REBELDES CONTRA O FUTURO? 200 ANOS DEPOIS DO LUDISMO

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Casa da Achada # sexta-feira, 20 de maio # 21h30 # entrada livre
organização UNIPOP e revista imprópria
(ver localização aqui)
com a participação de:
José Luís Garcia
Gualter Baptista
José Neves
Há duzentos anos atrás, durante o período da primeira Revolução Industrial em Inglaterra, emergia um movimento de artesãos têxteis que se opunha à introdução de maquinaria nos processos de trabalho. No âmbito de processos de industrialização que introduziriam alterações profundas nos seus modos de vida e deixariam sem trabalho os artesãos mais qualificados, o termo ludita cunhou um movimento que se inspirava em Ned Ludd, também conhecido por General Ludd. Embora não se saiba ainda hoje se Ludd foi ou não mais do que uma personagem mítica, a sua figura ficou associada à destruição de duas máquinas de tricotar na fábrica onde trabalharia, em resposta a uma repreensão patronal. Não obstante o movimento ludita ter sido desencadeado por artesãos, o termo «ludita» foi desde então retomado na crítica ao culto da tecnologia, do trabalho e do progresso. A Unipop e a revista Imprópria organizam um debate que discutirá a história do movimento ludita, os movimentos contemporâneos de acção directa contra a modernização capitalista – entre outros, movimentos antinuclear, de oposição à agricultura transgénica ou à patenteação de sementes – e os limites da ideia de progresso.

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3 thoughts on “REBELDES CONTRA O FUTURO? 200 ANOS DEPOIS DO LUDISMO

  1. Não posso concordar com as críticas à tecnologia, aos alimentos GM, à energia nuclear, etc, apenas nos termos indicados.Essa posição assume uma concepção claramente passadista e virada para trás. De nada nos adianta tentar inverter o movimento da história.Temos é de partir da realidade para nos adiantarmos a ela e procurar o melhor caminho.Hoje não faz nenhum sentido criticar a tecnologia pela tecnologia.Ela tem de ser criticada sim, mas pelas consequências nefastas. E só se combate com tecnologia ainda mais avançada. Do mesmo modo os alimentos GM têm de ser travados, não só por serem ou poderem ser um mal em si, mas também e sobretudo porque estão na base de lutas internacionais pelo poder e controlo das culturas por parte dos gigantes quimicos como a Monsanto que estão a por em causa a própria existência das sementes tradicionais.

  2. A – Manifesto contra a desilusão e a indiferença! Pela confiança em nós próprios!
    Uma maré negra de diversos tecidos pinta janelas e estendais de todas as ruas
    portuguesas, em sinal de luto, pela Liberdade.
    Amigos e Companheiros,
    Quantos de nós vendo a situação política e económica portuguesa se sentem revoltados ao
    folhear um jornal, ou a ouvir e ver notícias, na Rádio e na Televisão?
    Quantos não se sentem agora representados pelos partidos em que votámos anteriormente, mas que frustraram todas as nossas expectativas?
    Quantos de nós estão fartos do PSD e do CDS e do actual governo do PS, que voltou a
    conseguir ser uma Direcção no seu Partido, contra todas as expectativas e esperanças?
    Quantos de nós ficaram completamente decepcionados e à beira do vómito, quando perceberam que, dentro do PS, não havia ninguém que avançasse contra Sócrates? Quando vimos os
    preitos de vassalagem de Manuel Alegre e Ferro Rodrigues? Quando nos disseram que o
    tinham feito porque, apesar de tudo, era ele que podia garantir ao PS uma melhor votação? E
    que isso era melhor do que o Poder passar para a Direita, quando todos sabemos que a futura e mesma política governativa, imposta pela ‘Troika’ e aceite pelo PSD, pelo PP e pela Direcção
    do PS, vai ser posta em prática, por qualquer das coligações que possa resultar das próximas
    eleições?
    Caros companheiros do PS e seus eleitores habituais, onde ficou a premissa de que uma
    posição partidária não se deve sobrepor à consciência nacional? Ficou-vos alguma réstia
    de vergonha, depois de terem reconduzido, à possibilidade de poder, um homem que nos dava
    uma notícia boa, em cada 2ªF, para ser sempre desmentida, pela realidade ou por fontes mais
    fidedignas, à 5ª ou à 6ª?
    Eram mentiras, ou incompetência? Tanto faz. Cheira mal!
    Estamos a falar do político mais hábil da sua geração. Mas não podemos enfrentá-lo? Onde
    se situa agora a honestidade intelectual dentro do PS? Estão, ou acham-se velhos, para
    enfrentar tal combate? Ou são todos ‘boys’, agarrados a um ‘tacho’?
    Não sabemos. Mas deixam-nos um legado de traição quando, na vossa tradição, devia ser uma
    mensagem de Liberdade.
    E vamos voltar a aturar a beatice teatral de Paulo Portas e o seu populismo de beijinhos nos
    velhos, nas crianças e nas varinas, quando toda a gente sabe que por trás do PP estão os patrões de baixo nível, aqueles que compram um Ferrari, assim que ganham algum dinheiro, em vez de inovarem as suas empresas?
    Ou a ignorância indesmentível de Passos Coelho que vai provavelmente perder as eleições, por
    dar permanentemente ‘tiros-no-pé’, apesar de ter, à partida, todas as vantagens, para as ganhar?
    E o Fernando Nobre? Também não nos desiludiu a todos?
    E quantos de nós votam cada vez menos, ou nunca votaram, como muita gente
    da ‘Geração à Rasca? E quantos acham que é este o nosso ‘fado’, aquele destino infeliz a
    que não podemos escapar, em que uns nascem ricos e outros pobres, uns felizes e os outros
    próximos da desgraça!
    Nós, os subscritores deste Manifesto, acreditamos e desejamos, que o conjunto de todos nós
    possa mudar Portugal. Queremos, primeiramente, enviar uma mensagem de força a toda a
    sociedade:
    Que todos os que estão insatisfeitos com este Governo e com José Sócrates; com o CDS e
    o PSD; com as negociações com o FMI e o conjunto da tal ‘Troika’; tendo, ou não, opções
    partidárias, ponham uma peça de roupa negra, nas suas janelas e estendais. Queremos
    cobrir o país de símbolos negros, contra o regime! Fazer uma espécie de ‘Referendo’ e
    mostrar que nós, os insatisfeitos, somos muitos. Muito provavelmente, uma maioria.
    Queremos mostrar o nosso Luto por Portugal! O nosso luto pelo Estado Social! O nosso Luto,
    por palavras que foram desvalorizadas, como: Democracia, Liberdade, Cidadania, Civismo,
    Socialismo, etc.
    Porque estamos a morrer, em mentira lenta, antes de viver a sério!
    E queremos também ir à próxima manifestação da CGTP, no dia 19, de T-Shirts ou
    braçadeiras exactamente com o mesmo significado.
    Devemos ir lá todos, apesar de sabermos que os sindicatos estão um pouco esclerosados e que, estas manifestações, são demasiado convencionais, como se quem lá vai, tivesse essa obrigação.
    Nós, não. Iremos integrá-la e trazer-lhe esse luto, mas também essa alegria de viver que ainda
    nos resta.
    E por falar neste assunto recusamo-nos a perceber uma profissão que se defina como ‘Político’
    e outra, como ‘Sindicalista’. Em ambos os casos devemos defender um número máximo da
    mandatos, para evitar caciquismos e burocratas ensonados, mesmo através de eleição.
    Núcleo de Intervenção Cívica
    Continua…
    B – Mas não há qualquer coisa que ainda nos chame a todos a atenção, nas
    palavras ‘Solidariedade’, ‘Inconformismo’ e ‘Revolta’? Há, ou não há?
    Ainda percebemos, ou não, que podem existir outros caminhos?
    Para além dessas primeiras ‘Manifestações de Desagrado e Luto’, com o negro bem à
    vista, queremos que o Bloco e a CDU façam um protocolo pré-eleitoral, em que se forem
    maioria, no conjunto das suas votações, irão constituir um Governo de Esquerda.
    Sem nós, os dissidentes, os desiludidos, os apartidários, os que já não votam e os que nunca
    votaram, este resultado foge completamente à realidade. Contudo, connosco, se todos formos
    votar nos mesmos 2 partidos é matematicamente possível a vitória. E queremos, ou não,
    evitar uma existência de carneiros, destinados ao sacrifício?
    Para votarmos, na CDU ou no Bloco de Esquerda – tanto nos faz – queremos que esses
    partidos combinem e contactem, desde já, um futuro primeiro-ministro independente,
    à sua direita (para nós, pode ser a Arqª. Helena Roseta, ou outro alguém com coragem,
    honestidade e capacidade de ruptura), mas que forme um Governo de que façam parte
    Independentes, mas em que o Bloco e a CDU fiquem realmente em maioria.
    Queremos um governo e pessoas honestas e audazes que estejam dispostas a subscrever
    algo de próximo do seguinte Programa Mínimo (é para ser desenvolvido por técnicos
    das várias áreas, que nós não somos, nem queremos aparentar ser, mas sobre o qual temos
    algumas, talvez poucas, ideias, como segue):
    1.
    Renegociação dos acordos com a ‘Troika’.
    Nós queremos pagar, mas, se querem receber, têm que nos deixar estabelecer o ponto da
    situação. Vai ser como nós pudermos e sem haver acréscimo de desemprego, nem crescimento
    de encargos para os mais desfavorecidos.
    Queremos recuperar a Economia e voltar a produzir a sério, com intervenção estatal, muito
    possivelmente contra todas as normas da CE e do €uro, e correndo talvez o risco de sermos
    expulsos, mas protegendo novos projectos, implementado um nova ‘Lei das Sesmarias’, em
    que preferimos ser multados pela CE, do que não produzir e em que sustentemos um preço de
    compra mínimo aos produtores, quando tal for necessário.
    Arranjaremos certamente nos ‘Países em Vias de Desenvolvimento’ quem precise de leite em pó ou condensado, bem como de outros géneros.
    2.
    Serão estabelecidos, de imediato, contactos com a Irlanda, a Grécia, a Islândia e
    todos os outros países europeus de economia periférica, para vermos o que podemos
    fazer uns pelos outros. Vamos explicar a todas essas nações, de economia pouco sustentada,
    que já entraram na CE, ou na zona €uro, ou que estão a negociar essa entrada, o que lhes pode
    acontecer, após um período relativamente curto de euforia.
    De facto, as medidas de austeridade impostas agora a Portugal, nunca serão implementadas para a Espanha ou para Itália, por bem pior que seja a situação financeira destes países, porque os seus mercados são demasiadamente importantes para as potências dominantes da CE.
    3.
    O pagamento de mais de 3.000€ de pensões mensais individuais, reverterá, de
    imediato, a favor do Estado (valendo o mesmo para pensões acumuladas).
    4.
    Qualquer ordenado de Gestores Públicos, superior, ao de Presidente da República,
    reverterá, de imediato, para o Estado.
    5.
    Será implementado um imposto sobre as Grandes Fortunas (trata-se de um esforço
    patriótico a prazo, e não de uma condição para ficar estabelecida para sempre).
    6.
    Ninguém, mas mesmo ninguém, trabalhando por conta de outros, poderá ganhar
    mensalmente mais de 12 salários mínimos. O excedente reverterá para o Estado, através
    do IRS, que deixará de funcionar por escalões, mas aplicado, caso-a-caso, de acordo com
    este princípio.
    7.
    Todos os ‘Institutos’, ou empresas de Consultoria, que trabalham para o Estado, e
    em que Funcionários Públicos sejam maioritários, serão extintas. Esses Funcionários serão
    encarregues de desempenhar o mesmo que faziam até aqui, mas dentro do Funcionalismo
    Público a que pertencem e com os ganhos correspondentes às suas reais categorias
    profissionais.
    8.
    É obrigatório fazer com que Caixa Geral de Depósitos possa criar melhores
    condições do que quaisquer bancos privados para as empresas de exportação e para todas
    as actividades produtivas.
    Também contra as instruções da CE, o Estado deve arranjar formas de subsidiar essas
    possibilidades.
    Núcleo de Intervenção Cívica
    Continua…
    C – Entretanto, nós, os criadores deste manifesto, propomos a toda a gente, que transfira
    as suas poupanças, ou contas-ordenado, etc., para a Caixa Geral de Depósitos, o Montepio
    Geral ou as Caixas de Crédito Agrícola.
    Vamos penalizar a Banca Privada, sobretudo aquela que se encontra ligada a escândalos
    de corrupção. E vamos deixar falir os bancos que não se aguentem neste ‘reviralho’ (pensamos
    que em sua defesa virão os actuais credores externos).
    As pequenas poupanças, desde que mudem, desde já, não serão gravemente afectadas, porque os juros são muito baixos, e os grandes investidores serão certamente penalizados, mas eventualmente já lucraram muito com a sua actividade financeira.
    Todos gostamos das posições do Mourinho e do Cristiano Ronaldo no futebol, mas nada nos
    obriga a seguir as suas recomendações noutras questões.
    É pouco, sabemos, como programa de governo, mas certamente que a CDU e o Bloco, bem
    como esses independentes que gostaríamos que ali estivessem representados, têm a gente certa para corrigir e alargar as nossas ideias, mantendo o seu espírito de base.
    Mas precisamos de abandonar a nossa letargia, as nossas ganzas, o futebol, a música e,
    sobretudo, o nosso desalento, e colocar os tais símbolos negros bem à vista e, depois, ir votar!
    Queremos ouvir as vossas opiniões sobre este ‘Manifesto’ nos espaços públicos de opinião,
    redes sociais, etc, e que o reencaminhem para todos os vossos amigos e conhecidos por
    email.
    Núcleo de Intervenção Cívica

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