um mínimo de possibilidades de ela ser tida com elevação (mesmo se com agressividade qb). Insinuar que o Rui se move pelo salário é que é apenas e só merdoso. Embora, é claro, não deixe de mostrar como a ideologia neoliberal (que reduz todas as acções a uma motivação egoísta mensurável em dinheiro) consegue estar presente, hoje em dia, um pouco em todas as cabeças…

  5. hei,
    muito curto e conciso, digo apenas que quem acha que mais vale atacar o rui tavares pelas coisas que escreve sobre o anarquismo ou seja o que for do que denunciar este jornalismo de merda a que temos tido direito por ocasião da reunião da nato em lisboa está com as prioridades trocadas. peguei no rui para gozar com o sol, não peguei no sol para gozar com o rui. continua a ser triste e parvo ter que escrever isto. aceito como argumento que estas notícias nos deviam dar mais para chorar do que para rir, o resto é mesquinho.
    censurar comentários é outra discussão e a forma como o mundo que nos rodeia molda a nossa percepção também.

  6. De facto Zé, não temos por hábito censurar comentários e já se escreveram nestas caixas coisas bem mais mesquinhas sobre vários de nós. Acho que o Rui aguenta bem os insultos escritos em caixas de comentários e já deve estar habituado a eles. De resto, de acordo com o teu argumento, o comentário do Chuck esclarece.

  7. pensei que fosse uma relação de poder, física ou verbal, em que um dos intervenientes fosse forçado à desigualdade, logo, para ser usada com parcimónia, e a todo o custo não cultivada (militarizada, miliciada, etc….e que essa prática fosse abundante numa dada cultura, até definidora do caracter masculino por oposição ao feminino, apenas recentemente em ruptura)

  8. caro ze neves,
    sem querer defender esse post ou este blog, o teu comentario cheira a tudo o que de mais bafiento e podre ha neste mundo.
    devias tu proprio fazer um esforço de auto-censura quando te surgem impulsos que arrisquem concretizar-se em comentarios como esse.

  9. Quem quer divertir-se com uma inenarrável notícia do Sol quando pode chatear um gaijo como o Rui Tavares?

  10. caro chuckie e caro rick,
    de acordo, em parte. mas o meu problema não é o rui aguentar ou deixar de aguentar o que quer que seja. é a calúnia em si.
    pedro pinho, acho que tens que apurar o faro. quando cheirares o mundo todo, é possível que encontres coisas que te pareçam mais bafientas e podres. o meu ponto é muito simples: num blogue, num jornal, num livro, num filme, num poema, nem tudo é publicado. acho mal que se dê espaço a um comentário anónimo que calunia outra pessoa insinuando que ela é o que é e faz o que faz a mando de quem lhe paga. em muitos debates, na grande maioria deles, aliás, estou muito mais próximo do que aqui escrevem várias pessoas do que daquilo que o Rui Tavares ou o Daniel Oliveira defendem. Mas isso não me impede de reconhecer que, neste blogue, há demasiada tolerância para com o recurso à pessoalização insultuosa quando se trata do Rui e do Daniel.

  11. Bom Zé, mas como escrevi acima, nós deixamos estar coisas bem mais caluniosas a propósito de nós próprios.
    E este «dar espaço» merece ser ligeiramente desvalorizado. Um comentário anónimo só tem o valor da resposta que lhe dermos.
    Não é por isso uma questão de tolerância, mas de bom senso. Com a mesma facilidade que nós retiraríamos o comentário, ele voltaria a ser publicado. E ninguém aqui tem vida para andar a policiar caixas de comentários em busca de pessoalizações insultuosas e – o que seria ainda melhor – disposto a avaliar todas as zonas cinzentas imagináveis nesse campo.
    De resto, em termos literais, o comentário diz apenas que o salário é bom, não afirma que ele é a principal motivação do Rui. Mesmo se em termos literários todos sabemos o alcance dessa afirmação, mais vale deixá-la ali e dar aos interessados (neste caso tu) a oportunidade de lhe replicar nos mesmos termos, do que estar a elaborar regulamentos sobre a publicação que tendem, quase sempre, a revelar-se injustos ou ineficazes.

  12. Rick, sobre nós próprios, tudo bem. Sobre outros, é diferente. Onde escrevo procuro ser mais exigente em relação a calúnias face a outros do que em relação a calúnias face a mim. Quanto ao resto, é claro, percebo a dificuldade de estar sempre a policiar as caixas de comentários, mas acho que aqui, por vezes, deixam as coisas ir longe de mais. E isto se é policiar o termo que entendemos mais conveniente para falar disto. Eu não entenderia. Isto é, sabemos que pode ser ténue a fronteira entre policiar e editar, mas estar vivo (para citar a camarada cinha jardim, creio) implica correr este risco.
    abç

  13. Zé Neves,
    Eu não concordo nada com essa tua posição de censurar (ou como tu chamas eufemisticamente: “editar”) os comentários. Por diversas razões entre as quais “onde é que estabeleces o limite do que é ou não passível de ser um comentário?”, “O que é uma calúnia e o que é uma acusação?”.
    Defendendo nós, penso eu, sociedade livres parece-me um pouco incoerente censurar ideias (sejam elas correctas ou não).
    Se o que o anónimo disse é uma calúnia assim tão grande, facilmente qualquer pessoa pode desmanchá-la. A própria actuação do Rui Tavares será um contra argumento. Não vejo espaço para a censura.
    Por outro lado, no caso concreto do comentário do anónimo não vejo onde seja tão ofensivo. A minha interpretação (e não tem que ser a do autor do comentário) é simplesmente que o Rui Tavares sendo euro-deputado (a referência ao salário) toma uma postura e apresenta opiniões (apesar de dizer que só tem duas) muito mais “bem comportadas” do que aquelas que teria se não o fosse. E o mesmo para o Bloco de Esquerda. Não é possível que o facto de se ser euro-deputado ou ter assento na AR não limite o espectro de actuações possíveis? Tenho de estar conspurcado pela “ideologia neoliberal (que reduz todas as acções a uma motivação egoísta mensurável em dinheiro) consegue estar presente, hoje em dia, um pouco em todas as cabeças”? É uma calúnia o que acabei de dizer? Ou é uma ideia e portanto passível de ser discutida? Deve ser censurada ou retorquida?

  14. Eu acho que o Rui Tavares é um mamão! um oportunista! e tenho a certeza de que se não lhe pagassem o ordenado não estava lá! Nem ele, nem nenhum dos que lá estão. É uma puta interseira que tem como proxeneta o Daniel Oliveira, que também vende o cu às vezes mas por mais dinheiro.
    Digo mais, agora que é deputado é também um agente pago para a distribuição desigual da miséria e profundamente prejudicial para o humor o amor e a saúde, deverá ser erradicado ou sabotado de e em todas as suas funções profissionais e algumas pessoais. Tornou-se num assassino maricão um mandante. É seboso, embruteceu e é feio. Como é que alguém se pode dar com uma esporra escarnosa como aquela que o herberto deu ao mundo? Valem bem menos completos do que em forma de muco. São uma MERDA!

  15. gorkiana,
    eu acho que o comentário insinua que o rui tavares é um vendido. e que a tua interpretação acerca do mesmo é muito, muito, generosa. e acho que confundes duas coisas: uma é que tudo possa ser dito; outra é que tudo possa ser dito onde quer que seja. Convirás que se fizeres uma revista com uns camaradas teus e enviarem um texto que não aprovas, então não publicarás esse texto. Outra coisa é o Estado censurar. Contra essa censura, é claro, combate absoluto (embora eu tenha dúvidas quanto à ilegitimidade do Estado censurar, por exemplo, propaganda racista).

  16. Zé Neves,
    Uma revista tem limite físico, não é fisicamente possível publicar tudo. Mas avanço mais, se tiver uma revista com uns camaradas meus e houver um número considerável de textos de leitores, por exemplo, com os quais eu não concorde espero dar expressão a alguns deles, ainda que lhes dê a devida responda.
    Mas outra coisa completamente diferente (que foi o que defendeste) é de num site onde não há tal coisa como limite físico ao número de comentários, proceder-se à sua censura.
    Relativamente à propaganda racista e afins. Não sei, tenho as minhas dúvidas sobre censurar isso ou não. Como já disse: quem estabelece os limites do aceitável? Do politicamente correcto? Começamos com o racista e acabamos onde? No conceito abstracto que é o “terrorismo”?

  17. gorkiana,
    em relação à qeustão do racismo e da censura de Estado, estou como tu, tenho dúvidas.
    em relação a um blogue ou revista, não estou. eu não abro um blogue para que nele tudo possa ser dito, mas porque quero dizer alguma coisa. dizer alguma coisa implica não dizer outras coisas. o problema da liberdade de expressão, hoje, não está no facto da SIC ou do Expresso terem uma política editorial que não permite que determinadas expressões tenham aí cabimento. Está no poder económico desigual que permite à SIC e ao Expresso terem uma posição hegemónica em detrimento de outros projectos.
    a questão da falta de limite físico do blogue torna mais fácil não deixar coisas de fora, mas não resolve a questão que coloco: editar é também deixar coisas de fora. Por que razão então os bloggers que aqui escrevem têm entre eles uma determinada afinidade política e não existem bloggers de direita, de extrema-direita ou coisa semelhante?
    abç

  18. Isto da censura fez-me lembrar quando aquele professor universitário e aquele jornalista que disse que Benfica fica nos subúrbios, que escreviam um blog com o Zé Neves, me acusaram nesse blog de oportunista por ter sido assessor do JSF.

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