Uma noite eleitoral que se adivinha deprimente


Luis Fazenda afirma orgulhoso que o “BE não foi fazer miminhos à troika” e que o PS “chegou ao grau zero da utilidade: não serve para governar nem para a oposição”.
Acho que só quem com demasiada facilidade (e erro) vê dissidências e deslocações de voto para o PS; ou faz a leitura de que quem votava António Costa era com medo do “papão Santana”; ou faz a leitura de que quem votava Alegre, votaria Cavaco se o outro candidato fosse Salazar, é que pode fantasiar agora com um grande movimento de transição de voto útil para o PS. Subestimam a capacidade de raciocínio político do povo de esquerda.
É no fundo a tese de Gil Garcia.
Parece-me, pelo contrário, que a esmagadora maioria dos votos que estão a escapar ao Bloco cairão muito mais facilmente para o a abstenção (ou para o voto nulo ou para os pequenos partidos) do que para o PS.
Creio que houve muitos eleitores de esquerda que votaram no BE na expectativa de que a força eleitoral crescente do partido se transformasse em força política, capaz de contribuir decididamente para operar mudanças na sua vida.
Por várias razões, a principal das quais será a capitulação do PS face à agenda económica da direita, isso não aconteceu.
Hoje em dia é óbvio que esse cenário nem sequer se coloca. Nestas eleições, todos sabemos, não haverá nenhum eleitor de esquerda com razões para comemorar no Domingo à noite. O contexto em que estamos não é o de esperança de que alguma coisa mude para melhor, mas sim o de descrédito num sistema político e partidário que parece que não consegue arranjar outras soluções para além do rotativismo entre PS e PSD, com o CDS a entrar no Governo de vez em quando. É o de crise sem solução à vista. É um contexto em que muitos eleitores do BE em 2009 poderão abster-se, mas não vejo como poderão mudar o voto para o PS.
Em vez do discurso contra o “voto útil”, a par da boa campanha que têm feita em torno do esclarecimento das questões ligadas à crise económica, seria melhor que o BE direccionasse a ultima semana de campanha contra a abstenção e contra a maioria absoluta da direita.

Direita, PSD e CDS, bem entendido, que essa história de que PS=PSD=CDS é uma narrativa que não tem solução eleitoral à vista e que não dá vontade sequer de sair de casa este Domingo sem ser para ir à praia.

11 thoughts on “Uma noite eleitoral que se adivinha deprimente

  1. Previsões dos resultados eleitorais
    (Nestas eleições o Spectrum dá prémios a quem acertar?)
    PSD-39
    PS-30
    CDS-13
    CDU-7
    BE-6
    Outros: 5

  2. PS – 33
    PSD – 33
    CDS – 9
    CDU – 100
    BE – 100
    PCTP/MRPP – 100
    POUS – 100
    PAN – 120
    ABSTENÇÃO – 100

  3. Passo Coelho – primeiro ministro
    Paulo Portas – ministro dos negócios estrangeiros
    Zé que faz falta – secretário de estado do ambiente
    Saboteur – assesseur

  4. Hummm… Será que o PSD/PP vai convidar para secretário de Estado o gajo que correu com o PSD/CDS da câmara de Lisboa?

  5. Acho que sim: chama-se “política integradora”. Até te vão integrar a ti que eras a mão direita do Zézinho

  6. Há casos…e casos. Há distritos em que se coloca um problema, distritos onde o problema é outro.
    A norte, onde as percentagens de indecisos/abstenção/brancos/nulos é maior (é, aliás, onde vão ser decididas estas eleições) a campanha do BE teve esse combate como objetivo.

  7. Andas muito bem informado. Aqui ao telemóvel ainda não me chegou o convite…
    Porque é que essa cambada quererá o único vereador eleito que denunciou um caso de corrupção à polícia e a sua “mão direita” que passava a pente fino os relatórios de gestão das empresas municipais? Será para fazer uma auditoria à governação xuxialista?
    Não estão com sorte nenhuma. Eu, ao contrário de outros, não faço favores à direita mais reaccionária. Nem sequer para eventualmente tramar o PS.

  8. olha: desculpa lá todos os insultos que publiquei anonimamente aqui no spectrum – se bem que vocês fizeram por merecer!!! eh, eh, eh. Mas entretanto um gajo também se cansa, sabes como é… de tanto bater no zézinho… Bem, quero que se fodam e se alguém morrer prematuramente de cancro também não vou verter uma lágrima, cambada de oportunistazecos de meia-tigela. Anyway: tou noutra e o FMI já vos vai dar a ripada merecida. PALHAÇOS de merda.

  9. caro anónimo: lamento informar mas o conceito de “oportunista” está mal dominado nessa cabeça.
    Oportunista quer dizer aproveitar-se das circunstancias/oportunidades, para tirar partido para si próprio.
    Agora pensa lá bem e reflecte se não será por tu – imagino que militante activo de um certo e determinado partido – e pessoas como tu, confundirem diferenças de opinião com oportunismo e outras coisas nada agradáveis sobre os teus camaradas, se não será também por esse sectarismo cego, essa incapacidade de ouvir opiniões de outros camaradas, essa traição basica aos ideais da fraternidade, que a esquerda a sério cai de 20% para esta merda de resultados.

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