Mala de Cartão

Um gajo já sabe que Lisboa não é Atenas, não é Roma, Bologna ou Milão, que não é Barcelona, Madrid, Paris, Marselha, Londres, Berlim, Nova Iorque ou sequer Gotemburgo, mas porra, já se partiam umas montras aqui também, não? Eu nem sequer peço o motim de proporções bíblicas que estão mesmo a pedir, mas fodasse, é que nem um multibanco aparece estragado. Não basta um gajo ter de emigrar para encontrar trabalho também tem de emigrar para mandar uns calhaus?

Anúncios

32 thoughts on “Mala de Cartão

  1. um imobilismo histórico, uma paz social telúrica, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.
    é que se está tão bem em Portugal.

  2. o máximo de sofisticação intelectual: partir montras, mais do que isto é pedir-vos demais
    aliás, era o que hitler fazia às lojas dos judeus: nem mais nem ontem, partia e deixava uma marca, tal como vimos hoje na tv

  3. E para quê? A Islândia foi pacífica e conseguiu muito mais do que a violenta Grécia ou a violenta Londres de ontem. Não entendem que a maioria dos portugueses não quer resolver isto à porrada? E que fica com medo porque os anarquistas se resumem a putos vestidos de preto que querem partir montras? E que portanto se afasta das vossas posições cada vez que há violência? Badamerda para vocês e para a vossa violência neandertal.

  4. Aprender a escrever antes de pensar em partir montras parece-me um bom princípio… Conjugar verbos reflexivos não é muito complicado.
    Perceber porque se partem montras, em que momento, quais os objectivos, quais as consequências, quais as alternativas, o que é que isso representa, que montras, como é que isso é interpretado, etc. é bem mais complicado.
    Ou é partir porque sim, é giro e coiso?

  5. Se é para acabar com a letargia portuguesa, vejo alvos bem mais interessantes do que um par de montras. Não foram as montras (ou as caixas de multibanco) que nos colocaram nesta situação.
    O post, se fôr para levar minimamente a sério, é apenas testemunho de quem já se esqueceu dos fins, e contenta-se com meios. Mas provavelmente nem era para levar a sério, e resume-se a um exercício de estilo humorístico, né?

  6. Eu também não crio que o texto seja para levar a sério, porque essa história do partir montras e assinalar com pinturas de “guerra” os mesmos locais, faz-me lembrar, como referiu um comentador mais a cima, as marcas das lojas dos judeus na 2ª grande guerra.
    Se o amigo acha que é assim que se fazem mudanças na vida política, bem vou ali buscar um banco e sentar-me, porque posso vir a chegar aos cem anos, sem sequer sair do mesmo situo.
    E que tal uma mudança no que diz respeito às consciências ??????????????

  7. Romão
    toda a gente que lê este blog sabe que o pp escreve muito melhor que tu e que uma coisa são verbos reflexivos e outra coisa é reflectir sobre os verbos.
    Vá, here we go again, IMPEDIR POR TODOS OS MEIOS A RECONSTRUÇÃO DA ESQUERDA.
    «Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro!»

  8. porra, que irritação, agora os explorados, miseráveis e pés-descalços deste mundo tem de aprender a escrever antes de poder agarrar pela garganta os sociais democratas deste mundo. Belos princípios sim.

  9. Sendo preciso arranjam-se comparações históricas com tudo e mais alguma coisa, principalmente quando o objectivo é não fazer ondas e fazer “desfiles” (adoro este termo carnavalesco em que se transformaram, pelo dirigismo partidário e sindical as manifestações de trabalhadores e espoliados), bem comportados e palavras de ordem “certinhas” que todos conhecem desde há 37 anos, tão certinhas e sabidas que já nada querem dizer.
    Os nazis também comiam salsichas e bebiam cerveja, será isso sinal de alguma coisa que devamos ter como politicamente incorrecto?

  10. Cara Helena Romão,
    Confirmo a sua tese e digo sem vergonhas que quero partir montras primeiro porque sim é giro, e depois, sem sombra de dúvida, porque coiso, isso sim, acima de tudo, coiso.
    Quanto ao resto, à parte complicada, antes de partir para um debate profundo, consequente e esclarecedor em que a Helena me explique as razões e alternativas de partir montras, em que possamos num diálogo sereno e construtivo contruir pontes de amizade e respeito e assim termos blogues menos coisos, peço-lhe que me explique o que é um verbo reflexivo.
    Orlando:
    A mim lembra-me mais a insurreição dos judeus de varsóvia, vê lá quantas consciências é que eles mudaram (!!!!!!!!!!!!!!!!!)
    Anónimo debaixo do Paulo:
    É isso mesmo, os portugueses andam cheios de medo do anarquistas. Salvaguardo no entanto que não somos putos, eu próprio já não vou para novo.
    Paulo:
    O Hitler também fazia isso de deixar comentários obsessivos dos blogues dos comunistas, é verdade, procure na cache do google os blogues da época.

  11. helas! A propriedade! A causa dos pavores escondidos por estes comentários. “Não foram os multibancos que nos puseram neste estado”. Então os multibancos sao propriedade de quem?
    Ontem um padre poeta, o tolentino de mendonça, dizia no Prós e Contas, que a crise nos devia aproximar da pobreza para relativizarmos os nossos próprios recursos e os valores a eles associados. Que a pobreza, enfim, podia ser encarada como um bem (muito bonito, até pediu o regresso das ordens mendicantes) isto, do ponto de vista teleológico e filosófico está muito bem, e até parece vir de encontro aos desejos profundos de alguns dos concidadãos que vão escrevendo e dizendo: “isto até já foi pior” , “13ª mês? tb já o tiraram uma vez”, “partir montras? só pq se vestem de preto e é giro!”, “manifestações em q se diz q somos todos culpados?! mas eu ando a manifestar-me todos os anos desde 1989!”

  12. SOMOS LOBISOMENS ANARQUISTAS QUE NAS MADRUGADAS NEGRAS DESCEMOS DAS MONTANHAS PARA DESTRUIR A VILA BURGUESA. AS ARMAS DA MILICIA SÃO IMPOTENTES PARA NOS TRAVAR E ANTES DO SOL NASCER AS NOSSAS GARRAS E OS NOSSOS DENTES ESTARÃO MANCHADOS PELO SANGUE DO BÓFIA DO PÁROCO DO COMERCIANTE. AS CRIANÇAS CORRERÃO NUAS PELOS BOSQUES, LIVRES, SELVAGENS.
    HELENA ROMÃO ESCUTA: A PANTERA NÃO ATACA O LEÃO MAS JUNTOS MATAM A HIENA.
    UMA OUTRA CRISE É POSSIVEL: MONTRAS PARTIDAS, SOPA NO CHAVASCAL, APALPÕES E LINGUADOS À LUZ DO MEIO-DIA. É ESTE O NOSSO PEC.

  13. é porque estamos no reino da geração à rasca, onde não temos partido, não temos religião, não temos sexo, não temos idade, não temos política, não temos inimigos, não temos uma ideia e, finalmente, só nos resta sair à rua a pedir que nos arranjem um emprego, como dizia o sérgio godinho.
    é por isso que não partimos montras.

  14. É possível que alguém, ao fazer um retrospecto de sua vida, verifique que quase todas as ligações mais profundas que ele experimentou, tenham partido de indivíduos sobre cujo “caráter destrutivo” todo o mundo estava de acordo. Esbarraria um dia, talvez casualmente, nesse fato, e quanto mais duro fosse o choque, tanto maiores seriam suas chances de representar o caráter destrutivo.
    O caráter destrutivo conhece apenas uma divisa: criar espaço; conhece apenas uma atividade: abrir caminho. Sua necessidade de ar puro e de espaço é mais forte do que qualquer ódio.
    O caráter destrutivo é jovem e sereno. Pois destruir rejuvenesce, porque afasta as marcas de nossa própria idade; reanima, pois toda eliminação significa, para o destruidor, uma completa redução, a extração da raiz de sua própria condição. O que leva a esta imagem apolínea do destruidor é, antes de mais nada, o reconhecimento de que o mundo se simplifica terrivelmente quando se testa o quanto ele merece ser destruído. Este é o grande vínculo que envolve, na mesma atmosfera, tudo o que existe. É uma visão que proporciona ao caráter destrutivo um espetáculo da mais profunda harmonia.
    O caráter destrutivo está sempre atuando bem disposto. A natureza lhe prescreve o ritmo, pelo menos indiretamente: pois ele deve adiantar-se a ela, do contrário ela própria assumirá a destruição.
    O caráter destrutivo não se fixa numa imagem ideal. Tem poucas necessidades, e a menos importante delas seria: saber o que ocupará o lugar da coisa destruída. Primeiramente, pelo menos por um instante, o espaço vazio, o lugar onde se encontrava a coisa, onde vivia a vítima. Certamente vai aparecer alguém que precise dele, sem ocupá-lo.
    O caráter destrutivo executa seu trabalho, evitando apenas trabalhos criativos. Assim como o criador busca a solidão, assim também o destruidor precisa cercarse continuamente de pessoas, de testemunhas de sua eficácia.
    O caráter destrutivo é um sinal. Assim como um sinal trigonométrico está exposto ao vento, de todos os lados, assim também ele está exposto, por todos os lados, aos boatos. Não tem sentido protegê-lo contra isso.
    O caráter destrutivo não tem o mínimo interesse em ser compreendido. Considera superficiais quaisquer esforços nesse sentido. O fato de ser mal entendido não o afeta. Ao contrário, ele provoca mal entendidos, assim como o faziam os oráculos – essas instituições políticas destrutivas. O fenômeno mais pequeno-burguês, o falatório, só acontece porque as pessoas não querem ser mal entendidas. O caráter destrutivo não se importa de ser mal entendido; ele não fomenta o falatório.
    O caráter destrutivo é o inimigo do homem-estojo. O homem-estojo busca sua comodidade, e a caixa é sua essência. O interior da caixa é a marca, forrada de veludo, que ele imprimiu no mundo. O caráter destrutivo elimina até mesmo os vestígios da destruição.
    O caráter destrutivo se alinha na frente de combate dos tradicionalistas. Uns transmitem as coisas na medida em que as tomam intocáveis e as conservam; outros transmitem as situações na medida em que as tornam palpáveis e as liquidam. Estes são chamados destrutivos.
    O caráter destrutivo tem a consciência do indivíduo histórico cuja principal paixão é uma irresistível desconfiança do andamento das coisas, e a disposição com a qual ele, a qualquer momento, toma conhecimento de que tudo pode sair errado. Por isso, o caráter destrutivo é a confiabilidade em pessoa.
    O caráter destrutivo não vê nada de duradouro. Mas, por isso mesmo, vê caminhos por toda a parte. Mesmo onde os demais esbarram em muros ou montanhas, ele vê um caminho. Mas porque vê caminhos por toda a parte, também tem que abrir caminhos por toda a parte. Nem sempre com força brutal, às vezes, com força refinada. Como vê caminhos por toda a parte, ele próprio se encontra sempre numa encruzilhada. Nenhum momento pode saber o que trará o próximo. Transforma o existente em ruínas, não pelas ruínas em si, mas pelo caminho que passa através delas.
    O caráter destrutivo não vive do sentimento de que a vida vale a pena ser vivida, e sim de que o suicídio não compensa.

  15. Boa, ameaças já tenho! Cobardes, claro… Tudo no anonimato (ou no jardim zoológico). Calha bem, que eu não vou lá há anos. Coisas de coerências…
    Já respostas é que nem por isso… Quando se apela a fazer alguma coisa é preciso saber o quê, porquê, para quê… e o que pode advir dessa acção, o dia seguinte, as consequências —
    para si próprio, para os objectivos que se pretendem atingir e para terceiros, se as houver.
    É uma acção política (e se é tem uma motivação e razões políticas que costumam ser perfeitamente explanáveis — depois cada um aceita o que quer) ou é uma brincadeira?

  16. Se de ameaças a Helena está a falar daquelas maiúsculas todas acho que as entendeu mal, nem todo o mundo gira à sua volta.
    De resto acha mesmo que vou, pela enésima vez, entrar aqui num debate interminável sobre partir montras? não foi esse debate já feito umas valentes dezenas de vezes? Não o leu e participou também? Está assim tão aborrecida que o quer repetir todo outra vez? Acha que inventou a pólvora com as questões que põe?
    Tenho muita pouca paciência para essas exibições de coerência, para essas exigências de explicações, para essa esquerda que fala com tom de educadora de infância.

  17. Quando se põe o nome, normalmente é dirigido à pessoa. Há muitas pessoas com o mesmo nome que eu, mas nenhuma o assumiu neste debate. Portanto, quando vi o meu nome lá em cima, presumi que era comigo.
    Mas enfim, se fazer uma pergunta simples é ser educadora de infância… ok. Acho que tenho a minha resposta. Cada um enfia as carapuças que quer.

  18. Não é a pergunta Helena. É a certeza da tua resposta: “quando se apela a fazer alguma coisa é preciso saber o quê, porquê, para quê… e o que pode advir dessa acção, o dia seguinte, as consequências —
    para si próprio, para os objectivos que se pretendem atingir e para terceiros, se as houver”.

  19. E, claro está,a dica gramatical: “Aprender a escrever antes de pensar em partir montras parece-me um bom princípio… Conjugar verbos reflexivos não é muito complicado”.

  20. Fosse a Helena tão letrada quanto pensa que é e perceberia que na citação daquele célebre provérbio da guiné a Helena é a pantera e não a hiena.
    É um tom de educadora de infância no sentido em que afirma o óbvio e o banal pensando que por os outros o dispensarem não o conhecem. O que faz não são questões, o que faz é um powerpoint de activismo.

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s