Isto ainda vai piorar antes de melhorar #3

A TSF não brinca quando se trata de executar uma linha política.
A jornalista, durante toda a manhã, no noticiário e no fórum, não se cansa de utilizar por tudo e por nada a extraordinária expressão «ajuda intercalar» para se referir a um pedido de empréstimo ao FMI.
«Intercalar» porquê? Porque em breve, tanto o FMI, como a banca, como pelos vistos a TSF, sabem que mais empréstimos se seguirão. Sempre acompanhados por juros usurários e mais garantias de privatizações e de desregulação dos mercados.
Segundo a narrativa da TSF, só uma pessoa parece estar contra a «ajuda intercalar»: José Sócrates. «Contra tudo e todos» afirma a rádio. É uma história que encaixa às mil maravilhas, honra lhe seja feita, com a imagem de arrogância e orgulho que tem o primeiro-ministro.
Desde que não se dê demasiado tempo de antena ao PCP e ao BE, temos um conto de fadas perfeito em que o país, depois de receber muitas «ajudas», ficou mais pobre e com maiores desigualdades do que tinha antes das «ajudas».

Que história nos contarão daqui a 2 anos para nos explicar o que se passou? Que “a situação estava ainda pior do que as pessoas pensavam”? Ninguém sabe. Muito menos a malta dos sector financeiro, que está habituada a focalizar-se no (ganho de) curto prazo.

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8 thoughts on “Isto ainda vai piorar antes de melhorar #3

  1. Interessa muito. O debate político é demasiado pobre. Quer sobre as consequências dos empréstimos (“ajudas”) do FMI, quer sobre a natureza das pressões especulativas sobre a nossa divida, quer sobre as alternativas a tudo isso e quais as suas consequências.
    A saída para a crise “por cima”, só pode ser feita num processo, enfim, revolucionário, em que toda a verdade e toda a clareza é necessária, nomeadamente sobre as dificuldades iniciais de falta de liquidez do sector público e a recusa em recorrer mais aos empréstimos com juros usurários.
    É por isso que não acompanho discursos, demasiadas vezes proferidos à esquerda, do tipo “resolvia-se este problema, respondendo a estas reivindicações que são, quase sempre, mais dinheiro ou menos impostos”

  2. Face à situação insustentável que está criada e aos seus possíveis desenvolvimentos nos próximos tempos, o PCP considera que o Estado português deverá assumir, em ruptura com a actual política, as seguintes posições:
    A renegociação imediata da actual dívida pública portuguesa – com a reavaliação dos prazos, das taxas de juro e dos montantes a pagar – no sentido de aliviar o Estado do peso e do esforço do actual serviço da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego e outras necessidades do país.
    A intervenção junto de outros países que enfrentam problemas similares da dívida pública – Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica, etc – visando uma acção convergente para barrar a actual espiral especulativa, a par da revisão dos estatutos e objectivos do BCE e da adopção de medidas que visem o crescimento económico, a criação de emprego e a melhoria dos salários.
    A adopção de uma política virada para o crescimento económico onde a defesa e promoção da produção nacional assuma um papel central – produzir cada vez mais para dever cada vez menos. Com medidas imediatas que visem o reforço do investimento público, a aposta na produção de bens transaccionáveis e por um quadro excepcional de controlo da entrada de mercadorias em Portugal, visando a substituição de importações.
    A diversificação das fontes de financiamento, retomando uma política activa de emissão de Certificados de Aforro e de Tesouro e de outros instrumentos vocacionados para a captação de poupança nacional, bem como o desenvolvimento de relações bilaterais encontrando formas mais vantajosas de financiamento. Uma política de diversificação também das relações comerciais, mutuamente vantajosas, com outros países designadamente de África, Ásia e América Latina.
    A avaliação do conjunto de situações que envolvem as chamadas Parcerias Publico Privadas, visando, de acordo com o apuramento, a renegociação ou cessação de contractos que se mostrem ruinosos para o Estado.
    Para o PCP não há outra atitude patriótica e defesa do interesse nacional que não seja a da recusa clara de manter o país sujeito ao saque e à especulação e isso exige que se considerem as medidas que aqui propomos. Esta é a opção indispensável e urgente.

  3. O quê?! O problema do desemprego resolve-se com “canalizando recursos para a criação de emprego”?!?! Eh pá, que ideia fixe, como é que nunca ninguém se lembrou dessa coisa fantástica? Como é que funciona? E para o problema da balança comercial, diversificar relações comerciais mutuamente vantajosas!??!?! Eh lá, isso dá prémio Nobel. Que partido tão genial, tanto desperdício de mentes brilhantes….. “canalizando recursos para a criação de emprego” claro, estava mesmo à nossa frente e não vimos… tss tss

  4. :)
    Ó Paulo até tiveste piada, mas conta lá, tu achas que as tuas abstracções são reais?

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