Força Obikwelu!


Francis Obikwelu é um Herói.
Nascido na Nigéria, veio para Portugal ainda adolescente, com 16 anos. É mais um exemplo de como, entre os imigrantes, é que se encontram, com maior probabilidade, os melhores: trabalhadores, dedicados, desenrascados, lutadores audazes…
Enquanto trabalhava na construção civil, aprendeu português e começou também a treinar atletismo no Belenenses.
Em provas internacionais representava o seu país de origem, mas no seguimento de uma lesão que sofreu ao representar a Nigéria – lesão essa que teve de tratar às suas próprias custas, sem nenhum apoio do estado Nigeriano – Obiqwelu decidiu definitivamente correr “por portugal”… E como corre! Faz 100 metros em menos de 10 segundos!
Dito isto faz-me muita impressão a catadupa de notícias que apontam o dedo a Obikwelu, como se fosse um criminoso, fazendo peças que nenhum jornalista teve coragem de fazer sobre Dias Loureiro, quanto mais sobre um certo Presidente que o nomeou para o Conselho de Estado enquanto vendia atempadamente umas acções de um banco falido…

Aliás, toda este consenso em torno da condenação do “doping no desporto”, é uma hipocrisia pegada. Os ciclistas podem ter bikes feitas pela NASA; os corredores, ténis aerodinâmicos, quase com propulsores, os nadadores, fatos de banho com escamas, os chineses treinam 16 horas por dia desde os 7 anos de idade e – numa espécie de preconceito químico – ninguém pode tomar uma aspirina porque senão está a ferir de morte a ética desportiva.
Ainda para mais, o resultado disto é que, tal como acontece com as drogas recreativas, cai-se num autêntico jogo do gato e do rato em que, à medida que mais substâncias entram para o index do doping, outras vão sendo experimentadas e testadas, sobretudo por países e equipas com maiores possibilidades financeiras para pagar a laboratórios e investir em investigação.
Não quer isto dizer que eu ache que Obiqwelu tomou alguma substância deste index hipócrita. Ele disse que não. Que tudo isto quase lhe dava vontade de rir. E para mim, a palavra de um herói deste calibre, vale 500 vezes mais do que a da Guardia Civil que diz que interceptou um chamada de um “atleta com pronúncia africana”.

12 thoughts on “Força Obikwelu!

  1. Gostava de perceber esta afirmação mas não consigo:
    “É mais um exemplo de como, entre os imigrantes, é que se encontram, com maior probabilidade, os melhores: trabalhadores, dedicados, desenrascados, lutadores audazes…”
    Alguém me ajuda?

  2. Qual a parte da tese que não percebeste? A “maior probabilidade” ou “os melhores”? Segunda-feira respondo ;) Estou mesmo de saída!

  3. É uma tese extraordinária. Antes pensava que os imigrantes eram só iguais a todos os restantes seres humanos. Agora fico a saber que são melhores só por serem imigrantes.
    A frase é imbecil porque está infectada por um preconceito. Discriminação positiva também é discriminação. Convinha acalmar a propaganda e a simpatia política com a causa imigrante e falar do Obikwelu sem laurear a pevide.

  4. Caro saboteur granda posta!
    Ia acompanhar com um discurso de “herói” desse que É o grande Obikuelo quando me deparo com uma certa urgência pedagógica em relação à boca do Anon.
    Então não são claramente os melhores e os mais aptos que emigram? A emigração é mais coisa de crianças velhos doentes e burros? E tu tens a lata de achar que exista alguém igual a ti próprio, asim uma cara met… ou melhor, somos todos feitos a tua imagem qual dEUS criador?
    “É uma tese extraordinária. Antes pensava que os imigrantes eram só iguais a todos os restantes seres humanos. Agora fico a saber que são melhores só por serem imigrantes.”
    Diz-me?

  5. Mais valia teres ficado caladinho e não tinhas empreendido um desvio de merda graças à “urgência pedagógica”.
    A frase que seleccionei da posta contei uma perigosa (mas felizmente também ridícula) tese de mérito infundado: basta ser imigrante para ser “melhor”. Isso é completamente estúpido e poderia, com alguma facilidade, ser esticado até termos ideias ainda mais parvas semelhantes ao darwinismo social, algumas delas até racistas. Por várias razões.
    São os melhores e os mais aptos que imigram? Não. São os mais desesperados. Ou os que querem arriscar recomeçar. Ou, por razões que não estão relacionadas nem com alguma característica quantificável em “pior” ou “melhor”, por estarem simplesmente insatisfeitos. Eu poderia argumentar, com bastante razão, que se há pessoas emigrantes, é por não serem assim tão bons como os que não o fazem, seja por estes não estarem dispostos a arriscar e poder perder tudo, seja por já estarem bem estabelecidos no país de origem. Seja por se sentirem satisfeitos com o que já têm.
    Seja como for, é impensável que alguém mediano, desempregado, a viver numa região depauperada e desertificada como muitas há em Portugal se torne no “melhor” porque de repente comprou um bilhete de autocarro para Paris e tem um contrato precário de 6 meses numa obra.
    Esta posta quis começar bem para acabar bem mas começou mal para acabar da maneira do costume: numa generalização absurda a respeito de alguma classe ou grupo; desta vez foram os imigrantes, e por isso, toda ela é laudatória.

  6. Vamos lá a ver, eu realmente não me espigo muito por definições como “melhor” ou “pior”, mas acredita que são com certeza os mais aptos(no sentido definido por esta sociedade:os homens,os mais bonitos, os mais espertos, os mais fortes e os mais pulhas).
    Como concordarás a maior parte da população vive em família e é para tapar o buraco económico dessa família que emigra. Haverá, como há sempre excepções, mas a expressão “mandar o dinheiro para casa” 90% das vezes significa a fundo perdido.
    Eu podia aqui continuar, mas acho que o que tu precisas é de pensar um bocado…
    Já reparaste na quantidade de velhos e tineigers revoltados que não emigram mas que só pensam em fugir. E daquele pai que vai primeiro para trazer o resto da malta aos poucos depois. Os filhos mais velhos. Tu tens vizinhos? amigos? ou lês tudo no publico?
    Abraço
    PS:…

  7. Pois. O que eu queria dizer era o que zxh80 sublinhou e por isso afirmei que “com maior probabilidade” encontramos pessoas assim entre os imigrantes. “os melhores” foi por falta de melhor termo para expressar a ideia… mas parece-me que o percurso de vida do obiqwelu até hoje espelha bem o que quero dizer.
    Finalmente há a questão do doping e a forma como o Correio da Manhã queima logo o homem de forma tão rápida por causa da escuta com pronuncia africana

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