Eles ganharam

Ensinam-nos que a salvação está no dinheiro, na posição, no estatuto, está na promessa e no próprio facto e movimento da ascensão. Mas não. A realidade mostra-nos que este poder raramente move montanhas e quase nunca move indivíduos. Contra todas as promessas, contra todas as evidentes possibilidades, o falhanço é o dado mais óbvio e mais negado. Que não haja dúvidas: o falhanço é tua responsabilidade. E todos somos culpados de alguma coisa. A culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias. A culpa é tua e só tua se chegaste aos 35 anos e não cumpriste os sonhos que te plantaram na cabeça, emprego, filhos, família, chegar ao meio do mês sem pensar em dinheiro, ir de férias, a promessa da classe média já ali ao virar da esquina e um futuro radioso na expectativa da juventude eterna. Era tão bom não era?
images (2).jpg
E então surge a cultura da culpa que nos diz que, além de sermos todos culpados, nós os falhados, não podemos ser culpados sozinhos. A culpa aguenta-se sempre melhor se for partilhada. Para quê? Para ser expurgada em conjunto, uma expiação solidária? Para a negarmos? Não! Para transferir a própria culpa. Na ideologia do insucesso, os outros são sempre mais culpados que eu. Pois se não fizemos nada por isso, tinhamos tudo o que era preciso, mas outros filhos da puta atravessaram-se. Se um é culpado por ser precário, o outro é muito mais culpado por ter um emprego à moda antiga, com direitos, com privilégios. Se eu sou culpado por não receber o que mereço, o outro é muito mais culpado por receber o que sem dúvida não merece. E por aí fora.
tumblr_kqsokulpYl1qzw5wjo1_500.png
O que é preciso é abrir oportunidades para o sucesso. Dinamizar a economia, empreender. Sermos os nossos patrões. Investirmos no nosso futuro. Sermos melhores. Melhores que os outros. Os falhados. O que é preciso é indignarmo-nos, muito, e pedirmos que olhem para nós, que nos arranjem um emprego, que damos conta do recado e isto vai ser um sossego. O que precisamos é de oportunidades. E melhores políticos. Precisamos de gente séria e competente a governar. Sim, indignemo-nos. Muito.
verbage.jpg
Eles ganharam e conseguiram fazer-nos esquecer.

Anúncios

8 thoughts on “Eles ganharam

  1. Ó Paulo Alexandre :) hunf ha ah… Paulo Alexandre ?!? HAAAA HAAHA LLLLLLLLLLLLOOOLLLL P… Alexandre iiiii ai … agora a sério ninguém merece se chamar paulo Alexandre hahahaha olha? a tua mãe é pARVA? hahaha lolol e chama-se vanessa sofia hahaha fodasse…

  2. Esta esquerda “radical” anda muito snob… é um comentário digno de um queque da linha que lê a Caras a pensar que é alguém…

  3. Já agora e como o Paulo elevou o nível do debate ando a ler e recomendo (não ao paulo obviamente (confia em mim paulo:)))mas ao publico mais velho aqui do blog. Se calhar alguns já leram:
    Antonin Artaud
    HELIOGABALO ou O Anarquista Coroado
    Tradução de um Mário Cesariny
    fiquei contente, aquela cena de ler e reler a cebola tipo Húmos, muito húmos aqui também. A badana diz que era do gang do breton. Fou ao google…

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s