O amor nos tempos de cólera

lovers.jpg

Anúncios

23 thoughts on “O amor nos tempos de cólera

  1. Ser encenado é totalmente legítimo…o que é que não é encenado nas nossas vidas? O beijo no hotel de ville do Doisneau foi encenado.
    Até podia ser uma colagem que será sempre uma imagem contrastante que põe em relevo o que é fundamental. Isto é lindo.

  2. Pois, lá brutal é, e encenado tambem. Quanto ao que interessa: no fio da navalha, entre dois mundos (ok, esta tudo no fio da navalha? pois – é isso o Império). No fundo no fundo, a bofia esta ali para proteger aquela cena – nao para a ignorar, nao para a atacar como noutra foto que hoje vi no face e que pertence a esta serie de certeza – ah, e quero uns sapatos de tacão alto como os da gaja dessa foto. Está ali para a proteger porque o que tudo o que está por detras de todas as bofias já nao é o capital mas a sua imagem – e a sua imagem feita-vida é esta vida de abstracção, de intensidade na paixao e de paixão na intensidade que tao bem se mostra aqui – eles vao querer uma Frize-limao quando pararem, ou uma Pepsi? è disso que vivem as Wall Streets QUE SOMOS. Está ali para a proteger a bofia porque aquilo é a liberdade-liberal do nao-me-fodas tu que nao és eu-e-a-minha-paixão-do-momento, que nao és a minha conquista-do-momento, o meu reconhecimento nesta imagem-do-momento. Indiferença suprema que só têm os verdadeiros-apaixonados e os verdadeiros-filhos-da-puta, indiferença cega de quem sabe que as coisas têm um valor que é maior do que o valor-dos-mundos. A bofia protege isto contra a comuna, contra o perigo de se infiltrar naquele beijo parado um grao de areia que seja de reslidade real, de realidade suja e transitoria e fragil e intensissima. Filme publicitário sem que haja rasto do produto publicitado, sem logotipos e sem saída na areia vaga do deserto – se é isto que a fotografia mostra, se é o beco sem saida da civilização senil – bem, isto lindo nao é, mas talvez seja n«brutal, sim. The end, no mais terrivel dos sentidos, e é isto e não os ricos o que nos oprime e sufoca. É isto o que será destruído pela insurreição que vem.

  3. Não Xica. Isto é a cultura pop a ser devorada pelos seus próprios filhos. Não estamos tão sozinhos como pretendemos, nem tão acima disto tudo como tu sugeres. As nossas ideias estão em todas as cabeças. Não estão é iguais em todas as cabeças.

  4. Se não foi montado, ambos só sacaram da genitália porque sabiam que iam ser fotografados, comentados, enaltecidos ou criticados. Não há nada de espontâneo no que é o gesto mais espontâneo de todos.

  5. I was covering last night’s Stanley Cup Playoffs for Getty Images when Vancouver erupted in riots after the Canucks’ Game 7 loss to the Boston Bruins. It was complete chaos. Rioters set two cars on fire and then I saw looters break the window at a neighboring department store. At that point, the riot police charged right towards us. After I stopped running, I noticed in the space behind the line of police that two people were laying in the street with the riot police and a raging fire just beyond them. I knew I had captured a “moment” when I snapped the still forms against the backdrop of such chaos but it wasn’t until later when I returned to the rink to file my photos that my editor pointed out that the two people were not hurt, but kissing.
    Read more: http://www.esquire.com/blogs/politics/vancouver-riots-2011-photo-5929916#ixzz1PXMkU1LJ

  6. “William, a citizen witness, wrote to The [Vancouver] Sun to explain what REALLY happened.
    He said: ‘I was on the top floor of a parkade on Seymour, the couple was right outside of the parkade on the street in front of me. What happen was the police line rushed the crowd and this couple trying to stay together couldn’t react in time and were run over my 2 riot police officers. The girl who was knocked over landed head first on the pavement with her boyfriend landed partially on top of her. She was in visible pain, crying, but the 2 officers gave them a parting shove and moved on. By standers went to go make sure she was ok. I understand that the front line police have to control the crowd but it is a bit ridiculous that they couldn’t have other officers or paramedics behind the line to help anyone who is hurt.'”

  7. Rick, não tenho a certeza de ter percebido o que disseste – de certa forma a cultura pop devora permanentemente os seus filhos, no sentido Warhol da ‘fome’ – mas não é a isso que te referes, pois não?
    entao isto é vancouver e é espontaneo? ok :) e esta de paris também?
    http://www.dailymail.co.uk/news/article-1322441/France-riots-Demonstrations-pension-reforms-continue-ninth-day.html
    vou começar a acreditar nas cenas de 2012, e continuo a querer aqueles sapatos de agulha.

  8. Não. Aliás, se leres bem, eu escrevi precisamente o contrário: a cultura pop a ser devorada pelos seus filhos. Tens a certeza que a realidade é apenas “suja e transitoria e fragil e intensíssima”? Não te parece que ela é isso e muito mais (tudo)?

  9. Ler ou dizer aqui às vezes obriga a ir ao fundo das coisas, e isso é fixe – ou sujo e tal, mas já lá vamos ;)
    Disse eu “realidade real, realidade suja e transitória e frágil e intensíssima”. E com isso queria contrapor a realidade da vida em comum (quer dizer: comunicada), da vida partilhada, da vida sensível – à realidade-imagem ou realidade-fantasma do deserto e das existências ‘individuais’ do liberalismo que ele gera e permite, o das existências escravizadas na eterna promessa da salvação.
    É no deserto, por mais abjecto que o mundo-em-que-estamos nos pareça, que o sujo não tem lugar, porque é arrumadinho num sítio escondido, num ghetto próprio para ele, pano de fundo e irmão-gémeo da mentira gloriosa do ‘limpo’.
    É no deserto que nada é transitório, porque nada vive na simples duração dos mundos: tudo está, ou paira, ou se finge ou se queda entre o instante inalcançável da promessa de satisfação dos desejos e a intemporalidade obscena das coisas mortas, dos corpos-sem-mundo.
    É no deserto que nada é realmente frágil – como são frágeis os mundos pequenos, aquelas coisas de que nós os ‘modernos’ não gostamos porque se chamavam lugares (sim, e todo o lugar é um lugar-comum: quem se fecha fica só com um ‘sítio’, quer dizer, fica ‘sitiado’), como são frágeis as certezas e as vidas e as palavras e os caminhos, quer dizer: mudam, acompanham, ressurgem, florescem, murcham, vão-se embora ou ficam connosco, como são frágeis as coisas que não estão mortas nem esperam a salvação mas simplesmente estão e falam.
    É no deserto, finalmente, que nada pode ser intenso, quer dizer: que nada é mais do que um prelúdio ou uma decomposição, um ainda-não ou um espectro-do-passado, quer dizer ainda: é no deserto que nada é presente e pode ser presente, que nada se apresenta porque tudo se representa.
    Nada pode ser, no deserto e segundo o deserto, a intensidade de que no sustentamos, nós-quaisquer: a intensidade que é a da potência (para o fazer, para o não-fazer). A intensidade sim, que não é a pesada densidade dos corpos nem a insustentável leveza da ânsia (que é a densidade dos caprichos), a intensidade que não é o ‘puro sentir’ somado ao ‘puro fazer’ da dissociação capitalista.
    Por isso não vejo que a realidade-real, a realidade-dos-mundos, seja mais do que isso, mesmo que seja – e é! – “tudo”.
    Gostava de saber dizer isto melhor, sim.

  10. Rick,
    o teu candidato António Costa confirma que não é O Santana. E o gajo da ciclovia, o Fernandes, também é fize. Vais à acampada do Continente, não vais? É o jardim que sempre disseste que o Costa ia promover.
    bom sábado lisboeta, Rick.

  11. Rick,
    o teu candidato António Costa confirma que não é O Santana. E o gajo da ciclovia, o Fernandes, também é fize. Vais à acampada do Continente, não vais? É o jardim que sempre disseste que o Costa ia promover.
    bom sábado lisboeta, Rick.

  12. Pá, camarada TMC, não sei se é dos meus olhos ou da censura interna do meu pc, mas, infelizmente, não vislumbro nenhuma genitália desnuda nesta imagem.
    P.S: A revolução será hardcore ou não será nada.

  13. Rick tens razão (a xica tb tem montes de razão) se a cultura pop estiver a ser devorada. é sim um fio da navalha. o maio de 68 só foi o renascimento da cultura pop porque a insurreição foi derrotada, caso contrário era a cultura pop que ia com os porcos.

  14. Caro anónimo, não percebo o que tens contra esta iniciativa de apoio à “produção nacional”. Não é essa a tua praia?

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s