Camarada Cavaco ou do que as palavras valem

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Nas vésperas da primeira manifestação convocada fora da lógica directiva dos partidos e sindicatos em muitos anos, o camarada presidente, na sua sua (re)investidura, resolveu pedir à juventude um sobressalto cívico. Repare-se: a quatro dias do referido protesto que poucos acertaram como começou a ainda menos saberão como irá terminar.
Sem medos, como tantos têm, não recuou na mobilização em nome de uma qualquer estabilidade política. Contamos com o camarada Cavaco e ele sabe que conta connosco.
Se Manuel Alegre tivesse ganho com certeza teria feito um discurso mais à direita que este, ou se dissesse alguma coisa parecida seria o orgulho e a prova que afinal havia diferenças, provando assim que Alegre não era igual a Cavaco… Depois deste discurso do camarada presidente, que também salientou que há limites para a austeridade, quem defendeu o voto no Alegre pela esquerda, devia vir a publico, num acto de contrição lamentar não ter votado Cavaco.
Bom, as palavras valem o que valem, e essencialmente valem para ganhar votos, e quem defendeu votar Alegre usou maioritariamente como argumento as suas palavras, por isso podem-se mobilizar para nova campanha: referendar o limite de mandatos do presidente e fazer uma grande campanha para a sua terceira eleição em nome da insurreição cavaquista.
Dia 12 lá estarei, para, entre outras coisas, tentar, fora do joguete institucional, dizer bem alto que o problema não está em Cavaco e a solução em Alegre ou na social-democracia bloquista, mas no fim de qualquer tipo de repressão e exploração levada a cabo (também) por agentes deste calibre.
Revolución

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11 thoughts on “Camarada Cavaco ou do que as palavras valem

  1. Se calhar não eu não estive a ouvir o discurso do Cavaco (do Camarada cavaco, como lhe chamas) tão atentamente como tu, mas parece-me que no essencial avalias mal as palavras dele, provavelmente motivado por esse desejo ardente de “quem defendeu o voto em alegre vir fazer a sua contrição em público”, ou pela fantasia de que “Se Manuel Alegre tivesse ganho com certeza teria feito um discurso mais à direita que este”
    Eu por acaso, ontem, quando vi o cavaco a bater forte no governo, pensei que talvez houvesse quem à esquerda ficasse todo cavaquista. Nunca imaginei que poucas horas depois houvesse no spectrum mais um post do paradise contra o Alegre e a louvar o Cavaco e o seu discurso que no essencial foi muito mais do que um discurso contra o Governo, mas sim um discurso ideológico e programático de direita: A família, as escolas privadas, as empresas que não podem ser intimidadas (por leis do trabalho e pelo fisco, sub-entende-se), o crédito para os privados e não para o investimento público, nomeadamente o não-produtivo (como subsídios e equipamentos sociais, sub-entende-se), o Estado, que esmaga a sociedade civil e que a impede de ser mais dinâmica e de se libertar dos poderes públicos….
    A direita está em festa com o discurso de cavaco e parece-me que tem ganho vantagem na batalha de conseguir tirar dividendos do justo descontentamento social (expresso nomeadamente na manifestação de dia 12). Apesar de, obviamente, não me passar pela cabeça exigir algum acto de contrição a quem passou toda a campanha eleitoral a fazer campanha contra o Alegre e pela Abstenção, peço alguma calma antes de dar tantas vivas ao discurso do “camarada presidente”.

  2. nunca pensei que fosse possível interpretar no meu post qualquer louvor a cavaco e daí já me chamares cavaquista. logo no blog em escreves, que chato não é?
    saboteur, para fugir à conversa nem todo o argumento é válido, sei que ferves em pouca água neste assunto mas é há limites. o que eu aqui digo, como é óbvio, é que as palavras valem o que valem e tenho dúvidas que o alegre no discurso de posse solicitasse à juventude um sobressalto cívico antes de uma manif que sabe-se lá o que pode dar…
    com ironia e má literatura, só tentei mostrar que palavras não chegam para tudo, e tu sempre a sobreavaliá-las… aliás se bem me lembro quando na altura te lembrei de ACTOS do homem e a sua ligação à extrema direita no PREC, respondeste com um simples “isso foi há tanto tempo” ” não sabia” e tal, já para não falara dos ACTOS na assembleia da republica ou em congressos do ps… (sendo que aqui só são lembrados os votos contra ou abstenções quando o homem já andava em pré-campanha, como faz exaustiva e desonestamente F. Louçã).
    Claro que a direita está, ao contrário de mim, em festa com discurso, tirando uma parte dela, Sócrates e o seu governo. porquê? porque este discurso não se insere numa corrente de vontade de mudança mas numa tática interna para afrontar esta direita para lá pôr a outra (mais perto de si). Mais uma vez, o que aqui quis sublinhar, foi o que valem as palvaras. Uns, usam-na para tentar mudar as moscas, como cavaco, outros para gerir a crise, como alegre.

  3. Nunca pensaste que se pudesse interpretar o teu post como favorável ao Cavaco? Pensa outra vez. Lembra-te do risco de que quem te lê “sobreavaliar” as palavras…
    Eu não te chamei Cavaquista, paradise… e essa postura de ofendido pelo meu comentário após este teu post sobre o Cavaco vs Alegre – que no contexto de todas as nossas discussões interpreto como uma provocação – é escusada.
    O que digo, mais uma vez, é que és demasiado condescendente para cavaco, as suas palavras e os seus actos, quando comparado com Alegre. Até podias dizer que são farinha do mesmo saco, mas consegues mesmo fazer pior e sublinhar o apelo ao sobressalto cívico de Cavaco como uma imagem positiva do discurso de cavaco sem dizer uma única palavra sobre o discurso mais direitoso que algum PR fez após o 25 de Abril.
    Dizes-me que fervo em pouca água? Já que tenho a fama, deixa-me ter o proveito: social-democrata que só quer mudar as moscas é a tua tia! ;)

  4. ó saboteur não entendes nada.
    Não é uma “imagem positiva do discurso do cavaco” que sai do seu “apelo ao sobressalto cívico”. é apenas o seu desejo de ficar do lado certo da barricada, de neutralizar o protesto. mal disfarçado, claro.
    Se a questão fosse entre esquerda e direita, um “apelo ao sobressalto” do hipotético presidente Alegre viria do lado das gentes em protesto, dando-lhes força, enquanto do real presidente cavaco, do lado oposto, tentando neutralizá-las.
    Tentar adivinhar como o presidente Alegre tentaria neutralizar estas forças, em protesto também contra ele, já é coisa para o professor Karamba.

  5. Cavaco Igual a si próprio : limitado, mesquinho, vingativo e sempre à espera de explorar qualquer boleia que possa surgir para se demarcar da situação e direccionar as críticas para outros. Mas os jovens não são parvos os Deolinda estão enganados.

  6. “consegues mesmo fazer pior e sublinhar o apelo ao sobressalto cívico de Cavaco” ao que respondo:
    “este discurso não se insere numa corrente de vontade de mudança mas numa tática interna para afrontar esta direita para lá pôr a outra (mais perto de si” daaaaaaa!!!!!
    por mais que tentes não consegues enfiar a ideia preconcebida que tens (e sei onde a aprendeste) que ando a fazer favores à direita por criticar a social-democracia (no caso do alegre corro o risco de lhe estar a fazer um grande elogio tendo em conta de andou anos e anos a caucionar políticas neoliberais). azar, mas não cabe no que aqui disse. é sempre melhor ler e depois responder em vez de achares que sabes o que penso e já ter a reposta pronta em copy paste.
    sobre actos e palvras que é o motivo do meu post, nada. já me habituei.
    e já agora não me chamaste cavaquista o catano! dizes em comentário ao meu post: “pensei que talvez houvesse quem à esquerda ficasse todo cavaquista. Nunca imaginei que poucas horas depois houvesse no spectrum mais um post do paradise contra o Alegre e a louvar o Cavaco “. humm sou eu a ver demasiadas entrelinhas ou és tua ter pouco cuidado com que chams às pessoas? :)

  7. eia, ó paradise, conseguiste ir buscar o alegre para falar do discurso do cavaco, ou vice-versa, tanto faz…
    é quase como dissertar sobre pilas a propósito da chouriça de cebola, ou vice-versa, tanto faz…

  8. o que eu quis foi buscar o discurso do sistema. pilas e chouriça de cebola ainda tem alguma coisa a ver, mas alegre e cavaco e sistema ainda mais.
    beijnhos

  9. Mas estão a brincar ou quê…
    O Discurso de Cavaco foi tão NEO-LIBERAL que até o Jardim , veio dizer que ele não era tão liberal.
    Dizer que o país está mal, que não aguenta mais sacrificios, e que os jovens se devem sobressaltar,é nada, para o que foi o essencial do discurso.
    A defesa das propostas do PSD e do patronato para o país.
    Leiam o DISCURSO TODO, e depois escrevam.

  10. O Augusto tem razão.
    Quanto ao eu chamar-te Cavaquista, não quero de facto fazer isso e peço desculpa por me explicar mal. O que me parece, como eu disse, é que fazes uma leitura truncada e inviezada do discurso do Cavaco. Foi o que eu – e pelos vistos o Augusto – interpretei do teu post.
    Fernando Carlos está certo, quando diz que o “sobressalto cívico” de Cavaco é para instrumentalizar e neutralizar o protesto de amanhã como um protesto contra a precariedade.
    Para além disto, sobre o discurso de Cavaco, convém sublinhar que é um discurso programático e ideológico de unidade e mobilização da direita. Abrindo “um novo ciclo político” como disse Paulo Portas.
    Omitir isto para dizer que Alegre faria um discurso ainda mais à direita podia ser respondido como respondeu a Joystick e ponto final… mas tendo em conta as provocações algo deslocadas, a la Renato Teixeira (“quem defendeu o voto no Alegre pela esquerda, devia vir a publico, num acto de contrição lamentar não ter votado Cavaco.”), e tendo em conta todo o contexto de atrito entre nós dois sobre o tema (quer os públicos, quer os pessoais que relataste aqui à tua maneira), deu-me para escrever um pouco mais sobre o assunto…
    De qualquer forma não foi copy/paste e acho que reduzir o que digo a «por mais que tentes não consegues enfiar a ideia preconcebida que tens (e sei onde a aprendeste) que ando a fazer favores à direita por criticar a social-democracia» parece -isso sim -ser fruto de uma ideia qualquer preconcebida.
    Lá por eu achar que o teu post, tal como está, passa ao lado do que é politicamente relevante agora, para ir, em vez disso, mais uma vez bater no Alegre (agora já morto) e em quem votou nele, é errado a variados níveis (nomeadamente porque nos termos em que o fazes hostilizas sectariamente pessoas como eu), não quer dizer que eu ache que sejas cavaquista ou coisa do género.
    De qualquer forma, se insistes em discutir as eleições presidenciais (tema que eu não acho assim tão interessante) digo-te que a mim me parece que o discurso do Alegre sobre os jovens e a precaridade sempre foi, de muito longe, mais ajustado e aproximado àquilo que temos dito sobre o tema do que o de Cavaco. (…Aliás, basta ver uma foto dos jovens que foram à tomada de posse para ver as diferenças…) E acho, como sempre disse, que isso, essas palavras do PR influenciam de forma objectiva e subjectiva a luta, nomeadamente o que se vai passar amanhã.
    Tivemos um discurso do Cavaco que leva o sobressalto cívico para um lado: contra o estado que esmaga a sociedade civil. Era bom que tivéssemos tido um outro tipo de discurso. não tivemos e é uma pena

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