Não pagamos!

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A crise que atravessa o mundo não é um desastre natural nem um acidente de percurso. Faz parte, como outras que a precederam, dos próprios mecanismos do sistema capitalista em que vivemos. Quando os negócios perdem rentabilidade e os investimentos deixam de gerar os lucros necessários, a crise torna-se um pretexto para baixar salários, privatizar bens ou serviços essenciais (água, energia, saúde, educação), reduzir direitos e conceder mais privilégios aos privilegiados.
Depois de vários governos terem injectado fundos públicos (pagos pelo contribuinte) no sistema financeiro – para cobrir os prejuízos provocados pela especulação no sector imobiliário – o problema da dívida pública ganhou uma importância decisiva. Esse mesmo sistema financeiro cobra agora juros cada vez mais elevados aos Estados, pelos empréstimos de que estes necessitam para relançar as respectivas economias e assegurar o seu funcionamento. Os «mercados» procuram compensar as suas perdas através da dívida pública e os governos agem por sua conta, impondo políticas de austeridade e fazendo os trabalhadores pagar a crise.
A luta contra o pagamento da dívida é um dos elementos essenciais da resistência às imposições da alta finança mundial. Recusamos-nos a pagar para manter o capitalismo agarrado à máquina. Por todo o lado se formam grupos, movimentos e organizações para juntar esforços nesse sentido, superando o isolamento nacional e colocando a questão no plano internacional. É tempo de começar a fazê-lo, também aqui.
A sessão pública de apresentação/lançamento do Comité contra o pagamento da dívida pública, inserida nas Jornadas Anticapitalistas, irá realizar-se na próxima 3ª Feira, 1 de Março, na Casa da Achada, a partir das 18h30.

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18 thoughts on “Não pagamos!

  1. Amigo Spectrum, quando os negócios perdem rentabilidade e os investimentos deixam de gerar os lucros necessários (esta parte era desnecessária porque um negócio perder rentabilidade significa que os investimentos deixam de gerar os lucros necessários, tal como se aprende no 1.º ano de Economia). E haver ou não crise é, nesse caso, indiferente. Pois se os negócios já não tem rentabilidade…

  2. Amigo Spectrum, acho sempre querido quando vejo alguém que é socialista defender a não intervenção do Estado no colapso dos bancos. Enternecedor. Meus amigos, a escola dos liberais de Chicago (Milton Friedman et al) defende exactamente isso: à liberdade de cada um fazer os disparates que quiser deve corresponder o assumir da respectiva responsabilidade. Muito bem!

  3. Amigo Spectrum, dizer que não se deve pagar a dívida deve soar muito fixe quando vocês estão a preparar as vossas sopas comunitárias no meio do chavascal mas tem uns problemazinhos. Mais especificamente dois. Grandes. O primeiro é que, se não pagarmos, deixam de nos emprestar. O segundo é que os serviços essenciais de que vocês gostam tanto estão a ser pagos com dinheiro dos especuladores. São eles que nos sustentam porque os métodos soviéticos que arranjámos para ter esses serviços essenciais revelaram-se caríssimos e muito ineficientes.

  4. Paulo, não podes comentar tudo no mesmo post ? Assim escusava de ler… pois quando vejo indicador 1 post não leio os comentários, mas quando vejo indicador de 3 posts, penso: pá 2 gajos comentaram além do Paulo, siga lá ler… e depois… é esta decepção :|

  5. Paulinho do spectrum, os negócios podem perder rentabilidade mas ainda assim gerar lucros, não?
    A definição do que sejam os “lucros necessários” não resulta de qualquer mecanismo automático, mas de vários cálculos estratégicos, incluindo os de natureza política. A crise não é tão natural como a nossa sede.
    Na Suécia também se empregam “métodos soviéticos”?
    E se vários países cancelarem o pagamento da sua dívida externa – ou de parte dela – passam a sofrer as sete pragas dos mercados financeiros? Vão chover gafanhotos na Quinta da Marinha e sairá sangue das fontes do Colombo?
    Finalmente, um doce: achas que foram as convicções socialistas de Sócrates que o levaram a nacionalizar o passivo do BPN e a deixar de fora os activos da SLN?

  6. Se vários países cancelarem os pagamentos os únicos que não se vão lixar são os da Quinta da Marinha. Sócrates não tem convicções. A Suécia gerou a riqueza necessária para criar o seu Estado Social. Portugal criou primeiro o Estado Social sem riqueza nenhuma. O resultado está à vista. Vocês são da Quinta da Marinha?

  7. A única coisa que pode ser feita é a renegociação da dívida, para vossa informação. Em que os credores aceitam prazos mais longos com taxas de juro ligeiramente superiores. Negociação. É esta a palavra. Aquilo que os vossos papás fazem quando vos inscrevem na Católica.

  8. No fundo no fundo o argumento é este:
    “Se vários países cancelarem os pagamentos os únicos que não se vão lixar são os da Quinta da Marinha”
    Ó paulo! tu andas de mota?

  9. Eu volto a explicar:
    Se o amigo se desloca habitualmente num veí´culo motorizado de 2 rodas? Se sim responda SIM, se não responda NÃO.

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