Sonhos selvagens

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Um homem de gel no cabelo perguntou com a voz sinistra que deve ter aprendido em interrogatórios policiais: “O que veio fazer a este país, sir?” Depois surgiu alguém que gritava mais alto que todos, que me fez entrar para o banco traseiro do carro. Sentou-se no da frente e dois homens instalaram-se a meu lado. Um tinha um penso no nariz e outro sangrava da cabeça. Deram instruções a Ahmad para seguir por um labirinto de ruelas, através de um bairro escuro, cheio de homens armados com bastões e ferros. Silêncio no carro. À passagem, ouvi alguém dizer-me lá de fora, em inglês: “Eles vão matar-te.”
Num beco sem saída esperava-nos um grupo de homens mais velhos. A sua atitude já era hostil antes de eu abrir a boca. Isso acontecia, parecia, porque só chegava ali quem era culpado de um crime.

Paulo Moura, Eles vão matar-te

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