“Um trânsito qu não se pode”

Ao descer a Av. da República, um motorista da Carris, chateado com o facto de eu ir ilegalmente na faixa BUS, decidiu punir-me e ultrapassou-me a uma distância nada simpática de 15 centímetros.
Logo mais à frente, com a aceleração, não conseguiu travar no amarelo e passou com um vermelhíssimo no Saldanha.
Estava eu ainda a ponderar se havia de lhe chamar a atenção para a ultrapassagem perigosa que ele fez, quando na Fontes Pereira de Melo voltei a ultrapassa-lo sem sequer estar à espera. Acho que ele parou numa paragem e depois ficou depois demasiado para trás. Quando entrei na Rotunda do Marquês deixei definitivamente de o ver.

Já na Avenida da Liberdade, outro stress: Uma senhora buzinava furiosamente atrás de mim (acho que com esta história das buzinas são mais as mulheres do que os homens a perderem as estribeiras).
Pensei até que estivesse a cair a minha mala, presa atrás com os esticadores, pelo que abrandei (de 30 para 20 km/h) e olhei para trás. Ela, uma moça dos seus 30 anos, dava-me indicações com os braços para eu sair da frente.
Nestes casos não tenho dúvidas e tento sempre ser pedagógico: Segundo o Código da Estrada, a buzina de um carro deve ser usada apenas “em circunstancias de perigo eminente, fora das localidades” (embora o “fora das localidades seja um excesso de zelo com o qual eu não concordo) e não para assustar as pessoas que vão na estrada, nem para exigir passagem.
Infelizmente, rapidamente o transito adensou-se na Avenida e eu, por mais devagarinho que fosse, parando em todos os sinais, deixei a senhora demasiado para trás para podermos falar.
É realmente uma pena que o transito esteja tão intenso…

33 thoughts on ““Um trânsito qu não se pode”

  1. você, com os seus comentários sexistas, estava com a sua viatura na faixa destinada ao transporte público e quer discutir precisamente o qu^?

  2. O meu comentário não é sexista. Já imaginava essa critica…
    Apenas observo que pela minha experiência, que quem me buzina furiosamente são bastante mais mulheres que homens. Será que a “minha amostra” não é representativa? Será que existe alguma explicação para o facto? É um tema que me interessa trocar ideias e experiências.
    E o que estava a fazer na faixa destinada ao transporte público? Excelente pergunta.
    Dada a densidade do transito e a agressividade dos automobilistas em Lisboa, circular pela faixa BUS é o melhor que um ciclista tem a fazer. Não só os condutores de transportes publicos são menos labregos, como são bastante menos e por isso circula-se com muito maior segurança.
    Creio que estou completamente dentro até deste código da estrada, que é um “código para automóveis”, uma vez que a contra-ordenação que pratico não coloca em risco a segurança de ninguém e é feita para evitar um acidente iminente.
    Respeitasse a generalidade dos automobilistas as mais elementares regras de civismo…
    De qualquer forma, a possibilidade de bicicletas circularem pela faixa BUS é uma realidade de grande parte dos códigos da estrada da Europa. Aqui, a Assembleia Municipal de Lisboa já fez uma recomendação à Assembleia da República para que alterasse o código nesse sentido. Até hoje nada..
    O que estou a querer discutir? Precisamente isto: Não é por buzinarem (110 décibeis nos meus ouvidos, que não vou dentro da bolha), enervarem-se e tentarem derrubar os ciclistas que vão chegar mais depressa ao destino. Já agora, conduzam devagar e com juizínho. Lembrem-se que não só estão a poluir a cidade com fumo e barulho, como qualquer toque, mesmo a baixa velocidade, pode causar a morte a um concidadão.

  3. Concordo com a generalidade do teu argumento a propósito da utilização da faixa BUS por bicicletas.
    Quanto ao comentário das buzinas, é claramente sexista. Mesmo que a tua amostra fosse representativa (e seguramente não é) ainda teríamos de controlar uma série de variáveis para poder garantir que as mulheres, no que toca a buzinas, perdem mais as estribeiras do que os homens.
    No entanto, é tua imagem da realidade e vale por isso mesmo.

  4. acho que neste caso das faixas BUS, se a maioria dos ciclistas cumprisse o código e a interdição, os mortos e estropiados na estrada aumentavam em flecha.
    E sim, a AR está cheia de deputados inúteis que nem se dão ao trabalho de legislar. Quando qualquer funcionário público é hoje obrigado a uma avaliação de desempenho, menos se compreende que os deputados não o estejam também.

  5. Uma grande parte da minha iniciação sexual ocorreu num carro. Um clio. Se não existirem carros, onde é que os jovens e as jovens do nosso Portugal, caramba de todo o mundo, poderão ver despertar o seu gineceu. Na parte de trás da bicla?

  6. não digo que a sua afirmação sexista não seja bastante original, mas o argumento de género é sempre uma argumentação pouco elaborada. a amostra não será representativa e não me parece que tenha havido um estudo aprofundado, como já foi referido acima. também me parece que já tinha esse preconceito antes e que se calhar hoje só sofreu um pouco mais de whisful thinking ou experiências auto confirmatórias. mas se está cansado ou sem tempo para mais elaborações sugiro que com valentia conclua: as mulheres são pouco cívicas.
    eu acho o seu acto pouco cívico. e talvez o terá achado não só o condutor mas todos os ocupantes do autocarro da carris. se o desculpabiliza também deveria conceber que outros o façam. de acordo com uma qualquer causa maior. mas assim o civismo não sobrevive (nem a sua argumentação).
    a solução do ciclista usar o corredor BUS parece me uma má solução, um patchwork, uma solução que não se quer definitiva (não?), que prejudica o transporte público e que me parece só beneficiará a condutora automóvel.

  7. Isso que o motorista fez não é aquilo a que vocês chamam acção directa?! Não são vocês que gostam de riscar e partir BMW mal estacionados?! E agora não gostam?! Que vergonha! Que hipocrisia!! Uma tristeza…

  8. Eu já fui mandada ir pedalar para o passeio por um carro da polícia, para não “atrapalhar” os senhores automobilistas.
    Anónimo, neste caso o que seria preferível? Ficar na estrada e aturar as buzinadelas o stress dos condutores a acelerar e afazer razias de 10cm (arriscando um acidente), ir para a faixa bus ou para o passeio dos peões?

  9. Vale-se do Código da Estrada para apontar o dedo e criticar a senhora que buzinou aos seus ouvidos, mas é engraçado como esse “manual” é por si rapidamente esquecido, para você puder andar à vontadinha na faixa BUS, ou possivelmente até (como muitos o fazem) nos passeios ou ainda a passar os vermelhos… assim é natural que deixe a dita senhora para trás que, aposto, e apesar das tão incomodativas buzinadelas, ainda assim infringe menos o Código da Estrada do que você, quem vem para aqui armado em “virgem ofendida”

  10. É curioso que nos últimos 3 meses tenho pedalado praticamente todos os dias na Almirante Reis e as únicas pessoas a me businarem são curiosamente mulheres.

  11. Há aqui um problema: O ciclista no código de estrada é considerado um peão, e os peões não andam na estrada.

  12. lol
    o o ciclista é um peão com uma coisa grande entre as pernas.
    (por isso é que as senhoras apitam mais)

  13. ahahah striker, o que fez? espero que tenha desobedecido civicamente.
    preferivel é que usasse a sua própria cabeça em consciencia e em acto contínuo e que nos actos de seu direito não atentasse contra o direito do outro. mas preferivel preferivel, se me pergunta, é que fosse jogar ao elástico com uma mini saia subida, plissada e com meias de vidro.
    obrigada paulo por tentar trazer a discussão a um nível mais interessante…
    quanto ao autor do post e rui, podiam deixar-se desses raciocinios pouco elaborados e falaciosos e com esse tempo não desperdiçado em posts de merda, e com as matriculas em questão, e em pleno direito apresentar queixa. ou confrontar o individuo. dá trabalho, dá. mas por isso acho que a educação civica é uma materia crucial. ou entao, deixarem de ser casmurros e agradecer esses piropos todos e piscar o olho as condutoras (como acção directa?? ou então não)
    2 homens do spectrum incorrem em raciocinios frageis :. os homens do spectrum sao uns mentecaptos. (tenho uma amostra bem mais representativa, e fiz uma generalização menos abusiva)

  14. O comentário anterior é tipicamente Santanista: A pessoa que o faz está visivelmente convencida que está a fazer uma intervenção brilhante, mas na verdade acerta tudo ao lado.
    O Anónimo leu sequer o post? Não atingiu que eu (e a striker e a generalidade dos activistas) passam a vida a procurar ser pedagógicos e a confrontar as pessoas sobre estas matérias? Não leu, pois não? Não faz mal… mas é um pouco ridículo escrever depois “podiam deixar-se desses raciocinios pouco elaborados e falaciosos e com esse tempo não desperdiçado em posts de merda, e com as matriculas em questão, e em pleno direito apresentar queixa. ou confrontar o individuo. dá trabalho, dá”
    O meu “raciocínio frágil” é o seguinte neste caso: Muito pior que um idiota é um idiota com a mania que é esperto.

  15. pedagogicamente sexista? quer um aplauso? de santanista voce tem os traços de pobre incompreendido e sentimentalista ferido.
    o civismo dos outros no spectrum.. vai ou nao comentar?

  16. Mas uma tristeza porquê ó Saraiva? Explica lá para ver se te entendo. Porque achas muito bem que as nossas ruas estejam em pé de guerra com automobilistas furiosos, presos no transito a bardar contra quem anda de bicicleta? Porque é sexista? Ou é só naquela de acompanhar os piropos do comentador de cima que depois de muito escrever não diz absolutamente nada?

  17. @dallas,
    em casa…?
    @ anonimos
    que parte do gráfico é que não perceberam? é preciso ainda mais um desenho?

  18. porque toda a gente sabe que os automobilistas HOMENS são a esmagadora maioria dos condutores violentos, brejeiros e são que os que transportam caçadeiras no porta-bagagem, mas tu preferes mandar piadinhas sobre mulheres & buzinas. Mas é que tou-te mesmo a ver a andar de bicla. mentiroso do catano. O que tu queres sei eu: “mama”!

  19. Meu caro Anónimo: Eu não mando piadinhas nenhumas sobre mulheres e buzinas.
    Apenas fiz um post que tem entre parentisis a seguinte frase: “acho que com esta história das buzinas são mais as mulheres do que os homens a perderem as estribeiras”
    É um à parte, baseado na minha própria experiência como ciclista. Por coincidências desta vida, todos os automobilistas que utilizaram a buzina como forma de agressão foram mulheres. Por acaso, a utilização do próprio automóvel como arma de agressão, comigo, foi exclusivamente utilizado por condutores homens.
    Até reconheço que toda esta conversa em torno do género dos condutores não tenha muito sentido e seja fruto de uma mentalidade sexista que é necessário combater… Faço a minha auto-crítica, camaradas! Mas é um parenteses num post!
    Já os comentários dos meus queridos amigos, nem um parênteses tem que se aproveite. “tu és mentiroso e queres é mama”. ehehe! É o estilo de imbecilidades a que nem se pode dar resposta (“não sou não senhor, e gosto mais de cus do que de mamas”??) nem sequer se deve, dizem-me…
    Eu só dou porque acho mesmo muita piada toda esta cena de haver uns pacóvios que vêm cá com os mais variados nicks largar impropérios furiosos e eu respondo e eles ainda ficam mais furiosos, and so on, and so on… E, claro, também curto ter montes de comentários nos meus posts =)

  20. @ ze, qual é a parte do gráfico que fala de corredores BUS? e o texto serve para quê? deves ser das poucas pessoas no mundo para quem esse gráfico É a NOVIDADE! boa! continua assim!

  21. Só para teres mais 1comentário :)
    Bela posta.
    Apesar do fatalismo reaccionário desta ideia a verdade é que é difícil ter esperança “no país” se para isso bastasse só observar o trânsito.

  22. É por um bocadinho de tudo que acho o teu post uma tristeza. Mas é acima de tudo porque o levas tão a sério que achas que tens de o defender. Bem hajas Saboteur, assim vale a pena continuar a fazer comentários cretinos que tu levas esta merda para a frente.

  23. “acima de tudo porque o levas tão a sério que achas que o tens de defender”??! Esse comentário é uma fraude. O que queres que te diga…

  24. As gajas guiam uma merda. Dantes quando as mulheres não conduziam é que estavamos bem. E antes dos homens conduzir ainda melhor. Os brancos guiam melhor que os pretos. Mas os pretos correm mais que os brancos.

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