Todos os anos a 13 de Maio na Cova de Iria a Fatucha aparece para enganar os tolos

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Fatucha Superstar – Ópera Rock… Bufa
João Paulo Ferreira
43 min. Portugal 1976
v. o. portuguesa s/ legendas
Cinematografia Gay Portuguesa Anos 70 – Longa Metragem
Embora a sua obra, iniciada em 1975, tenha acabado por focar muito mais fortemente questões políticas e sociais, João Paulo Ferreira realizou esta obra singular, Fatucha Superstar, num registo musical inspirado no Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Webber. Com a revolução ainda quente, Ferreira desconstrói aquele que foi um dos grandes alicerces do Estado Novo: as aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Se por um lado, Fatucha Superstar é fiel à estética hippie do musical de Webber – e a uma geração portuguesa da altura –, já Fátima, ou Fatucha, é um sofisticado travesti que surge aos três pastorinhos de óculos escuros e descapotável.
O filme abre com imagens de peregrinos em Fátima. Mas apesar desta introdução em registo documental, o que João Paulo Ferreira nos propõe é que revisitemos o mito, contando-nos a sua verdade acerca do mesmo. Num descampado, os três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco dançam em enorme alegria, até que Jacinta (de bigode farfalhudo) tem uma premonição.
Mas é a Francisco que Fatucha aparece. O rapaz imediatamente chama as suas irmãs para com ele testemunharem o estranho fenómeno. Fatucha canta aos pastorinhos, prometendo-lhes sucesso e notoriedade no futuro. Mas Francisco, mais do que inebriado pelas promessas, apaixona-se por esta insinuante mulher, a quem dedica uma canção, em êxtase bucólico: “Eu sinto a minha cabeça à roda, / o peito, espartilho, / não posso esquecer aquela gaja, / que é boa com’ó milho…” Surge então de novo Fatucha, também num solo, prometendo dar início à sua luta, não sem antes consultar Deus, que reage assim à sua proposta: “Mas que grande debochada…” Quando Fatucha surge novamente aos pastorinhos, dá-se início ao milagre, aqui em forma de passos de mágica. Ela faz surgir uma mesa, tira objectos de uma cartola, faz aparecer um sumo de laranja para os refrescar, transfigura Jacinta numa apelativa mulher. Mas algo não corre tão bem. Num passo mal ensaiado, fazdesaparecer Jacinta, levando os seus irmãos a escorraçá-la. Fatucha foge para o carro e a tragédia adivinha-se. Qual Isadora Duncan, o seu véu fica preso à roda. Fatucha parece ter-nos deixado.
A meio desta sua reinterpretação das aparições, João Paulo Ferreira interrompe a narrativa para um insert – anunciado por um efeito de luzes psicadélicas –, que nos remete para o presente. Numa pista de dança, anjos, freiras e Deus, dançam despudoradamente.
As personagens desta fábula entregam-se aos mais terrenos e carnais desejos. Num altar, ao fundo, a substituir a figura religiosa, esse outro objecto de culto bem mais pagão: um enorme falo. No final do filme, novo regresso ao tempo presente. Um grupo de amigos celebra Fatucha. Afinal, ela não morreu.
Numa derradeira homenagem, cantam-lhe em uníssono: “Oh Fatucha Superstar, porque andas tu o povo a enganar. / Oh Fatucha Superstar, olha que ainda te vão lixar”. J.F.
retirado daqui

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14 thoughts on “Todos os anos a 13 de Maio na Cova de Iria a Fatucha aparece para enganar os tolos

  1. O facto em si nem me chateia muito, só mesmo a pena e o asco que me dá ver tantos imbecis a calcorrear as estradas todos os anos.
    O meu grande problema é que ESTA GENTE TAMBÉM VOTA!!!…

  2. é verdade que asco, e aposto que entre eles há pretos e drogados.
    milan, o problema é que pessoas intolerantes como tu votem.

  3. Independentemente de serem brancos/pretos, drogados/alcoolicos, proletários/empresários ou qualquer outra dicotomia de adjectivos que queiras arranjar é sem dúvida asqueroso ver tanta gente a acreditar em fábulas sobrenaturais orquestradas pela icar para manter o povo na ignorancia e servir os propósitos da igreja (que foram mudando ao longo do tempo…).

  4. as ideologias políticas, marxista incluída, também manipulam as massas em prol dos seus interesses obscuros e asquerosos. ou não???
    p.s. também deve haver paneleiros nas peregrinações. que asco.

  5. Ao Anónimo das 5:05 : De achar asqueroso até ao homicidio vai um salto epistemológico enorme…
    Ao Anónimo das 5:24 : Sim, e?
    Sim, também deve haver peregrinos homosexuais, e?

  6. Ao Anónimo das 5:05 : De achar asqueroso até ao homicidio vai um salto epistemológico enorme…
    Ao Anónimo das 5:24 : Sim, e?
    Sim, também deve haver peregrinos homosexuais, e?

  7. epa parece que aconteceu o milagre da aura no sol!!
    aleluia para tanta estupidez e para tanto acólito emocionado. o credo é livre tal como a estupidez e a ignorância dos homens. foda-se que até faz confusão aos neurónios!

  8. estas asquerosas peregrinações destes asquerosos crentes fazem-me lembrar os asquerosos comícios dos asquerosos partidos políticos, em que os asquerosos “acólitos militantes” se põem a gritar em uníssono, asquerosos e já gastos slogans de rimas fáceis e asquerosas, agitam frenética e asquerosamente bandeiras com as respectivas asquerosas cores da seita partidária em questão, e gritam asquerosos vivas aos seus asquerosos líderes.

  9. vocês afirmam-se como defensores das diferenças mas essa bandeiras que defendem já foram prévia e exclusivamente escolhidas: legalização da marijuana e direitos dos homosexuais. tudo o resto que seja diferente é visto com ódio ou indiferença. a vossa hipocrisia não tem par com merda nenhuma.
    areia, para que saibas sou um filho da puta de um ateu e não vejo muita diferença entre marxistas, anarquistas (deixa-me cá rir desta), capitalistas ou católicos, é tudo farinha do mesmo saco.
    mas eu respeito-vos a todos, assim como às putas, paneleiros ou drogados.

  10. ó anónimo eu também respeito os beatos, acho mesmo que eles têm o direito a ser beatos e tudo o mais que quiserem. um viva à liberdade!!
    ..mas apesar de respeitar esse direito continua a ser uma manifestação de estupidez e de ignorância. capice?
    quanto a não veres diferença entre “marxistas, anarquistas (deixa-me cá rir desta), capitalistas ou católicos”, isso só revela que és estupido que nem uma porta e deves ter problemas de vista também. mas olha.. eu respeito o teu direito á existência. boa?

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