Bloco e PCP recusam encontro com FMI

O Daniel Oliveira tem razão neste post.
O que se perdia se o Carvalhas e o Louçã fossem reunir com o FMI?
Carlos Chaparro diz que “o PCP não discute os problemas nacionais com estrangeiros”. Mas isso não é com certeza a linha de um Partido revolucionário. Pelo contrário, não há outro caminho senão discutir com muitos estrangeiros os problemas do nosso país e dos outros países.
Cheira-me que o que está aqui em causa é o estafadíssimo argumento de que “o povo português não iria compreender que fossemos contra o FMI e que depois negociássemos com ele”.
O povo, na cabeça de alguns políticos, percebe sempre muito pouco de política…

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17 thoughts on “Bloco e PCP recusam encontro com FMI

  1. Se defines à partida que és contra a ajuda, que achas que a mesma só vai enterrar o país, porquê é que vais negociar com os mesmos?
    Teremos que nos sentar com o PNR para lhes dizermos que somos contra nazis fascizoides?

  2. Nem que seja para dizer que se está contra e para mostrar que há outro caminho. Dava também para amplificar o que é que o FMI queria/quer e com isso aumentar a contestação.
    Neste caso ainda dava ainda para racionalizar que a austeridade não alavanca a prosperiedade e apresentar alternativas.
    E ainda dava para passar para o eleitorado essas diferentes propostas e não passar a ideia dos inconscientes que nem dialogam, todos os comentadores fazem essa analogia. Foi dar armas ao adversário sem necessidade nenhuma.
    Há uma grande diferença entre ser firme/coerente ou ser tanso. Neste caso optaram pela lógica da avestruz, enfiar a cabeça na areia e fingir que eles não andam aí.
    PArecem os saloios que quando recebem uma carta registada ou uma notificação não a assinam com medo de isso os comprometer. As consequências estão lá, pelo que prefiro que quem eu elegi participe na discussão e que diga claramente: NÃO!

  3. Portanto, seguindo essa linha de raciocinio se por exemplo o PNR quisesse reunir com o PCP e com o BE para discutir a problemática da emigração e qual a melhor forma para expulsar os emigrantes esses mesmos partidos deveriam reunir com o dito PNR como forma de depois denunciarem as suas ideias?

  4. Grumbler, a diferença é que a troika tem poder para decidir/impor o que entender, e o PNR não.

  5. É evidente, Catarina.
    Estamos neste momento a negociar as condições de um empréstimo com o FMI. Eles dizem que só emprestam mediante uma determinada taxa de juro e mediante uma série de condições que lhes assegurem que vamos conseguir pagar.
    Basicamente eu diria-lhes a eles e – já agora – ao povo, o que lhes propunha.
    Eles não iam mudar de ideias? Acredito que não. Mas tinha algo a dizer ao povo português antes e depois da reunião (aliás como teve o Paulo Portas)
    No fundo BE e PCP estão mais uma vez a dar o sinal que pouco têm para propor.
    Esse é que é um grande erro sistematicamente cometido, que nos vai fazer perder peso eleitoral, logo quando as condições parecem ser tão boas para crescer.

  6. Grumbler:
    O pnr pode ser ignorado sem qualquer consequência. Ignorar o fmi não faz desaparecer as suas consequências.
    Reunir com o fmi não obriga a concordar nem com o que eles querem impor nem faz do pce e do be cumplices da “ajuda”.

  7. Saboteur, não podia concordar mais.
    O mais à direita que alguma vez votei foi no PCP (se considerarmos que o BE está à esquerda do PCP, o que já foi menos questionável). Não sei que faça no dia 5 de junho depois deste inacreditável tiro no pé…

  8. @Catarina: Se o FMI pode impor o que quiser (e isto é discutivel porque se existir uma recusa pública do país a aceitar as medidas a coisa muda um pouco de figura, como se viu na Islandia), então para quê lá ir? Para dizer que não se concorda e eles dizerem que os que não concordam com as medidas representam apenas 20 e poucos por cento da população portuguesa?
    Aliás, não será estar a pactuar com uma ilegalidade (ou pelo menos estar a pactuar com algo muito pouco democrático) aceitar sequer estas conversações?
    Por outro lado, aposto que muitos que criticam BE e PCP por não irem lá, iriam dizer o contrário se lá tivessem ido.. é o chamado preso por ter cão, preso por não ter…
    @POKE: E em que é que ia mudar alguma coisa ter lá ido?

  9. pois eu acho que o fmi é bem vindo, a malta quer é guito para continuar a consumir. depois de o gastar, e se não der para pagar, fazemos como andamos a fazer desde há 500 anos para cá: logo se vê, alguma coisa há-de aparecer (como aliás tem acontecido).
    os gajos do pcp e do bloco são uns semíticos e não querem saber povo, devem estar todos com as contas bancárias bem atestadas.

  10. Grumbler, essa de quem agora critica por não terem ido, poder também criticar por terem ido é pura diversão. Por isso, vamos ao que interessa:
    i) porquê ir: para dizerem o que pensa 20% da população. Achas pouco? Sim, pode não mudar nada, mas se é essa a lógica, porquê fazer propostas na AR para o orçamento de estado, e outras coisas? Porque é que de repente querem dar ares de partidos fora do sistema, quando sempre foram do sistema?
    ii) o que mudava com isso: desde quando o BE e o PCP só fazemos as coisas se houver certezas de elas levarem a mudanças? quantas vezes já muitos de nós participaram em greves gerais, manifestações, etc., para depois as coisas ficarem na mesma? quantas vezes já “desfilámos” av. da liberdade abaixo no 25 de abril, para as coisas ficarem na mesma? mas não é por isso que o PCP e o BE deixam de levantar a voz quando é preciso, de dizer o que acham justo, de apresentar as propostas que julgam serem melhores e mais justas, pois não?
    iii) da falta de democracia: sim, o processo não é o melhor, mas de momento seria a melhor oportunidade – diria até uma oportunidade única – para mostrar as alternativas que 20% da população quer ver discutidas e que não o estão a ser. E sentar a uma mesa e apresentá-las não é sinónimo de negociação, como erradamente se vem apregoando. Negociação implica um “toma lá dá cá”, e não foi isso que a CGTP foi lá fazer, pois não?

  11. @Catarina: Se a Troika e baldroika pode impor o que quer, para quê então lá ir ouvir? Ir prestar vassalagem? E não será ir lá estar a legitimar negociações anti-democráticas (e nem sou eu que digo isso apenas.. até o NYTimes que me parece ser altamente insuspeito de ser de esquerda apontou tal facto) ?
    @POKE: E o que é que iria mudar ir lá? Em última análise?

  12. Assim de repente: ficávamos a saber o que eles queriam e podíamos dizer o que queremos. Estilo, trabalho de político.
    Acrescento ainda: A população portuguesa podia ser informada pela voz da esquerda do que eles querem e do que a esquerda quer.
    Já agora: O que é que ganhámos em não ir? Em última análise?

  13. @Poke: mas achas mesmo que a Troika está mesmo cá para dialogar? Eles querem é garantir assegurar que o dinheiro que metem cá é retornado e com lucro. Querem lá saber de prosperidade. Aliás, veja-se o lindo estado em que ficou a Argentina ao seguir as receitas do mesmo país.
    Quanto aos comentadores, aqui seria-se preso por ter cão e preso por não ter. Não tenhamos ilusões mas se lá tivessem ido, todos os comentadores iam dizer que até a oposição discutiu com a troika, que só 20 e poucos por cento da população é que discordava, que não tinham conseguido convencer a mesma de que as suas propostas seriam melhor para o pais, and so on. Não estamos aqui a jogar jogo limpo, e sabemos perfeitamente para onde estamos a ir. E não é por acaso que esses mesmos comentadores nos entreteem com este fait divers em vez de discutirem o impacto que as medidas vão ter para o país.. ou sem questionarem como é que não tendo subido a divida pública nos últimos 5 anos agora a situação obriga a intervenção do FMI e se essa mesma intervenção não estará relacionada com a escalada da divida privada…

  14. o FMI não é uma instituição eleita, e não tem qualquer força de soberania em Portugal. O FMI está a invadir o país e a instalar uma ditadura. O PCP não reúne com o FMI: derruba-o.

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